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10º dia – ITATIAIA a OURO BRANCO – 21 quilômetros


10º dia – ITATIAIA a OURO BRANCO – 21 quilômetros


..Eu é que não me sento, nesse apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar....” (Raul Seixas)




O percurso não seria de grande extensão, de forma que optei por partir com o dia claro.

Assim, saí às 5 h 30 min, depois que, gentilmente, a proprietária da pousada, a simpática dona Rita, me serviu um gostoso café espesso e nativo, acompanhado de pães de queijo.

Nessa etapa, a Estrada Real segue um roteiro integralmente diferente do CRER.

O trecho inicial me obrigou a retornar sobre os passos que dera no dia anterior, qual seja: 2.200 m, em terra, ladeira abaixo.

Depois, mais 2.300 m por asfalto, em ingrime aclividade, até o topo de um morro.

Então, após 4.500 m vencidos, deixei a rodovia e adentrei à direita, numa estrada de terra ascendente.

A partir dali foram mais 16.500 metros até o aporte final da jornada

O trecho inicial se mostrou belíssimo, entre enormes capões de mata nativa integralmente preservadas e, o melhor, apesar de haver muito pó no leito da estrada, não houve tráfego de veículos, embora eu transitasse por descensos profundos e ladeiras íngremes.

Contudo, quando restavam 9 quilômetros para a chegada, acabei por desaguar numa estrada municipal, que serve 4 povoados importantes, e aí paguei meus pecados do dia, pois ingeri e aspirei muita poeira.

A chegada se deu por um calçadão lateral, que segue beirando a rodovia MG -129, quando tinha a imponente serra de Ouro Branco me escoltando pelo lado direito, até a chegada à zona urbana.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Depois de retornar 4.200 m sobre meus passos do dia anterior, início da estrada de terra.


Caminho ermo e solitário. Maravilhoso!


O dia estava nublado e havia muita mata nativa a me escoltar.


Em descenso, nesse trecho...


Um dos trechos mais belos e solitários do CRER.



Uma intersecção de caminhos a minha frente...



Trecho final, caminho reto, plano, mas com bastante tráfego de veículos.


Quase chegando a zona urbana.

O povoado de Santo Antônio de Ouro Branco teve sua origem em fins do século XVII, provavelmente no ano de 1694, como consequência do processo de ocupação iniciado com as primeiras bandeiras que, subindo o Rio das Velhas à procura de ouro, desbravaram a região, assentando-se ao pé da Serra de Ouro Branco, também denominada, na época, Serra do Deus (te) Livre (tombada pelo IEPHA em 07/11/1978).

Os primitivos habitantes desta região foram os índios da tribo Carijós.

Os ex-integrantes da Bandeira chefiada por Borba Gato, Miguel Garcia de Almeida Cunha e Manuel Garcia, transpondo os altos da cachoeira de Itabira do Campo (atualmente Itabirito) descobre o ouro na falha radial da Serra, onde se encontram os mananciais dos Ribeirões da Cachoeira e Água Limpa.

Tal descoberta não produz o rendimento esperado: Manuel e Miguel se desentendem e a bandeira se divide.

Manuel Garcia segue na direção Nordeste, indo dar com o rico córrego do Tripuí, descobrindo o "Ouro Preto", cor produzida devido à presença do Óxido de Ferro em sua composição.


Igreja matriz de Ouro Branco/MG.

Miguel Garcia, por sua vez, desce o vale do chamado "Rio da Serra", que corre para o Oeste, paralelamente à aguda escarpa da Serra de Deus Livre.

Funda um povoado nessa região, após descobrir ouro de cor amarela, clara, produzida pelo mineral Paládio a ele associado, denominado "Ouro Branco" por simples contraste cromático aparente com o "Ouro Preto" do Tripuí.

Ouro Branco foi uma das mais antigas freguesias de Minas, tornada colativa pelo alvará de 16 de fevereiro de 1724, expedido pela Rainha Maria I, durante o governo de Lourenço de Almeida.

Nesse período Ouro Branco já possuía considerável importância econômica pela prosperidade de sua população.

O ouro extraído em Ouro Branco era desprezível em relação à extração praticada em Ouro Preto.

Por essa época, a má qualidade das jazidas auríferas e as dificuldades de exploração, advindas do primitivo processo utilizado, fazem atividade mineradora retroceder.

Fonte: Wikipédia


Cruzeiro fincado na praça central de Ouro Branco/MG.

Considerada o marco inicial sul da Cadeia do Espinhaço e tombada pelo IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico), a Serra de Ouro Branco é uma das maiores atrações da cidade homônima que fica a aproximadamente 100 quilômetros da capital mineira.

Cartão-postal do município, a serra possui diversas cachoeiras, trilhas entre outras atrações naturais que fazem a alegria do turista.

Além de suas belezas naturais, a cidade resguarda também atrações que compõem o seu encantador conjunto arquitetônico e paisagístico, como a Capela Nossa Senhora Mãe dos Homens (datada em meados de 1865) e a famosa Casa de Tiradentes, local que abrigou várias vezes diversas reuniões dos inconfidentes mineiros. 


Igreja matriz de Ouro Branco/MG, de outro ângulo.

O município ainda conta com outras suntuosas construções setecentistas como antigos casarões, fazendas e igrejas, como a bela Matriz de Santo Antônio de Ouro Branco, que representa claramente a arquitetura religiosa do século XVIII, marcada pelas incríveis obras do mestre Aleijadinho.

Ouro Branco possui muitos eventos culturais ao longo do ano, como cavalgadas, caminhadas, o Festival de Inverno de Ouro Branco e a Festa da Batata, que garantem a animação da cidade.

População atual: 40 mil pessoas – Altitude: 1075 m

Fonte: Instituto ER



Magníficas flores para alegrar o dia!

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a Pousada Villa Real, em Itatiaia/MG, até o Hotel Colonial, em Ouro Branco/MG: Aproximadamente, 6 h.

Pernoite no Hotel Colonial - Apartamento individual excelente, com atendimento diferenciado. Recomendo!

Almoço: Restaurante 2 Irmãs – Excelente! Preço fixo: R$24,90, servido no sistema self-service, podendo-se comer à vontade.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma etapa de pequena dimensão, mas que contempla inúmeros ascensos íngremes e profundos descensos, exaurindo, sobremaneira, a jornada do peregrino. No entanto, após o 5º quilômetro, quando se adentra em terra em definitivo, perpassei por locais belíssimos, onde a mata nativa se encontra integralmente preservada. A parte negativa se mostrou a partir do 12º quilômetro de caminhada, quando desaguei numa rodovia vicinal, que se dirige a quatro povoados e, então, o pesado trânsito de veículos mexeu, definitivamente, com minha introspecção, pois engoli e aspirei muita poeira. No global, jornada curta, mas desafiadora, da qual, no entanto, guardo lembranças incríveis.