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9º dia – LAVRAS NOVAS a ITATIAIA – 29 quilômetros


9º dia – LAVRAS NOVAS a ITATIAIA – 29 quilômetros 

Não tenho medo do caminho, tenho medo de não caminhar.” 




Saída às 5 h, sob muito frio, pois a cidade de Lavras Novas está localizada a mais de 1400 m de altitude.

De se lembrar que a Estrada Real segue um roteiro totalmente diferente em relação ao CRER, pois prossegue em direção ao povoado da Chapada, utilizando um caminho antigo, que contorna a serra do Trovão.

1ª parte: Lavras Novas ao Povoado de Chapada: Aproximadamente, 9.500 metros em 2 h 30 min

O início do trajeto se dá pela estrada que segue em direção à rodovia MG-129, a mesma por onde eu chegara no dia anterior.

Foram 2,5 quilômetros sobre terra para atravessar a serra do Buieié/Trovão, depois mais 3 quilômetros sobre piso asfáltico.

Na altura de um estabelecimento comercial nominado Trevo da Chapada, obedecendo os marcos do CRER, eu girei à esquerda e por uma estrada larga e empoeirada, cheguei ao minúsculo Povoado de Chapada, onde existe comércio.

Trata-se de um subdistrito, pertencente a Lavras Novas, na verdade, um bucólico povoado de poucas casas, cercado pelas Serra do Trovão e de Itatiaia, onde destacam-se a Capela de Sant’Ana, a exuberante natureza e a típica tranquilidade do interior mineiro.

A localidade teve origem em meados do século XVIII, com objetivo minerador, mas foi consolidado no século seguinte, como confirma a construção da Capela em 1883.

A mineração foi substituída pela agricultura e hoje a economia tenta se fortalecer com o turismo.

Com o grande aumento do fluxo turístico em Lavras Novas nos últimos anos, o vilarejo de Chapada tem sido uma nova opção de comodidade para os visitantes.

Atualmente, o turismo é a principal atividade econômica do povoado, com o aluguel de casas para fins de semana e retorno para o comércio local.

Cada vez mais turistas visitam a localidade para conhecer sua importância histórica, sua beleza cênica, seus pratos típicos, suas cachoeiras, a simplicidade do povo e ainda caminhar pela Serra do Trovão, imponente.

Por sinal, a serra do Trovão ou Buieié é um dos ícones naturais da região de Lavras Novas, e trata-se de importante formação rochosa, com mais de 3 quilômetros de extensão e altitude máxima de 1467 metros, um ótimo local para caminhadas, piqueniques e observação do pôr do sol.

Alguns dos principais pratos típicos da região é a batata recheada (Bar das Cobras) e a pinga na cobra.

População atual: Aproximadamente 1.000 habitantes - Altitude: 1.150 m.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Início da estrada em terra.


Estrada larga e, por sorte, sem tráfego veicular.


Chegando ao Povoado de Chapada.


A pracinha central do Povoado.


A igrejinha de Chapada.

2ª parte: Povoado de Chapada a Santa Rita de Ouro Preto: Aproximadamente, 9.500 metros, em 2 h 30 min

A primeira metade do percurso foi sempre em desabalado descenso, por uma estrada larga e orlada por frondosas mata nativa.

Depois de transpor, por uma ponte, o rio Gualaxo do Sul, eu girei à esquerda e passei a ascender, ininterruptamente, até a altitude de 1.100 m.

Em seguida, iniciou-se grande descenso que, ao seu final, me levou a transitar pelo distrito de Santa Rita de Ouro Preto, conhecido pelos belos trabalhos em pedra sabão.

O distrito de Santa Rita de Ouro Preto está situado a 30 quilômetros de sua sede e foi fundada no início do século XVIII, quando o bandeirante Martinho de Vasconcelos, ao explorar as margens do Ribeirão Falcão, descobriu uma rica região aurífera.

Foi quando um pequeno povoado começou a se formar e, presentemente, a principal fonte de renda é a extração e manufatura de pedra sabão, seguidas das plantações de batata, milho e feijão e da agropecuária.

O trabalho com a pedra-sabão ganhou novo impulso na década de 70, quando algumas indústrias passaram a beneficiar o pó do minério da pedra-sabão que, dependendo da qualidade, pode ser utilizado nas indústrias de produção de massas plásticas, azulejo, tintas, pneus, perfumaria, etc.

São poucas as fábricas que conseguiram desenvolver tecnologia produzindo peças em série, como a forma para pizza de panela de pedra.

Apenas 25% da população mora na sede do distrito, o restante se espalha pelos 19 sub-distritos e vivem basicamente da produção agrícola e de hortifrutigranjeiros.

Santa Rita de Ouro Preto destaca-se pela extração e manufatura da pedra sabão, atraindo vários turistas e compradores de outras localidades, principalmente de Ouro Preto e até mesmo de outros países.

Crianças, jovens e adultos estão envolvidos na fabricação de objetos e adornos e também na produção de massa plástica, tinta, pneus e perfumaria, a partir dos rejeitos da pedra sabão.

População atual: Aproximadamente, 5 mil habitantes - Altitude: 1040 m.

Algumas fotos do percurso desse dia:


A mata nativa orla o caminho nesse trecho.


O primeiro trecho é sempre em grande descenso..


Estrada fresca e sombreada..


Em ascenso contínuo e sob sol forte.


Abaixo, o distrito de Santa Rita de Ouro Preto.

3ª parte: Santa Rita de Ouro Preto a Itatiaia: Aproximadamente, 10 quilômetros, em 3 h.

Depois de uma pausa restauradora para hidratação e ingestão de frutas, deixei Santa Rita utilizando uma rodovia asfaltada e perigosa, pois não contém acostamento e o tráfego de veículos em seu leito se mostrou intenso.

O sol estava forte e o calor opressivo, mas em alguns trechos encontrei sombras nas laterais da estrada, o que amenizou meu desgaste físico.

Depois de 5.400 m, os marcos do CRER me intimaram a adentrar à esquerda, numa estrada de terra, pois o roteiro desse caminho não perpassa pelo distrito de Itatiaia, embora exista sinalização até aquele local.

Assim, segui adiante e depois de caminhar um total de 7.500 m sobre piso asfáltico, adentrei numa estrada de terra que seguiu por mais 2.500 m até o topo do morro, onde está localizada Itatiaia.

Trata-se de um antigo arraial, fundado no final do século XVII, hoje pertencente à cidade de Ouro Branco.

Infelizmente, o pequeno e simpático povoado carece de infraestrutura para peregrinos, pois além de 2 bares, uma choperia, só encontrei aberta uma pequena mercearia, onde foi difícil encontrar alguns produtos essenciais como, por exemplo, água mineral, pão e frutas.

Mas, segundo eu soube, nos finais de semana, há 5 opções de restaurante, além de um comércio em crescimento. 

Algumas fotos do percurso desse dia:


Estrada asfaltada, sem acostamento mas com algumas sombras.


Depois de 7 quilômetros em asfalto, início da estrada de terra.


Caminho ascendente em direção ao distrito de Itatiaia.


Um ipê florido enfeita o caminho nesse trecho.

O distrito de Itatiaia é traduzido basicamente por dois conceitos: belas paisagens e muitas histórias.

Situada a aproximadamente 100 quilômetros da capital mineira, o pequeno distrito da cidade de Ouro Branco possui na Igreja de Santo Antônio a sua maior biografia. 


Local onde almocei nesse dia. Recomendo!

Localizada na região central do distrito, foi erguida ainda no século XVIII em estilo barroco e é considerada um dos mais antigos templos de Minas Gerais. 

Itatiaia também possui belíssimos cenários, todos cercados de uma vasta mata e deliciosas cachoeiras. 


A rua principal do distrito de Itatiaia.

O distrito ainda conta com alguns eventos culturais como o Tira Gosto Cultural, que garante muita animação a quem gosta de música, show e o melhor da comida mineira.

O povoado é pequeno e rico em atrativos, porquanto em seu entorno, os campos de altitude e os resquícios de mata atlântica apresentam exemplares da fauna e flora brasileira, entre cachoeiras e pequenas cascatas.

Itatiaia faz parte da Estrada Real.

Fonte: Instituto Estrada Real 


A serra de Itatiaia, localizada fronteiriça ao distrito.

O povoado de Itatiaia é um antigo arraial do final do século 17, que surgiu com a cata de ouro nos ribeirões, nos córregos e nas lavras de encostas montanhosas da região; foi nesse arraial que se deu a divisão da bandeira de Manoel e Miguel Garcia, portanto, esse é mais antigo que o povoado de Santo Antônio de Ouro Branco. No século 18, o povoado pertenceu a Ouro Preto e quase um século depois foi transferido para o município de Ouro Branco.

Às margens da Estrada Real, Itatiaia não é só história e patrimônio arquitetônico, já que sua natureza encantou naturalistas no início do século 19. Os campos de altitude e os resquícios de Mata Atlântica são ricos em espécies da fauna e da flora.

Segundo o estudioso Joaquim Ribeiro Costa, o vocábulo "Itatiaia" - ita-tiâi - na língua tupi significa "penhasco cheio de pontas", "crista eriçada". Já o historiador Diogo de Vasconcelos explica "‘Itatiaia': ita - pedra; tiaia - que sua: era nome comum a todas as serras de vertentes por um e por outro lado - suando rios". 


Igreja matriz de Itatiaia.

Matriz de Santo Antônio

A matriz do distrito é dedicada a Santo Antônio e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) em 3 de outubro de 1983. Segundo documento do IPHAN, o templo data do começo do século 18. A iniciativa de sua construção coube às Irmandades do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e São Benedito.

No primeiro livro da Irmandade, atualmente guardado na Cúria de Mariana, consta o primeiro assentamento de batismo em 20 de agosto de 1714. Segundo a tradição, essa matriz serviu, nos primeiros tempos, de abadia, por ter tido um abade como um dos principais fundadores, cujo nome se desconhece. Talvez seja, por isso, que estejam esculpidas no frontispício as armas da congregação.

Fonte: www.descubraminas.com.br 


Cruzeiro existente na praça principal do distrito.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a Pousada Chamego, em Lavras Novas/MG, até a Pousada Villa Real, em Itatiaia/MG: Aproximadamente, 8 h.

Pernoite na Pousada Villa Real - Apartamento bom, lembrando que na vila há, ainda, outras duas pousadas e um hostel.

Almoço: Restaurante Itatiaia – Excelente! Preço fixo: R$25,00, servido no sistema self-service, podendo-se comer à vontade.


IMPRESSÃO PESSOAL: Uma etapa difícil, de razoável extensão e com grandes variações altimétricas. Talvez o trajeto mais sofrido seja o percurso pela rodovia, situado depois do distrito de Santa Rita, quase no final do roteiro, face ao perigo que representa ao caminhante, pela ausência de acostamento. Ademais, essa jornada foi cumprida num dia de sol intenso e muito calor, o que me desgastou acima do normal. No entanto, o pequeno distrito de Itatiaia encanta até o mais indiferente turista ou peregrino, pelas belezas naturais que oferece, seja em paisagens ou em suas ancestrais edificações. No global, uma jornada tensa e ríspida, mas que curti intensamente nos intermeios, onde a mata nativa se sobressaiu, com exuberância e imponência.