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TREM FANTASMA PARA A ESTRELA DO ORIENTE – Autor: Paul Theroux


TREM FANTASMA PARA A ESTRELA DO ORIENTE – Autor: Paul Theroux


“Na trilha de O Grande Bazar Ferroviário.” 




O mais prestigiado representante da literatura de viagens contemporânea revisitou, 33 anos depois, alguns países do Oriente e, em novo livro, diz que as transformações obedecem a uma 'lei natural'.

Lidas em voz alta, as palavras do americano Paul Theroux soam como um ranger de dentes. Famoso pelos relatos de viagem, ele escreveu um livro que é um potente e cuidadoso coquetel servido gelado - Trem Fantasma para a Estrela do Oriente, que a Objetiva acaba de enviar para as livrarias, traz suas cáusticas observações sobre a nova visita que fez à China, Turquia, Índia, Birmânia e regiões da antiga União Soviética. Trinta e três anos antes, Theroux esteve nos mesmos locais e a experiência rendeu O Grande Bazar Ferroviário, publicado em 1975 e responsável por incluí-lo entre os célebres autores daquela geração. 


RESENHA: Por Ana Lucia Santana

Paul Theroux tem uma paixão inusitada por trens, o que o levou a compor clássicos da literatura, nos quais este veículo é o protagonista e o leitor é conduzido em uma viagem delirante por paisagens desconhecidas da região asiática. Ele parte de Londres, percorre o Leste do continente europeu e desembarca na Ásia.

Em 1975 o autor norte-americano publica O Grande Bazar Ferroviário - De Trem pela Ásia, no qual ele adota o estilo dos famosos escritores que viajam por várias partes do Planeta e compartilham suas impressões com o leitor, seu maior cúmplice na jornada escolhida. Com o olhar indagador do viajante, Paul perscruta as imagens que se destacam no amplo continente oriental, e seu trajeto se traduz como uma delicada, exótica e colorida colcha de retalhos captada por sua rica percepção sensorial.

Esta é certamente uma obra apaixonante, daquelas que cativam o leitor logo nas primeiras linhas; aliás, desde o início o leitor sabe que não está diante de uma ficção, e sim ante a narrativa de uma viagem. 33 anos depois o autor resgata sua antiga jornada e a refaz, registrando em Trem Fantasma para a Estrela do Oriente suas novas vivências e impressões.

Com sua linguagem irônica e meditativa, o criador de Suíte Elefanta embarca em uma viagem ao mesmo tempo semelhante e distinta da anterior, não só porque ele agora é outra pessoa, mais experiente e madura, mas também porque histórica e geograficamente tudo mudou neste intervalo de tempo. Em regiões e vilarejos onde no passado ele não podia ingressar agora tudo é mais acessível; em contrapartida, confrontos deflagrados em outros países, antes de livre passagem, tornam impossível sua entrada.

Desta forma, durante a leitura, é possível conhecer nações como a Romênia, a Turquia, Geórgia, Turcomenistão, Índia, Vietnã, Mianmar, entre tantos outras, e descobrir o que elas oferecem de positivo e de negativo. Suas novas aventuras acabam se transformando em um ato de libertação pessoal.

Paul empreende esta jornada com o mínimo de estrutura, apenas com alguns vistos e uma soma de dinheiro; quase o tempo todo ele segue no interior de um trem, só escolhendo outro meio de transporte quando não dá para ir adiante por terra. Embora não seja uma obra extensa, sua leitura demanda tempo, pois o leitor tem a necessidade de assimilar a narrativa, os dados oferecidos pelo escritor, as sensações que a descrição de cada recanto desperta, a compreensão de cada personagem.

O autor circula pelas cidades a pé, para poder assim captar melhor a atmosfera local; às vezes ele conta com a parceria de um guia da região, de alguém que realmente incorpora a personalidade do lugar. Estes relatos de viagens inseriram definitivamente o escritor no rol dos mais famosos de sua época.

Paul Edward Theroux nasceu no dia 10 de abril de 1941 em Medford, nos Estados Unidos. A famosa viagem pelo Oriente inspirou sua obra-prima O Grande Bazar Ferroviário, na qual está impressa sua passagem pela Europa do Leste, Médio Oriente, Ásia do Sul e Sudeste Asiático, até o Leste Asiático, com retorno pela Rússia até o ponto de partida. Seus romances de ficção também são significativos, mesmo porque alguns deles foram adaptados para o cinema. Sua obra A Costa do Mosquito foi premiada em 1981 com o James Tait Memorial.




Opinião Pessoal: Trata-se de uma obra polêmica, mas eu gostei de seu conteúdo. Embora exista divergência, há que se reconhecer que é uma obra que agradará aqueles curiosos em conhecer a visão de alguém que presenciou parte das mudanças pelas quais certos países passaram nas últimas 3 décadas.

Minha Avaliação: Excelente!

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