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POR UM FIO – Autor: Drauzio Varella


POR UM FIO – Autor: Drauzio Varella  


“Nas histórias reais de "Por Um Fio", o médico e escritor Drauzio Varella mostra como a perspectiva da morte pode revelar um inesperado sentido para a vida.” 


Em Por um fio, está de volta o narrador sensível e cuidadoso de Estação Carandiru, que, contando histórias reais, reflete sobre o impacto da perspectiva da morte no comportamento de pacientes e seus familiares.

Drauzio Varella especializou-se em oncologia numa época em que o câncer era visto com tanto horror que nem sequer se pronunciava essa palavra – dizia-se “aquela doença” – e desde então convive cotidianamente com doentes graves. Em Por um fio, ele relata histórias que põem o leitor diante de questões delicadas, difíceis mesmo para quem lida com elas em sua rotina profissional.

De um lado, a reação dos que se descobrem doentes, que vai da surpresa à revolta, do desespero ao silêncio e à aceitação. Do outro, a atitude dos parentes, que varia da dedicação incondicional à pura mesquinharia, da solidariedade ao abandono. E Drauzio conta ainda episódios surpreendentes de mudança de vida, como se a visão da morte fosse quase uma libertação, um divisor de águas que confere novo sentido ao porvir.


Sinopse/Análise feita pelo site: http://lernaoatrofia.com 

Finalmente! A resenha do primeiro livro lido no ano. Ironicamente meu primeiro livro do ano de 2012 foi um livro completamente aleatório. Primeiro, ele é emprestado de um médico professor de minha irmã e, segundo, seria um livro que eu jamais leria se minha irmã não fizesse aquela carinha de "lê-vai-vai".

Morte é a ausência definitiva. (p. 7)

Imaginar a morte como um fardo prestes a desabar sobre nosso destino é insuportável. Conviver com a impressão de que ela nos espreita é tão angustiante que organizamos a rotina diária como se fôssemos imortais e, ainda, criamos teorias fantásticas para nos convencer de que a vida é eterna. (p. 8)

O livro começa com frases impactantes. Ele é composto de crônicas sobre a realidade vivenciada pelos médicos da área de oncologia, sob as memórias das próprias experiências do autor.

Então vem o primeiro problema. Assim como Adeus, China - a bem da verdade, bem pior do que este livro -, as memórias dos primeiros anos de exercício da medicina são muito detalhadas para me dar a sensação de memórias. Há diálogos, frases marcantes, que supostamente o autor se lembraria após vinte, trinta anos. Isto não me convence, ou eu realmente tenho uma péssima memória?

Não sei, se eu fosse escrever minhas memórias de vinte anos atrás, preferiria escrever os diálogos que me marcaram em discurso indireto. Quando você coloca em discurso direto, parece que você anotou palavra por palavra, o que imagino que não tenha acontecido. Vocês podem ver que sou bem chata quanto a isso.

Mas, tirando isto, é um livro que possivelmente deve mexer com pessoas sensíveis. Para mim ele pouco me comoveu. Tristeza, depressão, angústia, morte, tudo isso já faz parte do meu vocabulário. Não preciso ser médica para saber que no mundo as pessoas sofrerem - muito menos preciso ler um livro sobre isto. Não me entendam mal: é um bom livro e posso pensar que alguns médicos devam lê-lo urgentemente. Mas, infelizmente, ele pouco me diz já que: não sou da área médica, nem da área da saúde; e nunca me deparei com algum familiar ou amigo com câncer ou AIDS.

[...] na medicina, curar é objetivo secundário, se tanto. A finalidade primordial de nossa profissão é aliviar o sofrimento humano. (p. 147)

Mas, para não levar o prêmio "Leitora Insensível do Ano" para casa, vou dizer que alguns dos relatos me deixaram aquela sensação de aperto na garganta e ao final do livro, leves lágrimas escorreram pelo meu rosto no ônibus. É um livro que te faz pensar, mas - encarando a realidade - você só entende vendo e sentindo mesmo.

O livro tem umas partes interessantes que chegam a serem engraçadas. Eu separei algumas:

Fala de um dos pacientes para sua esposa após sair de um culto evangélico de testemunhos que foi obrigado a ir pela esposa após começar a trabalhar com jogo do bicho.

Sou um homem de respeito, e ali só tem ladrão, veado, mulher da vida e bêbado Só porque recolho jogo do bicho sou obrigado a me misturar com gente que não presta. (p. 72)

No Japão estava cada vez mais comum a tentativa de suicídio pelo envenenamento com uma determinada substância, então...

O médico terminou a visita explicando que a mortalidade de cem por cento provocada por esse tipo de envenenamento servira para motivá-lo a convencer as autoridades responsáveis pela saúde pública de Hiroshima a iniciar uma campanha de esclarecimento nas escolas com a seguinte mensagem: "Nós não recomendamos essa forma de suicídio".



Opinião Pessoal: Um livro onde a morte está presente o tempo todo, porém, muito bem escrito, no qual ele discorre sobre as impactantes ocorrências diárias na vida de um médico oncologista, no caso, ele próprio.


Minha Avaliação: Muito bom!

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