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AVENIDA FRANCISCO GLICÉRIO


AVENIDA FRANCISCO GLICÉRIO: DOS TEMPOS DOS BONDES ÀS BICICLETAS



Antes chamada de Rua do Rosário, porque passava em frente à igreja de mesmo nome, a via passou a se chamar Avenida Francisco Glicério em 1889. Dois vereadores da época propuseram a mudança para homenagear o campineiro que contribuiu para a implantação da República no Brasil.

Com 2,3 km de extensão, a via começa na Rua da Abolição, no bairro Ponte Preta, atravessa toda a área central, e termina na Avenida Barão de Itapura, no bairro Guanabara. Pelas quatro faixas de rolamento da Glicério, circulam 48 linhas do transporte coletivo e 23 mil veículos/dia, sendo um dos principais corredores de tráfego. Grande parte dos prédios comerciais e agências bancárias da cidade se concentra nesta via.

Quando a rua passou a se chamar Francisco Glicério, o homenageado ainda estava vivo. No começo, a rua se chamava General Francisco Glicério, por causa da patente do republicano pelo cargo na guarda nacional. Mais tarde o cargo foi retirado do nome da rua, em razão das inúmeras funções exercidas por Francisco Glicério.



Para que a antiga Rua do Rosário se tornasse a larga avenida que é hoje, muitas desapropriações precisaram ser feitas ao longo do tempo. Em 1970, os tradicionais paralelepípedos deram lugar ao asfalto.

O carnaval, que era realizado na rua Barão de Jaguara, passou a acontecer na Avenida Francisco Glicério, por ter mais espaço para os blocos. As escolas de samba mais tradicionais de Campinas desfilaram na avenida. Trazido de Cosmópolis, em 1945, o bloco Nem Sangue Nem Areia, o mais antigo da cidade, também já desfilou várias vezes na Glicério.


NOVAS ALTERAÇÕES


E como o espaço urbano está sempre em transformação, a mais recente mudança na via ocorreu no domingo, dia 23/01/2011, com o lançamento da ciclofaixa Campinas – Cidadania em Movimento, pela Prefeitura de Campinas, por meio da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas e Secretaria de Esportes e Lazer.

A ciclofaixa tem 18 quilômetros de extensão e liga os vários pontos turísticos de Campinas, como parques, praças, bosques e outros. Ela funciona aos domingos e feriados das 7 h às 13 horas.

Com o lançamento da ciclofaixa, a Av. Francisco Glicério, no trecho entre a General Osório e a Av. Aquidaban, ganha status de área fechada ao tráfego para ocupação de lazer aos domingos e feriados.


ROTA DOS BONDES


Em 1879, Campinas iniciou o serviço de bonde de tração animal. Os bondes eram puxados por mulas e levavam passageiros da ferrovia até o Largo da Catedral Metropolitana pela Rua 13 de Maio.

Eles foram inaugurados em Campinas em 1912. A cidade tinha 14 linhas; e oito delas passavam pela Avenida Francisco Glicério.

A linha do bonde Vila Industrial fazia a seguinte rota: partia da Avenida Francisco Glicério e seguia pelas ruas Conceição, Barão de Jaguara, Dr. Moraes Sales, Viaduto Paulista, João Jorge, Sales de Oliveira, Pereira Lima, Jóquei Clube, Dr. Mascarenhas, Andrade Neves, 13 de Maio e voltava para o ponto de onde partiu.

Em 1968, os bondes saíram de circulação.

Na foto acima, a última volta do bonde Botafogo, que também passava pela Avenida Francisco Glicério.


VIA CONTA COM DUAS PRAÇAS HISTÓRICAS


Duas das principais praças da cidade estão localizadas na Avenida: os Largos do Rosário e do Pará.

O Largo do Rosário é um dos lugares mais conhecidos de Campinas, mas seu nome oficial poucos conhecem. O Largo do Rosário tem este nome por causa de uma igreja que tinha ali desde 1817, mas se chama oficialmente Praça Visconde de Indaiatuba. O local era palco de festividades cívicas e eventos importantes como as homenagens ao imperador Dom Pedro II, em suas visitas à Campinas.

A denominação de Praça Visconde de Indaiatuba é uma homenagem a um dos fundadores do Colégio Culto à Ciência e aconteceu em 1887. Nessa época, o largo era lugar de grande circulação de carroças.

Na segunda metade do século XIX, a praça ganhou projeto paisagístico, com a plantação de árvores e construção de um jardim que mais tarde deu lugar ao busto de Campos Sales, que hoje está no início da avenida que leva seu nome. Em 1854, a Câmara Municipal determinou a praça um local de feiras livres.

Em 1956, o plano de urbanização previu que a Rua Francisco Glicério precisaria ser alargada e para isso a famosa Igreja do Rosário teria que mudar de lugar. A igreja foi demolida e construída no bairro Jardim Chapadão.

Em 1996, o Largo do Rosário foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas – CONDEPACC.



O Largo do Pará teve vários nomes durante sua existência, o primeiro foi Independência. A denominação atual foi dada pela Câmara Municipal, em 1896, em homenagem ao maestro Carlos Gomes. O artista campineiro morou e faleceu no estado do Pará.

Com 9.930 m², o Largo do Pará possui coreto, jardim playground e uma fonte. Ele fica entre as ruas Barão de Jaguara e Duque de Caxias e avenidas Francisco Glicério e Aquidaban.

Em 1889, o local foi arborizado e ajardinado ganhando a aparência que tem hoje.

Atualmente, o Largo do Pará é frequentado por quem quer relaxar, por ser um local tranquilo no meio da selva de pedra do centro da cidade.

Fátima de Oliveira, moradora de Hortolândia, trabalha em Campinas cuidando de uma idosa, que sofre de Alzheimer. Há duas semanas, as duas passam algumas horas do dia no Largo do Pará. “Venho pra cá porque minha paciente mora aqui perto; e o local é gostoso e agradável. Acalma ela”, relata.

As pessoas que visitam à Praça ainda têm a oportunidade de frequentarem uma feira, com os mais variados produtos; desde comida até bijuteria.


QUEM FOI FRANCISCO GLICÉRIO?



Francisco Glicério de Cerqueira Leite nasceu em Campinas, em 1846, e foi um importante personagem no processo da instituição da República no Brasil.

Trabalhava como tipógrafo, foi professor de primeiras letras e escrevente de cartório. Mais tarde conseguiu o título de advogado provisionado. No Direito, passou a prosperar, mesmo sendo autodidata.

Republicano e abolicionista, ele esteve envolvido na jornada de 15 de novembro de 1889.

Glicério era a figura que fazia a propaganda da República, em São Paulo. Em conhecimento politico outros poderiam superá-lo, mas em carisma e poder de convencimento ele era imbatível. Glicério era a encarnação do Partido Republicano Paulista.

Em 1888, quando Dom Pedro II estava doente na Europa, Glicério leu um manifesto do Diretório de São Paulo, num comício em Campinas, propondo ao povo que em caso de morte do imperador, todos fossem convocados para decidirem se queriam o 3° Reinado da princesa Isabel, ou um novo regime.

Glicério foi convidado pelo Partido Republicano para uma vaga no Senado. Ele venceu a eleição com o dobro de votos do concorrente.

Por esses feitos, Glicério é lembrado até hoje como o símbolo da República no Brasil. Seu túmulo está localizado na alameda principal do Cemitério da Saudade.

Para saber mais sobre Francisco Glicério, acesse: http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com.br/2006/10/personagem-francisco-glicrio-de.html


Fonte: www.emdec.com.br

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