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2º dia: BAIRRO TRÊS FAZENDAS (ESPÍRITO SANTO DO PINHAL/SP) a SANTO ANTÔNIO DO JARDIM/SP – 21,4 quilômetros



2º dia: BAIRRO TRÊS FAZENDAS (ESPÍRITO SANTO DO PINHAL/SP) a SANTO ANTÔNIO DO JARDIM/SP – 21,4 quilômetros

"Então, agora, resumindo, o problema é este: tenho muitas estradas ao redor e nenhuma dentro..." (Alessandro Bariccoo)


O percurso do dia também seria de média extensão, de forma que não havia tanta pressa na partida.

Assim, o Perdiz, o Furlan e eu tomamos o café às 6 h 30 min e próximo das 7 horas embarcamos no carro do Romualdo, que viera nos apanhar, conforme ficara combinado no dia anterior.


Furlan, Romualdo e Perdiz, no início da 2ª etapa.

Vinte minutos mais tarde, ele nos depositou à beira da rodovia BR-342, exatamente, no mesmo lugar em que havíamos encerrado a jornada do dia anterior.

Ali fizemos fotos, nos despedimos dele, depois, iniciamos o trajeto do dia.


Furlan e Perdiz, seguem conversando à minha retaguarda.

O Furlan e o Perdiz, como de praxe, seguiriam em ritmo mais lento, conversando e chupando as mangas que encontrassem no caminho.

Eu, entretanto, mais expedito, me despedi deles e segui o meu caminho, com a promessa de dar notícias via telefone, quando aportasse ao Santuário de Santa Luzia.

A paisagem nessa etapa mudou radicalmente em termos de cultura agrícola e, quase imediatamente, passei a caminhar entre extensos cafezais.


Imensos cafezais no entorno.

Com efeito, para qualquer lado que eu olhasse, avistava milhares de pés de café.

De se ressaltar que o produto colhido nessa região é um dos melhores do país.

A referendar tal afirmação, a notícia de que a produtora Laura Luíza Del Guerra Vergueiro, da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Pinhal (Coopinhal), de Espírito Santo do Pinhal, conquistou a maior nota no 12.º Concurso Estadual de Qualidade do Café de São Paulo - Prêmio Aldir Alves Teixeira, de 2013.


Pés de café a perder de vista.

O café com a maior nota, 8,879, dentro do máximo de 10, foi do tipo cereja descascado, pontuação atribuída pelos jurados do concurso, instituído pela Câmara Setorial de Café de São Paulo, em conjunto com a Coordenadoria de Agronegócios (Codeagro), da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de São Paulo.

E, recentemente, o café de Espírito Santo do Pinhal, do interior paulista e também parte da Mogiana, recebeu sua Indicação Geográfica de Procedência (IG) pelo INPI, o que valoriza o produto.

Por sinal, esta IG contempla oito municípios produtores: Espírito Santo do Pinhal, Santo Antônio do Jardim, Aguaí, São João da Boa Vista, Águas da Prata, Estiva Gerbi, Mogi Guaçu e Itapira.

E a área delimitada tem como característica a cafeicultura de montanha, com cultivos em espaçamento tradicional e sistemas de produção familiar.


Ao fundo já é possível avista a serra da Mantiqueira.

Ao fundo, projetando-se no horizonte, podia avistar os contrafortes da magnífica serra da Mantiqueira, com quem nos defrontaríamos depois da cidade de Andradas/MG.

Como na etapa anterior, o roteiro prosseguiu plano, contudo, posteriormente, verificando a altimetria pelo programa Wikiloc em meu celular, constatei que caminhei sempre em leve ascensão.

Porém, diferentemente da jornada pretérita, o caminho era menos largo, proporcionando uma integração maior com a exuberante natureza que me ladeava.


Mangas maduras à beira da estrada.

Em determinado local eu encontrei alguns pés de manga, com frutos maduros, mas preferi deixá-los para serem sobejados pelos companheiros que vinham a minha retaguarda.

O caminho seguiu aberto e com pouca sombra nesse primeiro tramo.


Paisagens fantásticas..!

No entanto, para qualquer lado que eu olhasse, podia ver a cor verde se sobressaindo, em todas as suas tonalidades possíveis.

Os cafezais prosseguiram me ladeando, mas, em alguns locais, avistei plantações de milho e pecuária leiteira.

Os laranjais também deram seu ar da graça, porém sem grande efetividade.


Trecho plano, mas sem sombras.

Afora 2 motos que me ultrapassaram nesse intermeio, não avistei vivalma e nem cruzei com carros ou caminhões.

Foram momentos bucólicos, de intensa introspecção, onde aproveitei para colocar em dia minhas orações.


Trecho agradável e arejado.

O sol já surgira a bastante tempo, contudo, ainda, não agredia com força, de maneira que pude seguir com calma e tranquilidade.

Na verdade, em determinados locais, um vento fresco e aprazível me fustigava de frente, proporcionando bem-estar e um novo ânimo para eu prosseguir sobrepujando as distâncias.


Caminho retilíneo.

Em determinado local, mais à frente, passei ao lado de magníficas construções, ladeadas por passarelas e muros baixos, todas com pintura recente, esbanjando limpeza e beleza.

Pensei até que se tratasse de um Spa ou alguma Pousada, mas não visualizei nenhuma placa que identificasse o local, muito menos avistei alguém para indagar sobre o lugar.

Posteriormente, soube pelo Perdiz, que parlamentou com um residente dali, que se tratava de uma chácara, onde residem vários irmãos, cada qual em seu quinhão.


Finalmente, um pouco de sombra. O peregrino agradece!

Mais adiante, pela primeira vez no dia, transpus um agradável bosque, onde frondosas árvores me ladearam.

O ar puro que se desprendia do ambiente, oxigenou meus pulmões e refrescou o meu caminho.


Entrada para o Pesqueiro do Vandinho.

Já em leve ascenso, passei diante do Pesqueiro do Vandinho, cujas placas indicativas eu vinha observando desde o início da jornada.

Pelo que soube, o local conta com excelente estrutura para a pesca, e possui um bar/restaurante onde é possível adquirir água ou cerveja, por exemplo, se necessitasse, o que não era o caso.

O roteiro prosseguiu serpeante e, em alguns locais, caminhei dentro de profundas cavas.


Caminhando entre imensas cavas naturais.

No trecho final, ainda fui premiado com alguma sombra, mas o sol já dardejava com vigor nos estirões abertos.


Caminho aberto, céu azul  e muito café no entorno.

Depois de vencer o derradeiro ascenso, do cimo do morro, pude avistar ao longe o templo de Santa Luzia, que se encontra fincado num morro, a 916 metros de altitude.

Eu descendi pequena ladeira, depois, já no plano, acessei uma estrada asfaltada em leve ascenso e por ela cheguei até o Santuário.


Do alto do morro, primeira visão do Santuário de Santa Luzia.

Ali, primeiramente, fiz demorada visita ao interior da capela, onde permaneci algum tempo em oração silenciosa, pois só havia eu no local naquele momento.

Depois, bati fotos do templo e pude ainda observar o estafante e grandioso trabalho desenvolvido pelo pessoal de limpeza da Prefeitura de Espírito Santo do Pinhal, pois dois dias atrás se realizara no local a Festa Anual em homenagem à Santa milagrosa.

E, segundo li nos jornais, o público presente naquela ocasião chegou a 100 mil pessoas.


Quatro torneiras ofertam água benta para os fiéis.

Depois, fui beber da fonte milagrosa que jorra, através de 4 torneiras, de uma nascente localizada sob a estátua da santa.

Aproveitei, ainda, a ocasião para ingerir uma banana e renovar meu protetor solar.

Depois, permaneci algum tempo refletindo sobre o que escreveu o Monsenhor Augusto Alves Ferreira, Pároco, sobre a capela ali existente:

“Santuário, local de peregrinação e comunhão dos templos vivos, lugar privilegiado do serviço religioso.”


O Santuário, ao fundo.

A Igreja de Santa Luzia localiza-se no bairro rural de mesmo nome, na cidade de Espírito Santo do Pinhal/SP.

A região onde se situa era conhecida – em fins do século XIX – como Bairro Morro Azul e fazia parte da Fazenda Monte Alegre, de propriedade do tenente-coronel Vicente Gonçalves da Silva, que herdara de familiares.

Em 1868, o tenente-coronel casou-se com Francisca Tomázio – carinhosamente chamada de Chiquinha Ramos. Segundo consta, dona Chiquinha era mulher religiosa e os últimos anos de sua existência “foram consagrados ao bem”.

Essa religiosidade alcançou maior expressividade quando ela passou a se preocupar com colonos e conhecidos que tinham problemas na vista.

Na ânsia de ajudá-los, dona Chiquinha dedicou-se às orações e a devoção a Santa Luzia, a santa protetora dos olhos.


Santuário de Santa Luzia, a santa protetora dos olhos.

O marco da devoção a Santa Luzia ocorreu em 1908, com a chegada da imagem da santa em sua residência, vinda de Fuscaldo (Itália), através da Estação Ferroviária Mogiana.

Sendo a imagem de tamanho natural, não foi possível Dona Chiquinha colocá-la no oratório de seu quarto, então, resolveu construir (1909-1910) uma capelinha para abrigar a “Santa dos Olhos”.

Era uma capela pequena, que comportava cerca de trinta pessoas em pé.

A primeira missa foi rezada pelo Pe. Guilherme Landel de Moura, no dia 13 de dezembro de 1909, da qual participaram os proprietários da Fazenda Morro Azul e seus familiares, bem como toda a colônia italiana ali moradora.

A partir de então, tornou-se tradição a realização da festa todo dia 13 de dezembro, que ano após ano, foi crescendo, e que hoje é o maior acontecimento religioso da região.

Contando sempre com a participação de milhares de devotos de Espírito Santo do Pinhal, das cidades vizinhas, do Sul de Minas Gerais e da Grande São Paulo, que chegam ao local do evento a pé, de carro ou de ônibus para agradecer bençãos recebidas da padroeira da boa visão.

Nos primeiros anos, a festa de Santa Luzia foi promovida por Dona Chiquinha Ramos e por familiares e depois pelos imigrantes italianos que trabalhavam na Fazenda Morro Azul.


Imagem de Nossa Senhora Aparecida alocada no interior do templo.

Em 03/04/1956 teve início a construção da nova igreja ao redor da velha capelinha para que fosse posteriormente demolida.

As obras transcorreram durante cinco anos com a ajuda financeira dos próprios agricultores, sitiantes e moradores das imediações.

Em 13 de dezembro de 2009, na festa em comemoração aos 100 anos da Capela de Santa Luzia, por decreto de Dom David Dias Pimentel, que presidiu a celebração, elevou-se a Capela a condição de Santuário Paroquial ligado à Paróquia do Divino Espírito Santo e Nossa Senhora das Dores, tendo como pároco Monsenhor Augusto Alves Ferreira.

A singularidade desta festividade municipal encontra-se no fato de Santa Luzia não ser padroeira da cidade e figurar como a festa religiosa de maior expressão no município, tornando o dia 13 de dezembro, feriado municipal desde 1995.

Atualmente a comunidade continua lutando para a preservação de tamanha devoção, não medindo esforços para atender aos romeiros que veem de diversas cidades de São Paulo e Minas Gerias.

Calcula-se que durante a primeira semana de dezembro até o dia 13, passam pelo bairro aproximadamente 30.000 devotos a Santa Luzia, e são celebradas diversas missas por padres da cidade e demais vindos de outras paróquias, para melhor atender aos romeiros e devotos.

(Fonte: http://www.santuariosantaluzia.com.br/o-bairro.php)


Bandeira da cidade de Espírito Santo do Pinhal.

Espírito Santo do Pinhal é carinhosamente chamada de “Pinhal”. Suas origens remontam ao tempo dos índios Caiapós, que habitavam a região nordeste do Estado de São Paulo e que viviam em pequenas aldeias, caçando, pescando e cultivando milho e mandioca. Eles também fabricavam a igaraçaba (urna funerária) para enterrar seus mortos.

No final de 1700, as Entradas (expedições de caráter oficial que visavam a conquista da terra e a consolidação do domínio português) e as Bandeiras (expedições particulares empreendidas para capturar índios e descobrir jazidas de pedras e metais preciosos), ajudaram a povoar a região. A formação da cidade começou na primeira metade do século XIX, quando Romualdo de Souza Brito, vindo de Mogi das Cruzes, estabeleceu-se por ali, dedicando-se à agricultura com outros membros da família. Com a chegada de outros agricultores às suas terras, Romualdo e a esposa, Tereza Maria de Jesus, decidiram que, para acabar com as invasões, doariam as terras que eram disputadas para formar o patrimônio do Divino Espírito Santo. A partir da doação (de aproximadamente 40 alqueires) surgiu uma igreja e um povoado, que, com o passar dos anos, ganhou o nome atual (“Pinhal” é uma referência à grande quantidade de araucárias da região).

Por volta de 1850, o cultivo do café trouxe à região um número significativo de escravos para trabalhar nas lavouras. Logo, aquele era um dos principais focos de produção do Brasil. Por volta de 1929, porém, o café começou a perder força no município, também em função da quebra da Bolsa de Nova York.

Com base no censo de 2010, Pinhal tem, aproximadamente, 42 mil habitantes. E o café se mantém como sua principal cultura agrícola, seguido pela cana-de-açúcar e o milho (também há indústrias metalúrgicas e de confecção).

(Fonte: www.motoadventure.com.br)


Seguindo as marcações da Rota.

Até ali eu havia caminhado 10 quilômetros e era hora de partir, pois o sol já abrasava com vigor.

Mochila novamente às costas, eu retornei uns 300 metros sobre meus passos, depois, adentrei à direita, numa estrada de terra em leve descenso.

No primeiro trecho o roteiro se mostrou bastante urbano, com várias casas, algumas chácaras e um expressivo trânsito de veículos.

E, infelizmente, apesar das chuvas recentes, fui brindado com intensa poeira causada por passagem de veículos em piso argiloso.

Contudo, após um breve ascenso, já no topo do morro, a paisagem voltou a ser bucólico e os veículos automotores desapareceram.

Diria que, no primeiro trecho do percurso, encontrei pouquíssimas setas sinalizadoras, embora o traçado seja um tanto óbvio, pois segue sempre a rodovia mais larga e batida.


Nesse local está situado o ponto de maior altimetria dessa etapa. Destaque para a flecha laranja no poste.

Nesse local, situado no cocuruto de um outeiro, atingi a altitude de 924 metros, exatamente, o ponto de maior altimetria dessa etapa.

Prosseguindo em descenso, encontrei uma seta laranja pintada num poste que, com sua cor chamativa, serviu para reavivar meu fervor peregrino.


Outra capelinha situada à beira da estrada.

Mais abaixo e à beira da estrada, fotografei outra graciosa capelinha, também dedicada à santa Luzia, onde havia um lugar específico, fora do templo, disponibilizado para os fiéis acenderem velas.

O trajeto em franco descenso, quase sempre entre imensos cafezais, mostrava como “pano de fundo” a portentosa serra do Caracol, que circunda a cidade de Andradas.


Descenso forte. Ao longe, a Mantiqueira.

A declividade prosseguiu intensa e me lembrei de um ditado mineiro que assim diz: “...depois de uma descida forte, com certeza você atravessará um riacho por uma ponte, depois, aguarde que uma serra surgirá para ser escalada...”

E não deu outra, pois já no plano, por uma ponte de madeira, transpus um encorpado riacho.


O declive prossegue com força!

Daquele local, observando construções insertas numa fazenda acima, podia ver, dentre elas, outra bela capela, edificada no local de maior altimetria da propriedade.


À direita da foto, num morro, outra capela.

Então, lentamente, principiei a ascender e, quase na metade do trajeto, pude fotografar outra capela, construída num local ermo, localizada do lado esquerdo do caminho.


Do lado esquerdo do caminho, em local ermo, outra capela.

Prosseguindo, o caminho planeou por uma centena de metros, depois teve início o ascenso mais difícil do dia.

Não era tão longo e nem empinado demais, contudo, até aquele lugar eu já havia caminhado quase 16 quilômetros e o sol crestava para valer.

No topo do morro, sob uma frondosa e solitária mangueira, fiz uma pausa necessária para recuperar o fôlego e me hidratar.


Início de forte ascenso, em direção a uma frondosa mangueira, situada no topo da elevação.

Sua sombra amiga, oferecida gratuitamente aos peregrinos, me proporcionou ar puro e frescor.

Fiquei a matutar sobre quantas pessoas já não haviam descansado próximo daquele enorme tronco e, se ela falasse, quantas histórias não teria para contar.

Olhando à minha retaguarda e abaixo, podia observar um belíssimo “mar verde”, pleno de cafezais, árvores e algumas residências.


A visão que tinha à minha retaguarda: verde para todos os lados!

Isto me fez pensar que a beleza de uma trilha inspira o mesmo sentimento que nos provoca o rosto de um velho profundamente enrugado: você se sente cativado e humilde ao mesmo tempo.

Prosseguindo, o roteiro continuou ascendendo, ainda que de forma leve, mas, no topo da elevação, atingi 915 metros, o segundo ponto de maior altimetria dessa etapa.

O restante do percurso foi só alegria, pois praticamente todo em descenso.

Porquanto, a paisagem se abriu e caminhei sempre entre imensos cafezais.


Descendendo por locais arejados, com a Mantiqueira ao fundo.

Ainda assim, em determinado local, encontrei plantações de milho e banana.

Mais abaixo, 3 rapazes pulverizavam as ervas daninhas que nasceram entre as ruas do cafezal, com um poderoso herbicida, utilizando máscaras, roupas adequadas e luvas protetoras.

Como eu transitava desprotegido, eles interromperam o seu trabalho e pudemos trocar algumas palavras.


Muitos pés de banana do lado direito da estrada.

Mais adiante, quase no final da jornada, surgiu um brusco declive.

Preocupado, descendi pela encosta homicida até seu sopé num só fôlego e com enorme atenção onde punha meus pés.

Afinal, todos nós caminhantes sabemos que a descida é um verdadeiro desafio.

Perto do fim, você adquire uma dor torturante nos joelhos, mas a caminhada é suportável graças à experiência vivida do mundo natural.


Declive criminoso.. um tombo poria tudo a perder!

E após esse vertiginoso descenso, acabei por sair numa rodovia vicinal asfaltada que provém de São João da Boa Vista/SP.

Venci ainda mais um pequeno ascenso e, finalmente, adentrei na cidade de Santo Antônio do Jardim/SP.


Igreja matriz de Santo Antônio do Jardim, no momento, em reformas.

Santo Antônio do Jardim é um município do estado de São Paulo, localizado a uma altitude de 856 metros.

Em março de 1881, Rita Maria de Jesus doou à Igreja, dez alqueires de terras para formação do patrimônio e construção da capela dedicada ao Padroeiro Santo Antônio.

Nessa época, o café começou a ser cultivado em grande escala na região, atraindo numerosas famílias que, em torno da capela, formaram um núcleo urbano.

Os altos rendimentos proporcionados pela cafeicultura possibilitaram a implantação de melhoramentos públicos e assim, um maior desenvolvimento da povoação elevada a Distrito de Paz, em 1915.

Contudo, as sucessivas crises do café, nos anos seguintes, provocaram uma retração econômica da localidade, que aos poucos voltou a se dedicar a outras atividades.

A emancipação político-administrativa somente ocorreu na década de 1950, após a estabilidade econômica verificada com o café, ainda cultivado, e a pecuária.

Devido ao padroeiro e as flores campestres das pradarias da região, a região, a povoação chamou-se desde os primeiros anos, Santo Antônio do Jardim.

Em 1938, o nome foi reduzido para Jardim e, mais tarde, substituído por Artemísia, graças à grande quantidade dessa flor nas redondezas.

Contudo, a comunidade local, descontente com essas alterações, reivindicou a restauração do antigo nome, sendo atendida em novembro de 1944.

Sua população está estimada em 6.065 habitantes, segundo o censo de 2014.

Gentílico: Jardinense

Fonte: Wikipédia



Igreja de Nossa Senhora Aparecida, em Santo Antônio do Jardim/SP.

Eu segui por ruas limpas e arejadas em direção à igreja matriz, cujo padroeiro, como não poderia deixar de ser, é Santo Antônio.

Infelizmente, ela se encontra em reformas e cercada por tapumes, de modo que não pude adentrar em seu interior.

Restou-me fotografá-la pelo lado externo.

Ainda em ascenso, tomei informações com um policial, depois segui em direção ao Terminal Rodoviário da pequena e simpática urbe, visto que na cidade não existem pensões ou hotéis.

No trajeto, ainda pude fotografar a igreja dedicada a Nossa Senhora Aparecida, que estava enfeitada por pintura recente.

Na rodoviária, tomei informações com uma atendente e fiquei sabendo que o próximo ônibus para a cidade de Andradas, onde eu pernoitaria, somente partiria dali a uma hora.

Eu estava cansado, suado e sedento, de forma que contratei um táxi que, por R$40,00 e 15 minutos de trajeto, me deixou diante do Palace Hotel, em Andradas/MG, onde eu havia feito reserva.

Lá, por R$60,00, pude dispor de um excelente quarto individual.


O local onde almocei nesse dia, em Andradas/MG.

Para almoçar, utilizei os serviços do Restaurante Styllus onde, por R$16,90, pude comer à vontade no sistema self-service.

No retorno, fiz contato com meus companheiros e fiquei sabendo que eles já se encontravam em Santo Antônio do Jardim, se confraternizando com alguns amigos do Perdiz, que residiu na região por 7 anos e conhece muitas pessoas na cidade.

Depois deitei para descansar.


Praça central de Andradas/MG. Ao fundo, sua igreja matriz.

Mais tarde, após um sono reconfortante e assim que a temperatura decaiu, fui visitar a igreja matriz da cidade, cujo padroeiro é São Sebastião. 


Altar mór da igreja matriz de Andradas/MG, cujo padroeiro é São Sebastião.

No caminho para o hotel, encontrei o amigo Perdiz, de banho tomado, e com ele dei outro giro pela simpática urbe, cujo forte em termos de indústria são os vinhos, queijos e móveis.

Depois, passei num supermercado e, mais tarde, fui até o banco me prover de numerário.

Prudentemente, me recolhi cedo, após singelo lanche que ingeri num bar próximo ao local de pernoite.

E logo fui dormir, embora a jornada sequente fosse de pequena extensão e apresentasse mínimo grau de dificuldade.


Praça central de Andradas/MG, já decorada para o Natal.

AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa também de média extensão, que apresenta variações altimétricas importantes apenas em seu trecho final. Os primeiros 10 quilômetros do caminho, que conduz o peregrino até o Santuário de Santa Luzia, é bucólico e trilhado em meio a imensos cafezais, a cultura forte na região. Já a segunda parte do percurso apresentou duas elevações a serem sobrepujadas, mas nada tão dificultoso, por exemplo, para quem já percorreu o Caminho da Fé. Assim como a primeira jornada, essa também é bastante tranquila, com belas vistas do entorno, tendo como destaque a serra da Mantiqueira, que se avista como “pano de fundo”, em quase todo o trajeto. No geral, um percurso quase sem sombras, mas, extremamente belo e agradável.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde a Rodovia BR-342, em Espírito Santo do Pinhal/SP, até Santo Antônio do Jardim/SP: 4 h 50 min (incluindo a visita ao Santuário de Santa Luzia);

Clima: Nublado e fresco no início da jornada, depois sol forte.

Pernoite no Pálace Hotel – apartamento individual excelente – Preço: R$60,00

Almoço no Restaurante Styllus: Excelente – Preço: R$16,90, pode-se comer à vontade no Self-Service.

Para visualizar ou baixar essa trilha, acesse o link: 
https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=15829169