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AVENIDA BARÃO DE ITAPURA


BARÃO DE ITAPURA CONTA A HISTÓRIA DA CIDADE EM 5 KM



A Barão de Itapura era o local de diversão dos meus filhos com os vizinhos”. Essa é a curiosa lembrança que a aposentada Nair da Silva Abranides, 87, guarda da Avenida que hoje é uma das maiores e mais movimentadas vias de Campinas.

Famosa por sua grande extensão, a Avenida Barão de Itapura tem início próximo ao Terminal Multimodal Ramos de Azevedo e término na Avenida Heitor Penteado, chegando a 5 km, com destaque para o trecho com quatro faixas de rolamento, dividido por um canteiro central arborizado.

Em seu trajeto, a Barão de Itapura cruza cinco tradicionais bairros da cidade: Vila Industrial, Botafogo, Guanabara, Jardim Nossa Senhora Auxiliadora e Taquaral.

Nair, que mora na Avenida há 47 anos, conta que o cenário já foi muito diferente. Ela veio para Campinas com o marido, que era engenheiro agrônomo, e três filhos. “Na época, a rua, que era de terra, começava a receber os paralelepípedos. Meus filhos brincavam de carrinho de rolimã e bolinha de gude no meio da rua”, relembra Nair.

Hoje, praticamente só é possível encontrar residências no trecho após o Balão do Kennedy. “Ao mesmo tempo em que o progresso e a modernidade trazem benefícios, eles proíbem certos hábitos que tínhamos no passado”, lamenta Nair.

A história da Avenida Barão de Itapura tem início no final do século XIX, com a necessidade de se criar uma via que ligasse o bairro Botafogo ao Guanabara, passando por importantes pontos como o Instituto Agronômico de Campinas e o Liceu de Artes e Ofício.


Vista aérea - 1940

Uma curiosidade na história da via é que, inicialmente, ela receberia o nome de Boulevard Barão de Itapura, em referência às avenidas de Paris, que eram largas e arborizadas. A presença das árvores, porém, só aconteceu em 1913, por meio da doação das mudas pelo Instituto Agronômico. Por isso, o nome escolhido foi aquele que ela leva até hoje: Avenida Barão de Itapura.

Com a consolidação da via, as residências começaram a aparecer e seus proprietários, geralmente industriais, comerciantes e médicos, se instalaram em imponentes edificações. Um dos exemplos foi Miguel Vicente Cury, proprietário da Fábrica de Chapéus Cury.

Já era de se esperar que a avenida se tornaria referência para a cidade. Hoje, o destaque pode ser dado para o fluxo de veículos e a grande quantidade de estabelecimentos comerciais que abriga, como colégios, padarias, restaurantes, supermercados, concessionárias e bancos.


PRESENÇA DOS MEIOS DE TRANSPORTE

Logo após a conclusão das obras de abertura da nova Avenida, a Barão de Itapura passou a fazer parte do itinerário dos bondes. O principal deles era a linha com destino ao Guanabara, no sentido Centro-bairro e vice-versa, com ponto final exatamente ao lado da atual Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora.

Em outro trecho, mais precisamente na esquina com a Rua Buarque de Macedo, a Avenida Barão de Itapura recebia o leito ferroviário. Por esse motivo, o local possuía uma guarita com porteira de madeira que proibia o trânsito na via durante a passagem da composição ferroviária.

A porteira da linha férrea da Mogiana foi removida somente na década de 1960, com a desativação do trecho Campinas - Poços de Caldas, serviços que eram realizados pela Estação Ferroviária Paulista.

Hoje, a Avenida Barão de Itapura atende apenas o modal rodoviário e é uma das mais movimentadas da cidade. No trecho próximo ao cruzamento com a Avenida Brasil, tem um fluxo superior a 20 mil veículos por dia. Já em relação ao transporte coletivo, a Avenida possui 11 pontos de ônibus e recebe 16 linhas do Sistema InterCamp.


PALCO PARA VISITAS E EVENTOS


Desfile de 7 de setembro

A Barão de Itapura era, ainda, palco de grandes eventos. Diferente do que acontece atualmente, os desfiles de 7 de setembro, em comemoração ao Dia da Independência, eram realizados nesta via e não na Avenida Francisco Glicério.


Corrida de baratinhas

Também durante as décadas de 50, 60 e 70, a Avenida atraía grande público com a Corrida de “Baratinhas”, termo usado para nomear os carros de corrida da época. As disputas estavam entre os eventos mais esperados pela população local na época.


Visita da rainha Elizabeth II

Entre esses eventos, aquele que mais marcou história aconteceu em 1968. A rainha do Reino Unido, Elizabeth II, esteve no Brasil e, durante a visita, passou por Campinas. Um de seus compromissos era no Instituto Agronômico da cidade, localizado na Barão de Itapura. O acontecimento atraiu um grande número de curiosos.


INSTITUTO AGRONÔMICO DE CAMPINAS



Fundado em 1887 pelo Imperador D. Pedro II e com a denominação de Estação Agronômica, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) se destacou, mundialmente, pelos serviços prestados à agricultura, primordialmente do café.

Em 1892, passou para a administração do Governo do Estado de São Paulo. Um dos destaques, em toda a história, pode ser dado pelo desenvolvimento de tecnologias durante a crise do café, em 1929, que diminuiu os impactos no país com a viabilização do algodão em lavouras paulistas.

Atualmente, o IAC é um órgão de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado. O Instituto conta com 216 pesquisadores científicos, que atuam na disponibilização de tecnologias capazes de adaptar culturas a diferentes situações de clima e solo.

Todas as atividades são realizadas em 11 centros de pesquisa e três de apoio em Campinas, Ribeirão Preto, Jundiaí e Cordeirópolis. O IAC é referência mundial em pesquisas com citros, café e cana-de-açúcar, setores em que o Brasil é líder na produção.


PRESENÇA RELIGIOSA



Apesar da grande quantidade de estabelecimentos comerciais, a religião também está presente na Avenida Barão de Itapura. Estabelecido em um quarteirão da via, o Instituto Educacional Imaculada está entre as mais tradicionais escolas da cidade.

O colégio foi fundado em 1948 pelas Filhas de Jesus, congregação de origem espanhola dedicada à Educação Cristã de crianças, adolescentes e jovens. Na época, denominada como Lar Universitário Marial, era exclusivo para meninas.

Hoje, o Imaculada oferece cursos de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, além de manter projetos sociais em diversas regiões de Campinas.



Algumas quadras à frente, mais precisamente na esquina com a Rua Baronesa Geraldo de Resende, está a Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, que foi fundada em 1963, inicialmente na Capela do Colégio Liceu, logo ao lado.

O aumento de frequentadores, no entanto, trouxe a necessidade de construção de um novo templo. Com arquitetura inspirada na Catedral de La Plata, na Argentina, e uma torre com 50 metros de altura que pode ser vista da via Anhanguera, a paróquia foi oficialmente inaugurada com uma missa em 1966.


BALÃO DO KENNEDY



Uma das referências da cidade, o Balão do Kennedy é um dos pontos mais conhecidos do bairro Taquaral.

A praça onde o monumento foi construído recebeu a mesma denominação de John Fitzgerald Kennedy, ex-presidente americano, assassinado em 1963.

O monumento em homenagem ao presidente foi inaugurado em 1966. Anos depois, já na década de 1970, a Barão de Itapura foi estendida até a Avenida Heitor Penteado, interligando, assim, o Balão do Kennedy com essa avenida, até então sem denominação.


QUEM FOI BARÃO DE ITAPURA?



Nascido em 1809, em Ponta Grossa, Paraná, Joaquim Polycarpo Aranha veio para Campinas quando a cidade ainda era denominada Vila de São Carlos.

Proprietário da Fazenda Chapadão, nos arredores de Campinas, foi um dos grandes plantadores de café do país. De 1845 a 1848, elegeu-se vereador da cidade.

Apesar dos seis filhos, ele e a esposa acolhiam órfãos e viúvas desamparadas na própria casa. Com os serviços prestados à sociedade campineira, o Governo Imperial concedeu-lhe o título de Barão de Itapura, em 1883.

O atual prédio da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, no Centro, corresponde a sua antiga moradia. Tombado pelo Condepacc, o imóvel mantém as características originais.

Parte integrante da história de Campinas, o Palacete Itapura é um exemplar da arquitetura do café sendo, depois do Palácio dos Azulejos, talvez, o exemplar mais importante dos Barões do Café na cidade, além de representar um período de grande significado econômico, político e social na história do Brasil.

Apoio à Pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fontes: www.iac.com.br / www.auxiliadoracampinas.com.br / www.imaculada.com.br

Autor: Juliana Ferreira


Fonte: www.emdec.com.br

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