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OS PÉS ALADOS DE MERCÚRIO – Autor: Luis Pellegrini


OS PÉS ALADOS DE MERCÚRIO – Autor: Luis Pellegrini


“Relatos de viagens à procura do self.” 




SINOPSE extraída do site: http://odeporica.blogspot.com.br/ 

No panteão da mitologia romana, Mercúrio (Hermes, para os gregos) é o deus protetor dos viajantes. Pegando carona nessa simbologia, Luis Pellegrini publicou uma coletânea de textos que merece destaque na biblioteca dos aficionados pela literatura odepórica. Os pés alados de Mercúrio: relatos de viagens à procura do self é daqueles livros que encantam do primeiro ao último relato. Luis Pellegrini, jornalista e atual diretor de redação da Revista Planeta, reuniu nessa obra relatos de viagem que, em comum, trazem à tona um viajante-peregrino fascinado pela estrada que conduz aos lugares mais emblemáticos do planeta, tendo como objetivo principal o autoconhecimento adquirido com o deslocamento.

Com Pellegrini vamos de Roma ao Egito, de Compostela aos Himalaias, e de lá para outros tantos lugares onde se possa fazer alguma conexão entre o profano e o sagrado. Em cada parada, um aprendizado, um carimbo no passaporte da alma. Aqui o que vale é a percepção de que tudo se conecta, de que tudo na jornada é uma única e mesma coisa. Essa é uma visão típica daquilo que se denomina Nova Era, um termo desgastado pelo uso e pela banalidade com que foi concebido, mas ainda assim, algo que faz parte de uma nova maneira de se relacionar com o sagrado. Pellegrini, que dedica sua vida e sua carreira às questões espirituais, num dos relatos deixa transparecer um pouco dessa conduta new-age que faz o cabelo de muita gente arrepiar (de acadêmicos a religiosos), mas que eu particularmente acho muito sedutor. Vamos lá:

“O ser humano é um ente essencialmente espiritual – não necessariamente um ente religioso -, e nosso espírito precisa de alimento da mesma forma que o corpo físico. A grande carência de verdadeiro alimento espiritual é certamente uma das muitas mazelas do nosso mundo moderno. Como não gosto de passar fome de nenhum tipo, procuro comida onde puder encontrá-la. Onde ela estiver, ali é o meu “restaurante”. Aprendi a me alimentar de força espiritual em qualquer lugar onde a encontro. E por achar que todos os espaços sagrados são meus, sinto-me católico nas igrejas, judeu nas sinagogas, muçulmano nas mesquitas, budista nos mosteiros, umbandista nos terreiros. Meu interesse é sempre por aquilo que unifica, e não por aquilo que divide e fragmenta. Por isso, em matéria de sistemas religiosos, assumi há muito tempo a condição do curinga: todos me servem, e eu sirvo a todos.”

O mérito de Pellegrini é o de conseguir falar sobre espiritualidade sem parecer um desses deslumbrados que afirmam haver encontrado a paz interior naquele eremitério escondidinho na montanha, aos pés de um guru iluminado com a cabeça cheia de haxixe e os bolsos cheios de dólares. Nada disso. Seus relatos são simples, intuitivos e acessíveis a qualquer um, mesmo àquele que não se interessa por questões de ordem espiritual/religiosa, pois ainda que esta seja a linha condutora dos relatos, o que dá ao conjunto aquele sabor especial próprio dos relatos de viagem é o chamado à aventura.

Tentei escolher um dos relatos para postar aqui no blog, mas não me decidi por nenhum porque todos são igualmente interessantes. Por isso, convido-o (a) a ler a introdução que Pellegrini preparou para apresentar sua simpática obra a seus leitores. Trata-se de uma visão muito especial sobre o sentido da viagem, com ênfase no aspecto da transformação interior a ela relacionada. Em tempo: o termo Self (ou Si-Mesmo), que aparece no título dessa obra é um conceito (na verdade, um arquétipo) próprio da psicologia analítica junguiana que pode ser traduzido como “Centro”, ou “núcleo central da psique”. O mecanismo que faz com que o indivíduo tenha acesso a esse centro é conhecido como processo de individuação, que em outras palavras é o caminho do autoconhecimento. E esse caminho se dá aqui, no dia-a-dia de cada um, mas numa viagem, quando estamos mais abertos ao outro e a nós mesmos, somos agraciados com uma maior facilidade de compreensão dessa dinâmica.


Opinião Pessoal: Um livro sobre viagens, escrito por quem entende do assunto e redige muito bem.


Minha Avaliação: Imperdível! Espetacular!

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