Home‎ > ‎80 Livros que Li e Gostei‎ > ‎

NO CORAÇÃO DA ÁFRICA – Autor: Martin Dugard


NO CORAÇÃO DA ÁFRICA – Autor: Martin Dugard


“Uma rara narrativa histórica de fazer os leitores perderem o sono.” 



Dr. Livingstone, um dos maiores exploradores britânicos, foi o primeiro homem a atravessar o continente africano. Um feito de proporções épicas. Mas, durante uma de suas viagens, desapareceu. Ficou meses sem dar notícias, o que deixou seus compatriotas, que acompanhavam suas viagens, apreensivos. Henry Stancly, um jornalista inglês, embarcou para o Continente Negro com a missão de encontrar o lendário aventureiro. Uma jornada cheia de perigos que terminou com o emocionante encontro com Livingstone, no coração da África. A viagem que encantou os ingleses de seu tempo, ansiosos para lerem as matérias de Stancly em sua busca, ainda hoje exerce considerável fascínio entre o público. Martin Dugard tornou-se um desses admiradores. E revelou escrever uma versão definitiva dessa grande história. Pesquisou a fundo o assunto e recontou os acontecimentos da saga em uma narrativa de ritmo tão intenso quanto os feitos dos dois exploradores. Um livro emocionante e de leitura empolgante com um grande romance de aventura.


SINOPSE PUBLICADA NO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO 

"Doutor Livingstone, eu presumo", talvez seja a mais famosa frase da história do jornalismo, embora ela nunca tenha provavelmente sido dita.

Uma das revelações fascinantes do livro "No Coração da África" é que Henry Morton Stanley, o jornalista americano que a teria pronunciado após ter passado anos à procura do explorador inglês David Livingstone, não registrou em lugar nenhum a célebre e fleumática indagação que teria feito ao finalmente encontrá-lo. A não ser nas suas matérias publicadas. Ninguém testemunhou tê-la ouvido.

A página do diário de Stanley relativa ao momento mais importante de sua vida profissional foi arrancada. Ou por algum colecionador fanático ou, sugere Martin Dugard, o autor de "No Coração da África", pelo próprio Stanley para ocultar o fato de que, afinal, ele não havia pronunciado a histórica pergunta.

"Isso se ajustaria ao seu caráter", afirma Dugard. Stanley pode ter inventado a citação enquanto escrevia suas reportagens para o "New York Herald" para dar ainda mais charme e sensação às suas já suficientemente sensacionais e charmosas descrições.

A sentença o tornou uma autêntica celebridade mundial na segunda metade do século 19. Transformou-se em saudação entre missionários europeus quando se encontravam na África. Sintetizou o gênero de jornalismo de aventuras que o próprio Stanley havia ajudado a definir em suas coberturas da Guerra Civil americana, dos combates entre o Exército e os indígenas no Oeste dos EUA, da invasão britânica da Abissínia e, finalmente, da expedição africana de Livingstone e, posteriormente, de suas próprias missões ao continente.

O gênero avançou muito neste quase século e meio posterior. Deixou de lado as dúvidas de credibilidade que quase o desmoralizaram no nascedouro e nos anos imediatamente seguintes, que quase o tornaram sinônimo de leviandade.

Atualmente, prospera em especial na televisão por assinatura, em canais como "Discovery", "History" e "National Geographic" mas também em revistas e livros. Pode não ser motivo para aumentos espetaculares de tiragem e audiência, como os obtidos pelos donos do "Herald" graças às histórias de Stanley, mas mantém um público grande e fiel, especialmente entre os mais jovens.

Dugard faz um excelente trabalho na sua biografia dupla (de Livingstone e Stanley). Ele escreve com fluência, entusiasmo, picardia similares à do seu biografado. Consegue reconstruir o ambiente que cercou a grande época das explorações. Havia um frenesi público em torno das descobertas que transformavam pessoas como Stanley, Livingstone, Richard Burton e outros em autênticas celebridades.

As emoções eram tamanhas que levavam até a suicídios de quem se sentisse desprestigiado por uma descoberta que se provasse falsa. E Dugard transmite ao leitor esses sentimentos.

Se não chega a ser a obra definitiva nem sobre os dois personagens principais nem sobre a história das explorações africanas, este é um livro que se lê com prazer, que acrescenta informações aos que só conhecem Livingstone e Stanley superficialmente e que faz pensar sobre como se deu esse momento específico das incursões dos brancos na África.

(CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA - ESPECIAL PARA A FOLHA)



Opinião Pessoal: Um livro emocionante e de leitura empolgante como um grande romance de aventura. 

Minha Avaliação: Imperdível!

VOLTAR‎