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CAMINHO DA LIBERDADE – Autor: Slavomir Rawicz


CAMINHO DA LIBERDADE – Autor: Slavomir Rawicz


“Uma das mais extraordinárias e heroicas histórias de qualquer tempo.” 




Resenha – por Ana Lucia Santana

O autor e protagonista desta história é o oficial Slavomir Rawicz, integrante da cavalaria polonesa na ocasião em que as tropas germânicas e russas ocuparam seu país, em 1939. Nesta época as duas potências mundiais repartiam entre si o território polonês. Ele foi então aprisionado pelas forças do Exército Vermelho sob a alegação de ser um agente secreto.

Embora a acusação jamais fosse comprovada, o militar foi conduzido para os calabouços de Yakutsk, na Sibéria, localizados a cerca de 500 km do círculo polar ártico. Declarado culpado, foi obrigado a cumprir vinte e cinco anos de trabalhos compulsórios e nunca teve a chance de apresentar sua versão dos fatos. Por outro lado, seus incriminadores em tempo algum exibiram qualquer evidência de espionagem.

O inusitado nesta obra é que a trama não é ambientada no cativeiro, e sim no trajeto percorrido por Slavomir e seis companheiros durante uma fuga inédita da prisão. Eles caminharam do norte da Ásia até a Índia, passando pelas terras da Sibéria, Mongólia, China e Tibet, atravessando o deserto de Gobi e as cordilheiras do Himalaia. Ao grupo inicial uniu-se posteriormente uma jovem que também tentava abandonar a Rússia.

Apesar das adversidades da jornada, realizada em árduas circunstâncias, metade dos fugitivos conseguiu atingir a Índia Britânica e aí foram resgatados e reconduzidos aos países de origem. Sua bagagem era praticamente restrita à roupa do corpo e o grupo tinha plena consciência de que só estaria salvo quando deixasse a Rússia.

O autor, com a assessoria do ghost writter Ronald Downing, centra a narrativa na bravura, no destemor, na persistência, na fidelidade e no esforço coletivo dos prisioneiros. Simultaneamente o livro retrata e imortaliza uma das eras mais importantes do século XX.

Seus criadores alegam que a história é inspirada em fatos concretos, mas em 2006 surgiram controvérsias sobre a realidade destes eventos. Na verdade, é difícil imaginar que esta trama realmente se desenrolou no plano do real, pois ela se inclina mais para a dimensão do fantástico.

Uma cobertura jornalística perpetrada pela BBC, baseada em dados originários da antiga União Soviética, indica que o protagonista foi, na verdade, libertado no Irã quando vários cativos da Polônia foram então anistiados. Como se não bastasse esta virada na história, depois de três anos um novo personagem entra em cena e reivindica para si as experiências supostamente vividas por Slavomir. Trata-se do polonês Witold Gliński, ex-combatente da Segunda Guerra.

Disputas à parte, a narrativa foi adaptada para o cinema através do cineasta Peter Weir. A visão do diretor se distancia muito do ponto de vista literário, e assim repercute melhor no Ocidente, embora preserve a mesma ideia.



Opinião Pessoal: Um livro de muita ação, na verdade, um memorial para todos os que vivem e morrem na luta pela liberdade.

Minha Avaliação: Excelente!

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