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4º dia: ANDRADAS/MG a SANTA RITA DE CALDAS/MG – 32,3 quilômetros


4º dia: ANDRADAS/MG a SANTA RITA DE CALDAS/MG – 32,3 quilômetros


"A melhor coisa que pode acontecer na vida é deixarmos uma boa lembrança: nas pessoas que encontramos, nos pequenos períodos de vida que dividimos com alguém, seja um dia, um mês ou anos."


Seria uma jornada de grande extensão com, pelo menos, dois acidentes altimétricos importantes para serem superados.

Dessa forma conversei com o companheiro Furlan de sairmos às 5 horas e no horário aprazado nos encontramos na recepção do hotel.


Momento da partida para a derradeira jornada da Rota.

Fizemos uma foto para eternizar o momento, depois partimos para a aventura.

A saída da cidade se faz pela Rua Coronel Oliveira, por onde seguimos por aproximadamente 1.000 metros.

Ali, fletimos à direita na Rua Osvaldo Andrade e, na sequência, acessamos a rua Étore Trevisan que, depois de uns 300 metros, se transforma na Estrada Municipal 020.

Nesse trajeto inicial, encontramos muitos jovens retornando de festas, alguns com copos de bebidas nas mãos e, detalhe interessante, a maioria era do sexo feminino.

Como não avistamos nenhum policial nas ruas, infiro que a cidade é segura e, praticamente, imune a violências.

Bem, quando a iluminação urbana se findou, incontinenti, saquei minha lanterna de mão e seguimos em frente sem maiores problemas.

Uns 500 metros adiante, passamos sob a copa de 2 portentosas árvores que com seus enormes galhos, cobriam uma área de uns 50 metros de diâmetro e, inclusive, a estrada por onde transitávamos.

Faltou bater uma foto para comprovar a beleza exuberante desse atrativo natural, contudo, estava por demais escuro e ficamos devendo.

Em algum local, mais adiante, passamos diante de uma linda capela, mas as fotos que fiz no local não ficaram nítidas, infelizmente, por conta do negrume que nos cercava.

Seguimos tranquilamente conversando, até porque, esse trecho inicial é todo plano.


Clima fresco e agradável, sob muito verde.

Quatro quilômetros percorridos em bom ritmo e com o dia já claro, primeiramente desandemos modo suave, depois, mais abruptamente.

Trezentos metros adiante, ultrapassamos um riozinho por uma ponte e, então, teve início o primeiro desafio da jornada.

Estávamos a 907 metros de altitude e principiamos a escalar uma montanha.


Início de forte ascenso.

Como sempre afirmo, enfrentar um ascenso descansado e de manhãzinha é algo tranquilo.

Muito mais difícil é fazer isto depois de ter percorrido 25 quilômetros, por exemplo, e sob sol ardente.

Sem maiores problemas superamos esse obstáculo e mais 1.300 metros caminhados, já no cimo do morro, estávamos a 1.058 metros de altura, o segundo porto de maior altimetria dessa etapa.

Dali tínhamos uma visão linda do entorno e, de local privilegiado, pudemos assistir o nascimento do sol, quando meu relógio marcava 6 h 26 min.


Mais um dia nasce..

O céu despertou com um tênue azul e foi, aos poucos, ficando lilás, depois laranja e, finalmente, amarelo.

Para qualquer lado que o olhasse, era uma imensidão só, tudo verde, nas mais variadas nuances.


Um local paradisíaco, rodeado por montanhas.

Em determinado ponto, observando à minha esquerda, pude ver construções e plantações alocadas em local mágico, num vale rodeado por montanhas.

Então, ainda que lentamente, principiamos a descender.


Em perene descenso, sobre piso cascalhado.

O cenário era tão deslumbrante, e cada curva, cada crista, prometia uma outra visão do paraíso.

E, depois de percorrer 9 quilômetros, o piso se nivelou e caminhamos um bom tempo entre fazendas, e matas nativas.


Caminho plano, em meio a muita mata nativa.

Em algum lugar, mais adiante, observei um grande morro situado à minha esquerda, pleno de verde e florestas em sua encosta.


Visões soberbas dos morros que nos rodeavam.

O piso socado favorecia o nosso deslocamento e o chão passava rápido debaixo de nossos pés.

Durante o trajeto eu aspirava o ar puro que se desprendia da natureza, enquanto admirava e agradecia pelas grandes obras do Criador que eu avistava em meu entorno.


Quase chegando ao asfalto, com o sol ativo.

E depois de percorrermos, exatos 10 quilômetros, acabamos por sair na rodovia MG-455, que liga as cidades de Andradas e Poços de Caldas.

Do outro lado da estrada nascia um caminho de terra, mas não encontramos nenhuma indicação ou flecha que nos remetesse para aquele ramal.


Início do trecho asfaltado, numa rodovia que não tem acostamento.

No entanto, o Furlan havia ouvido o Romualdo comentar que deveríamos girar à direita, caminhar algo em torno de 500 metros, depois adentrarmos à esquerda, tendo como referência no local, um casarão antigo.

Porém, não encontramos nenhum sinal que confirmasse tal assertiva, de maneira que resolvemos seguir a trilha baixada no programa Wikiloc, que havia sido gravada por um ciclista.

Então, giramos à esquerda e prosseguimos em direção à cidade de Ibitiúra de Minas.

No dia seguinte, quando aportei em minha residência, fiz contato com o Romualdo e ele confirmou que, efetivamente, deveríamos ter seguido à direita e, a uns 1.200 metros, encontraríamos sinalização para adentramos à esquerda e seguirmos até Ibitiúra por terra.

Observando os mapas, acredito que esse trajeto seja uns 2 quilômetros mais longo do que aquele que percorremos naquele dia.


Belas paisagens no entorno.

Mas, com certeza, seria mais belo e muito mais agradável.

No entanto, como não detínhamos tal informação com convicção, caminhamos mais 6.500 metros sobre asfalto, até adentrar em zona urbana.

Infelizmente, essa rodovia como as demais construídas em Minas Gerais, não contém acostamento, um perigo para o peregrino.

Por sorte, era um domingo e o trânsito de veículos era inexpressivo, de maneira que pudemos seguir razoavelmente tranquilos.

E estivemos o tempo todo rodeados por maravilhosas paisagens.


A rodovia serpeia em leve ascenso.

O forte nesse trecho era a pecuária leiteira, por isso avistamos grandes pastagens o tempo todo.

Mas também pude observar plantações de milho, batata e café.

Uma grande cadeia de montanhas nos acompanhou pelo lado esquerdo em todo o percurso, onde o destaque eram as plantações de bananas em suas encostas.


Uma capelinha situada à beira do asfalto.

Quase no final do trajeto, avistamos e fotografamos uma capelinha localizada no lado direito da estrada, mas o mato alto impediu uma maior aproximação.

Depois de caminhar 16.500 metros, deixamos a rodovia e adentramos à esquerda, em direção ao centro da cidade de Ibitiúra de Minas.

Quando lá chegamos pudemos, primeiramente, fotografar a igreja matriz, cujo padroeiro é São Benedito.

Depois, adentramos no templo para fazer nossas orações e agradecimentos pelo lindo dia que vivenciávamos.


Igreja matriz de Ibitiúra de Minas.

Na sequência, fizemos uma parada na Padaria e Confeitaria Moretti II, para tomar café e repor nosso estoque de água.

Até aquele local já havíamos caminhado, exatos 17.500 metros e, após a pausa restauradora, prosseguiríamos em frente.

Um fato triste a registrar foi que vi uma grande quantidade de cães vadios vagando a esmo pelas ruas, embora não representassem ameaça aos transeuntes.

Porém, fiquei a matutar: seria pela primavera, as cadelas no cio, ou o descaso da prefeitura local?


São Benedito, padroeiro da cidade.

Ibitiúra de Minas é uma pequena e pacata cidade que repousa entre as montanhas do Sul de Minas Gerais, das poucas que tem sua fundação tão bem registrada, vez que há documentos de até 100 anos antes da povoação do município.

No princípio, era Planalto da Pedra Branca, onde os caiapós ocuparam até meados do século XVIII.

As matas que rodeavam o Jaguari Mirim, rio que nasce na cidade e deságua no Rio Moji Guaçu, eram proibidas e o território do município não podia ser povoado para que fosse dificultado o contrabando de ouro nesta região.

Todo o vale do Jaguari Mirim, abrangia as cidades de Ibitiúra de Minas, passando por Andradas até chegar a São João da Boa Vista/SP, um território quase impossível de se transpor.

O Município foi criado a trinta de dezembro de mil novecentos e sessenta e dois (1962), pela Lei número dois mil setecentos e quatro, tendo seu território desmembrado do município de Caldas e sua instalação solene a primeiro de março de mil novecentos e sessenta e três (1 de Março de 1963).


Ibitiúra de Minas, vista do alto do morro.

O primeiro a povoar o Planalto foi, em 1759, Veríssimo João de Carvalho, o fundador, da cidade de Cabo Verde, se assentou na região de Santa Rita de Caldas.

Já 1813 passaria a fazer parte da Freguesia de
 Nossa Senhora do Patrocínio do Rio Verde de Caldas, onde permaneceria por mais de um século, até a emancipação que ocorreu 1962.

Em 1923, chegou a distrito dos mais progressistas da comarca de Caldas, com a denominação de Ibitiúra, que substituiu o antigo nome de São Benedito.

O município foi criado em 1962, desmembrando-se de Caldas e passando a chamar-se Ibitiúra de Minas.

A economia do município está alicerçada na agropecuária.

A Produção Agrícola Municipal (pesquisa do IBGE, relativa a 2006, divulgada em outubro de 2007) aponta Ibitiúra de Minas como um dos maiores produtores de café beneficiado de Minas Gerais (26º em quilogramas por hectare).

Há também a extração do granito café nas pedreiras nos arredores da cidade.


Praça central da cidade, com enfeites para o Natal.

A fabricação de iogurtes, também explorada, uma alternativa para agregar valor ao leite, também abundante na região.

As montanhas favorecem a prática de esportes de aventura, como rapel e trekker a pé, tanto que um rally com jeeps, gaiolas e motos faz parte do calendário anual de eventos.

As pousadas são refúgios para aqueles procuram por sossego, paisagens marcantes e o ar puro da região.

População atual: 3.500 habitantes.


Retorno aos campos...

A saída da cidade está bem sinalizada e logo, após superarmos um pequeno trecho urbano, retornávamos ao contato com exuberante natureza local.

O primeiro trecho, todo plano, nos levou, logo adiante, a transpor novamente o rio Jaguari Mirim.

Mais à frente, nasceu, à esquerda, uma estrada larga, que segue em direção ao bairro Sertãozinho.


Trecho hidratado e sombreado.

Mas o caminho segue adiante e logo adentramos em fresco bosque nativo.

Na sequência, transitamos por um vale espetacular, rodeado por montanhas verdejantes.


Mais um belíssimo vale aparece a nossa frente.

Então, em leve descenso, transpusemos por uma ponte um límpido riacho, pleno de pequenas cachoeiras.

Depois de fotografá-lo, fiquei alguns instantes a contemplar a bela nascente que descendia pelas pedras e instantaneamente me lembrei do que afirmou em certa ocasião o jornalista Hal Boyle:


Um riozinho límpido e rumorejante.

"O que torna um rio tão repousante para as pessoas é que não existe qualquer dúvida sobre onde ele quer chegar. É certo que ele vai chegar onde está indo, e não quer ir ter em outro lugar."

Prosseguindo, já em leve ascenso, fizemos breve giro à direita, rodeamos um penhasco, e voltamos a seguir nosso rumo.

Então, após percorrer 19 quilômetros, nos encontrávamos a 900 m de altitude.


Em ascenso pela serra da Bocaina.

Teve início naquele ponto o grande desafio do dia: a escalada da serra da Bocaina.

Fomos galgando, cada um em seu ritmo, as faldas da temível montanha.

Quanto mais ascendíamos pelas bordas do morro, visões maravilhosas do entorno se abriam diante de nossos estupefatos olhos.



Ibitiúra vai ficando para trás...

Em certo patamar, observando a minha retaguarda, podia ver a cidade de Ibitiúra ao longe e abaixo, dando-nos o derradeiro adeus.

Mais acima, pude fotografar uma graciosa cachoeira que despendia de um rochedo situado num morro próximo, em meio a mata nativa.


Uma cachoeira despenca de um morro próximo.

Num determinado ponto, o aclive decresceu e pudemos fazer uma pausa junto a um pé de manga para o Furlan saborear duas frutas que, segundo ele, estavam dulcíssimas.


O Furlan se fartando...

Prosseguindo, seguimos ainda em leve ascenso até o alto da serra, onde estávamos a 1198 metros de altitude.

Daquele local ainda conseguíamos visualizar a bela Ibitiúra, localizada num planalto, cercada de serras por todos os lados.


Do cimo do morro, o derradeiro adeus a Ibitiúra de Minas.

Fizemos outra pausa para fotos, depois prosseguimos adiante.

O sol que brilhara com vigor até as 9 horas, num céu esplendorosamente azul, para nosso gáudio, submergiu sob um mar de nuvens, deixando o clima mais ameno.

Encontramos a seguir, uma imensa plantação de pés de café que nos acompanhou por um bom tempo em ambos os lados do caminho.


Prosseguindo, ainda em leve ascenso.

Ainda em leve ascenso, ultrapassamos um segundo patamar, este situado a 1.219 metros de altitude.

Naquele local encontramos uma placa alusiva ao roteiro que percorríamos pregada num poste, onde posei para uma foto.


No topo do morro, junto a uma placa alusiva à Rota.

Prosseguimos, ainda, em imperceptível aclive, e logo transitamos por outro enclave belíssimo, pleno de pastagens e com algumas casas.


Outro belo vale se abre a nossa frente...

Depois voltamos a subir e no cimo de um pequeno outeiro, próximo de uma capela, atingimos o ponto de maior altimetria dessa jornada.

Ali estávamos a 1.234 metros de altura.

Até esse local, já havíamos caminhado 24.300 metros.


Mais uma igrejinha, localizada no ponto de maior altimetria dessa etapa.

Fizemos outra pausa para fotos, depois prosseguimos, agora em eterno descenso.

Logo passamos a caminhar por locais mais arejados que nos proporcionavam uma visão belíssima do horizonte.


A paisagem se abre à nossa frente.

Nesse tramo derradeiro, encontramos muitas fazendas de gado leiteiro.

Também, em alguns locais, passamos dentro de bosques nativos, ainda que em pequena monta.


Em forte descenso, com um entorno luxuriante.

O trajeto estava agradabilíssimo e a companhia do espirituoso Furlan espantava qualquer preocupação ou fadiga física.

Nesse pique, em determinado local, faltando ainda uns 3 quilômetros para a chegada, pudemos visualizar, ao longe, no topo de um morro, a cidade de Santa Rita de Caldas, nossa meta para esse dia.

Eu contemplava o último trecho do meu caminho com sentimentos contraditórios. 


Mais uma tranquila e relaxante paisagem campestre.

Estava ansioso por aportar à cidade e triste porque minha “viagem” estava terminando.


Muito verde e sob um céu azul.

Prosseguindo, após rápido descenso, enfrentamos a derradeira elevação do dia.

Fomos de 1.082 metros a 1.127 metros de altitude, rapidamente, mas nada terrificante.


Olhando para trás, pude observar a paisagem que ficava à minha retaguarda.

Porém, face ao cansaço acumulado, precisávamos reunir nossas derradeiras forças para super esse último aclive.

Quase chegando, ainda pudemos fotografar uma bela capelinha edificada num cruzamento de estradas rurais.


A derradeira capelinha que avistamos nesse dia.

Caminhamos ainda mais uns 500 metros, adentramos em zona urbana e passamos a caminhar em piso duro.

A emoção é grande nessas horas, mas a nostalgia de ver chegar ao fim uma trilha tão maravilhosa é maior ainda.

A gente não quer que ela acabe.

Os caminhos sacros produzem essa estranha sensação.

Penso que é porque, a essa altura, já nos encontramos e isso é tão gratificante que passamos a desejar que não termine.

É tudo mágica, alquimia, porquanto, é a transformação dos caminhos de terra em poesias.

O que se vive neles não dá para descrever e as palavras ficam pequenas.

Com esses pensamentos turbilhonando em minha mente, seguimos adiante, agora sobre piso asfáltico e às 12 h 15 min, aportamos ao belíssimo Santuário de Santa Rita.


Igreja matriz de Santa Rita de Caldas/MG.

Após as fotos necessárias, adentramos ao templo para orar e agradecer pela jornada transcorrida sem maiores percalços ou intercorrências.

Nesse momento mágico, dobro meus joelhos ao chão, apoiado pelo cajado, e agradeço a Deus por estar vivo, por poder fazer parte dessa história, nem que seja só visitando esse lugar, por ter saúde e força para subir tantas montanhas, por ter um sonho que me move.

Calderón de La Barca disse: “a vida é sonho”.

Sei que o homem pode viver baseado no que tem de racional, mas certamente não terá chances se não tiver um sonho.

Não suportará viver só da razão.

Por isso mesmo, foram momentos sublimes que ali passei, onde pude externar minha alegria e fé, pois triunfara em mais um caminho sagrado, desta vez, a Rota das Capelas.


Querida Santa Rita, a vossa benção!

Reconfortados, seguimos até o Granville Hotel, onde havíamos feito reserva, um edifício novo e limpo, que recomendo com louvor.

Ali, por R$60,00, pudemos dispor de um aconchegante e espaçoso quarto individual.

Na sala de estar do estabelecimento, reencontramos o amigo Perdiz que chegara a pouco e, detalhe: com muita sede.

Hora de brindar com cerveja nossa maravilhosa vitória.

Mais tarde, saímos para almoçar e, para tanto, utilizamos os serviços do Restaurante do Biguá e Dona Fiinha, outro estabelecimento que recomendo com efusão.

Ali, por apenas R$15,00, pudemos comer à vontade no sistema self-service.

Depois, enquanto os companheiros se ocupavam em outros afazeres, eu deitei para descansar.



Praça central de Santa Rita de Caldas/MG

Santa Rita de Caldas é um município do estado de Minas Gerais, e sua população é de 9.300 habitantes.

Localizada entre picos da Serra do Cervo, no sul do estado de Minas Gerais, a 1.162 metros de altitude, possui algumas das mais deslumbrantes manifestações de fé do estado e esconde ao longo de seu município belezas naturais, procuradas por amantes da natureza e praticantes de esportes ecológicos.

Além disso, possui uma terra fértil, rica em nascentes de água e de clima agradável, proporcionando o sucesso da economia municipal na agricultura e na pecuária de corte e leiteira.

Na história de Santa Rita de Caldas, não há nenhum registro de descoberta de ouro, porém, foi através da estrada fixada na Carta Geográfica do Itinerário, feito pelo Governador Luiz Diogo da Silva Lobo – 1764 - ligando as duas cidades do ouro – Cabo Verde e Ouro Fino – que a atual região do município começou a ser desbravada.


Vitral situado no interior da igreja matriz de Santa Rita de Caldas/MG.

No século XVIII o município de Santa Rita de Caldas não tinha minas de ouro para exploração, uma vez que predominavam em seu território as pastagens naturais, porém, com o esgotamento das minas auríferas de outras cidades do sul do estado, o povo da Capitania, que até então se preocupava com a comercialização do ouro, passou a interessar-se pelos campos de criar gado.

Foi, portanto, na transição de sociedade de garimpeiros para a sociedade de pecuarista que se instalaram na região os primeiros colonizadores.

O primeiro povoador que se tem registro a instalar no município foi Veríssimo João de Carvalho, no local denominado "Gineta", ali estabelecendo a primeira fazenda.

O aparecimento do arraial primitivo, a exemplo do que aconteceu com quase todas as cidades de Minas Gerais, desenvolveu-se em torno da primeira capela.

Assim, foi em 1852 que os numerosos habitantes da região realizaram um importante movimento no sentido de criar uma nova localidade.

Embora já houvesse no local uma pequena igreja dedicada a Santa Rita, resolveram os moradores do lugar oficializar a devoção a santa, dirigindo à cúria Diocesana de São Paulo, que por Provisão de 19 de maio de 1852, autorizou a criação e edificação da capela dedicada à mesma Santa Rita.

Acompanhando o requerimento à Cúria, seguiram os comprovantes das doações feitas para a constituição do patrimônio.

Nesse sentido, o turismo religioso também é muito importante para o município. 


Túmulo do M. Alderigi, situado no interior da igreja matriz de Santa Rita de Caldas/MG.

Terra escolhida pelo saudoso Monsenhor Alderigi para demonstrar durante 50 anos de paroquiato toda sua fé e exemplo de amor a Deus e ao próximo.

Falecido em 1977, Monsenhor Alderigi está sendo estudado pela Igreja Católica, através da abertura do processo da beatificação, em 3 de fevereiro de 2001, como um provável santo brasileiro, devido graças alcançadas por fiéis que garantem ter sido atendidos por sua intercessão.

O Santuário Arquidiocesano de Santa Rita de Caldas tem uma das preciosidades da fé mineira, um fac-símile (réplica idêntica) do verdadeiro corpo de Santa Rita de Cássia, que se encontra na cidade de Cássia, na Itália, e uma relíquia “ex-corpore” de Santa Rita.

Fundados na fé em Santa Rita de Cássia e no Monsenhor Alderigi, durante todo o ano, milhares de romeiros se dirigem ao santuário em busca de graças ou para pagar promessas.

O auge do turismo religioso se dá no dia 22 de maio (dia de santa Rita de Cássia), quando a pequena e pacata cidade fica completamente tomada por milhares de devotos de todos os cantos do país e santa-ritenses ausentes.

No Santuário são celebradas missas de hora em hora com o auxílio de muitos padres da região e de Aparecida.

Fonte: Wikipédia


Presépio montado na praça central de Santa Rita de Caldas/MG.

Depois de uma reparadora soneca e conforme havíamos combinado, retornamos o Perdiz, o Furlan e eu ao Santuário, para orarmos e bater as fotos derradeiras do local.

Afinal, já tínhamos passagens adquiridas para deixar a cidade na manhã sequente, face a compromissos particulares inadiáveis.

Por isso mesmo, foi o momento adequando para render graças à Santa Rita pelo sucesso de nossa empreitada.

Depois, na praça central da cidade, defronte à igreja da Santa Milagrosa, fizemos a foto de despedida.


Valorosos companheiros de jornada, obrigado pela companhia e alegria!

Mais tarde, já no hotel, pudemos nos confraternizar outra vez.

E, face ao cansaço acumulado na jornada, me recolhi cedo.

No dia sequente, iniciamos a viagem de volta, passando por Andradas.

Em Campinas, cada um seguiu seu rumo: Perdiz, em direção a São Vicente, Rogério Furlan viajou para Itatiba e eu tomei um táxi em direção à minha residência.

Quero deixar aqui consignado meu agradecimento especial a esses valorosos companheiros que muito enalteceram minha jornada.

Tenho a plena certeza que sem a presença deles meu Caminho não teria sido tão alegre e extrovertido.

Parceiros e mestres Perdiz e Furlan, se Deus permitir, um até breve, quiçá, apenas uma pausa antes de desbravarmos novos caminhos, juntos!


A belíssima igreja matriz de Santa Rita de Caldas/MG.

AVALIAÇÃO PESSOAL – Uma etapa de grande extensão, que apresenta variações altimétricas importantes, mormente quando da escalada da serra da Bocaina. A passagem por Ibitiúra de Minas foi relevante, porque pudemos nos alimentar e renovar nosso estoque de água. De uma maneira geral, percurso maravilhoso, com paisagens imorredouras. O trajeto de 6.500 m que percorremos em asfalto empanou um tanto o brilho da etapa. Mas agora sabemos que esse percurso é feito em terra e o Romualdo se comprometeu a demarcar melhor esse ramal. Assim como as jornadas anteriores, essa também foi agradável e sublime, com belas vistas do entorno. A chegada ao Santuário de Santa Rita foi emocionando, pois coroou nosso esforço com louvor, após desbravarmos mais um roteiro sacro.

RESUMO DO DIA:

Tempo gasto, computado desde o Pálace Hotel, em Andradas/MG até o Granville Hotel, em Santa Rita de Caldas: 7 h 15 min.

Clima: Nublado e com sol no início da jornada, depois nublado.

Pernoite no Granville Hotel, – apartamento individual excelente – Preço: R$60,00

Almoço no Restaurante do Biguá e Dona Fiinha: Excelente – Preço: R$15,00, pode-se comer à vontade no sistema Self-Service.

Para visualizar ou baixar essa trilha, acesse o link: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=15846120