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RUA COSTA AGUIAR


APÓS HOMENAGEAR IMPERADOR, VIA PASSOU A SER DEDICADA AO MÉDICO



Poucos sabem que o dia 24 de janeiro é dedicado à Constituição Federal. A homenagem foi determinada como uma forma de relembrar a primeira Constituição outorgada no país, em 1824. Nela, estavam estabelecidas as regras e os princípios que deveriam nortear governantes e população do império.

Diferente do que acontece atualmente, o governo passou a ser dividido em quatro poderes: executivo, legislativo, judiciário e moderador. Este último era exercido apenas por Dom Pedro I, que podia anular qualquer decisão tomada pelos outros poderes. Esse privilégio causou grande revolta nos partidos de oposição ao imperador.

Em Campinas, a Câmara Municipal, em homenagem ao imperador, decidiu denominar a via ao lado da Igreja Matriz como Rua da Constituição.

Por se tratar de uma via pouco utilizada para o comércio ou habitação, não há qualquer registro de antigas denominações que a via tenha recebido.

Curiosamente, a via tinha a mesma extensão atual, ou seja, iniciando em frente à Estação Cultura e seguindo até a Catedral Metropolitana de Campinas.

Com a inauguração da Estação Ferroviária, em 1873, o cenário da Rua da Constituição mudou radicalmente. A proximidade com o principal ponto de entrada para a cidade trouxe novos estabelecimentos comerciais para a via.

Armazéns, armarinhos e pequenos mercados se instalaram no local. Com destaque para o gênero alimentício e produtos importados, o comércio era procurado, principalmente, pelos imigrantes.


A HOMENAGEM



Durante a epidemia da febre amarela, um médico se destacou pelo seu exemplo de dedicação aos doentes. Além de não ter sido recrutado para vir à Campinas, Dr. João Guilherme Costa Aguiar, que era da cidade de Itu, foi uma das vítimas da doença.

Diante dos trabalhos realizados pelo médico, a Câmara Municipal decidiu, em 1889, alterar a denominação da Rua da Constituição para Rua Dr. Costa Aguiar.

A decisão dos vereadores foi tomada logo após seu falecimento. Somente em 1939 é que a denominação de Rua da Constituição foi redefinida para uma nova via, dessa vez, no bairro do Bonfim.

Ainda durante a época imperial, a Costa Aguiar era famosa pela presença de consultórios de médicos reconhecidos e muito procurados pela população campineira.


O SAUDOSO TEATRO MUNICIPAL



Construído em 1850, entre as ruas 13 de Maio e a Costa Aguiar, o Teatro São Carlos era uma das opções para o lazer da elite cafeeira de Campinas, que passava por um de seus melhores momentos após a expansão do café para o Oeste Paulista.

No entanto, em 1922, o Teatro parecia pequeno e não adequado ao porte da cidade. Após ser demolido, o novo Teatro Municipal foi inaugurado em 1930 com capacidade para 1,3 mil lugares.

Em um prédio majestoso que incluía grandes escadarias, lustre no saguão de entrada, paredes adornadas com pó de ouro; o teatro passou a ser denominado como Teatro Municipal Carlos Gomes, em 1959.

A Costa Aguiar, por sua vez, era o principal acesso aos camarins e palco do teatro. Por esse motivo, era comum a aglomeração de fãs para recepcionar os artistas que chegavam para as apresentações. Exemplos de grandes nomes da época e que causaram grandes tumultos foram Orlando Silva, Emilinha Borba, Marlene e Francisco Alves.



Em 1965, para tristeza de grande parte da população, o Teatro foi demolido por motivos até hoje questionados. Segundo registros, as explicações dadas alegavam falhas estruturais no prédio.

Outro “desastre” que merece destaque aconteceu em 1944. Inaugurado em 1927, o Cine República foi destruído após um incêndio.

Localizado no Largo da Catedral, na esquina da Avenida Francisco Glicério com a Rua Costa Aguiar, o cinema foi palco de grandes eventos da cidade.


O COMÉRCIO TOMA CONTA DA VIA



Influenciada pela expansão do café na cidade e pelo movimento cada vez maior na Estação Ferroviária, a Rua Costa Aguiar passou a receber os mais diversos tipos de estabelecimentos comerciais.

Para os visitantes, a via oferecia, também, hotéis e pousadas, conta Ivone Barbosa Alves, funcionária de uma loja de conserto de eletrodomésticos há mais de 30 anos. Ela lembra de como a via passou por mudanças. “Quando eu comecei a trabalhar aqui, a Costa Aguiar era muito diferente. Da metade pra cima, o movimento de visitantes em busca de hotéis era alto”.

Durante a década de 70, o trânsito de veículos no Largo da Catedral, composto pelas ruas 13 de Maio e Costa Aguiar, foi proibido. Com o objetivo de criar um calçadão, o local passou a ser denominado de Convívio da Catedral. A Rua 13 de Maio, inclusive, foi fechada até a Estação Cultura e, hoje, é considerada um shopping a céu aberto.



Com duas quadras exclusivas para o uso de pedestres, o comércio, que já tinha destaque na via, tomou conta em toda a sua extensão. Lojas de roupas, eletroeletrônicos, materiais de construção são alguns dos atrativos da Costa Aguiar.



Há 41 anos na via, José Tarciso Martins, 74, foi em busca, no entanto, de outro público alvo. Percebendo o aumento no número de veículos na região central, Martins resolveu abrir um estacionamento.

Meu avô teve a ideia do negócio após perceber que o local estava bem no meio da área comercial. Como um dos maiores problemas dos motoristas é encontrar lugar para estacionar o carro, ele abriu o estabelecimento”, comenta o neto Maurício Martins Libertini, 22, que toma conta do estacionamento.

Como diferencial, Maurício aproveita as redes sociais como forma de divulgação do local. “Meu tio toma conta e eu ajudo quando ele precisa, seja ficando aqui ou fazendo propaganda pela internet. O estacionamento na Costa Aguiar já faz parte da tradição da família e eu pretendo ajudar com o que for preciso.”

Apoio à Pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fontes: http://www.brasilcampinas.com.br/historias/22 / http://www.arteducacao.pro.br/comemorativas.htm

Autor: Juliana Ferreira


Fonte: www.emdec.com.br

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