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RUA BARÃO DE JAGUARA


RUA BARÃO DE JAGUARA: PALCO DA MODERNIDADE EM CAMPINAS



Localizada no Centro de Campinas, a Rua Barão de Jaguara já foi considerada a principal via da cidade. A sua importância esteve vinculada à presença de diversos estabelecimentos comerciais como farmácias, livraria e armarinhos, e do setor público, como a Câmara Municipal.

Entre as denominações, a via recebeu, no início o apelido de Rua de Cima em razão da topografia da região, já que estava em um local elevado quando comparado com a Rua Luzitana, que na época recebeu a denominação de Rua de Baixo.

Em 1848, a Câmara Municipal alterou a sua nomenclatura para Rua da Direita. Segundo historiadores, a decisão foi tomada por existir vias no Rio de Janeiro, até então sede da Corte, e em São Paulo, capital da província, com a mesma denominação. Este nome permaneceu até 1889.

Após a epidemia de febre amarela que assolou a cidade, o poder público decidiu homenagear um dos importantes nomes da época: o Barão de Jaguara. Por ser chefe do Executivo, o homenageado se dedicou à conclusão das obras dos serviços de água e esgotos da cidade para minimizar os problemas causados pela doença.

Iniciando na Praça José Rodrigues e seguindo até a Rua Barreto Leme, a Rua Barão de Jaguara tem, hoje, 1550 metros de comprimento.

A história da via é marcada por acontecimentos que mudaram o rumo da cidade e da população existente da época.


A VIA DO PODER

Nascida por ordem do governador de São Paulo, que determinou que se formasse uma povoação e implantasse “ruas que tivessem 70 palmos de largura”, a antiga Rua de Cima possuía características, desde o início, que garantiram a sua importância no povoado da Freguesia.

Além de ser o principal caminho que conduzia os viajantes que chegavam de São Paulo ao centro da cidade, a via estava localizada bem em frente à Matriz, atual Basílica Nossa Senhora do Carmo.


Rua Barão de Jaguara - 1930

Muito mais do que pelo comércio, a Barão de Jaguara passou a ser conhecida como a rua do poder, já que, além da igreja, nela estavam, também, a Câmara Municipal e a Cadeia Pública. Por esse motivo, qualquer tipo de manifestações políticas eram realizadas no Largo do Rosário (que também estava na Barão de Jaguara).

Na esquina com a Rua General Osório, ficava um dos bares mais frequentados pela população local. Conhecido como Cristofanni, o bar aumentava o movimento e o número de frequentadores da via.

Pela Barão de Jaguara, passava também o Córrego do Tanquinho. As águas nasciam no Largo do Pará e seguiam pelas Ruas Barão de Jaguara e Avenida Anchieta, e desaguavam na altura da Avenida Orosimbo Maia.

Com o crescimento da população e a aproximação da malha urbana, a área foi canalizada, pois os córregos eram vistos como barreiras para o desenvolvimento e sempre inundavam o entorno.

Foi na Barão de Jaguara, também, que residiu um dos mais importantes nomes do movimento republicano, Francisco Glicério, onde hoje está o Edifício Zamataro.


PIONEIRISMO DA VIA


Rua Barão de Jaguara - 1904

A Barão de Jaguara foi ainda palco da chegada da modernidade na cidade, sendo a primeira via a receber iluminação pública, telefone, energia elétrica e fotografia.

Na esquina com a Rua Conceição, em 1878, foi inaugurado um rinque de patinação. Após ser utilizado para apresentações de circos, lutas, bailes e teatros, o prédio passou a ser utilizado como cinema. No mesmo local, em 1930, foi criado o Cine Rink, um dos primeiros a disponibilizar filmes sonoros. Em 1951, no entanto, o teto do cinema desabou, matando 40 pessoas e ferindo outras 400 que assistiam à última sessão do dia.

Em 1935, o primeiro arranha-céu da cidade surgiu nesta via. Localizado na esquina com a Rua Cesár Bierrembach, o Edifício Sant’Anna possui, até hoje, sete pavimentos e funciona como um hotel.


Rua Barão de Jaguara - 1950

Já na esquina com a Rua General Osório, instalou-se o primeiro sobrado da cidade. Carlos Gomes aprendeu a ler e escrever nesse sobrado, onde funcionou a escola particular de João Batista Alves de Souza.

Em 1938, o sobrado deu lugar ao Edifício Colúmbia, o segundo prédio edificado da cidade. Projetado e construído pelo arquiteto e engenheiro Lix da Cunha, tinha características comerciais, com restaurante no térreo e escritórios nos quatro andares superiores.


QUEM FOI BARÃO DE JAGUARA?



Antônio Pinheiro de Ulhoa Cintra, o Barão de Jaguara, nasceu em 1837 e entrou para a política levado por seu irmão, Dr. Delfino Cintra. Além de médico, foi deputado e presidente de São Paulo.

Durante o surto da febre amarela, Barão de Jaguara prestou relevantes serviços à Campinas e a Câmara Municipal, em1889, decidiu alterar o nome da antiga Rua Direita para Rua Barão de Jaguara.

Apoio à pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fonte: http://www.puc-campinas.edu.br/servicos

Campinas: Ruas da época imperial - Edmo Goulart


Fonte: www.emdec.com.br

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