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UMA JOGADA EXCÊNTRICA, MAS..


UMA JOGADA EXCÊNTRICA, MAS..

MI Nelson Pinal Borges

9.Bh5!! uma jogada excêntrica mas... 
...com o selo pessoal de Paul Keres!! 


É difícil encontrar-se uma partida magistral de xadrez onde as brancas, no precoce lance número 9, realizem Bh5. E numa Defesa Siciliana? Que, além disso, essa raridade tenha sido eficaz contra um GM do nível de A. Kotov?

Só conhecendo Paul Keres, podemos deixar de surpreender-nos do excêntrico e original 9.Bh5!! 

 
Posição da partida depois de 9.Bh5!! 


Paul Keres  x  Alexander Kotov  -  (Budapeste 1950)


Talvez muitos jogadores jovens só conheçam Keres por alguma casual e breve referência. Lamentavelmente isso seria uma mostra de pobre formação enxadrística. 

É que, para os estudiosos do xadrez, conhecer Paul Keres (1916-1975) é descobrir um jogador com partidas repletas de ensinamentos imprescindíveis. Chamado “O Jogador Eterno”, por seu legado rico em realizações sobre o tabuleiro e por ter escrito alguns livros e inumeráveis artigos didáticos, não são muitos os que podem exibir uma trajetória enxadrística como a do GM estoniano, destacado também como compositor de problemas, jogador por correspondência e Arbitro Internacional. 

Keres, que aprendeu a jogar aos quatro anos de idade, é também conhecido como o Vencedor de Campeões, já que derrotou a todos os Campeões Mundiais, desde A. Alekhine, até R. Fischer. Com Karpov, jogou duas vezes e ambas partidas foram empate. 

Jogador de grande intuição e facilidade para conduzir posições de ataque, seu estilo lembra os velhos Românticos. Keres é considerado um dos grandes jogadores de torneio da História do Xadrez. Participou em mais de 160 Torneios e obteve o primeiro lugar em 49 oportunidades. Somente em 6 deles obteve menos do 50% dos pontos. Foi três vezes Campeão da URSS e participou em 10 Olimpíadas Mundiais. No entanto, sua força não se evidenciava nos matches e isso o limitou em suas aspirações a ser Campeão Mundial. 

Entre seus grandes resultados, destacam-se o Torneio de Semmering -Baden de 1937 e o famoso Torneio A.V.R.O de 1938, terminando invicto, empatado com o GM norte-americano R. Fine. Este evento a dupla volta era classificatório para desafiar Alekhine pelo Campeonato do Mundo e, além dos melhores enxadristas da época, jogaram Alekhine, Capablanca, Flohr, Euwe, Botvinnik e Reshevsky. 

Conhecedor do Xadrez como atividade especial do desenvolvimento intelectual, manifestou que sua verdadeira beleza consiste na luta elementar entre estilos e personalidades diferentes, e que essa é a característica que confere ao Xadrez sua atração mágica. 

Em 1975, depois de ganhar um Torneio Internacional no Canadá, Keres morreu na Finlândia devido a um problema cardíaco. Com isso, o xadrez perdeu um extraordinário jogador, que por mais de 40 anos enfrentou com sucesso os melhores representantes de várias gerações de enxadristas, de critérios muito diversos entre si, desde as idéias dos Hiper-modernistas dos anos 30, até as concepções mais avançadas da Escola Soviética de Xadrez. 

A PARTIDA

Esta partida é uma obra brilhante de Keres, que nos mostra sua extraordinária capacidade combinativa, digna das melhores tradições da Escola Romântica.


Brancas: GM Paul Keres 


Pretas: GM Alexander Kotov


Fonte: Ajedrez Espectacular

Tradução: Elias Muniz