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APONTAMENTOS DE VIAGEM – Autor: Joaquim de Almeida Leite Moraes

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APONTAMENTOS DE VIAGEM – Autor: Joaquim de Almeida Leite Moraes



O autor deste livro, Joaquim de Almeida Leite Moraes (1834-1895), foi nomeado presidente de Goiás em 1881, com o encargo de fazer cumprir uma lei eleitoral. Como havia lutado por ela, não pôde recusar o sacrifício, que o obrigou a ficar um ano longe da família. Saindo de São Paulo, viajou a cavalo a partir de Casa Branca, numa viagem penosa de mais de trinta dias cheios de contratempos e perigos, com um desconforto que hoje parece incrível. Quando deixou o governo, preferiu voltar de maneira surpreendente, descendo o Araguaia e o Tocantins até Belém do Pará, onde tomou o vapor que o trouxe ao Rio de Janeiro.

São estas duas jornadas que ele conta, com grande talento narrativo, amparado no sentimento penetrante da natureza e na capacidade de registrar de maneira expressiva fatos e costumes. Daí um relato que põe a imaginação do leitor na chuva e no sol, no desconforto mais agudo e na hospitalidade tosca do sertão, em meio a animais tresmalhados e embarcações que quase vão a pique. A escrita espontânea e muito reveladora prende o tempo todo, dando um toque de prazer ao conhecimento que proporciona do Brasil no século XIX.

Publicado em 1882 numa edição privada, só agora este livro é posto ao alcance do público, segundo um conselho de Rubens Borba de Moraes, grande especialista em literatura de viagens no Brasil, que queria vê-lo reeditado por ser, diz ele, um dos melhores do gênero.


Sinopse: Em 1880, o político paulista Joaquim de Almeida Leite Moraes foi nomeado pelo imperador presidente de Goiás, e sua principal tarefa era garantir o bom andamento da primeira eleição distrital direta a ocorrer naquele estado. Leite Moraes parte de São Paulo em dezembro daquele mesmo ano e chega a Goiás um mês depois.

Em sua aventura, atravessa as mais diferentes paisagens, que descreve com riqueza de detalhes em seu “caderno de apontamentos”. Estão presentes em suas notas tanto observações sobre o progresso das comunidades ribeirinhas e a paisagem em geral, até notas sobre a própria saúde e a saudade da família. Nesta mescla da esfera política e pessoal reside parte do encanto da narrativa, como observa Antônio Cândido na introdução ao livro.

Publicado pela Companhia das Letras pela primeira vez em 1995 e agora reeditado pelo selo Penguin-Companhia, o livro foi considerado pelo bibliólogo Rubens Borba de Moraes um dos melhores livros de viagem já escritos no Brasil.


Opinião Pessoal: Um livro mágico e muito bem escrito, retratando uma época remota de nosso Brasil, vivenciada por esse bravo e valoroso advogado paulista, formado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo.


Minha Avaliação: Excelente! Imperdível!


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