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FINAL


FINAL


Por mais audacioso e desprendido que seja, o caminhante carregará consigo uma faísca de saudade. E haverá um momento em que esta centelha imperceptível se transformará numa fogueira dentro de seu peito, fazendo com que os olhos deixem de se deslumbrar com as novas paisagens e busquem incontrolavelmente o caminho já percorrido. É a hora de voltar. Há sempre uma hora para retorno, para o reencontro com os verdadeiros afetos, para a retomada da rotina e da cadeira vazia.” (Hermann Hesse) 


Gratidão, Mãe Aparecida, pelas bençãos recebidas durante a minha jornada de fé!


O QUE LEVA ALGUÉM A PEREGRINAR?” 

(Peter Kingsle

"A vida humana, mesmo quando vivida plenamente, tem um caráter inacabado e dinâmico, ela nunca é percebida como algo pronto.

Muitas vezes, desejamos nos elevar e melhorar a nós mesmos, atingir um tipo de purificação e de renovação. Alguns chegam a afirmar que há uma escuridão inerente à alma que a vida se esforça por iluminar.

Some-se a isso o fato que ao longo dos anos convivemos com uma série de atritos e desgastes nos relacionamentos ao nosso redor, além de lutas internas que permeiam a nossa imaginação, principalmente em torno de frustrações e sonhos abandonados.

Com o tempo acumula-se uma espécie de fardo, uma sensação de peso, da qual gostaríamos de nos livrar.

A peregrinação parece ser uma procura e contém razões mais profundas que uma simples viagem em busca por produtos de consumo.

Os peregrinos parecem impulsionados por um desejo sincero de trazer mudanças e renovação para suas vidas pessoais." 



Final do CRER - Momento de orações e agradecimentos!


EPÍLOGO

Nada como voltar em um lugar que permaneceu inalterado e descobrir como estamos mudados.” (Nelson Mandela)

Quando se planifica uma peregrinação como a de caminhar 870 quilômetros, fica muito claro que você não apenas encontrará obstáculos complicados, mas também enfrentará perigos que exigirão que você assuma riscos importantes e, às vezes, com possíveis consequências fatais.

Mas acontece sempre que você percebe muito mais perigos quando está longe da ação em si do que quando está inserido nela.

Só o conhecimento próximo e real da situação nos faz considerar, de maneira clara e objetiva, os riscos verdadeiros.

A grande maioria dos medos que geralmente nos cercam quando pensamos ou planejamos alguma caminhada interessante provêm mais do desconhecimento do que da empreitada em si.

De qualquer forma, parece que, no fim, uma pessoa se adapta a tudo, e o que conta é ter vontade e a energia para seguir sempre em frente.

Apesar disso, a verdade é que, à medida que eu ia avançando, percebia as enormes dificuldades que, sem dúvida, me esperavam no caminho.

Por isso, no aporte à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, uma sensação grandiosa de euforia me invadiu. 


A alegria por mais uma vitória alcançada!

Por um lado, estava o prazer de ter alcançado o objetivo proposto.

Por outro, eu já me sentia entusiasmado com um novo desafio que visualizava em meu interior.

Nesse sentido, diria que meu trânsito pelo CRER se mostrou uma instigação poderosa, plena de pequenos problemas pontuais, mas que, sob as bençãos divinas e com muita força vontade fui superando.

Imprescindível dizer que no percurso todo encontrei muita solidariedade e respeito daqueles que me acolheram nas cidades, em estabelecimentos comerciais, igrejas e casas de família, o que sempre refortaleceu a minha fé, ajudando-me a prosseguir adiante.

Por derradeiro, uma asserção que muito me toca: 

O objetivo da peregrinação não é o ócio e a recreação – para descansar de tudo o mais. Empreender uma peregrinação é aceitar o desafio de deixar de lado a vida cotidiana. Nada mais interessa, então, a não ser essa aventura. Os viajantes se acotovelam no trem onde farão a jornada que pode durar vários dias. Depois dela, há uma estrada pedregosa a ser vencida a pé – um áspero e duro caminho numa paisagem em que tudo é novo. O brilho nu da montanha sagrada excita a imaginação; a aventura da auto-conquista apenas começou. As condições podem variar, mas a essência é sempre a mesma.” (Huston Smith) 


Bom Caminho a todos! 
Agosto/2018