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RUA BARRETO LEME


RUA BARRETO LEME HOMENAGEIA O FUNDADOR DE CAMPINAS



A Rua Barreto Leme não é uma via qualquer de Campinas. Ela homenageia o seu fundador e é conhecida por ter sido o berço político da cidade. Também, considerada um espaço que centraliza vários pontos culturais como escolas, sebos tradicionais e livrarias.

Com 2,6 mil metros, a via foi batizada com este nome em 1869 no plenário da Câmara Municipal, mas foi conhecida como “Rua da Matriz”, por causa de uma igreja construída de costas para ela.


Basílica de Nossa Senhora do Carmo - Campinas/SP


Depois disso, ainda foi denominada “Rua da Matriz Velha”, por causa da construção de uma nova igreja. Nesta ocasião, Campinas contava com mais de 8 mil moradores.

Barreto Leme morou na rua que, hoje, leva seu nome. O prédio em que morava foi demolido para abrir a rua Dr. Quirino, a partir da atual Benjamim Constant; e, com isso, chegar até a própria Barreto Leme. Um estudo da época queria o prolongamento da via.

Em 1840, a cidade tinha apenas três ruas pavimentadas: parte da Dr. Quirino, parte da Benjamim Constant e um trecho da Barreto Leme; entre a Dr. Quirino e a Luzitana. A pavimentação era de camada de pedras irregulares de basalto, chamada pelos moradores da época de calçada. Outras ruas só começaram a receber essas calçadas entre oito e dez anos mais tarde.

A Barreto Leme pode ser considerada o berço da política de Campinas. Foi nela que a sociedade começou a se organizar como um núcleo com interesses em comum. Na região, havia uma delegacia, uma igreja e a Câmara dos Vereadores.


RUA DOS JORNALISTAS



A Associação Campineira de Imprensa (ACI) está localizada na Barreto Leme desde 1927. Antes de sua fundação, os profissionais da imprensa frequentavam uma charutaria chamada Havaneza ou Charutaria do Lá, por causa do nome do proprietário, Anacleto. Eles se reuniam para discutir os assuntos do dia-a-dia.

A ACI foi idealizada pelo professor Roberto de Souza Pinto, que se reunia regularmente com esses jornalistas. Ela foi a primeira entidade de jornalistas fundada no Estado de São Paulo.

Hoje, a ACI oferece cursos, palestras, workshops e outros serviços para os profissionais do jornalismo. A Associação tem um acervo que conta parte da história das cidades da região.


RUA DOS JUDEUS

O número 1203 da via é ocupado pela mesma sociedade desde 1927. Um grupo de judeus que fundou a Sociedade Israelita Brasileira Beth Jacob. Não dá pra saber, ao certo, qual foi o primeiro judeu a chegar a Campinas, mas se sabe que eles vieram para substituir os franceses e seus descentes no comércio da região.

Os franceses deixaram Campinas por causa do surto de febre amarela. Alguns deles foram para a Capital e outros voltaram para a França. O grupo que chegou para substitui-los era formado por poloneses e alemães, em sua maioria.

Hoje, a Sociedade realiza os serviços religiosos em sua sinagoga e ministra aulas de cultura judaica e hebraico. Palestras e filmes sobre a cultura judaica também são veiculados no local.


VIA DE LIVROS



Na esquina da Rua Barreto Leme com a Rua Sacramento fica o Sebo Casarão. O prédio de arquitetura antiga, mas com pintura vermelha novinha, guarda viva parte da história da via.

Em 2006 quando participava da Feira de Alfarrábios e Antiguidades na Praça Bento Quirino, o professor de história Alaerte Menuzzo e outros cinco expositores souberam da venda do local e decidiram comprá-lo.

O imóvel era, antigamente, a Santa Casa de Campinas. Para transformar o casarão antigo em ponto cultural, Menuzzo e seus sócios reformaram o local, mas sempre valorizando sua forma original.



Nós prezamos este prédio e não só porque é nosso, mas porque gostamos de coisas antigas, assim, estamos num contínuo processo de restauração” conclui Menuzzo.

No início, o local era dividido em cinco espaços distintos, mas isso dificultava a agilidade no processo de venda dos produtos, pois o cliente tinha que pesquisar o que queria comprar em todos os ambientes.

O sebo com cinco lojas num mesmo local não deu certo e hoje, o cliente encontra livros, cds, dvds e vinis num mesmo espaço.

O professor lembra ainda de parte de sua juventude vivida na Barreto Leme. A Escola de Samba Ubirajara, que ficava na via e foi extinta nos anos 70, era passagem de Menuzzo quando voltava do Colégio Lencastre. A escola chegou a ganhar o Carnaval, mas caiu no esquecimento.


CASA DA RUA BARÃO DE JAGUARA x RUA BARRETO LEME



O casarão acima existiu, demolido em 1951, na rua de Cima (Barão de Jaguara) esquina com rua Barreto Leme.

Por ocasião da visita de D. Pedro II, seus seguidores menos famosos; tais como alguns: marqueses paulistas que o acompanharam e subordinados da corte sem nenhuma importância histórica, ficaram ali alojados.

O imperador e os elementos da corte que o acompanhavam, se instalaram confortavelmente no até então denominado Sobrado dos Mascarenhas, localizado na esquina da Rua Dr. Quirino com Rua 14 de Dezembro.

Por aquela ocasião essas vias públicas ainda eram denominadas respectivamente Rua do Comércio e Rua dos Alecrins.


QUEM FOI BARRETO LEME?



A homenagem ao homem de origem belga omite seu primeiro nome, Francisco. O sobrenome de seus ascendentes é Lems, mas seu tataravô, Martim, quando se mudou para Lisboa, adotou Leme. Os descendentes de Martim foram para São Vicente, litoral paulista. É a partir deste ponto que começa a história dos Leme no Brasil.

Francisco Barreto Leme, que também era descendente de Pedro Álvares Cabral, nasceu em 1704; e veio para Campinas entre 1739 e 1744. Com sua chegada, a Freguesia de Campinas do Mato Grosso prosperou. Ao fundar a cidade, passou a seguir a tradição da família Cabral, ou seja, da expansão portuguesa nos séculos XV e XVI.

A população foi crescendo junto com a economia e Barreto Leme continuou a trabalhar pelo crescimento de Campinas. Ele doou o terreno para a construção da primeira igreja da cidade. Ela foi construída onde, hoje, fica a Rua Luzitana.

Em 1774, a fundação da cidade de Campinas foi atribuída a Barreto Leme.



Para oficializar a fundação da Freguesia Nossa Senhora da Conceição das Campinas de Mato Grosso, em 14 de julho de 1774, foi realizada uma missa em uma capela provisória por Frei Antônio de Pádua, primeiro vigário da nova paróquia. Nesta data é comemorado o aniversário de Campinas.

Francisco Barreto Leme morreu em 1782 e foi sepultado na Basílica Nossa Senhora do Carmo. Está sob a segunda coluna, à direita, para quem entra na igreja. Em comemoração aos 200 anos da cidade foi colocada na entrada da basílica uma placa de bronze ressaltando a importância histórica deste personagem que foi essencial para Campinas.

Apoio à Pesquisa: Wagner Paulo dos Santos


Fonte: www.emdec.com.br

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