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CRUZANDO A ÚLTIMA FRONTEIRA – Autor: Aírton Ortiz

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CRUZANDO A ÚLTIMA FRONTEIRA – Autor: Aírton Ortiz 


Uma aventura pelo fascinante Alasca”



Numa troca de e-mails, Aírton Ortiz me disse: “Sou um escritor profissional de livros de aventuras autobiográficas e, portanto, [para mim] o livro é mais importante do que a própria viagem em si. A Viagem é a atividade-meio, escrever o livro sobre ela é a atividade-fim”. Li e reli esse trecho da mensagem diversas vezes. Só ele bastaria para escrever todo um artigo sobre o Airton e sua atividade de escritor. Uma afirmação preocupante e ao mesmo tempo heroica.

A arte de escrever anda de bola murcha ultimamente. A televisão, o cinema e, mais recentemente, a Internet, com suas inúmeras e rápidas possibilidades de comunicação, mínguam a paciência necessária para que alguém passe horas com um livro nas mãos. Nada contra todas essas formas de mídia, muito pelo contrário! Mas ler é diferente de assistir a um filme, por exemplo. A gente consegue ver o filme e comer pipoca, dar beijinhos e até falar ao telefone. Ler requer atenção, dedicação, entrega.

Quando o Aírton Ortiz se diz ser “um escritor profissional de livros de aventura” ele se coloca numa posição quase monástica de dedicação a uma arte pouco popular. Só aí ele já ganhou dez pontos comigo. A literatura é um duro e ingrato aprendizado, exige humildade e disciplina sem fins. Disciplina de fazer malabarismos com a linguagem para ser compreendido, para emocionar, para transportar o leitor. Humildade para começar tudo de novo se for preciso e para não tomar os atalhos que transformam literatura em panfletagem. Literatura não é uma ciência exata, não tem objetivos fixos. Na verdade, sempre vi a literatura como uma forma sutil de striptease… Para mim, escrever é uma maneira de desnudar-se.

Cruzando a Última Fronteira, em minha opinião, é um manifesto individual propondo um estilo diferente de vida. Afinal, “navegar é preciso”, como já dizia o fado. Por que Ortiz foi até o Alasca? Por que leu tanto sobre o Alasca? Por que deixou o conforto de seu lar e o carinho de sua família para passar frio no Alasca? Para escrever um livro e ganhar dinheiro? Talvez. Até aí nada ilícito ou ilegítimo. Todo mundo tem que trabalhar e sobreviver. Mas acho que tem mais por trás disso.

Ortiz viajou até o Alasca porque o Alasca estava na sua mente, povoando sua imaginação desde que ele era menino e leu Jack London. Ele foi até o Alasca porque o caminho está aberto a qualquer um que tenha dinheiro para pagar a passagem aérea. Muita gente leu Jack London e quis um dia ir até o Alasca. O Aírton foi. Essa é a mensagem.

Infelizmente o Brasil é um país pobre e a principal restrição aos viajantes é o custo da viagem, mas tem muita gente com dinheiro e não viaja além de Cancún, Miami ou Nova Iorque. Gente que não arrisca. O Aírton arriscou. Talvez depois de ler o livro do Ortiz algumas poucas pessoas peguem um avião e efetivamente visitem o Alasca. Talvez alguém viaje até o Chile para ver um pouco de neve depois de ler Cruzando a Última Fronteira. Mas não é isso que importa. O importante é que ao ler este livro a gente tem um ímpeto de arrumar a mochila e, com isso, o escritor Aírton Ortiz cumpriu seu papel.

Porém, talvez justamente porque a viagem é para Ortiz uma “atividade-meio” e não um fim em si só, a narrativa do livro não é brilhante e única, e o Alasca soa às vezes burocrático nas palavras do autor.


Sinopse: Entrevista - Cruzando a última fronteira - (http://www.record.com.br/)

Depois de escalar o Kilimanjaro, a montanha mais alta da África, percorrer as trilhas do Himalaia, no Nepal e desafiar o Serviço Secreto do Exército da China, no Tibete, Airton Ortiz, autor de Pelos caminhos do Tibete, trocou as alturas pelas altas latitudes e viajou até o gelado Alasca em busca de emoções. Em Cruzando a última fronteira, combinando aventuras com observações e pesquisa sobre a história e os costumes da região, Airton divide com os leitores uma nova e inesquecível viagem em busca de um contato com a natureza, as pessoas e as paisagens de uma das regiões mais selvagens da Terra. Mais um livro da Coleção Viagens Radicais, dedicada a aventuras nos locais mais inóspitos e inexplorados do planeta. O autor, que já viajou por países da Ásia e África, mostra que o Alasca é um lugar singular, onde as tradições, hábitos e costumes formam um “continente” à parte. E foi justamente essa característica que o atraiu na viagem. "Me interesso por culturas que ainda mantêm uma identidade própria, locais onde a vida segue seu próprio ritmo, alheia a globalização tecnológica que caracteriza a maioria dos lugares ao redor do mundo", conta Ortiz.

- Seu novo livro é sobre o Alasca. Para quem estava acostumado a se aventurar pela África e pela Ásia, uma aventura na América é muito diferente?

O mais importante no Alasca é que ele não “fica” na América. Nem na América do Norte, especificamente falando. O Alasca é um território, uma cultura e um povo completamente singular no mundo todo. Nem americano, nem africano, nem asiático. As tradições, hábitos e costumes do povo do Alasca formam um “continente” à parte. E é justamente isso que me atrai numa viagem: culturas que ainda mantém uma identidade própria, locais onde a vida segue seu próprio ritmo, alheia à globalização tecnológica que está padronizando grande parte do planeta.

- Por que normalmente suas viagens têm por destino regiões geográficas de difícil acesso?

Porque é graças ao difícil acesso que essas regiões se mantém livres das padronizações globais, dos comportamentos massificados. Felizmente, o turismo de massa é demasiado preguiçoso para chegar aos lugares mais bonitos do planeta, ao alcance apenas das pessoas que não se submetem ao conforto físico como filosofia de vida.

- Qual foi seu roteiro?

Subi a Costa do Alasca de barco. Obtive permissão para armar minha barraca no convés de um navio e percorri 2.000 km pelo Pacífico Norte, visitando diversas ilhas, até desembarcar em Skagway, no continente. Entrei no Canadá pelo território do Yukon e subi até Dawson City, onde pude garimpar ouro no lendário rio Klondique. Voltei novamente para o Alasca e consegui permissão para acampar dentro do Parque Nacional Denali, uma área completamente selvagem, destinada apenas aos aventureiros profissionais, onde, para sobreviver, necessitei fazer um curso com os guardas florestais dos Estados Unidos. E, por fim, cheguei ao Extremo Norte, na aldeia esquimó de Barrow, meu grande objetivo ao planejar a aventura.

- Qual foi o ponto alto dessa aventura no Alasca?

Fisicamente foi ter acampado solitariamente no interior selvagem do Alasca, em meio a ursos, lobos e demais animais selvagens, e depois ter chegado ao Extremo Norte, na aldeia esquimó de Barrow, às margens do Oceano Glacial Ártico, 72 graus de latitude norte. Já emocionalmente, o ponto alto foi experimentar a solidão e o medo como motivadores de novas descobertas pessoais, descobrindo até onde o ser humano pode chegar quando exposto a limites extremos de adversidades físicas e psicológicas. Por outro lado, a parte exótica da viagem foi poder garimpar ouro no rio Klondique, no Yukon, onde aconteceu a maior corrida de ouro da história.

- Qual foi o meio de transporte utilizado na viagem?

Sempre de transporte público, especialmente barco, trem e ônibus. Para chegar a Barrow tive que ir de avião, pois não existem estradas nem ferrovias que levem até lá. Andei também de carona com caminhões de carga e algumas vezes a pé.

- Onde você se hospedava?

Na maior parte em barraca. Nas pequenas vilas ficava em albergues. Em Dawson City consegui alugar uma cabana de garimpeiro, às margens do rio Klondique. Em Barrow tive que ficar num pequeno hotel, uma espécie de contêiner, devido ao gelo e aos ursos polares.

- O que você comia?

Peixe, especialmente salmão, a comida mais comum do Alasca. É possível pescá-los em qualquer córrego. Também é comum o caranguejo gigante. Tudo cozinhado com molho brasileiro.

- No que o Alasca é diferente das outras regiões selvagens do planeta?

Como as regiões selvagens normalmente ficam em países pobres e densamente povoados, é possível contratar ajuda, como carregadores, cozinheiros, guias. No Alasca, por ser uma região completamente despovoada, não há mão de obra disponível. Assim, quem se aventurar por lá deve levar em consideração que vai estar sempre sozinho, isto é, precisa ser auto-suficiente durante toda a jornada.

- Qual foi a grande lição que ficou dessa jornada?

Que ainda é possível uma coexistência harmônica entre natureza, animais irracionais e animais racionais. Se os seres humanos desejarem viver em paz consigo mesmo, precisarão selar um acordo com as demais espécies do planeta. E essa experiência me mostrou que todas as formas de vida que conhecemos estão sob o domínio dos humanos. Mas descobri também que para viverem em harmonia com a natureza os homens precisam, antes, viver em harmonia entre si próprios. Esse é o grande desafio. Superá-lo é a verdadeira e mais importante aventura humana neste planeta.


Opinião Pessoal: Considero este um dos melhores livros do autor, porquanto, escrito com muitas informações e emoções, sobre esse exótico Estado Americano, de nome Alasca.


Minha Avaliação: Excelente! Imperdível! Nota 10!


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