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Jornada da Perseverança


2021 – CAMINHO JORNADA DA PERSEVERANÇA: PIQUETE/SP a APARECIDA/SP: 78 QUILÔMETROS

São Miguel Arcanjo, Príncipe Guardião e Guerreiro, defendei-me e protegei-me com Vossa Espada. Não permita que nenhum mal me atinja.
Protegei-me contra assaltos, roubos, acidentes e contra quaisquer atos de violência. Livrai-me de pessoas negativas e espalhai vosso manto e vosso escudo de proteção em meu lar, meus filhos e familiares. Guardai meu trabalho, meus negócios e meus bens. Trazei a paz e a harmonia. São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, cobri-nos com o vosso escudo contra os embustes e ciladas do demônio. Instante e humildemente vos pedimos, que Deus impere e vós. Príncipe da milícia celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Amém!




Esse sagrado roteiro estava arquivado em meus recônditos, fruto de ciência ofertada pelo seu idealizador, o Sr. José Augusto Costa.

Então, quando o momento oportuno adveio, eu não titubeei: embarquei num ônibus, apeei em Piquete/SP e no dia seguinte, dei início à minha peregrinação que, abençoadamente, se encerrou no Santuário Mariano de Aparecida.


A HISTÓRIA DESSE CAMINHO

Em 2008 foi demarcado o primeiro roteiro de peregrinação na região do Vale do Paraíba – “O CAMINHO JORNADA DA PERSEVERANÇA”, tendo a Matriz de São Miguel Arcanjo em Piquete/SP e o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, como pontos de partida e chegada, passando por seis cidades da Região Turística da Fé: Aparecida, Piquete, Guaratinguetá, Lorena, Cachoeira Paulista e Potim.

Parte do itinerário é por áreas rurais que foram um dia Caminho do Sertão Bravio e Caminho do Ouro, por onde passaram nossos Bandeirantes.

Tem a finalidade de desenvolver atividades voltadas à preservação, ao resgate e à divulgação de uma rica tradição oral, além de registro histórico das expressões religiosas e culturais da região.

Anualmente, desde 2013, no mês de junho, temos um passeio ciclístico cultural e religioso que faz parte do Calendário Municipal e Regional, sendo realizado e coordenado pelo idealizador do projeto “CAMINHO JORNADA DA PERSEVERANÇA”, o Sr. José Augusto Costa e os Romeiros de São Miguel do Piquete.

Fonte: https://www.facebook.com/caminhojornadaperseveranca/


Em Piquete/SP, com o Sr. José Augusto Costa, o idealizador desse roteiro.


1º dia: PIQUETE/SP a CACHOEIRA PAULISTA/SP – 29 QUILÔMETROS

Glorioso São Miguel Arcanjo, poderoso vencedor das batalhas espirituais, vinde em auxílio das minhas necessidades espirituais e temporais. Afugentai de minha presença todo mal e todo ataque e ciladas do inimigo. Com sua poderosa espada de luz, derrotai todas as forças malignas e iluminai meus caminhos com a luz de tua proteção. Arcanjo Miguel, do mal: libertai-me; do inimigo: livrai-me; das tempestades: socorrei-me; dos perigos: protegei-me; das perseguições: salvai-me! Glorioso São Miguel Arcanjo, pelo poder celeste a vós conferido, sê para mim o guerreiro valente e conduzi-me nos caminhos da paz. Amém!

Deixei o local de pernoitei às 5 h 30 min, sob um clima fresco e ventoso, e segui à direita, em direção à saída da cidade e, na sequência, acessei a rodovia BR-459 e por ela prossegui pelo acostamento e em ascenso por 1.200 metros, em direção à Itajubá/MG.

Então, numa bifurcação, eu adentrei à direita, na Estrada Vicinal José Rodrigues Ferreira, que provém do bairro Marins e, mais acima, percorridos 1.800 m, eu atingi o topo da elevação, situado a 734 m, o ponto de maior altimetria desse roteiro.

Prossegui, na sequência, em franco descenso, e quando o caminho se aplainou, já no bairro Itabaquara, transitei diante da Capela de São Sebastião e, mais adiante, percorridos 6 quilômetros, com o dia claro, eu fleti à direita, e segui sobre terra, utilizando a Estrada Vicinal Geraldo Ferreira, num trajeto silencioso e levemente descendente, situado entre chácaras e fazendas de criação de gado.

Percorridos 9 quilômetros em bom ritmo, eu desaguei na Rodovia Cristiano Alves da Rosa, que segue em direção à cidade de Cruzeiro/SP, então, eu dobrei à esquerda e prossegui pelo seu acostamento por mais 8.500 metros, num percurso plano, mas preocupante e barulhento, pois o trânsito de veículos era expressivo naquele horário.

Assim, nesse trecho específico, quando a inquietude solapou minha introspecção, aproveitei para rezar meu terço diário, depois, coloquei os fones no ouvido, liguei o rádio e sintonizei a Rádio Aparecida, onde as canções sacras ali entoadas me infundiram um novo ânimo.

E a partir das 9 h eu passei a ouvir à Santa Missa celebrada na Basílica de Aparecida, o que insuflou fé e alento em minha mente, afinal, como bem afirmou o escritor Augusto Branco: Encontra esperança na dor e no desafio, afinal, nesta vida só nos são colocados à frente os obstáculos que somos capazes de superar.

Percorridos 18 quilômetros, já na pequena Vila do Embaú, eu tomei à direita e caminhei num trecho ermo, entre pastagens, por onde discorre o traçado da Estrada Real e, palmilhados mais 2.000 m, eu acessei a rodovia SP-058.

Então, sem maiores problemas, pois esse intermeio é integralmente plano, sob clima frio e sol ameno, percorridos 24 quilômetros, eu adentrei em zona urbana e segui caminhando em direção às enormes instalações da Canção Nova, que é uma comunidade católica brasileira fundada no ano de 1978, seguindo as linhas da Renovação Carismática Católica.

Com sede na cidade de Cachoeira Paulista (SP), ocupa uma área de 372 mil m2 e conta com sistema de rádio e televisão de longo alcance, estendendo-se a outros países como Portugal, Itália, Israel, França e Paraguai.

Contudo, sua portaria principal se encontrava com rígidos protocolos para acesso, face à pandemia da Covid-19, então, contornei por fora parte da monumental edificação e pude visitar a Capela da Sagrada Família, onde externei minhas preces.

À tarde, após lauto almoço e necessário descanso, retornei até o Santuário do Pai das Misericórdias, onde participei do Terço da Misericórdia e, assim, encerrei minha passagem pelo lugar onde o Beato Padre Léo pregou a palavra de Deus por muitos anos.

Algumas fotos do percurso desse dia:


Após caminhar os 6 quilômetros iniciais sobre piso asfáltico, finalmente, acessei uma estrada de terra..


A Gruta de Nossa Senhora das Graças, localizada no bairro São José, por onde transitei.


Outro trecho em terra, situado após a passagem pela Vila do Embaú.


Visita ao Santuário do Pai das Misericórdias, na Canção Nova. 


No interior do Santuário do Pai das Misericórdias, na Canção Nova.


RESUMO DO DIA:

Pernoite no Videiras Palace Hotel: Apartamento individual excelente! – Preço: R$130,00

Almoço no Renato Restaurante Pizzaria e Choperia: Excelente! Refeição por peso no Self-Service: R$29,90 o quilo.


IMPRESSÃO PESSOAL – Uma jornada de grande extensão, contudo ela é, praticamente, toda plana, onde a tônica na zona rural foram as imensas pastagens. No entanto, o percurso integral não é tão alvissareiro pois, raramente, oferece sombras e mais de 80% do trajeto é feito à beira de rodovias, algo que angustia e maltrata os sentidos, além do piso duro flagelar nossos membros inferiores. Porém, nesses momentos dolorosos, a fé do peregrino brada mais alto e a superação tudo vence. No global, uma etapa de transição e, como de se esperar, em seu trecho final, bastante urbanizada.


2º dia: CACHOEIRA PAULISTA a GUARATINGUETÁ (SANTUÁRIO DE FREI GALVÃO) – 31 QUILÔMETROS

Houve uma grande batalha: Miguel e seus anjos lutaram contra o Dragão. O Dragão também lutou, junto com seus anjos, mas foram derrotados, e não houve mais lugar para eles no céu.

Deixei o local de pernoitei às 5 h 30 min sob fina garoa e, primeiramente, retornei sobre meus passos do dia anterior, depois, por uma ponte eu atravessei o rio Paraíba do Sul, entrei à esquerda, transitei por bairros periféricos e, mais à frente, percorridos 2 quilômetros, eu acessei a Estrada Real e segui em frente, ladeado por imensas pastagens e belas chácaras.

Por sorte, havia chovido na madrugada, assim, encontrei a estrada hidratada e o percurso, integralmente plano e silencioso, me levou a transitar por locais ermos até o bairro do Campinho, em Lorena/SP, onde passei a caminhar sobre uma rodovia vicinal asfaltada, movimentada, sem acostamento e plena de curvas perigosas.

Percorridos 15 quilômetros, eu passei sob a rodovia BR-459, que provém de Itajubá/MG, depois, prossegui caminhando pela avenida Tiradentes, em outro trajeto urbano, até que, mais adiante, no 17º quilômetro, eu girei à esquerda e adentrei na Estrada Municipal Vila Cristina – Porto Meira e, então, como num passe de mágica, retornei ao bucolismo dos campos.

No entanto, eu prossegui sobre piso asfáltico até o 21º quilômetro quando, finalmente, voltei a caminhar sobre terra, em outro trajeto plano, ermo e arborizado em alguns trechos, onde aproveitei para respirar o ar puro, me reconectar com o infinito e agradecer a Deus pelo dom da vida.

Seguindo adiante, no 25º quilômetro eu fleti à esquerda e passei pelo bairro Colônia Piaguí, já em Guaratinguetá, um dos mais antigos locais de povoamento no município, datando sua ocupação da primeira metade do século XVIII, por ser uma área favorável ao plantio de alimentos, cortado por dois dos principais ribeirões – Guaratinguetá e Piaguí – cujas nascentes estão localizadas no alto da Serra da Mantiqueira.

Então, percorridos 26.500 m, diante da igreja de São João Batista, eu dobrei à direita, passei a caminhar novamente sobre asfalto e logo cheguei à zona urbana, depois, calmamente, prossegui até o Santuário de Frei Galvão, situado no Jardim do Vale, um enclave de expressiva beleza, onde dei por encerrada a etapa desse dia.

Então, após visitar, fazer fotos e professar orações naquele local sacro, fiz contato com um motorista de aplicativo e logo chegava ao local de pernoite, situado no centro histórico da cidade.

Algumas fotos do trajeto desse dia:


Trecho inicial, bastante arborizado.


Do lado esquerdo do caminho, ao longe, no horizonte, a serra do Mar.


Um totem da Estrada Real, que nesse trecho coincide com o Caminho...


Após o 22º quilômetro, outro trecho em terra bastante bucólico e silencioso.


O interior do belíssimo Santuário de Frei Galvão, em Guaratinguetá/SP.


A estátua de Frei Galvão, existente em seu Santuário, em Guaratinguetá/SP.


RESUMO DO DIA:

Pernoite no Kafé Hotel: Apartamento individual excelente! – Preço: R$130,00

Almoço no Restaurante Minuano: Excelente! Refeição por peso no Self-Service: R$41,90 o quilo.

IMPRESSÃO PESSOAL – Uma jornada de grande extensão, porém, toda plana, e com parte de seu trajeto transcorrendo em zona rural, uma benção para o peregrino. Por sorte, há trechos sombreados no percurso, embora boa parte do itinerário transcorra por áreas habitadas. No global, uma etapa agradável e que não apresenta grandes empecilhos, a não ser a distância a ser vencida e os intermeios asfaltados, que estão presentes em 50% do percurso.



3º dia: GUARATINGUETÁ (SANTUÁRIO DE FREI GALVÃO) a APARECIDA – 18 QUILÔMETROS

Miguel, glorioso príncipe chefe e campeão da hoste celestial, guardião das almas dos homens, conquistador dos anjos rebeldes, ministro do palácio de Deus, sob Jesus Cristo, nosso digno Senhor, dotado de excelência e virtude sobre-humanas, garanta a libertação de todos nós e de todos os enfermos que com plena confiança recorrem a ti, e por tua proteção incomparável ajude-nos a progredir todos os dias no serviço fiel de nosso Deus. Amém!

Eu utilizei um táxi para retornar ao Santuário de Frei Galvão, local onde encerrara o percurso do dia anterior, e quando ali cheguei, às 5 h 30 min, ajustei a mochila nos ombros e depois de benfazejas preces, iniciei minha derradeira jornada.

Na sequência, segui sobre meus passos no dia anterior por 2 quilômetros, até dobrar à esquerda e acessar outra estrada vicinal asfaltada, que perpassa por inúmeros bairros periféricos, num local de massiva urbanização.

Com o dia claro, o trânsito se intensificou por conta do horário matutino, quando muitos demandam ao trabalho e outros afazeres, como fazer compras ou levar os filhos à escola, porém, por sorte, na maior parte do trajeto eu encontrei calçadões laterais ou ciclovias, por onde eu pude seguir em segurança.

Restando uns 10 quilômetros para o final da jornada, de um local arejado, eu pude avistar a Basílica de Aparecida, ao longe, e aquela visão alvissareira me infundiu alegria e ânimo redobrado para concluir minha peregrinação.

Então, percorridos 12.500 metros tensos e sofridos, pois o percurso transcorre por enclaves onde medram abnegação e penúria, eu enfrentei a parte mais perigosa do trajeto, quando acessei uma rodovia vicinal, situada entre campos de pastagens, onde não havia acostamento e o tráfego de veículos se fazia expressivo, em ambos os sentidos.

No entanto, não há mal que sempre dure, assim, percorridos mais tensos 1.500 m, eu adentrei na zona urbana de Potim e, mais adiante, entrei na igreja matriz da cidade, cujo padroeiro é o Senhor Bom Jesus, para orações e agradecimentos.

Prosseguindo, por um trajeto já meu velho conhecido, eu transpus o rio Paraíba do Sul por uma ponte e logo aportei à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, minha meta.

Então, após tomar banho num hotel próximo eu retornei ao templo sacro para assistir à Santa Missa, onde pude agradecer a Mãe Maior por todas as bênçãos auferidas durante a minha profícua jornada.

Depois da celebração, tranquilamente, pude passear pelo Santuário, fazer compras, almoçar e, mais tarde, após me despedir da Mãe Aparecida, embarquei num ônibus e retornei à minha residência.

Algumas fotos do trajeto desse dia:


O Caminho passa diante dessa igreja de São Francisco de Assis, em Guaratinguetá/SP.


Há um 10 quilômetros de distância, primeira visão da Basílica de Aparecida, ao longe.


Próximo da cidade de Potim, uma placa desse Caminho.


Finalmente, chegando à Basílica Mariana de Aparecida.


Gratidão Mãe Aparecida, por todas as graças recebidas!

IMPRESSÃO PESSOAL – Uma etapa fácil e de pequena extensão, porém, percorrida integralmente sobre piso duro. No entanto, a alegria da chegada compensa o esforço dispendido na “viagem” global. E, o reencontro com Nossa Senhora Aparecida tem o dom de amenizar nossas querelas e oportuniza esperanças num amanhã mais aprazível e sereno. Importante ressaltar, ainda, que embora eu caminhasse escoteiro e tenha transitado por inúmeros bairros suburbanos, em nenhum momento me senti ameaçado fisicamente, ao revés, muitos ao me reconhecerem peregrino me cumprimentaram e outros me desejaram uma “boa viagem” ou “vai com Deus” até a Casa da Mãe.



FINAL

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador. Se a ti me confiou a Piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine, Amém! São Miguel Arcanjo, rogai por nós!

O que me direcionou ao Caminho Jornada da Perseverança, foi o desejo de percorrer e contemplar outro roteiro sagrado.

Vez que, ainda em minha residência, senti aquele comichão revigorante e pleno de fé que ainda me mantém ativo na estrada, deslumbrado ante o imprevisível de novas paisagens e emoções.

Nesse sentido, toda viagem solitária oferece uma espécie de licença especial, permitindo que você seja quem quiser, inclusive, um piedoso peregrino.

Mas, para tanto, é necessário disposição, ânimo, persistência e entusiasmo, vez que caminhar a pé, carregando sua própria mochila, implica numa série de desgastes e enfrentamentos físicos e mentais, que só os estoicistas conseguem superar.


Meu Diploma Peregrino.

Concernente ao tema, entendo que há duas diferenças básicas entre peregrinar e viajar de carros.

A primeira é que a caminhada é você do ambiente, da chuva, do vento, e quem, ou o que, você encontrar, porque, deambulando em uma experiência de corpo inteiro, a mente e o corpo funcionam em conjunto, de tal forma que o pensamento se torna sensível a tudo que acontece no local.

A segunda é que a pé você não está blindado do mundo, pois não há vidro ou aço separando um caminho, e você cumprimenta ou conversa com as pessoas que encontra.

Por tudo isso, aportei à Basílica de Aparecida, com o coração em festas, jubiloso ao extremo, pelo mérito de adentrar novamente naquele templo sacro pelas minhas próprias pernas.

Obrigado Mãe Maior, por todas as graças alcançadas e bênçãos auferidas durante minha trajetória, e que eu possa conservar minha saúde e a fé espiritual, para prosseguir percorrendo trajetos de cunho religioso, mormente, aqueles que se dirigem ao Santuário Mariano de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Relativamente ao CAMINHO JORNADA DA PERSEVERANÇA, diria que se trata de um roteiro plano, seguro e que pode ser percorrido a pé como eu fiz, todavia, em face de 73% de seu traçado discorrer sobre piso duro, recomendaria ao peregrino calçar tênis e não botas, ou realizar o trajeto de bicicleta.

Por derradeiro, meus aplausos e um agradecimento sincero e especial ao Sr. José Augusto Costa, mentor e idealizador desse magnífico roteiro, que recomendo com efusão.

Bom Caminho a todos!

Agosto/2021