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AVENIDA DR. CAMPOS SALLES


AVENIDA DR. CAMPOS SALLES HOMENAGEIA O MAIOR POLÍTICO DE CAMPINAS



Mesmo sem fazer carreira política na cidade de Campinas, Manuel Ferraz de Campos Salles foi o único campineiro que chegou à Presidência da República.

Ele foi o quarto presidente empossado na República Velha, comandando o país entre 1898 - 1902.


A atual avenida, em 1960

Homenageado na cidade com um monumento, Campos Salles também é lembrado em uma das principais vias da região central.


Monumento a Campos Salles

O monumento foi inaugurado em 1934, no Largo do Rosário, e depois transferido para o início da avenida que leva seu nome, na década de 50.

Com 900 metros de extensão, a via reúne uma importante infraestrutura de transporte, visto que por ela passam 63 linhas do Intercamp, sete linhas intermunicipais (Jaguariúna, Valinhos, Paulínia, Vinhedo, Santo Antonio de Posse, Artur Nogueira e Cosmópolis) e está instalado um ponto de táxi.

Vale ainda destacar o forte perfil comercial dessa Avenida.

Rubens Grande trabalha num ponto de táxi na Campos Salles há 34 anos, e segundo ele, o movimento de passageiros na avenida é muito bom pela localização na área central. “A maioria dos usuários que procura táxi aqui é de fora.




São pessoas que não conhecem muito bem a cidade ou, então, idosos que vêm passear no Centro”, afirma.

Ele, ainda, contou que o trânsito da via ficou mais seguro: “A via é bem sinalizada, reduzindo o perigo”.

Moradora do bairro Ouro Verde, a Soldado Maria Santos Silva trabalha no Fórum, localizado na Avenida Campos Salles.

Apesar do grande fluxo de pessoas e carros em horários de pico, a reformulação dos pontos de ônibus com as estações de transferências facilitaram o dia a dia da população.



Temos muitas linhas para diversos bairros nessa via; e as obras melhoraram muito a circulação, tanto para quem chega na avenida quanto para quem sai”, afirma Maria.

A Estação Campos Salles foi inaugurada no dia 12 de julho de 2010. Os pontos foram revitalizados e receberam novos abrigos, lixeiras, iluminação específica, piso podotátil e comunicação visual. O entorno ganhou rampas acessíveis e a sinalização da avenida foi recuperada.

As estações de transferência fazem parte do processo de revitalização e requalificação urbana, pelo qual Campinas está passando. São estações de cidadania, que deixam a cidade mais saudável e segura”, afirmou o prefeito Dr. Hélio de Oliveira Santos, durante o discurso de inauguração.

As calçadas da avenida contarão, em breve, com piso com detalhe em mosaico com fundo branco e desenho de uma andorinha, símbolo da cidade, em preto. E, ainda, fachadas do comércio deverão ser revitalizadas.


ANTES DO TRÂNSITO, O FOCO ERA A RELIGIOSIDADE


Avenida Dr. Campos Salles, esquina com rua José Paulino.

Na Década de 40, a fé da população campineira determinou o nome da atual Avenida Dr. Campos Sales.

A rua recebeu o nome de Santo Antônio; e, assim, foi chamada até que a Câmara Municipal oficializasse esse nome, em setembro de 1848.

Entretanto, em outubro do mesmo ano, o nome da via mudou para Rua Bom Pastor.

Conta a história que, há tempos, uma benzedeira conhecida na cidade conseguiu alcançar curas para muitas almas, benzendo as pessoas sob os pés de uma imagem do Senhor do Bom Jesus.

A Igreja Católica, na época, solicitou ao bispo da diocese de São Paulo que aquela imagem de barro fosse confiscada e levada para a sua guarda.

O pedido foi aceito, e a famosa imagem foi colocada no primeiro altar, do lado esquerdo de quem entrava na igreja.

A partir daí, a Rua de Santo Antônio começou a ser chamada de Rua Bom Pastor, sendo que essa nomenclatura permaneceu até 1895, quando uma sessão da Câmara Municipal homenageou Campos Salles, dando o seu nome a via.

Nessa época, ele já tinha sido vereador e secretário da justiça da província de São Paulo, e ocupava o cargo de senador.

Três anos após a homenagem, Campos Salles foi eleito presidente da República.

Coincidentemente, ele nasceu em uma casa numa esquina da rua que leva seu nome.


QUEM FOI CAMPOS SALLES



Nasceu em 13 de fevereiro de 1841, quando Campinas ainda era conhecida como Vila de São Carlos. Formou-se na faculdade de Direito de São Paulo, em 1863. Prudente de Morais foi seu colega de turma. Casou-se, em 1865, e teve quatro filhos.

Na carreira política, elegeu-se Deputado Provinciano por São Paulo, pelo Partido Liberal, em 1867. Em 1873, fundou o Partido Republicano Paulista (PRP). Em 1881, foi reeleito Deputado Provinciano; e, em 1885, foi eleito Deputado Geral.

Em 1889, Campos Salles assumiu o Ministério da Justiça no Governo Provisório. Durante o mandato, adotou medidas como a Lei do Casamento, registros civis, separação entre Igreja e Estado, Reforma do Código Penal e organização da Justiça Federal.

Dois anos depois, em 1891, elegeu-se Senador para a Assembleia Constituinte, e ficou no Senado até 1896, quando passou a governar São Paulo.

Em 1898, foi eleito presidente, com 174 mil votos contra 16 mil da oposição.

O governo de Campos Salles durou até 1902, e apesar de recuperar as finanças do país, o presidente empobreceu ainda mais as camadas populares.

Ele deixou o cargo sendo considerado extremamente impopular.

Em 1909, foi reeleito senador e morreu aos 72 anos, em Santos.


CAMPOS SALLES E A IMPRENSA



Campos Salles foi um dos membros do movimento republicano que mais acreditou e investiu na imprensa.

Na época, o jornalismo ainda tinha pouca repercussão na sociedade brasileira.

Ele contribuiu com jornais como A Razão, a Gazeta de Campinas, Radical Paulistano, A República.

Além de se dedicar aos jornais, era Juiz de Paz.

Campos Salles recebeu apoio e críticas do jornalismo, e além dos ataques diretos por meio dos textos, foi também bastante ironizado com apelidos, charges e caricaturas, demonstrando o grau de liberdade de expressão que esta atividade podia desfrutar naquele momento.

O ex-presidente também “comprava” a opinião da imprensa e confessava essa conduta.

Ele justificava, suas ações, dizendo que faltava ao governo um órgão de vasta circulação, no qual pudesse apoiar a sua política, preparar a opinião e defender os seus atos.

Nestas condições, só restava recorrer às colunas das gazetas industriais abertas à concorrência.

Autor: Marília Varoni


Fonte: www.emdec.com.br

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