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RUA CÉSAR BIERREMBACH


CINEMAS E ARQUITETURA MARCAM HISTÓRIA DA CÉSAR BIERREMBACH



Bem no coração da região central, a Rua César Bierrembach, com apenas 235 metros de extensão, é um contraponto às demais vias do entorno, movimentadas e pulsantes.

A tranquilidade marca a via, que conta com pequenos estabelecimentos comerciais: cabeleireiros, restaurantes, boutiques e escritórios.

A César Bierrembach tem início na Rua Barão de Jaguara e segue até a Irmã Serafina, ou seja, se restringe a poucas quadras.

Pela rua não passam linhas de ônibus e o trânsito ainda não apresenta grandes transtornos.

Esse trecho, ao longo de toda sua história, já abrigou armazéns e entrepostos de produtos importados que vinham de Santos pelos trens e que os carroceiros transportavam e abasteciam as principais famílias da cidade com azeite, uvas, bacalhau e até louças inglesas, garantindo o movimento nas redondezas.

No entanto, o destaque é dado pela forte presença das principais opções de lazer à população nos séculos passados. Nessa via, a cidade conheceu três cinemas: o Coliseu, o Cine Recreio e o São Carlos, esse último, era o cinema da elite campineira até o surgimento do Cine Rink.


TRÊS VEZES CINEMA


Cine Coliseu

O Coliseu Taurino, instalado na esquina da César Bierrembach com a Rua Irmã Serafina, foi inaugurado, em 1905, como uma arena destinada à exibição de touradas e apresentações teatrais e circenses.

A partir de 1916, após a realização de reformas, passou a funcionar como cinema, com o nome de Cine Coliseu.


Clube Semanal de Cultura Artística

Com o Plano Prestes Maia de remodelação urbana, o cinema fechou suas portas somente em 1944 e, no local, atualmente, está a sede social do Clube Semanal de Cultura Artística.


Cine Teatro Carlos Gomes

Já no cruzamento com a Rua Coronel Rodovalho, surgiu, em 1924, o Cine Teatro Carlos Gomes, sala de espetáculo frequentada pela elite cultural e financeira da cidade e que projetou, pela primeira vez em Campinas, um filme sonorizado.

O Cine Recreio foi inaugurado em 1909, e era localizado na esquina com a Rua Dr. Quirino, onde hoje se encontra uma galeria comercial.


Cine Recreio

Uma curiosidade é que a sala de espetáculo já havia sido instalada anteriormente, no cruzamento da Rua Dr. Quirino com a Rua Conceição, porém, seu teto veio abaixo.

O acidente não registrou grandes transtornos, porque o cinema estava fechado.

A Rua César Bierrembach também abrigou o Jornal Diário do Povo, instalado na esquina com a Rua Luzitana, e que, logo depois, mudou-se para o trecho entre a Rua Dr. Quirino e Rua Luzitana.

Neste local funcionava tanto a parte gráfica, como também o seu setor administrativo. O jornal é, na atualidade, o mais antigo meio de comunicação impresso da cidade de Campinas, ainda em atividade.


CULTURA PRESENTE

Hoje, a cultura continua presente na via. Lojas de artigos para dança, instrumentos musicais, além de escolas de capoeira e música fazem parte do cenário. 

O grupo Cordão de Ouro de Campinas está na César Bierrembach desde 1992.

A associação foi aberta por Cícero Gabriel Pinto, conhecido por todos como Mestre Cícero, com o objetivo principal de, além das aulas de capoeira, fazer trabalhos sociais e oferecer bolsas a crianças sem condições financeiras.

A capoeira entrou na minha vida em 1980. Já dei aulas em outros bairros, mas decidi abrir na Rua César Bierrembach para ficar no Centro da cidade”, afirma o mestre. A escola conta com quatro professores e alunos dos 7 aos 60 anos, que fazem apresentações em toda a região de Campinas.

Uma quadra abaixo, Ricardo Pereira Rezende, 43, tem uma loja de instrumentos musicais; sua mãe, Marilda Pereira Rezende, 64, é coordenadora da escola de música. Na loja, podem ser encontrados desde violões e guitarras até os mais diversos tipos de tambores. Marilda conta que a iniciativa de abrir o comércio foi do filho. “Meu filho não conseguia arrumar emprego e decidiu abrir a loja. Estamos aqui há 18 anos e não tenho o que reclamar. Apesar de estarmos no Centro, a via é bem tranquila, não sofreu grandes mudanças”, conta Marilda.


O PRIMEIRO ARANHA-CÉU DA CIDADE


Edifício Sant'Anna

Dentre todos os edifícios de Campinas, um deles é bastante especial e está localizado na Rua Cesar Bierrembach, mais precisamente no cruzamento com a Rua Barão de Jaguara.

Denominado Edifício Sant’Anna, foi o primeiro arranha-céu da cidade, inaugurado em 1935.

A construção do edifício, assim como todo o panorama urbanístico na cidade, fazia parte do Plano de Melhoramentos Urbanos de Prestes Maia.

O projeto, idealizado pelo engenheiro-arquiteto Lix da Cunha, possuía característica para valorizar a esquina das vias.

No passado, o prédio funcionou como um edifício de escritórios, com lojas no térreo e salas comerciais nos demais andares.

Hoje, o Edifício Sant’Anna sobrevive como um hotel.

Ainda que, se comparado a outros arranha-céus, o Sant’Anna, com apenas sete andares, tem seu valor no registro histórico como momento de ruptura no cenário urbano.

Uma curiosidade interessante é que um dos imóveis destruídos para a construção do Edifício ficou abandonado por mais de 10 anos, por causa de um incêndio, de grandes proporções, que aconteceu em 1921.


ORIGEM COMO TRAVESSA DO GÓIS

Na esquina das atuais ruas Coronel Rodovalho e César Bierrembach, havia uma pequena moradia de propriedade de um casal de portugueses, Inácio de Góis e sua esposa Izabel de Góis.

A influência da família denominou, popularmente, a via como Beco do Góis, em uma época que Campinas ainda era denominada como Vila de São Carlos.

Mais tarde, passou a Travessa do Góis, em 1848.

Assim, a Travessa do Góis iniciava na esquina da Rua Irmã Serafina, onde era o quintal da família dos Góis, e término na Rua Barão de Jaguara.

O calçamento desta via pública por meio de pedras, como era costume na época, se deu em 1883, constituindo-se em importante melhoria para seus moradores.


ENFIM, RUA DR. CÉSAR BIERREMBACH



Em 1907, alguns comerciantes da cidade fizeram um abaixo-assinado, solicitando a alteração do nome da via para Rua César Bierrembach.

O motivo foi pela morte inesperada do homenageado, nascido em Campinas que, naquele ano, se suicidou no Rio de Janeiro.

A nova denominação, por sua vez, só foi aprovada em 1908.

No mesmo ano, em meio a festividades e com a presença de autoridades civis, militares e eclesiásticas, foram inauguradas, pela primeira vez na cidade, placas de bronze na via, agora conhecida como Rua César Bierrembach.


QUEM FOI CÉSAR BIERREMBACH?


Monumento existente na Peaça Bento Quirino

Orador, jornalista e advogado. João César Bueno Bierrembach nasceu em Campinas, em 1872, e se suicidou, no Rio de Janeiro, em 1907.

Bierrembach foi orador na inauguração do monumento-túmulo de Carlos Gomes, fundador e primeiro secretário do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas.

Além de dar nome a uma via, Bierrembach é homenageado com um monumento na Praça Bento Quirino, no Centro, com os dizeres: “Ao tribuno César Bierrembach, sua cidade natal – 1907”.


Fonte: www.emdec.com.br

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