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Jacutinga a Monte Sião


2019 – CAMINHADA DE JACUTINGA/MG a MONTE SIÃO/MG – 23 quilômetros

Em um dos seus aparecimentos, ou chamamentos, Nossa Senhora falou para Catarina: Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança.




RUMO AO SANTUÁRIO DA MEDALHA MILAGROSA!


Estando em Jacutinga/MG a passeio e lazer, o Vinícius e eu, depois de percorrer a Rota da Revolução de 1932, resolvemos fechar nossa passagem por essa simpática cidade mineira, palmilhando mais um caminho inédito.

Depois de alguns estudos, optamos em seguir até a cidade de Monte Sião/MG, localizada a 23 quilômetros dali, utilizando, para tanto, estradas rurais de terra, visto que não há rodovia asfaltada ligando, diretamente, esse dois municípios mineiros.


A Igreja Matriz de Jacutinga/MG, cujo padroeiro é Santo Antônio.

Os amigos Polly Ferreira e Nelson A. Da Costa nos proveram de informações acerca do trajeto, visto que, anualmente, no domingo em que se comemora a Festa de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, um grupo de peregrinos parte de Jacutinga às 3 h da madrugada e chega antes das 10 h no Santuário de Monte Sião, a tempo de assistir à missa comemorativa ao evento.


A Igreja Matriz de Monte Sião/MG, dedicada a Nossa Senhora das Graças, nosso destino nesse dia.


A NOSSA CAMINHADA

Como de praxe e de comum acordo, o Vinícius e eu resolvemos sair bem cedo, como forma de agilizar nosso deslocamento, visto que naquele mesmo dia, após finalizarmos o percurso, retornaríamos às nossas residências.

Partimos às 5 h 30 min, depois de ingerir substancial café da manhã, que muito nos reenergizou.

Assim, deixamos o Hotel Ghandi onde pernoitáramos e seguimos à direita por ruas citadinas bastante movimentadas, afinal, estávamos num sábado, dia de comércio agitado.

Por conta disso, e do horário inopinado, muitas lojas já estavam abertas, com pessoas chegando para o trabalho.

Um mil e quinhentos metros adiante, nós ultrapassamos a rodovia MG-290, depois, prosseguimos por bairros periféricos até que, percorridos 3.300 m, o asfalto se findou e acessamos larga e plana estrada de terra, integralmente deserta.

A nos ladear em ambos os lados, verdes cafezais e imensas pastagens, onde, em algumas fazendas, a ordenha diária estava em pleno andamento.

Com o dia clareando, iniciou um trajeto em franco ascenso e percorridos 7 quilômetros, no topo do morro, atingimos a altitude de 1.010 m, podendo devassar o entorno em mais de 180 graus.

Então, prosseguimos sempre em forte descenso até que, percorridos 13 quilômetros, transitamos diante do bar do João Gordinho, depois, por uma ponte, ultrapassamos um rio Eleutério e, numa bifurcação, seguimos à esquerda, em direção à Serrinha.

Percorridos 15 quilômetros, num local sombreado, fizemos uma pausa para descanso, hidratação e ingestão de carboidratos.

Prosseguindo, logo acessamos uma estrada que seguiu à direita, em forte e perene ascenso.

O que não sabíamos, por falta de informação e placas orientativas, é que distante 100 m daquele local, se localiza a Cachoeira do Coqueiral, uma das grandes atrações ecológicas da cidade de Monte Sião.

Aliás, o site “Guia das Cachoeiras” assim se expressa sobre essa maravilha da natureza:

Dentre todos os recantos naturais da cidade, a Cachoeira do Coqueiral é um dos pontos mais belos a se conhecer. Ela fica localizada na divisa de Monte Sião e Jacutinga, e é formada por duas quedas d'água sequenciais. Um pouco acima da primeira, existe uma segunda cachoeira mais alta e mais bonita, entretanto prejudicada pelo difícil acesso e pela ausência de um bom lugar para montar acampamento. A Cachoeira do Coqueiral, nunca foi famosa por suas quedas d'água, mas sim pelo ambiente extremamente acolhedor e aconchegante que existia no local, orlado por esbeltos coqueiros e uma mata ciliar enfeitada por flores exóticas, e maravilhosas orquídeas enroscadas em árvores seculares.

Nós, infelizmente, perdemos a chance de conhecê-la, por ignorarmos a sua existência.

Bem, prosseguindo morro acima, fomos, lentamente, vencendo as distâncias e percorridos 19 quilômetros, atingimos o topo da montanha.

Naquele local estávamos a 1.030 m de altitude, o ponto de maior altimetria dessa jornada.

Dali já avistávamos a cidade de Monte Sião, abaixo e esparramada sobre um outeiro, bem como podíamos visualizar, à nossa direita, o famoso Morro Pelado, que pertence ao município de Águas de Lindoia/SP.

O restante do trajeto foi em franco descenso e logo adentramos em zona urbana; depois, caminhando por largas avenidas, chegamos ao nosso destino do dia: o Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.

Ali tivemos tempo para visitar o templo, professar nossas orações e fotografar o interior da belíssima igreja.

Mais tarde, de táxi, retornamos à cidade de Jacutinga e, após o banho e um lauto almoço, regressamos às nossas residências.

Algumas fotos do percurso desse dia


O dia lentamente amanhece. No alto, à esquerda, a lua ainda permanece no céu...


O Vinícius segue firme à minha frente nesse trecho..


Quase chegando ao topo do primeiro morro.


Já em descenso pelo lado oposto..


Esse morro pontudo nos acompanhou pelo lado esquerdo, durante toda a primeira parte do percurso. (Créditos: Vinícius Souza)


O descenso prossegue. O sol já saiu...


Vistas maravilhosas do nosso lado direito...


Trecho plano, ao lado do rio Eleutério. Paisagens incríveis...


A Serrinha já está à nossa frente, ao longe. Vamos subir aquele morro...


Fazendas belíssimas no trajeto...


Em ascenso, dentro da mata nativa.


Em ascenso, vistas maravilhosas se descortinavam do nosso lado direito.


No topo do morro! Paisagens e locais por onde viéramos caminhando.


À nossa frente, já aparece a cidade de Monte Sião/MG.


O monte mais protuberante, no centro, é o Morro Pelado, que pertence a Águas de Lindoia.


Chegando ao Santuário da Medalha Milagrosa, em Monte Sião/MG.

O primeiro templo religioso de Monte Sião surgiu em 1849, dedicado a Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, construído pelo fundador do lugar, Antonio Bernardes de Souza.

Localizava-se no centro da atual Praça Prefeito Mário Zucato e a benção oficial do templo ocorreu em 13 de abril de 1850, por Provisão da Câmara Capitular de São Paulo, à qual eclesiasticamente pertencia a capela.

A arquitetura da Igreja assemelha-se ao estilo da arte romana do século XII e o altar-mor é todo trabalhado em madeira, onde se vê a imagem centenária da padroeira.

A imagem de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, que adorna o principal altar, foi trazida para Monte Sião por volta de 1860 e veio de Portugal, através de um fazendeiro português, Sr. João Pereira Batista Machado, que teria custeado tanto sua aquisição, quanto seu transporte.

A imagem chegou ao porto do Rio de Janeiro e foi trazida até a cidade em lombo de animais, dentro de jacá de carga e envolta em palha seca de milho.


A Igreja Matriz de Monte Sião/MG.

No ano de 1937, a pedido do Sr. Bispo, a imagem foi retirada do altar e enviada a uma capela da zona rural, por alegar que a santa possuía traços femininos muito marcantes.

Os fieis sentiam muita falta da imagem na Igreja Matriz.

Foi então que entre os anos de 1937 e 1939, a cidade de Monte Sião foi atingida por um período de grande seca.

Havia chuva em todas as outras cidades da região, menos nesse município.

O povo associou então a falta de chuva à ausência da imagem da Padroeira e foi interceder junto ao pároco que trouxesse a santa de volta.

Em 5 de novembro de 1939, foi permitida a volta da imagem.

O dia estava ensolarado e foi feita uma procissão para homenagear a padroeira.

Quando a imagem chegou à cidade, começaram a cair os primeiros pingos e em seguida uma forte chuva, molhando a todos.

Este foi o chamado milagre da chuva e após isso, tudo transcorreu normalmente.


O interior da belíssima Igreja Matriz de Monte Sião/MG.

A imagem passou por uma restauração no ano de 2015, que devolveu todas as características originais à imagem, que haviam se perdido com as restaurações anteriores.

No período de 1974 a 1998, a paróquia esteve sob os cuidados dos padres da Congregação dos Agostinianos da Assunção.

Em 5 de novembro de 1999, depois de muitos estudos, pesquisas e comprovações de graças recebidas pela intercessão da santa e pelo fato de ser o primeiro templo do mundo consagrado a Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, a Igreja Matriz foi elevada a Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, através do Decreto do Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre, Dom Ricardo Pedro.

A cidade de Monte Sião nasceu a partir da iniciativa de algumas pessoas e um dos marcos iniciais da comunidade foi a primeira igreja dedicada a Nossa Senhora da Medalha Milagrosa no Brasil.

Hoje o Santuário representa muito mais do que um ponto turístico religioso, mas parte significativa da história e cultura de um povo.

Fonte: http://turismoemmontesiao.com.br 


EPÍLOGO


ORAÇÃO A NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vos pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (faça aqui seu pedido). 

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos.” 




FINALIZANDO

No sul de Minas Gerais, Monte Sião é uma cidade que pode ser considerada uma “Terra de Graças”, mais especificamente, terra de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.

Porquanto, lá está situada a PRIMEIRA IGREJA DO MUNDO dedicada a essa devoção mariana e onde, por intercessão da Virgem, a população viu acabar um período de seca.

Em 1830, na França, Nossa Senhora apareceu para a Irmã Catarina de Labouré e lhe pediu que cunhasse medalhas conforme lhe era mostrado: a Virgem com os braços estendidos, dos quais saiam raios de luz, em pé sobre um globo, pisando em uma serpente, com a inscrição “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós” ao seu redor; na parte de trás, a letra “M” com uma cruz por cima e, em baixo, o coração de Jesus, rodeado por uma coroa de espinhos, e o coração de Nossa Senhora, transpassado por uma espada, e ao redor, doze estrelas.

À religiosa, Maria prometeu abundantes graças aos que usassem essa medalha e tal devoção logo se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil. 


Cartaz explicativo existente dentro da Igreja Matriz de Monte Sião/MG.

Já em 1849 – apenas 19 anos após as aparições na França –, foi construída a primeira Igreja dedicada à Medalha Milagrosa, em Monte Sião (MG).

Segundo o site do Santuário da Medalha Milagrosa, no ano das aparições da Virgem à Santa Catarina Labouré, a região de Monte Sião era habitada por cerca de 105 famílias católicas, não havia Igreja nem padre e a comunicação era precária.

Mas, os relatos indicam que, por volta de 1838, quando o lugarejo foi “elevado a arraial do Jabuticabal, a devoção da Medalha Milagrosa já estava ali”.

Em 29 de março de 1849 foi autorizada a edificação da capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e sua respectiva bênção oficial ocorreu a 13 de abril de 1850.

A história desse lugar e o grande fluxo de devotos que recebe, fizeram com que em 5 de novembro de 1999 a Igreja Matriz fosse elevada a Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, um local que vive com especial fervor o dia 27 de novembro, ao celebrar sua padroeira.


Momento de sublime oração: Agradecendo a Virgem da Medalha Milagrosa pelas bençãos recebidas. (Créditos: Vinícius Souza)

De minha parte, percorrer essa via de peregrinação, a partir da cidade de Jacutinga/MG, revestiu-se de uma agradável surpresa, plena de momentos sublimes e maravilhosas paisagens. 

Vez que o trajeto perpassa por locais de esplendorosa beleza e se caminha, praticamente, o tempo todo, ladeado por bucólicas propriedades rurais, onde se respira o mais puro ar das “Alterosas”.

Por sorte, novamente, tive o prazer de “dividir a trilha” com meu “Irmão de Fé”, o Vinícius, a quem agradeço pela gratificante companhia.


E que Nossa Senhora das Graças nos proteja e permita que possamos retornar a esse místico local algum dia no futuro, quiçá, na data de suas festividades.


Bom Caminho a todos! 

Agosto/2019