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AVENIDA DA SAUDADE


CURIOSIDADES CERCAM A HISTÓRIA DA AVENIDA DA SAUDADE



Assim como diversas cidades brasileiras, Campinas também tem, em suas vias, uma homenagem aos mortos. Para seguir a tradição, a denominação da avenida como Saudade foi determinada logo após a criação do cemitério nela localizado.

Com 1.230 metros de extensão, a Saudade recebe um fluxo diário de 16.500 carros e nove linhas do Sistema InterCamp. Anualmente, o feriado dedicado aos mortos, mantém o movimento da Avenida em alta, principalmente, nos arredores do cemitério, que recebe um número maior de visitantes na data.

Como curiosidade, as homenagens aos mortos são uma das mais antigas celebrações. Segundo registros, ela surgiu no Oriente em 998. No Ocidente, século XIV, Roma seguiu a tradição e aceitou a celebração, que se estendeu a toda cristandade.

O Dia de Finados é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de Novembro, logo a seguir ao dia de Todos-os-Santos.


O CEMITÉRIO


O Cemitério - 1910

Fundado em 1880, o Cemitério da Saudade, considerado como museu a céu aberto, é o mais antigo de Campinas, além de ser o primeiro cemitério público do Brasil.

Inicialmente, conhecido como Cemitério do Fundão, recebeu corpos anteriormente sepultados na Vila Industrial, que foi desativado com a chegada da ferrovia. Nele estão, desde o início de seu funcionamento, aproximadamente, 500 mil corpos com túmulos das diversas personalidades campineiras.

Tombado como patrimônio cultural da cidade desde 2003, o Cemitério foi utilizado para gravações de cena do filme Memórias Póstumas de Brás Cubas, adaptado da obra de Machado de Assis, em 1999.

Uma das maiores curiosidades, entretanto, está no túmulo mais visitado do local. Conta a lenda que em uma das quadras está sepultado uma antiga prostituta que ficou noiva, conhecida como Maria Jandira.

No entanto, alguns dias antes da cerimônia de casamento, o noivo desistiu do compromisso. Por desespero, Maria se suicidou, ateando fogo no corpo. Por esse motivo, a sepultura recebe visitas de pessoas com problemas matrimoniais e amorosos.

A entrada do cemitério concentra as sepulturas das figuras de destaque da Campinas do passado. São barões, baronesas, monarquistas, republicanos, políticos, médicos, juristas e outras personalidades. E o fato de ocuparem esta área tem uma explicação: os terrenos dali eram os mais caros e apenas as famílias de posses podiam adquiri-los.


CRUZEIRO DA SAUDADE - 1964



Bem em frente ao portão principal do Cemitério da Saudade, está o Cruzeiro da Saudade. Antes localizado na esquina das avenidas Ângelo Simões com Saudade, foi implantado em 1910 em homenagem a um escravo.

A lenda conta que um escravo, passando por aquele lugar, se suicidou após saber, por brincadeira de um cavaleiro, que seria submetido a chibatadas. Os moradores da redondeza, como uma forma de homenagem, ergueram o cruzeiro.

Em 1964, porém, com as diversas reclamações com os constantes cultos pagãos e atos de vandalismos no local, o poder público e a Igreja Católica determinaram a transferência do símbolo para onde está fixado atualmente.


LINHA DA SAUDADE


Linha de Bondes da Saudade - 1931

As curiosidades incluem a linha denominada Saudade implantada, em 1931, pela empresa responsável pelo transporte coletivo da cidade.

No entanto, desde a inauguração, o itinerário causou problemas. Condutores e cobradores do bonde se recusavam a completar o percurso, retornando com o veículo algumas quadras antes do ponto final, principalmente no período noturno. O medo, de se aproximar do cemitério à noite, obrigava os usuários a percorrer o trecho a pé.

Além disso, em 1935, houve uma proposta de criação de um bonde especial, com adaptações que permitisse transportar os mortos da cidade até o Cemitério. O bonde da morte, como ficou denominado popularmente, jamais chegou a operar pelas polêmicas geradas na cidade.


VIA CONCENTRA IMPORTANTES REFERÊNCIAS PÚBLICAS



Ao longo da Avenida da Saudade estão instalados importantes prédios e serviços públicos.

Desde o final da década de 1980 na Avenida, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) é responsável pela captação, tratamento e fornecimento de água no município.

A Sanasa é uma empresa de economia mista, com a maioria das ações pertencentes ao poder público.

O terreno em que está localizada, no entanto, é o que traz uma das maiores curiosidades. Durante anos, o local, conhecido como Leprosário Municipal, era destinado ao abrigo de pessoas portadoras de lepra, doença, até então, com causa e tratamento desconhecidos.

Como era de costume, os leprosários ficavam estabelecidos em pontos periféricos das cidades com a tentativa de esconder os doentes. Era comum, também, as pessoas que passavam pelo local, mesmo que fosse de bonde, taparem o nariz com lenços para não respirar o ar considerado como contaminado.

O “ritual” continuou mesmo com a desativação do abrigo, em torno dos anos de 1960 até a reforma do local para a instalação da Sociedade.

Hoje, a Sanasa atende 98% da população urbana da cidade com água potável encanada, captando água dos Rios Atibaia e Capivari, através de cinco estações de tratamento.


CÂMARA MUNICIPAL



Também na Avenida, desde 2006, está instalado o Legislativo Municipal. A Câmara é composta por 33 vereadores.

A história do Legislativo, em Campinas, começou em 1797, representado por senhores do engenho, no apogeu da produção de cana-de-açúcar no país.

Em 1908, a Câmara funcionava no Palácio dos Azulejos e transferiu-se, em 1968, para o Palácio dos Jequitibás, até que em 2006, foi para a Avenida da Saudade.

O prédio, por sua vez, foi construído para ser uma escola do Senai. Sucessivamente, ocuparam o prédio a Biblioteca Municipal de Campinas e a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Em 1952, o prédio original possuía a forma estilizada de um avião 14 Bis.

Em 2003, porém, quando foi adquirido pela Câmara Municipal, o prédio passou por reformas para a construção de um novo plenário.

A Câmara Municipal tem comissões permanentes e temporárias e reuniões plenárias ordinárias para discussão e votação de projetos todas as segundas e quartas-feiras, sempre com início às 18 horas.


ESPAÇOS DE LAZER



A Avenida da Saudade abriga, ainda, praças com características opostas. Pertencente ao colégio Dom Barreto, a primeira delas é utilizada, além de um lugar para o descanso, como cenário para fotografias de formandos do colégio e recém-casados da Igreja Santo Antônio, localizada a algumas quadras à frente da praça.

No entanto, a Praça Carlos Zara, na confluência das vias Álvaro Ribeiro, Abolição e Saudade, é a preferida para outro tipo de atividade. Em um espaço com cerca de 890 metros quadrados, a praça é utilizada para a prática do skate.



Paulo Morelli, 35, é um dos frequentadores do local. Professor de aulas de skate na Lagoa do Taquaral e no Parque Ecológico, aproveita os dias de folgas para ir à praça e ensinar o esporte ao filho Iago, 9 anos. “Ando de skate faz 20 anos e sempre pre considerei muito importante a presença de espaços como esse para a garotada. Eles praticam algum esporte e, ao mesmo tempo, se divertem”, conta.

Ele conta que, sempre que pode, vai à praça com a esposa e dois filhos. “Nós adoramos aqui. Eu incentivo meus filhos a virem também porque se deixar, eles passam o dia jogando no computador. Criança precisa brincar e aqui elas podem fazer isso.”, afirma Morelli.

Apoio à pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fontes: www.sanasa.com.br / www.camaracampinas.sp.gov.br / www.campinas.sp.gov.br

Autor: Juliana Ferreira


Fonte: www.emdec.com.br

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