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AVENIDA MORAES SALLES


AVENIDA MORAES SALLES: O RETRATO DO PASSADO E DA ATUALIDADE



A Avenida Moraes Salles é uma das principais vias do Centro de Campinas e se estende por, aproximadamente, 3 quilômetros, atravessando o centro, desde o Viaduto Cury até a Ponte da Avenida José Bonifácio. 

Após esse trecho, ela se transforma na Rodovia Heitor Penteado.

Cortada pela Avenida Francisco Glicério, que concentra o coração financeiro da cidade, a Moraes Salles dá acesso à região Norte do município (distritos de Sousas e Joaquim Egídio), e à Rodovia Dom Pedro I (Shoppings Iguatemi, Galleria e Dom Pedro).

A via foi palco dos primeiros viajantes que passaram pela cidade e possuía um pouso de descanso para recebê-los, bem às margens do Córrego Proença. 

O Córrego ficava próximo, onde atualmente é o cruzamento da via Norte-Sul com a Avenida Moraes Salles e aos poucos se transformou em ponto de partida para viagens. 

Na época, outros pontos foram fixados na Praça Bento Quirino e na Praça XV de Novembro.


MOBILIDADE - ONTEM E HOJE


Avenida Moraes Salles - 1975 - Início das obras do Viaduto São Paulo, popularmente: Viaduto Laurão.

Com a evolução da cidade e dos transportes, os pontos de pouso foram sumindo. 

Hoje, Campinas conta com modernas estações de transferência, como espaços de embarque e desembarque. 

A Estação Moraes Salles, instalada em frente à base da Guarda Municipal, foi construída em dezembro de 2009 e beneficia mais de 24 mil usuários/dia de 28 linhas do sistema de transporte coletivo municipal (InterCamp). 

Ela localiza-se no trecho entre a Rua José Paulino e a Avenida Francisco Glicério (cortando a Rua Regente Feijó). 

A estudante, Renata Lima, aprova a estação. “As informações estão mais organizadas e ficou melhor usar o transporte público”. A vendedora Nair Piacenti, que usa quatro ônibus por dia, acha a estação confortável. “A estrutura ficou ótima”, afirma.


Moraes Salles - 1984 - Avenida já constituída como via de trânsito intenso.

A Avenida Moraes Salles integra um dos maiores projetos de mobilidade implantado no ano de 2010 – o Corredor Central – formado pela própria via, Rua Irmã Serafina e pelas avenidas Anchieta, Orosimbo Maia e Senador Saraiva.

O Corredor conta com faixa exclusiva, onde é permitida a circulação dos transportes urbano e metropolitano; e também faixa preferencial. Na faixa preferencial, na ausência de ônibus, o uso do sistema viário pode ser compartilhado por veículos particulares.


PRIMEIRO GRUPO ESCOLAR DE CAMPINAS


Grupo Escolar Francisco Glicério - 1911 - Rua Moraes Salles de pequena largura ainda.

A Moraes Salles guarda, ainda, uma preciosidade: o Grupo Escolar Francisco Glicério, atual Escola Estadual Francisco Glicério. 

Ele foi instalado em fevereiro de 1897, organizado pelo então inspetor literário Luiz de Campos, com mais de 400 alunos matriculados.

O prédio tem a parte central feita em tijolos de barro à vista e um relógio na fachada. 

Na frente da escola existia um jardim chamado de Largo Riachuelo, porém, quando a Avenida Moraes Salles precisou ser alargada, a praça foi demolida.

A atual diretora, Maria Eliza Godoy Bordoni Andrade, que está à frente da Escola desde 2009, acredita que é preciso conscientizar os alunos e professores sobre a importância da preservação de um prédio histórico. “Um dos projetos que quero realizar ao logo desse ano é um trabalho de conhecimento da história do prédio. É importante que os usuários tenham cuidado e não depredem este imóvel tão importante na história de Campinas”, comenta.

O responsável pela construção da Escola foi o arquiteto Ramos de Azevedo, que empresta o nome ao Terminal Multimodal de Passageiros. 

Em 1994, a Escola foi restaurada e tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas, o CONDEPACC.

O prédio foi tombado, também, pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), em 2002, pelo valor histórico na evolução educacional não só em Campinas, mas em todo o Estado de São Paulo.


COMER E BEBER NA MORAES SALLES

A Moraes Salles conta com restaurantes, bares, lanchonetes e outros estabelecimentos de alimentação que integram a paisagem urbana e seduzem os pedestres que circulam porali.

O Café Paris é um desses. Uma das proprietárias, Devanira Gazola da Silva, está no local há um ano e meio, mas diz que o ponto existe há muito tempo.

Ela afirma que o segredo para sobreviver em uma Avenida tão disputada é aliar a limpeza ao bom atendimento. “As pessoas gostam de ser bem atendidas e de estar em um lugar organizado. Isso faz a diferença”.

A telefonista Carmen Lúcia Novaes, concorda com Devanira. “Além disso, é preciso ter uma boa comida. Os pratos aqui são ótimos”, completa.

Outro local de destaque na Moraes Salles é o Rei Charles. Do bar é possível avistar o viaduto São Paulo, mais conhecido como Laurão, além de sua iluminação noturna, com luzes de todos os tipos.

Erick Barros, de Sorocaba, sempre que pode frequenta o bar. “Gosto da música ao vivo. O som é selecionado e agrada a quem curte pop e rock. Saio da minha cidade e venho até aqui porque vale a pena”, afirma.

Na Avenida, encontra-se também o Ventura Mall, um dos shoppings de conveniência mais famosos de Campinas, inaugurado em 1993. Ele possui lojas que atendem a todos os gostos como café, livraria, banca de jornal, casa lotérica, chocolateria além de padaria e farmácia que ficam abertas 24 horas.

A estudante Juliana Banduk acha o shopping diferente dos outros da cidade. “Ele tem um clima especial. É um lugar agradável, com bom atendimento e uma ótima localização. Fico bem aqui”, confessa.


O NOTÁVEL PERSONAGEM


Antonio Carlos de Moraes Salles, ilustre jurisconsultor, nascido em 29 de julho de 1846 e falecido em 19 de maio de 1903.

Tão importante quanto saber o que existe de interessante numa avenida, é saber a história do personagem que a dá nome. O doutor Antônio Carlos de Moraes Salles nasceu na cidade de Campinas, em 1846 e adquiriu notoriedade por sua grande capacidade e inteligência profissional.

Formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, foi nomeado, em 1867, promotor público e em 1880, juiz municipal de Campinas. Foi, ainda, um dos fundadores da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, assumindo depois a presidência da empresa.

Em 1900, representou o então presidente Campos Salles, no Congresso Jurídico, dentro das comemorações do IV Centenário da Descoberta do Brasil, solenidade realizada no Rio de Janeiro.

Casou-se aos 24 anos com sua prima de terceiro grau, Ana Eufrosina do Amaral Salles e teve nove filhos. Faleceu aos 57 anos de idade, em Campinas.


ENCONTRO ETERNIZADO

Moraes Salles era monarquista convicto e defendia seu ideal político na coluna que assinava no Jornal Correio de Campinas. Francisco Glicério, que também era colunista, mas de outro jornal da época, a Gazeta de Campinas, defendia o sistema republicano.

Para ressaltar as discordâncias quanto aos ideais políticos, Francisco Glicério e Moraes Salles acabaram se ofendendo pessoalmente por meio dos textos nas publicações.

Um dia, eles se encontraram na esquina da Rua Barão de Jaguara com a Rua Campos Sales e depois de muitas ofensas orais, se agrediram fisicamente. Os dois personagens, quando meninos, foram batizados no mesmo dia, na Matriz de Nossa Senhora do Carmo, com os pais de Moraes Salles batizando o menino Glicério e vice versa.

Hoje, ironicamente, os dois personagens, que dão nome às ruas de Campinas, têm como castigo o encontro eterno, materializado em uns dos cruzamentos mais famosos da cidade: Avenida Morares Salles x Francisco Glicério.


CURIOSIDADES


Alargamento da Rua Moraes Salles - 1959 - Assim foi instituída a pista interna, atualmente existente.

- Em 1808, foi criado o primeiro local de extração de barro para ser usado em construções com estrutura de taipa de pilão, que ficava na Avenida Moraes Salles.

- O local onde hoje fica o Terminal Central, foi o primeiro espaço público iluminado da cidade. Um cidadão instalou um lampião em um poste de madeira, e logo seus vizinhos o imitaram.

- A Avenida Moraes Salles já possuiu os nomes de Rua das Velhas Campinas e Rua de São Carlos.


Fonte: www.emdec.com.br

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