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Pouso Alegre a Aparecida


2020 – CAMINHO DE APARECIDA - POUSO ALEGRE/MG a APARECIDA/SP – 170 QUILÔMETROS

Viajar é uma dádiva, é poder, primeiramente, conhecer a si mesmo, a sua cultura e entendê-la. Depois, é conquistar novas terras e olhares dentro do seu eu, onde os diversos povos e modos passam a influenciá-lo diretamente, com ensinamentos e novas maneiras de enxergar a vida.” 




Um peregrino contumaz precisa estar sempre atento às novas possibilidades que surgem para caminhar e, no meu caso, isto ocorreu por acaso, quando descobri o traçado de um ramal do Caminho de Aparecida, recentemente agregado ao roteiro oficial, e não hesitei.

Tomei um ônibus da Viação Gardênia num sábado, desci na Estação Rodoviária de Pouso Alegre, uma progressista cidade mineira, com mais de 150 mil habitantes, me registrei no Hotel Ferraz, e no dia sequente iniciei minha aventura de fé, em direção à Basílica de Aparecida.

Um pouco do que vivenciei em mais essa peregrinação solitária, conto abaixo.


Diante da Catedral de Pouso Alegre/MG, pronto para iniciar mais um Caminho de Aparecida.


1º dia: POUSO ALEGRE/MG a SANTA RITA DO SAPUCAÍ/MG – 33 QUILÔMETROS

Nunca deixe de lutar por medo de errar ou de se machucar. As feridas com o tempo se curam, mas as oportunidades não voltam.” 

Como a jornada seria de grande extensão, parti às 4 h, sob um clima frio e ventoso. 

Os primeiros quilômetros foram vencidos sobre piso duro e sob o conforto da iluminação urbana, enquanto eu avançava transitando por bairros periféricos, sempre na direção leste.

Cinco quilômetros à frente, eu acessei uma estrada de terra plana e extremamente deserta, que me levou a transitar entre belas chácaras e fazendas dedicadas à criação de gado leiteiro.

Percorridos 8.500 metros, eu desaguei na Fernão Dias e precisei caminhar 1.500 m pelo acostamento dessa movimentada estrada, no sentido contrário ao fluxo de veículos.

Por sorte, estávamos num domingo, e não havia um tráfego tão intenso, assim, percorridos 10 quilômetros, eu ultrapassei o rio Sapucaí por uma ponte, depois, passei sob a rodovia utilizando uma senda e, já do outro lado, acessei larga e plana estrada de terra, por onde segui com tranquilidade, enquanto o dia amanhecia.

Lembrando que até esse local o percurso ainda não está sinalizado, mas tal evento deverá ocorrer em breve.

O trajeto sequente foi sempre entre pastagens, uma tônica nessa jornada, e caminhados mais 3 quilômetros, principiei a ascender, ainda que de forma moderada.

No entanto, a partir do 16º quilômetro a aclividade se tornou mais expressiva e, percorridos 21 quilômetros, alcancei o topo de um morro, situado a 927 m de altitude, o ponto de maior altimetria dessa jornada.

Nesse trecho intermediário eu visualizei, além de rebanhos de gado bovino, imensas plantações de milho e mandioca.

O descenso prolongou-se por bom tempo, até a travessia de um rio por uma ponte de madeira.

Depois, voltei a ascender levemente e no final do 29º quilômetro adentrei em zona urbana, então, prossegui caminhando até o centro da cidade, onde me hospedei nesse dia.

De se ressaltar que durante o percurso fui ultrapassado por mais de 100 ciclistas que faziam seu “pedal domingueiro”, em ambos os sentidos, muitos dos quais me cumprimentaram efusivamente.

Algumas fotos do trajeto:


Trecho sombreado e deserto.


Um bosque nativo extremamente agradável.


No final, estradas planas e arejadas.


A igreja matriz de Santa Rita do Sapucaí/MG.


RESUMO DO DIA: Clima: frio e ensolarado, com temperatura variando entre 15 e 28 graus.

Pernoite no Real Palace Hotel - Apartamento individual espetacular! - Preço: R$100,00 - incluindo o café da manhã.

Almoço no Restaurante Elite Mineira: Excelente! – Preço R$44,00 o quilo, no sistema Self-Service.

IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de grande extensão, agravada pelo sol que crestou forte após às 9 h, além do fato de que não chovia há bastante tempo na região, o que me ensejou a aspirar muita poeira nesse dia. Nela há, ainda, o percurso pelo acostamento da Rodovia Fernão Dias, talvez o pior trecho de todo o caminho, em razão do estresse e do perigo que representam. No entanto, afora o trajeto sobre piso duro, o roteiro sempre transcorreu em meio a muito verde, por estradas rurais e com escasso trânsito de veículos. Santa Rita é uma cidade grande, simpática e progressista, que oferece todas as facilidades ao peregrino.



2º dia: SANTA RITA DO SAPUCAÍ/MG a SÃO JOSÉ DO ALEGRE/MG – 28 QUILÔMETROS 

Cada manhã nascemos de novo. O que fazemos hoje é o que mais importa.” (Buda) 

A jornada não seria de razoável amplitude, então, para fugir do sol que abrasava após às 9 h, resolvi sair novamente bem cedo.

Assim, às 5 h, já com o dia claro, eu deixei o local de pernoite e segui em frente, com destino ao Inatel que, na verdade, é um Instituto dedicado à formação de profissionais no setor de Telecomunicações.

Um quarteirão antes de aportar naquela Instituição, adentrei à esquerda, e principiei, então, a ascender levemente por uma rua asfaltada e, mais um quilômetro caminhado, aproximadamente, eu cheguei a uma rotatória, então, tomei à esquerda e acessei em uma larga estrada de terra.

O caminho seguiu plano, entre grandes pastagens, dedicadas à criação de gado leiteiro, porém, com bastante terra fofa no leito da estrada, fruto da estiagem que grassava na região, há mais de um mês.

Infelizmente, o trânsito se mostrou intenso naquela manhã de segunda feira, assim, eu aspirei muita poeira no trajeto e, para complicar, o clima se manteve árido e o sol escaldou com força, depois das 9 horas da manhã.

Apesar desses fatores desconfortantes, há de se ressaltar que o percurso apresenta paisagens maravilhosas e trânsito por locais ermos e silenciosos, mormente, quando caminhei ao lado da Fazenda Colina, uma grande propriedade rural onde avistei, além de pastagens e imensas plantações de milho, milhares de pés de café.

Seguindo em frente, depois de uma leve ascendência, seguida de longo descenso, percorridos 20 quilômetros, eu desaguei numa estrada que, à direita, segue em direção ao distrito de Olegário Maciel, cuja sede é a cidade de Piranguinho.

Porém, obedecendo à sinalização, eu girei à esquerda e depois de mais 7 quilômetros percorridos em meio a muito verde, adentrei em zona urbana e, na sequência, calmamente, segui caminhando até o local de pernoite.

Algumas fotos do trajeto:


Amanhecer no Caminho: sempre uma experiência inesquecível!


Estradas planas, mas com muito pó em seu leito...


A ladear o caminho, extensas e ubérrimas várzeas.


A igreja matriz de São José do Alegre/MG.


RESUMO DO DIA: Clima: frio, depois ensolarado, com temperatura variando entre 16 e 29 graus.

Pernoite na Pousada Brasa – Quarto individual bom - Preço: R$50,00 - incluindo o café da manhã.

Almoço no Restaurante Brasa: Excelente! – Preço: R$17,00, pode-se comer à vontade no Self-Service.

IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de média extensão, com poucos acidentes altimétricos, muito bonita e tranquila. Em sua primeira parte, o trajeto discorre entre grandes fazendas de gado leiteiro. Depois, prossegue em meio a extensos cafezais de propriedade da Fazenda Colina. A chegada à cidade de São José é bastante agradável, porque feita em descenso e em meio a frondoso e sombreado bosque. Porém, face ao calor reinante e a estiagem que grassava na região, sofri um bocado no trajeto desse dia.


3º dia: SÃO JOSÉ DO ALEGRE/MG a WENCESLAU BRAZ/MG – 40 QUILÔMETROS

"A vida não é como deveria ser, é do jeito que é. A maneira como você lida com isso é que faz a diferença." (Virginia Satir) 

Chovera muito na noite anterior, então, quando parti às 4 h da manhã, o clima se apresentava frio e hidratado.

Depois de caminhar 1 quilômetro à beira da rodovia que segue em direção à cidade de Pedralva, eu adentrei à direita em larga e embarreada estrada de terra enquanto, lentamente, o dia amanhecia.

Percorridos 4.800 metros em bom ritmo, numa bifurcação perfeitamente sinalizada, pois ambos os roteiros seguem em direção à cidade de Itajubá, eu adentrei à direita e logo enfrentei uma pequena elevação e, a partir desse marco, o caminho de tornou ermo, silencioso e agradável.

Depois de caminhar um bom tempo por uma estrada larga e arejada, situada em meio a imensa várzea, por uma ponte de madeira eu ultrapassei um ribeirão, depois, transitei entre grandes fazendas de gado bovino e, percorridos 15 quilômetros eu adentrei em zona urbana.

Na sequência, utilizei uma longa avenida, extremamente movimentada face ao horário matutino, e 3 quilômetros depois, eu transitei pela área central da cidade de Itajubá.

Mais adiante, fiz uma pausa para fotografar o Portal do Caminho de Aparecida, que está situado na Praça Dona Alice Braz Mandolesi, depois parei numa padaria para ingerir um copo de café acompanhado de um pão de queijo.

Bem alimentado, adquiri água, transitei diante da igreja matriz da cidade, depois prossegui adiante, num percurso integralmente urbano, onde, já deixando a urbe, eu passei, sequencialmente, pelo bairro Santa Rosa e, posteriormente, pelo de Santo Antônio.

Percorridos 32 quilômetros, eu acessei uma trilha bastante erodida e lisa, depois, em descenso, transitei diante de uma grande fazenda de gado leiteiro, ultrapassei o rio Bicas por uma ponte e, já do outro lado, acessei a rodovia MG-459.

E foi por ela, caminhando sobre piso asfáltico que, depois de mais 6 quilômetros, eu cheguei à Wenceslau Braz, mais especificamente, à Pousada Castelinho.

Por sorte, o dia se manteve fresco e nublado, agradável para caminhar.

Algumas fotos do trajeto:


Dia nublado no início, com muita lama na estrada.


O Portal do Caminho de Aparecida, fincado na área central de Itajubá/MG.


De volta à exuberante natureza...


A Pousada Castelinho em Wenceslau Braz, local imperdível...


RESUMO DO DIA: Clima: fresco e nublado, com temperatura variando entre 16 e 23 graus.

Pernoite na Pousada Castelinho Amarelo – Quarto individual excelente! - Preço: R$55,00 - incluindo o café da manhã.

Almoço na Lanchonete da Derly: Excelente! – Preço R$20,00 o Prato Feito, de excelente qualidade.

IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada de grande amplitude, mas, praticamente, sem nenhuma dificuldade em termos de altimetria, mormente em sua primeira parte. E, efetivamente, os primeiros 15 quilômetros foram trilhados em meio a um entorno extremamente verde, bucólico e silencioso. Como sempre, o aporte a qualquer cidade grande é tedioso e envolve perigos, por conta do intenso tráfego de veículos. E, o acesso ao centro de Itajubá também não fugiu a essa regra, em face do horário matutino. Já, na segunda parte da jornada, também não existe praticamente nenhuma dificuldade em termos de altimetria. Salvo, é claro, a trilha que necessita ser vencida, após a passagem pelo bairro Santo Antônio. E que não é recomendável ser acessada em dias chuvosos, face ao perigo de algum acidente, pela agudeza do trajeto. Nesse caso, o percurso deverá ser feito pelo asfalto da rodovia BR-459, que segue em direção a Wenceslau Braz. No global, os primeiros quilômetros do percurso, iniciados no centro de Itajubá, são urbanos, barulhentos e insossos, mas, depois do bairro Santo Antônio, o reencontro com a natureza campestre é agradável e gratificante.



4º dia: WENCESLAU BRAZ/MG a PEDRINHAS (GUARATINGUETÁ/SP) – 48 QUILÔMETROS 

Não há nada como um desafio para trazer à tona o que há de melhor em um homem.” (Sean Connery) 

Este sim, um percurso temível, porquanto eu me encontrava sozinho no roteiro e, ademais, estava pressionado pelo tempo, pois tinha prazo para retornar ao meu lar, por conta de compromissos, adredemente, assumidos.

Assim, após conversar com a Patrícia, proprietária da Pousada Castelinho, optei por contratar o Dito taxista, para me levar até o bairro do Charco, como forma de agilizar a transposição da tormentosa Serra da Mantiqueira.

Então, conforme combinado, às 4 h, depois de ingerir o café da manhã, embarquei num automóvel que subiu o morro tossindo e rangendo, mas me deixou no local combinado, exatamente às 4 h 30 min, depois de percorrer 14.500 metros.

Imediatamente, após os acertos monetários, iniciei minha odisseia, seguindo por uma trilha extremamente lisa e embarreada, pois chovera, fortemente, naquela região na noite anterior.

O trajeto ermo, hidratado e silencioso me levou, 4 quilômetros adiante, a enfrentar o primeiro dos 4 íngremes ascensos que se precisa vencer para atravessar a Mantiqueira e, percorridos 20 quilômetros, eu cheguei à divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, onde está fincado um pedestal, com a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

O descenso pelo lado oposto exigiu bastante atenção, pois o leito da trilha se encontrava extremamente revolvido, pela passagem constante de mototrilheiros, que concorreram, decisivamente, para assorear esse traçado.

Porém, com muito cuidado e fé em Deus, acabei por sair na Estrada de Lavrinhas, depois, ultrapassei o Fazenda dos Carneiros e, percorridos 31 quilômetros, me enlacei com a Estrada de Pedrinhas, cujo início se dá diante do portão do Horto Florestal de Campos do Jordão.

A partir daí o trajeto se tornou meu velho conhecido e sem maiores dificuldades eu transitei pelo bairro Gomeral, depois, com muita tranquilidade, pois o clima se manteve nublado e fresco, eu aportei à Pousada do Sr. Agenor, meu destino nesse dia.

Algumas fotos do trajeto:


Ultrapassando a serra da Mantiqueira. Muita névoa no ar.


A trilha, muito bem sinalizada...


A "Santinha" fincada na divisa dos Estados de MG e SP.


Vista do bairro Gomeral, abaixo, desde a Estrada de Pedrinhas.


RESUMO DO DIA: Clima: frio, ventoso e, depois, nublado, com temperatura variando entre 14 e 24 graus.

Pernoite na Pousada do Sr. Agenor: Atendimento excelente! – Apartamento simples, com café da manhã e almoço – Preço: R$100,00

IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada longa, cansativa e com extremas variações altimétricas. No entanto, com trânsito pelo “coração” da serra da Mantiqueira, um trecho excepcionalmente belo, e onde a natureza se encontra integralmente preservada. No global, necessário vencer forte altimetria ascendente até aportar à Estrada de Pedrinhas. E, depois da Pousada Santa Maria da Serra, o perfil se inverte, sendo necessário muito cuidado e atenção para enfrentar o brusco descenso em direção ao distrito de Pedrinhas.


5º dia: PEDRINHAS (GUARATINGUETÁ/SP) a APARECIDA/SP – 21 QUILÔMETROS

Para você que lê, que o Senhor lhe dê um milagre que você não espera mais, e que suas orações sejam atendidas!” 

Seria a derradeira jornada e, como seria a 11ª vez que trilharia esse trecho, ela já era minha velha conhecida. 

Assim, como eu precisava retornar nesse mesmo dia à minha residência, levantei às 4 h e depois de tomar o café gentilmente preparado por Dona Maria, exatamente às 5 h, e após fraternas despedidas, deixei a Pousada do Sr. Agenor, dobrei à direita e, confiante, segui em frente.

Com o dia clareando, eu passei pelo distrito de Pedrinhas e, quinhentos metros à frente, observando à sinalização, adentrei à direita, em larga estrada de terra e segui em bom ritmo, porquanto, face às chuvas recentes, o clima se apresentava fresco e extremamente hidratado.

A partir daí o trajeto é integralmente plano e, sem maiores novidades ou dificuldades, eu aportei ao Santuário Mariano de Aparecida.

Algumas fotos do trajeto: 


Estrada plana, arejada e bastante molhada nesse dia.


Longos e agradáveis retões, a perder de vista...


Finalmente, na Basílica! Obrigado Mãe Aparecida pela minha saúde!


Minha Credencial Peregrina.


RESUMO DO DIA: Clima: frio e ensolarado, com temperatura variando entre 16 e 24 graus.

IMPRESSÃO PESSOAL: Uma jornada plana, curta, e bastante agradável, em seus primeiros 11 quilômetros. Porém, quando ainda restam 9 quilômetros para a chegada, o trânsito pelo asfalto e zona urbana acabam por deslustrar o brilho dessa etapa. Porquanto, caminha-se o tempo todo apreensivo com a segurança pessoal, porque o fluxo de veículos é intenso e produz inquietação. Também, o barulho ininterrupto vivenciado no percurso, faz com que nossa atenção se volte permanentemente para o exterior, desaparecendo, por conta disso, toda a introspecção e tranquilidade desfrutadas nas jornadas pretéritas. Ainda, a certeza da chegada ao nosso objetivo nos fortalece, mas, também nos angustia. Afinal, são os últimos momentos no Caminho e, por isso mesmo, tormentosos e desgastantes. Mas, ao mesmo tempo, inesquecíveis e de frenética emoção.



FINAL

Uma vez que você percebe que a estrada é o objetivo e que você está sempre no Caminho, não para alcançar uma meta, mas para desfrutar de sua beleza e de sua sabedoria, a vida deixa de ser uma tarefa e se torna natural e simples; em si mesmo, um êxtase.” (Nisargadatta Maharaj) 




Quando projetei percorrer o ramal de Pouso Alegre do Caminho de Aparecida sozinho, tentei me cercar de todos os cuidados e alternativas possíveis, porque sabia que se algo me acontecesse em termos de saúde ou violência, não teria a quem pedir auxílio de imediato.

Independentemente, desses desvelos, sabemos que no Caminho ficamos à mercê do destino, mas, sempre, sob a proteção divina, quando professamos a fé ao cumprir nossos objetivos.

Penso que em atividades solitárias desse tipo, sempre se fala de superação, tenacidade, perseverança, ambição, gestão de momentos críticos, decisões chaves, etc., mas esses elementos não podem ser comprados em uma loja, nem acredito que sejam um talento inato ou algo exclusivo de um determinado tipo de pessoa ou caráter.

Todos esses fatores estão à disposição de qualquer peregrino, mas dependem, basicamente, de outro elemento importante para que sejam despertados: a motivação.

Que, em última análise, significa ter “motivos para a ação”. 


O meu 3º Diploma do Caminho de Aparecida.

Relativamente, ao Caminho de Aparecida, diria que ele prossegue sendo dos roteiros mais belos que já trilhei em minha vida errante, e o recomendo com efusão.

Nele, transitei por locais ermos, silenciosos e de excelsa beleza, onde a natureza está integralmente preservada.

Também, conheci pessoas íntegras, que me ampararam com carinho e respeito, como se eu fizesse parte de suas famílias.

Assim, ao finalizar novamente esse maravilhoso roteiro, não poderia deixar de agradecer à Associação dos Peregrinos do Caminho de Aparecida, mormente, o Rodrigo, de Alfenas, que fazem a conservação desse itinerário, pois sem eles, nada teria sido possível.

Para encerrar, um pensamento do insigne filósofo alemão Nietzsche, que tão bem expressa minhas vivências peregrinas:

Ao sentir o cheiro de terra fresca, o ar limpo e o silêncio das paisagens campestres, reencontramos nossa essência. 

Na cidade precisamos representar um papel porque estamos muito preocupados com o que pensam de nós. 

Porém, de volta à natureza, podemos nos dar ao luxo de sermos nós mesmos. 

Não precisamos nos vestir bem, falar ou atuar de maneira especial. 

Basta nos deixarmos levar pelo mundo natural em direção ao nosso interior, onde um manancial de tranquilidade nos espera. 


Bom Caminho a todos! 

Novembro/2020