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A MARCHA PARA O OESTE – Autores: Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas


A MARCHA PARA O OESTE – Autores: Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas

"A epopeia da Expedição Roncador – Xingu"

 



Pouco antes do início da expedição que transformaria radicalmente suas vidas, os jovens irmãos Cláudio, Leonardo e Orlando Villas Bôas eram pacatos moradores da capital paulista, funcionários do comércio e do serviço público. Entretanto, o fascínio do sertão – nutrido pela origem interiorana da família e expresso na paixão compartilhada pela cartografia do Brasil – sempre os conectara intimamente aos grandes rios e florestas que sabiam existir nas áreas em branco dos mapas.

Em 1943, ao engajar-se na Expedição Roncador-Xingu, organizada pelo governo federal, os irmãos Villas Bôas deram início a uma jornada épica que resultaria em milhares de quilômetros de trilhas e rios percorridos, dezenas de pistas de aviação abertas e cidades inauguradas e, sobretudo, na fundação do Parque Nacional do Xingu.

A marcha para o Oeste é o relato arrebatador de suas décadas de andanças pelo coração da ancestralidade brasileira e um documento de valor incalculável para a história do país no século XX.


Crítica/Mídia: “Villas Bôas enfrentaram duas décadas de provações para criar uma doce república.” (MARCELO LEITE -EDITOR DE OPINIÃO/Folha de São Paulo) 

"Quando o Brasil em geral fica difícil de aturar, eu fecho os olhos um instante e me refugio no pedaço do Brasil onde corre o Tuatuari." Para Antonio Callado se arriscar a tamanho elogio, o lugar deve ser mágico.

De fato. O Tuatuari é só um riachinho, avisa Callado, mas forma "o poderoso Xingu". Às suas margens, os irmãos Villas Bôas -Orlando, Claudio, Leonardo- fincaram a sede do recém-criado Parque Indígena do Xingu (PIX).

Isso foi em 1961, contudo, por ato do presidente Jânio Quadros (numa de suas excentricidades mais admiráveis). Constituiu a grande vitória dos três irmãos paulistas, que 18 anos antes se faziam passar por sertanejos goianos para serem aceitos na Expedição Roncador-Xingu (ERX), lançada em 1943.

Antes de chegarem ao PIX, a trinca e um punhado de caboclos e pilotos enfrentaram quase duas décadas de provações -onças, muriçocas, fome, flechas, morte- para abrir 1.500 km de picadas e 19 campos de pouso, a machado, foice e enxada. Quatro dessas pistas se tornariam bases militares (incluindo a famigerada Cachimbo).

É essa a epopeia narrada nas mais de 600 páginas de "A Marcha para o Oeste": miudezas e prodígios, de carrapatos aos 18 povos com que a expedição travou primeiros contatos e que por ela foram "pacificados". Calapalos, txucarramães, iaualapitis, caiabis, icpengues e panarás.

"Os Villas Bôas", como assinavam suas exasperadas mensagens de rádio, escrevem de maneira aborrecida, como inventariantes. Os últimos dez quilos de arroz. O motor do rádio que enguiça. O avião que não chega.

São aparências, no entanto. Ou fruto da impaciência de quem se habituou a consumir narrativas frenéticas.

À medida que se sucedem tipos sertanejos, cercos de índios entre a hostilidade e a submissão, desafios e modas de viola, o leitor se toma de carinho por tanta dedicação.

Há grandeza nessa forma de vida. Os Villas Bôas perseguiam o exemplo do marechal Cândido Rondon, um ideal de congraçamento -com índios e a natureza- que caiu em desuso neste Brasil difícil de aturar.

Siga o conselho de Darcy Ribeiro: "Agarre este livro com as duas mãos, com a cabeça e com o coração".



Opinião Pessoal: Relato dos 42 anos de duração da expedição que resultou na criação do Parque Nacional do Xingu, o único do gênero a funcionar em todo o continente americano.

Minha Avaliação: Espetacular!

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