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O V DE CAPABLANCA: TÉCNICA E ARTE


O V DE CAPABLANCA: TÉCNICA E ARTE

MI Nelson Pinal Borges



"O Xadrez é algo mais do que um jogo; é uma diversão intelectual que tem um pouco de Arte e muito de Ciência." (J. R. Capablanca, ex-campeão Mundial)



Na carreira de José Raúl Capablanca existem centenas de partidas de excepcional qualidade, que constituem imponentes monumentos à técnica enxadrística; em sua coleção de partidas, abundam brilhantes combinações e extraordinários finais, bem como valiosas ideias a respeito do tratamento a seguir em diferentes sistemas de Aberturas e Defesas. Basta mencionar seus aportes no Gambito da Dama e na Defesa Ninzoíndia, que mantêm sua vigência na prática magistral atual.

É por isso que o estudo da obra de Capablanca é fundamental e imprescindível para o jogador que deseja progredir no difícil mundo do Xadrez. Para tal efeito, oferecemos neste artigo uma excelente partida, onde se combina de forma singular a faceta do Xadrez técnico com a do Xadrez artístico. 



José Raúl Capablanca.

Esta partida é famosa por dois aspectos fundamentais: por ser uma estupenda lição de Xadrez brindada por um enxadrista extraordinário e por se constituir numa formosa obra artística, capaz de elevar o Xadrez-Arte ao máximo de suas possibilidades.

Numa estupenda lição de Xadrez porque Capablanca nos ensina, numa mesma partida, vários elementos da técnica enxadrística:

-A exploração da vantagem de espaço 

-O momento oportuno de efetuar uma ruptura no flanco Dama

-A preparação para a abertura de colunas 

-O elemento tático como fator de arremate da posição 

É uma formosa obra artística por duas razões: 

-Depois da jogada 39 do branco, sete peões brancos desenham no Tabuleiro a letra V (da Vitória). 

-Na jogada 55, todas as figuras brancas (a Dama, duas Torres, um Bispo e um Cavalo) situam-se, com ímpetos de Vitória, na Coluna A.

A partida foi jogada no Torneio Internacional de Carlsbad, em 1929, um dos mais fortes da época, e que foi ganho por A. Nimzowistch, com 15 pontos de 21 possíveis, meio ponto a mais que Capablanca, R. Spielman e A. Rubinstein. 

O adversário de Capablanca foi o mestre, Dr. Karen Treybal (Tchecoslováquia, 1885-1941), que foi fuzilado durante a ocupação nazista em virtude de suas atividades patrióticas.


Doutor Karel Treybal.

Brancas: J. R. Capablanca  x  Pretas: Doutor K. Treybal   -  1929 - Gambito Dama Recusado.

Comentários: MI Nelson Pinal 


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1.d4 d5 2.c4 c6 3.Cf3 e6 4.Bg5 Be7 5.Bxe7 Dxe7 6.Cbd2 Em numerosas partidas, Capablanca preferiu desenvolver o Cavalo por d2 para potencialmente explorar melhor a coluna C, assim como, tomar com o Cavalo em c4, ante uma eventual dxc4 do negro. 6...f5 7.e3 Cd7 8.Bd3 Ch6 9.O-O O-O 10.Dc2 g6 11.Tab1 Cf6 12.Ce5 Cf7 13.f4 Bd7 14.Cdf3 Tfd8 15.b4 Be8 16.Tfc1a6 17.Df2 Cxe5 18.Cxe5 Cd7 19.Cf3! Com menos espaço, o negro trata de eliminar peças, o que Capablanca evita, com bom critério. 19...Tdc8 20.c5 Cf6 21.a4 Cg4 22.De1 Ch6 23.h3 Cf7 24.g4 Bd7 25.Tc2 Rh8 26.Tg2 Tg8 27.g5 Dd8 28.h4 Rg7 29.h5Th8 30.Th2 Dc7 31.Dc3 Dd8 32.Rf2 Dc7 33.Tbh1 A ameaça de abrir a coluna "h" obriga as negras a uma defesa passiva, permitindo ao branco manobrar livremente até efetuar a ruptura oportuna no flanco Dama. 33...Tag8 34.Da1 Tb8 35.Da3Tbg8 36.b5! Depois de várias ameaças de ruptura em ambos flancos, Capablanca decide romper a estrutura negra. 36...axb537.h6+!! Com esta jogada, o cubano entorpece a mobilidade das Torres negras e, de fato, justifica a ruptura da jogada 36.37...Rf8 38.axb5 Re7 39.b6!! Formando o V da Vitória. 39...Db8 40.Ta1 Tc8 41.Db4 Thd8 42.Ta7 Rf8 43.Th1 Be8 44.Tha1Rg8 45.T1a4 Rf8 46.Da3 É possível se dominar melhor uma coluna? 46...Rg8 47.Rg3 Bd7 48.Rh4 Rh8 49.Da1 Rg8 50.Rg3 Rf851.Rg2 Be8 52.Cd2 Bd7 53.Cb3 Te8 Ante a ameaça 54. Ca5, a Torre deixa a casa d8 para o Cavalo, mas deixa o Bispo no ar, o que permite um decisivo detalhe tático do branco. 54.Ca5 Cd8 55.Ba6!! bxa6 56.Txd7 Te7 57.Txd8+! Txd8 58.Cxc6 1-0


Fonte: http://www.torre21.com/