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RUA DR. SALES DE OLIVEIRA


DO TRANSPORTE FERROVIÁRIO AO SOBFE PNEUS, SALLES OLIVEIRA MANTÉM SUA IMPORTÂNCIA NOS DESLOCAMENTOS



Mais de 70 mil passageiros passam diariamente pela rua

Cercada pela linha ferroviária e pelo túnel de pedestres, a Rua Dr. Salles Oliveira recebe cerca de seis mil veículos/dia, além de 12 linhas do transporte público que respondem pelo deslocamento de mais de 70 mil passageiros. Com 2500 metros de extensão, a via é responsável por ligar as regiões Norte e Oeste de Campinas ao Centro, fazendo parte do cotidiano de muitos trabalhadores da cidade.



Segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas – EMDEC -, pela Rua Dr. Salles Oliveira, chegam ao Centro pessoas dos bairros Chapadão, Castelo e Campo Grande, além de todo o fluxo recebido pela Avenida John Boyd Dunlop.

Mas toda essa importância para a mobilidade não é recente. Por sediar a Companhia Mogiana e o Matadouro Municipal, a via tinha uma grande movimentação de pedestres e ciclistas, na década de 50, numa época quando os veículos eram bem mais raros nas vias.

Às 17 horas, a sirene da Companhia Mogiana soava, marcando o fim do expediente, e os funcionários tomavam a rua, com destino as suas casas.

A rua também recebia as boiadas que iam para o Matadouro. Por isso, a primeira denominação que a via recebeu foi de Estrada da Boiada.

Mais tarde, o nome da rua escolhido tinha como objetivo homenagear Francisco de Sales Oliveira Júnior, engenheiro civil, que projetou a implantação de redes de água e esgoto na cidade, e trabalhou como diretor da Companhia Mogiana.


NOSTALGIA DOS VELHOS CARNAVAIS

Nos anos 40, a Rua Dr. Salles Oliveira era o palco do Carnaval de Campinas. Localizada na Vila industrial, a via recebia sambistas e expectadores para a festa, convivendo em total harmonia.

Nos dias de desfile, os moradores saiam à rua mais cedo, trazendo cadeiras próprias. Depois retornavam para casa, deixando no local a marcação de onde estariam com a família na hora do desfile. Cena jamais imaginada hoje, as cadeiras deixadas pela via nunca eram trocadas de posição, revelando o respeito que existia entre as pessoas.


Carnaval - 1948

O bloco carnavalesco "Nem sangue, nem areia" era uma das principais atrações. Os “cabeções”, bonecos comandados pelos foliões, faziam a alegria das crianças. Eles corriam inesperadamente na direção da plateia, ao mesmo tempo, assustando e animando o público.


Carnaval - 1948

O teatro “tourada” também fazia parte do bloco, com foliões fantasiados de touro e toureiro, escondidos sob uma capa. Além das fantasias convencionais e dos bonecos, algumas pessoas também saíam, no bloco, pedalando bicicletas enfeitadas.


Carnaval - 1949

E a vizinhança da Vila Industrial também era privilegiada aos domingos, quando todos se reuniam para assistir a shows na Praça Correa de Lemos, onde se localiza, hoje, o Teatro Castro Mendes.

O prédio era um cinema e foi transformado em teatro no ano de 1970, com capacidade para abrigar mil expectadores. Naquela década, a praça recebia os moradores do bairro para ouvir músicas, conversar e para as crianças brincarem.

A gente vinha com a família para assistir a bandinha, todos os domingos. Podia deixar as crianças na praça tranquilamente, porque não tinha violência e todo mundo se conhecia”, conta Maria José Resende da Silva, que morou no bairro, quando os filhos eram pequenos.


Teatro Castro Mendes

Atualmente, Maria José mantém uma banca de jornal na Rua Dr. Salles de Oliveira. “Não moro mais aqui, mas a vizinhança continua muito receptiva. Naquela época, tinha menos comércio e mais casas, mas ainda hoje é comum conhecer toda a vizinhança”, conta.

Outro destaque entre as opções de entretenimento da rua estavam os cinemas Cine Casa Blanca (localizado onde hoje é o Teatro Municipal Castro Mendes) e o Cine Rex. Os dois estão na lista dos três cinemas mais antigos de Campinas, ambos criados na década de 50.

O primeiro funcionou até 1970, quando foi transformado em teatro. O segundo funcionou até meados da década de 1980.


O COMEÇO DA VILA INDUSTRIAL

O bairro Vila Industrial foi o primeiro bairro operário de Campinas. Com tecelagens, metalúrgicas e a Companhia Mogiana, as casas da região eram em sua maioria pequenas, habitadas pelos trabalhadores.

A Vila Industrial também foi sede do primeiro Matadouro Municipal. A partir dele, foram criados curtumes e curtidoras nas proximidades. José Discola, morador do bairro, teve a ideia de recolher os miúdos do boi, que eram descartados pelo Matadouro, limpá-los e vendê-los para a população operária.

Ele fazia a limpeza dos miúdos em sua casa. Depois arrumava os produtos em uma caixa e os levava em sua charrete por todas as ruas. Para avisar que estava chegando, Discola tocava uma corneta, e os moradores entendiam o sinal.

O freguês podia escolher seu tipo de miúdo preferido e a quantidade. Como a ideia rendeu lucro, outras pessoas também começaram o mesmo tipo de venda. Essa atividade garantiu a Vila Industrial o apelido de “Bairro dos Bucheiros”.

José Díscola ganhou muito dinheiro com essa prática, já que não gastava nada para comprar os materiais. Parte da quantia foi investida em imóveis, e assim Discola foi dono de praticamente todo o quarteirão onde hoje fica a praça que leva seu nome.

Anos depois, quando o Matadouro foi desativado, Discola doou parte do terreno para a Prefeitura Municipal. A praça começou a ser montada em 1958, e foi urbanizada na década de 60. Na década de 80, era muito comum encontrar famílias reunidas ali. As crianças usavam o local para diversão, principalmente a área recreativa.

Em 2007, a praça foi revitalizada e reinaugurada. Para a comemoração, foram implantados equipamentos de acessibilidade, como rampas e piso podotátil.



A adaptação da praça foi uma iniciativa da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas – EMDEC, que também fica na Rua Dr. Salles de Oliveira. Criada e controlada pela Prefeitura de Campinas, a EMDEC é responsável pelas atividades da Secretaria Municipal de Transportes (Setransp).

Para isso, seus trabalhos envolvem planejamento, administração, gerenciamento e operação do sistema de trânsito e transporte público do município, envolvendo o transporte coletivo, serviços de táxis, transporte escolar e fretamentos.

Além da operação e fiscalização do trânsito, a EMDEC também opera diretamente o Pátio Municipal de Guarda e Recolhimento de Veículos; é um dos órgãos que integra a Central Integrada de Monitoramento de Campinas – CIMCamp; e responde pela gestão da concessão do Terminal Rodoviário Ramos de Azevedo; entre outras atividades.

A EMDEC conta com 777 funcionários e 300 agentes da Mobilidade Urbana para atender a cidade nas 24 horas do dia.


Fonte: www.emdec.com.br

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