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A ESCALADA – Anatoli Borkreev e G. Weston DeWalt


A ESCALADA – Anatoli Borkreev e G. Weston DeWalt 



“A verdadeira história da tragédia no Everest.”




Alternando as lembranças do alpinista russo Anatoli Boukreev com a prosa investigativa de DeWalt, esta obra narra os trágicos e controversos acontecimentos de 1996 no monte Everest. Escrito em resposta ao livro do jornalista Jon Krakauer (No ar rarefeito), A escalada expõe a versão de um dos mais experientes alpinistas do mundo.


RESENHA extraída do site: http://www.kalapalo.com.br/ 


Anatoli Boukreev não era escritor, mas era uma dos maiores escaladores de alta montanha de seu tempo, até desaparecer sob uma avalanche nas encostas do Annapurna, no Himalaia, aproximadamente um ano após ter narrado a história desse livro ao escritor G. Weston DeWalt e somente um mês após o lançamento do livro.

Boukreev, como era conhecido, ganhou fama fora do circuito de alta montanha ao participar da fatídica temporada de escalada do Everest, na primavera de 1996, como guia de uma expedição comercial. Seis pessoas morreram numa única noite, entre clientes, guias e um empresário líder de expedições. Foi uma tragédia sem precedentes na história da montanha e levantou a questão da ética dessas mesmas expedições comerciais que, pela bagatela de 60.000 a 100.000 dólares, colocam praticamente qualquer um no topo da montanha mais alta do mundo.

A Escalada é uma resposta às críticas feitas pelo jornalista e escritor de renome Jon Krakaeur, em seu livro, No ar rarefeito, ao profissionalismo de Broukreev enquanto guia. Krakaeur diz que Boukreev parecia estar mais preocupado em escalar do que guiar e zelar pela segurança dos clientes da expedição. Mas, outra face da verdade é que Broukreev arriscou a própria vida para salvar escaladores amadores em apuros, realizando um resgate que lhe valeu inclusive o reconhecimento e prêmios de ética no esporte.

Nas entrelinhas da obra, aos bons leitores, levanta-se a questão uma ética não somente pertinente à escalada em alta montanha, mas também na vida cotidiana e mundana de todos nós. No Everest, Boukreev não escondia seu desgosto com os clientes bem-pagantes da expedição onde ele trabalhava. Questiona abertamente se esses clientes deveriam realmente estar na montanha, colocando suas vidas em risco e a vidas dos guias e sherpas que os acompanhavam. Essa atitude crítica talvez tenha sido o verdadeiro estopim dos comentários pouco simpáticos de Krakauer depois. Mas o questionamento trata do limite do dinheiro. É possível pagar ingresso para chegar ao topo do Everest, mas isso não faz de ninguém um montanhista de verdade. Sem autonomia, autossuficiência, independência, senso crítico, disciplina pessoal e liberdade qualquer grande escalada pode virar uma simples excursão.

Esse livro é vibrante e nos leva não somente ao cume do Everest, mas também à alma de um homem dedicado à montanha. Meus amigos Paulo e Helena Coelho, participantes da primeira expedição brasileira ao Everest e agraciados com o prêmio Fair Play da UNESCO justamente pelo resgate de um escalador a mais de 7.000 metros no próprio Monte Everest, em 1999, leram e recomendaram esse livro à mim. Eu o recomendo a vocês.



SOBRE O AUTOR: Anatoli Boukreev foi um dos mais proeminentes montanhistas de altitude. Esteve no topo das maiores montanhas do mundo em vinte e uma oportunidades. Por seus atos heroicos no monte Everest em maio de 1996, recebeu o mais importante prêmio do Clube Americano de Alpinismo, o David A. Sowles Memorial. Boukreev foi morto por uma avalanche quando escalava no Nepal, em 25 de dezembro de 1997.



Opinião Pessoal: O livro conta como Anatoli Boukreev ajudou a salvar três pessoas quase mortas. O guia-chefe russo tomou uma decisão aparentemente suicida ao tentar um resgate sozinho. Enfrentou assim a tempestade, a fúria da neve e a escuridão naquilo que alguns consideram "um dos mais incríveis resgates da história do montanhismo" e que lhe valeu do Clube Americano de Alpinismo o maior prêmio concedido a atos de heroísmo, sendo eternizado como um dos maiores montanhistas do Himalaia. 

Minha Avaliação: Excelente!

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