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3º dia – SABARÁ a RIO ACIMA – 39 quilômetros


3º dia – SABARÁ a RIO ACIMA – 39 quilômetros

Tenho na bagagem esperança suficiente para continuar a caminhada. E no coração espaço bastante para preencher-me de emoções. Sensações. Segredos.


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Saída às 5 horas, depois de ingerir rápido café da manhã que o porteiro noturno, gentilmente, preparou para mim.

1º parte: Sabará a Raposos: 14 quilômetros, em aproximadamente 3 h 30 min.

Trecho bastante exigente, pois apresenta aclives e declives acentuados, com pedras soltas, dois riachos para atravessar e, praticamente, nenhuma sombra para proteção.

Nessa etapa os totens da Estrada Real e os marcos do CRER seguem o mesmo roteiro.

Depois de caminhar 3 quilômetros, passei pelo bairro do Arraial Velho de Sabará, que foi fundado em 1700, pelo bandeirante Borba Gato, com o nome de arraial de Sant’Ana.

Por sinal, ele ainda guarda um ar bucólico e grande valor histórico.

No global, o percurso alterna subidas e descidas de pequena extensão.

Por todo o trajeto a estrada é larga e em bom estado de conservação.

No 7º quilômetro, há que se abrir uma porteira, transitar diante de uma casa e seguir por outra porteira, à esquerda, quando se inicia uma senda pedregosa, lembrando que os proprietários do local permitem a passagem dos peregrinos.

Mesmo nos trechos da trilha, somente 100 metros são percorridos em vereda técnica, com uma descida e muitas valas que exigem cautela, principalmente dos mais inexperientes.

A cidade de Raposos foi fundada em 1690, pelo bandeirante Pedro de Morais Rapôso, que foi à região em busca de ouro e pedras preciosas.

Como a terra da região era muito fértil e rica em ouro, ele acabou permanecendo e fundando a vila de Raposos.

Como atrativo, a cidade ainda guarda um pouco do seu patrimônio histórico, como a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Além da parte histórica, o viajante tem opções de passeios em trilhas ecológicas e algumas cachoeiras.

População atual: 16 mil habitantes. Altitude: 742 m.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Igrejinha situada no Arraial Velho de Sabará/MG.


Ruínas de uma antiga igreja existente a beira do caminho.


Piso extremamente empoeirado...


Trecho em trilha, algo em torno de 200 metros.


Obras sendo feitas no caminho.. mas os totens da ER marcam o rumo.


Igreja matriz de Raposos/MG

2ª parte: Raposos a Honório Bicalho – 15 quilômetros, em aproximadamente 4 h.

Trecho dificílimo, principalmente nas trilhas, talvez o percurso mais rude que enfrentei em todos os roteiro que já percorri.

Contém descensos e ascensos fortíssimos, com muitas valas, pedras soltas, riachos para atravessar, mata fechada, marcos fora de lugar, fatores que complicaram sobremaneira minha jornada.

As sendas estão deterioradas porque servem de local para treinamento de pilotos de motocross da região, o que acabou por erodir profundamente os locais de aclive e declive.

Ainda, havia sol forte e pouquíssima sombra no percurso, além de baixa umidade na atmosfera.

Nesse trecho a Estrada Real e o CRER seguem juntos até o 9º quilômetro, depois o CRER segue em frente e desce a montanha por locais menos inóspitos.

Por distração, eu acabei seguindo o percurso da Estrada Real e corri sérios riscos de quebrar uma perna ou torcer o tornozelo, pois levei, no mínimo, quatro grandes tombos.

Para piorar, se isto ocorresse eu passaria um grande sufoco, pois não avistei ninguém no entorno, bem como não havia sinal em meu aparelho celular.

Fechando minhas digressões, diria que não recomendo essa trilha para ninguém, ainda mais se estiver chovendo.

Uma alternativa plausível seria percorrer esse trecho pela rodovia, cuja extensão é de 12 quilômetros.

Honório Bicalho é um distrito de Nova Lima e contém comércio variado para servir ao caminhante.

Algumas fotos do percurso desse dia:



No início, caminho plano e sombreado.


Daqui já é possível ver a trilha por onde eu subiria no morro do outro lado.


Descendendo por um trilho horroroso e perigoso.


Um dos riachos a serem atravessados.


Paisagem esturricada pelo fogo.


Chegando em Honório Bicalho, em Nova Lima/MG.

3ª parte: Honório Bicalho a Rio Acima: 10 quilômetros, em aproximadamente 2 h.

Trecho fácil e curto, quase sempre à beira do rio das Velhas, que venci sem maiores dificuldades, apesar do sol forte e calor opressivo.

O percurso é todo em estrada de terra e em bom estado de conservação, plana e sombreada em boa parte do trajeto.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Estrada plana e deserta, em direção a Rio Acima/MG.


O rio das Velhas me acompanhou em todo o percurso desse trecho.


Caminho plano, mas sob sol ardente.

Cercada por cachoeiras e nascentes, Rio Acima é uma cidade que possui 100% do seu território situado na APA Sul – Área de Proteção Ambiental, que comporta 14 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Situada a 34 quilômetros da capital mineira, a localidade respira história. 


Marco do CRER em Rio Acima/MG.

Com um conjunto arquitetônico setecentista, Rio Acima possui igrejas, ruínas, estação ferroviária, capelas e casarões, na maioria das vezes, construídos por escravos.

Apesar deste magnífico acervo, as maiores atrações turísticas da cidade são as belas cachoeiras espalhadas ao longo de sua vasta e rica vegetação.


Os derradeiros marcos do CRER e ER na chegada a Rio Acima/MG.

População: 10 mil habitantes - Altitude: 754 metros

Fonte: Instituto Estrada Real


Igreja matriz de Rio Acima/MG.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a Pousada Vila Real, em Sabará/MG, até o Hotel Dona Eliana, em Rio Acima/MG: aproximadamente, 9 h 30 min.

Pernoite no Hotel Dona Eliana: O estabelecimento é bastante simples, mas limpo, amplo e situado no centro da cidade.

Almoço: Restaurante da Dedé: Excelente! Preço: R$15,00 o prato feito.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma etapa de grande extensão, e composta de terríveis dificuldades altimétricas. O trecho localizado entre a cidade de Raposos e o distrito de Honório Bicalho, em minha opinião, é o pior, dentre tantos que enfrentei na Estrada Real e deveria ser abolido do trajeto, em face do risco que representa para os peregrinos. Por sorte, não me feri nele, mas jamais retornaria para caminhar nesse percurso. Recomendo a todos que optem pelo asfalto nessa etapa, mormente se estiver chovendo.