Home‎ > ‎Rota das Capelas‎ > ‎

3º dia: SANTO ANTÔNIO DO JARDIM a ANDRADAS/MG – 16,6 quilômetros


3º dia: SANTO ANTÔNIO DO JARDIM a ANDRADAS/MG – 16,6 quilômetros

"Toda a viagem no mundo exterior corresponde, de algum modo, a uma experiência do mundo interior. E toda a aventura no mundo interior modifica a nossa percepção do mundo exterior. Convém ter sempre isso em mente quando se coloca o pé na estrada, para que o aproveitamento seja o melhor possível". (Luis Pellegrini)


A jornada do dia seria de pequena extensão e, pelo que sabíamos, não apresentava acidentes altimétricos importantes.

Em princípio, pensamos em retornar de táxi até o local em que encerráramos a etapa do dia anterior, porém, por comodidade e economia, optamos por tomar o ônibus que faz a linha Andradas – Santo Antônio do Jardim.


Mais um dia amanhece, desta vez, em Andradas/MG.

Assim, após ingerir o café da manhã no hotel, nos dirigimos à estação rodoviária, embarcamos num coletivo da Viação Rápido Luxo Campinas que, após 20 minutos de viagem, nos deixou no terminal rodoviário de Santo Antônio do Jardim.

Então, apanhamos nossos pertences e demos início a jornada do dia.

Para tanto, acessamos a avenida principal da cidade e descendemos em direção a sua igreja matriz.

Em determinado local e conforme fora combinado, o Perdiz nos deixou para ir tomar café na casa de um velho amigo, que não via há longa data.

Tranquilizou-nos dizendo que, após o evento, seguiria sozinho e nos encontraria em Andradas novamente.

Prosseguimos, então, o Furlán e eu, em direção à rodovia vicinal que provém de São João da Boa Vista e, após acessá-la, prosseguimos à direita.


Início da trilha. Caminho fresco e agradável.

Duzentos metros adiante, flechas sinalizadoras de cor laranja, nos remeteram para uma estrada de terra bucólica e arborizada.


Nessa etapa encontramos a sinalização melhor. Vide flecha à esquerda.

Seguimos conversando enquanto observávamos a exuberante paisagem que nos envolvia.

Esse primeiro trecho é bastante urbano e nele encontramos várias chácaras, cujos proprietários, certamente, residem na cidadezinha próxima.


Caminho plano e arejado.

O roteiro, praticamente todo plano, logo nos levou a caminhar, posteriormente, como de praxe na região, entre grandes cafezais.

O sol logo apareceu, mas o clima permaneceu fresco e agradável.


Em alguns locais, muita sombra.

Afinal, estávamos caminhando, em média, numa altitude de 900 metros.

Seguiram longos estirões, quase sempre retilíneos, que fomos vencendo sem maiores dificuldades.

Percorridos 3.500 metros em bom ritmo, por uma ponte ultrapassamos o rio Jaguari Mirim.


Ponte sobre o rio Jaguari Mirim. Divisa dos estados de SP e MG.

Concomitantemente, deixamos o estado de São Paulo para adentrar ao de Minas Gerais.

Nós seguíamos conversando calmamente e quase erramos o caminho.

Pois, 300 metros adiante, numa bifurcação, precisamos abandonar a via principal por onde transitávamos, para adentrar à direita, em direção as Baias Pedro Bala.


Ficar atento nesse local, pois o caminho gira bruscamente à direita.

Fica aí o alerta para os futuros peregrinos, posto que embora existam flechas sinalizadoras nesse local, é necessário ficar atento para não seguir adiante e errar o roteiro.

Prosseguindo, já no bairro Diogo, passamos diante da Chácara Recanto Esperança, onde uma placa, pregada numa árvore, chamou minha atenção.

Nela estava escrito: “Se a sua estrela não brilha, não queira apagar a minha”.

E logo encontramos uma jaqueira plantada à beira da estrada, com frutos maduros, à disposição dos passantes.

Meu parceiro logo se animou e pretendia levar um exemplar para degustar no quarto, à noite, após o jantar.


Um pé com jacas maduras.

Mas acabei dissuadindo-o de seu intento, ao lhe explicar que além de ser um fruto algo enjoativo, por conter demasiado amilo em seus bagos, uma jaca pode pesar até 15 quilos.

Seria um ônus demasiado para carregar até o final da jornada e que, com certeza, atrapalharia seu desempenho no caminho.

Meu sucinto, porém, claro argumento, pareceu colhê-lo de surpresa.

Ele acabou por se conformar e prosseguiu de mãos abanando.

O Furlan é um companheiro alegre, dotado de fina ironia, conhecedor de casos interessantes e hilários que, em determinados momentos, rendiam gostosas gargalhadas na trilha.


Igrejinha de Santo Onofre.

Prosseguindo, passamos diante da igreja de Santo Onofre, onde há um espaço para Encontros Cristãos.


Trecho agradável e em descenso.

Em determinados trechos, encontramos sombra, mas quando a paisagem se abria, inevitavelmente, podíamos observar, ao longe, a famosa serra do Caracol, termo que já nominou a cidade de Andradas.


Ainda descendendo. Ao fundo a Mantiqueira.

Depois de transitar diante de belíssima chácara, passamos ao lado do Laticínios Rigoni e iniciou-se um forte ascenso.

Até ali já havíamos caminhado 9 quilômetros e, no meio da ladeira, pude fotografar uma capelinha situada à beira do caminho que estava com a porta trancada, edificada em meio a pés de café e com forte erosão em sua base.


Essa capelinha pode ruir..

Bastante desgastada pelo tempo, as fortes chuvas de verão poderão colocar em risco sua existência, infelizmente.

Já no topo da elevação, junto a uma torre de eletricidade, o caminho se bifurcou e, observando a sinalização, seguimos à direita, em franco descenso.


Nessa bifurcação, o caminho segue à direita.

No horizonte e cada vez mais próxima, podíamos visualizar a fabulosa serra da Mantiqueira.

Depois de descender e ultrapassar um riacho por uma ponte, enfrentamos outro aclive de média intensidade.

O caminho seguiu plano por algumas centenas de metros, depois voltou a ascender.


Ainda em ascensão..

Infelizmente, o trânsito de veículos que era praticamente nulo, repentinamente, tornou-se intenso.

E nesse trecho final, infelizmente, aspiramos muita poeira, face ao tráfego de caminhões, provenientes de uma empresa que comercializa concreto para construções, situada à beira do caminho.


Trecho agradabilíssimo!

Restando 3 quilômetros para a chegada, já podíamos visualizar, ao longe, alguns bairros periféricos de Andradas.

Também, a imensa serra do Caracol, nos ladeava pelo lado esquerdo do caminho, numa visão estupenda e imorredoura.


A fabulosa serra do Caracol, que nos acompanhou pelo lado esquerdo.

Seguimos em frente intimoratos, desafiando o perigo, pois quando dois veículos cruzavam, corríamos o risco de ser atropelados, face à inexistência de espaço para pedestres.

Essa parte final foi, com certeza, o pior trecho de todo o caminho.


Meu parceiro Furlan segue firme na trilha.

Mas, não há mal que sempre dure e, finalmente, atingimos a zona urbana, passando a caminhar sobre piso duro.

Em determinado local, abrigados do sol por uma cobertura, fizermos uma pausa para descanso e hidratação.

Prosseguimos em ascenso até um cruzamento onde uma placa nos saudava com uma enigmática frase: 


Adentrando em zona urbana.

“Bem-vindo a Andradas. Uma cidade, muitos prazeres!”

Naquele local, situado a 929 metros de altura, ultrapassamos o ponto de maior altimetria dessa etapa.

Depois de um percurso final agitado, por ruas movimentadas e barulhentas, finalmente, aportamos ao Pálace Hotel, nosso destino nesse dia.


Retorno ao Pálace Hotel, em Andradas/MG.

Ainda era muito cedo e, já no quarto, pude lavar roupas e fazer um inventário de meus pertences, vez que no dia seguinte, faria a jornada sem a mochila.

Na sequência, fiz contato telefônico com o companheiro Perdiz e soube que ele estava adentrando à zona urbana naquele instante.

Qual seja, nos veríamos dali a uma hora, aproximadamente, como de fato ocorreu.

Mais tarde, irmanados, saímos para almoçar.

Para tanto, utilizamos os serviços do Restaurante Styllus onde, por R$16,90, pudemos comer à vontade no sistema self-service.

Depois, deitei para me deliciar com uma merecida soneca.


Andradas, terra de gente boa e hospitaleira!

Andradas, atualmente, com quase 40.000 habitantes, oferece excelsas belezas naturais, muito verde e um agradável clima de montanha, pois se encontra emoldurada junto à belíssima serra do Caracol.

Seu nome é uma homenagem a Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, ex-governador de Minas Gerais.

Vinho, café, doces, laticínios, confecções, cerâmicas e móveis são produzidos de acordo com os mais altos padrões de qualidade, diversificando o comércio local.

Sua altitude média é de 898 metros.


Igreja Matriz da cidade de Andradas/MG, dedicada a São Sebastião.

Depois de um sono reconfortante e assim que a temperatura decaiu, fui visitar a igreja matriz da cidade, cujo padroeiro é São Sebastião.

Passei gratificantes momentos no interior do templo fotografando-o e perfazendo minhas louvações e agradecimentos pelos acontecimentos do dia.

Mais tarde, enquanto fazia minhas orações, observava a realização de um casamento e, contemplativo, resolvi assistir à cerimônia até o final.

Havia um afinado coral, de melífluas vozes, acompanhado por uma cantora, que interpretava com grande maestria músicas apropriadas às bodas.


Os padrinhos do casamento, paramentados a rigor.

Primeiramente, foi empolgante ver a entrada dos padrinhos, sempre aos pares, praticamente, uniformizados, e pude perceber que se tratava de pessoas de classe média, paramentadas em grande estilo, especialmente, para o evento.

No entanto, me tocou profundamente mesmo, quando o pai da noiva entrou com a nubente, momento de grande expectativa e curiosidade, mormente da ala feminina.

Então, me lembrei, que há quase 10 anos também percorrera o mesmo trajeto, levando minha filha ao altar, para a cerimônia de seu enlace matrimonial.


O pai e a noiva: momento de intensa curiosidade!

Foi impossível não me emocionar e, com olhos marejados, deixei o templo me lembrando e agradecendo a Deus, porquanto, essa relação já me rendeu duas lindas netas: Teresa e Cecília.


Como em todo casamento religioso, muita fé e emoção.

Em seguida, me dirigi a um supermercado, e logo depois me recolhi, pois a jornada seguinte seria bastante árdua, e pretendia sair bem cedo, como forma de evitar o sol abrasador que se manifestava diariamente, após as 12 horas.

Já no quarto, fiz contato com o companheiro Furlan que me acompanharia novamente no trajeto e marcamos o horário de partida para as 5 horas da madrugada sequente.

O Perdiz, infelizmente, não se sentia disposto a encarar mais de 30 quilômetros de percurso, sob sol ardente e extremas variações altimétricas.

Dessa forma, resolvera seguir de táxi o que, de certa forma, nos auxiliou, pois levaria nossas mochilas.


AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa também de pequena extensão, que apresenta variações altimétricas apenas em seu trecho final. Como de se esperar, a cultura do café predominou em todo o percurso, que se mostrou campestre e belo. A companhia do companheiro Furlan (“Scooby”, para os amigos) concorreu para deixar esse trajeto inesquecível, em face de seu indelével bom humor e extrema disposição física. Assim como as jornadas anteriores, essa também foi agradável e sublime, com belas vistas do entorno, tendo como destaque, ao fundo, a serra do Caracol, que nos acompanhou o tempo todo pelo lado esquerdo.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde Santo Antônio do Jardim/SP até o Pálace Hotel, em Andradas/MG: 3 h 30 min.

Clima: Nublado e fresco no início da jornada, depois sol forte.

Pernoite no Pálace Hotel – apartamento individual excelente – Preço: R$60,00

Almoço no Restaurante Styllus: Excelente – Preço: R$16,90, pode-se comer à vontade no Self-Service.

Para visualizar ou baixar essa trilha, acesse o link: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=15833261