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TOCANDO O VAZIO – Autor: Joe Simpson


TOCANDO O VAZIO – Autor: Joe Simpson



“A História Real da Miraculosa Sobrevivência de Um Homem” 




Em junho de 1985, Joe Simpson e seu parceiro de escaladas, Simon Yates, chegam ao cume do Siula Grande, a 6300 metros de altura, nos Andes peruanos. A face oeste da montanha nunca havia sido conquistada. Logo depois da façanha, porém, os dois se assustam ao ver que a rota da volta é muito mais perigosa e traiçoeira do que haviam imaginado. Já no começo da descida, um desastre de consequências muito graves: Joe escorrega ao tentar desescalar uma parede de gelo e quebra a perna.

Nas horas seguintes, cai a noite e uma tempestade de neve se fecha sobre eles enquanto Simon tenta desesperadamente descer o amigo com o auxílio de cordas. Numa das descidas mais aceleradas, castigado pela neve e por rajadas de vento, Joe fica suspenso no vazio, sobre uma imensa greta, sem conseguir tocar a parede de gelo e impossibilitado de tentar alguma manobra de salvamento. Para não ser arrastado para o abismo, Simon é obrigado a cortar a corda que os une.

Tocando o vazio é uma narrativa épica sobre medo, dor, resistência, coragem e amizade. O livro recebeu vários prêmios, como o Boardman Tasker e o NCR e foi publicado em mais de dez línguas. Foi adaptado para o cinema por Kevin MacDonald, que recebeu o Oscar 2000 de melhor documentário por Um dia em setembro.



RESENHA: por Gustavo Araujo 


A Filosofia da Montanha: O desejo inexplicável que acomete algumas pessoas de chegar no topo de uma montanha, simplesmente porque ela “está lá”, para usar a conhecida explicação de George Mallory, tem sido explorado com frequência pela literatura de aventura. Começou com o clássico Annapurna de Maurice Herzog, passando pelos fantásticos relatos que misturam a filosofia de vida e façanhas inigualáveis de Reinhold Messner, chegando, por fim, às trágicas experiências narradas por John Krakauer em “No Ar Rarefeito”.

Em comum, todas essas obras têm como contexto a busca de homens e mulheres pela superação de adversidades, de ambientes inóspitos, e de seus próprios medos, mesmo nas condições mais difíceis. Olhar a morte nos olhos e viver para contar.

O relato constante de “Tocando o Vazio” não foge a essa regra. Porém, vai mais longe que qualquer obra precedente do gênero.

Em 1985, o britânico Joe Simpson e seu companheiro de escalada Simon Yates decidem escalar nos Andes Peruanos. Esbanjam confiança, entusiasmados como nunca com a expectativa de conquistar montanhas tão perigosas e ermas quanto belas.

A chegada ao topo do Monte Siula Grande, de 6.344m, é extenuante, temperada por momentos difíceis e desafiadores, que exigem doses extras de coragem e técnica apurada. Exatamente como ambos preveem e, de certa forma, desejam. Na descida, porém, algo impensável acontece: Simpson quebra a perna. Numa escalada de alta montanha isso pode soar como um atestado de óbito. A lei não escrita dos montanhistas é fria, inclemente, mas, diz-se, necessária: aquele que não tem condições de avançar deve ser deixado para trás, sob pena de comprometer a segurança e a vida dos demais integrantes da equipe.

Simpson sabe disso. Yates também. Mesmo assim, tentam descer juntos, com Yates arriscando-se a todo instante em meio à nevasca que castiga a montanha para ajudar o companheiro. O Siula Grande é escarpado e íngreme ao extremo. Descer sozinho já é uma proeza técnica para poucos. Carregar outra pessoa nessas condições beira o suicídio. Com a escuridão e a tempestade de neve cada vez pior, ambos percebem que só resta uma opção: Joe está condenado. Para ter chances de sobreviver, Simon deve partir.

Com o remorso consumindo cada molécula de seu ser, Yates corta a corda que os une e desparece montanha abaixo, sabendo que ele próprio terá uma tarefa extremamente árdua para chegar ao acampamento na base da montanha.

Simpson se vê sozinho com a morte à espreita. Não se entrega ao desespero, porém. Começa travar consigo mesmo uma guerra psicológica. Passa a rastejar e a escorregar pelas escarpas, lutando contra as dores lancinantes. O progresso é lento, mas ele se se agarra com todas as forças à esperança, permitindo-se pensar que, afinal, há uma chance. Até que cai em uma fenda. Com esforço sobre humano consegue se puxar para o exterior. A essa altura, faminto, fraco e atacado por hipotermia, pensa em desistir. De repente, vislumbra um caminho em meio à tempestade que, mesmo em suas condições terríveis, pode significar a salvação.

Enquanto isso, de volta ao acampamento, Yates é acossado por uma sensação de impotência, de arrependimento e tristeza. Por fim, resignado, convence a si mesmo que o companheiro está irremediavelmente morto, incapaz de se locomover numa montanha como aquela, e ainda mais naquelas condições climáticas. É hora de se preparar para partir.

Simpson avança vagarosamente, dominado todavia, por um sentimento de urgência crescente, ciente de que em breve Simon levantará acampamento. Se não puder alcança-lo, terá sua morte definitivamente decretada.

Pela manhã, Yates está pronto para deixar a região. Em meio à chuva, julga ouvir um chamado, quase um lamento.

“Tocando o Vazio” é uma história de sobrevivência sem paralelos brilhantemente escrita e que leva o leitor – em meio a uma leitura compulsiva – a se perguntar o que faria em uma situação tão dramática como a vivida por Simpson e Yates. Abandonar o outro? Resignar-se e aceitar a morte? De onde tirar forças para vencer o maior medo de todos?

Um épico que trata de questões filosóficas e que ao mesmo tempo aborda o que há de mais valoroso no ser humano. Coragem, amizade e bravura.


"Um clássico do montanhismo... Um relato inigualável de dor e resistência." - Sunday Times.

"Simpson emociona profundamente a comunidade montanhista, que sabe do que ele está falando, e também o leitor comum, que é posto diante de situações jamais imaginadas de perigo extremo." - Los Angeles Times.



Opinião Pessoal: Um livro dramático, de grande superação pessoal, onde dá pra sentir a agonia do personagem na tentativa de sobreviver. 

Minha Avaliação: Excelente!

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