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10º dia: ITANHANDU/MG a DIVISA DOS ESTADOS/MG/SP – 25 quilômetros


10º dia: ITANHANDU/MG a DIVISA DOS ESTADOS/MG/SP – 25 quilômetros


Dizem que uma viagem é composta de três partes: primeiro a preparação, segundo a implementação da viagem, e por último, as memórias. Talvez você goste mais de uma parte do que da outra, mas as três estão interligadas.” (Anônimo)




Até a divisa dos Estados de MG e SP, os roteiros do CRER e da ER também são coincidentes, portando, já o conhecia de sobejo, visto meu trânsito pela Estrada Real em 2016.

Para minha alegria, o simpático porteiro noturno, Sr. José, coou um café preto e forte antes da partida, que me refortaleceu, pois fazia muito frio naquela manhã invernal.

Saída às 5 h, por ruas vazias e tomadas por intensa neblina.

Depois de deixar a zona urbana alternei caminhos de terra com asfalto integralmente planos até que, após caminhar 13 quilômetros, adentrei ao Hotel e Pousada São Rafael, no centro da cidade de Passa Quatro, onde havia feito reserva.

Ali deixei guardada minha mochila, ingeri algumas frutas, depois, prossegui adiante.

O trecho sequente perpassa por locais movimentados, inclusive, pelo bairro de Pinheirinhos, antes de adentrar em caminhos bucólicos e vazios.

No entanto, depois de mais 6 quilômetros caminhados, o roteiro remete o peregrino a um forte ascenso, seguido de um trânsito perigoso pela rodovia MG-158, que não contém acostamento.

Vacinado pela experiência anterior, quando percorria o roteiro da Estrada Real, desta vez resolvi inovar e segui diretamente pelos trilhos da via-férrea que liga Passa Quatro ao túnel da Mantiqueira, e não me arrependi.

Além do trajeto ser menor, não precisei dividir asfalto com veículos em alta velocidade, decisão que recomendo.

O restante do trajeto foi feito por locais ermos e em leve ascenso que, em seu final, me levou a ultrapassar a divisa dos Estados MG/SP e chegar até a imagem de Nossa Senhora Aparecida, que homenageia os romeiros, no alto da Garganta do Embaú.

Para retornar ao local de pernoite, em Passa Quatro, contatei um taxista que, após 30 minutos, me deixou no local previamente reservado.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Caminho retilíneo e integralmente plano na primeira parte do percurso.


Retão sem fim...


Belíssimo "Casarão" de 1937, que hoje abriga o Colégio São Miguel.


A igreja matriz de Passa Quatro/MG.


A histórica Estação de Manacá.


Depois de Pinheirinhos, caminho silencioso e ermo.


O trecho final é extremamente bucólico e sombreado.


Caminhando sobre as vias férreas. Recomendo!


Nesse trecho derradeiro, há um caminho lateral às vias-férreas.


Depois de me reencontrar com o roteiro, trecho final em terra.


Ustrapassando a divisa dos Estados de MG e SP.


Vista da fabulosa "Serra Fina", desde a cidade de Passa Quatro/MG.

A Garganta do Embaú é um ponto notável na Serra da Mantiqueira, se localiza no Vale do Paraíba na divisa dos municípios de Cruzeiro-SP e Passa Quatro-MG, por ser o ponto mais baixo de toda sua cumeeira e visível a várias dezenas de quilômetros; é uma passagem por onde os bandeirantes que vinham de cidades do Vale, como Taubaté, se embrenhavam pelo chamado "caminho geral do sertão" em direção a Minas Gerais.

Embaú, na língua tupi, quer dizer “a derradeira aguada” segundo Teodoro Sampaio, mas Silveira Bueno, em seu “Vocabulário Tupi-Guarani-Português, afirma que quer dizer “bica d'água”.

As passagens mais difíceis para as tropas de todo o Caminho do Ouro, ou Estrada Real, ficavam na Serra do Mar logo na saída de Paraty e na Serra da Mantiqueira, aonde a passagem se dá por uma falha geográfica conhecida pelo nome de "Garganta", daí o nome, "Garganta do Embaú".

Segundo a história, por ele passaram as bandeiras como as de Fernão Dias, Antônio Delgado da Veiga e de Miguel Garcia e este caminho, mais tarde, fez parte do antigo caminho da Estrada Real, que levava o ouro de Minas Gerais até o porto de Parati. Gentil Moura, em seu “Dicionário da Terra e da Gente de Minas”, afirma que pelo Embaú deve ter passado a expedição de Martim Afonso, em 1531, assim como aquela que fez parte o inglês Anthony Knivet, em 1596.


Vista do Vale do Paraíba, desde o Mirante do Embaú.

Um documento escrito entre o final do século XVII e o princípio do século XVIII, descreve o caminho do Embaú, por onde subiam os paulistas, que descobriram as minas de ouro, como sendo este o único caminho que havia para Minas de todas as povoações do Sul, a saber, de todos os distritos de São Paulo e do Rio de Janeiro.

João Camilo de Oliveira Torres, em sua “História de Minas”, escreve que a garganta era passagem obrigatória e afirma que o Conde de Assumar quando veio para Minas como governador, em 1717, procurou fazer um levantamento dos caminhos existentes, notando o “caminho velho” do Rio, o caminho de São Paulo, o “caminho novo”, construído por Garcia Rodrigues Paes, filho de Fernão Dias. Analisando-os, deu preferência ao de São Paulo, passando por Taubaté e Embaú.

Mais recentemente na história brasileira, o ponto foi palco de batalhas ocorridas na região por ocasião da Revolução de 32 e por se tratar de um ponto estratégico de acesso entre São Paulo e Minas. Nas proximidades do Embaú, existe um túnel ferroviário, conhecido por "túnel da Mantiqueira", construído pelos ingleses, ainda no tempo de D. Pedro II, que era de importância militar extrema e onde ocorreram combates violentos durante a Revolução. Foi pelo Embaú também que as tropas militares de São Paulo invadiram a cidade mineira de Passa Quatro, recuperada posteriormente pelas tropas mineiras.

Atualmente no local, onde ocorreram as lutas fratricidas, existe uma imagem de Nossa Senhora em um altar com vista para o Vale do Paraíba.


Monumento que homenageia os heróis de 1932.

AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa de razoável extensão, que apresenta variações altimétricas apenas em seu trecho final. O percurso inicial entre Itanhandu e Passa Quatro é quase todo urbano, integralmente plano e percorrido, em sua maior parte, sobre piso duro. Já o trecho derradeiro, situado após o distrito de Pinheirinhos, é muito belo, ermo e silencioso. No global, uma etapa fácil, tranquila e com belas vistas do Vale do Paraíba, a partir do mirante situado na Garganta do Embaú.


RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde o Hotel Terra Sul, em Itanhandu/MG, até a divisa dos Estados de MG e SP: 6 h.

Clima: Frio e enevoado na partida, depois, ensolarado até o final da jornada.

Pernoite no Hotel e Pousada São Rafael: Apartamento individual excelente – Preço: R$120,00, com café da manhã;

Almoço no Restaurante Sushi Porão: Excelente! – Preço: R$20,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.