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RUA FERREIRA PENTEADO


BARÃO DE ITATIBA: MORADOR, FUNDADOR E HOMENAGEADO COM VIA



Localizada na região central de Campinas, a Rua Ferreira Penteado mantém, em seus 1,5 mil metros de extensão, características originais. Além da presença de diversos prédios históricos, a via possui a mesma largura inicial, mesmo após o Plano Urbanístico Prestes Maia, que remodelou o Centro da cidade na década de 30.

A rua, no entanto, não ficou ilesa às mudanças. Como é de costume, o decorrer do tempo trouxe alterações, seja em sua extensão, já que inicialmente era composta apenas pela quadra entre a Avenida Francisco Glicério e a Rua Barão de Jaguara, seja pelas diversas denominações que já recebeu.

A mudança nas denominações se deve, principalmente, a influências externas. Quando surgiu, a via era popularmente conhecida como Rua do Carmo, em referência a uma importante via da capital do império, na época, o Rio de Janeiro.

A nomenclatura permaneceu a mesma até 1846, após a primeira visita do Imperador Dom Pedro I à cidade.

De Rua do Carmo, transformou-se em Rua do Pórtico.


A VISITA DO IMPERADOR

A visita de Dom Pedro I a Campinas marcou a história da cidade. Além das festividades, o evento trouxe novidades no cenário campineiro. Um exemplo está na esquina da Rua Ferreira Penteado com a Avenida Francisco Glicério.

O local em questão foi o escolhido para a construção de um pórtico, ou seja, um portal de entrada para a cidade. Construído em madeira e com bandeiras do Império, o arco passou a ser referência na via, que passou a ser chamada pela população como Rua do Pórtico.

De forma gradativa, a nova denominação passou a ser cada vez mais utilizada e, consequentemente, a Rua do Carmo caiu no esquecimento. Diante disso, em 1848, a Câmara Municipal aceitou a mudança e determinou que a via passaria a ser denominada, oficialmente, como Rua do Pórtico.


A HOMENAGEM



Em 1881, a via sofreu mais uma alteração: dessa vez, a homenagem estava concentrada nos importantes serviços prestados pelo Comendador Joaquim Ferreira Penteado, o Barão de Itatiba.

A construção de uma escola para a população campineira foi o principal motivo para que Barão de Itatiba recebesse a homenagem em uma das vias da cidade.


Escola Ferreira Penteado

Localizada na esquina da, até então, Rua do Pórtico com a Rua Regente Feijó, a Escola Ferreira Penteado, popularmente conhecida por “Escola do Povo”, era destinada à comunidade mais carente da cidade. Com ensino de boa qualidade e de forma gratuita, todas as despesas eram pagas pelo próprio fundador.

A escola foi inaugurada em 1880, suprindo de maneira significativa a falta de vagas necessárias na rede pública de ensino.

Diante dos serviços prestados pelo Barão de Itatiba à população, em 1881 foi determinada nova mudança na denominação da via: a antiga Rua do Pórtico passou a ser chamada, oficialmente, como Rua Ferreira Penteado.


O PALÁCIO DOS AZULEJOS


Palácio dos Azulejos

Construído com azulejos portugueses, cristais belgas, lustres franceses e mármores italianos, o luxuoso Palácio dos Azulejos era a moradia da família Ferreira Penteado.

Conhecido, também, como Solar do Barão de Itatiba, o local foi edificado bem em frente à Escola do Povo, ou seja, na outra esquina com a Rua Regente Feijó.

Internamente, o palácio abrigava duas residências distintas. A intenção era ficar o mais próximo possível do principal projeto da família.

Em 1908, com a saída dos herdeiros do Barão, o Palácio dos Azulejos foi utilizado para ser a sede oficial da Prefeitura Municipal de Campinas.

A partir de 1968, após reformas, a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (SANASA), passou a se instalar no prédio até 1995, quando se transferiu para a sede atual na Avenida da Saudade.

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (CONDEPACC), o prédio está sob o controle da Secretaria Municipal da Cultura, passando a abrigar o Museu da Imagem e do Som e parte do Arquivo Municipal.


AS VELHAS SALAS DE CINEMA NO CENTRO

Foi na esquina das ruas Ferreira Penteado (então, Rua do Pórtico) com a Irmã Serafina que se instalou a tipografia do primeiro jornal periódico de Campinas. Denominado como Aurora Campineira, o impresso foi inaugurado em 1858.

A ideia inicial, no entanto, era direcionada para a produção de informes publicitários do comércio local. Com o crescimento, também, da população da cidade, que, no momento, alcançava 7 mil habitantes, passou a ser produzido, também, o jornal informativo.

Além das notícias, os irmãos Theodoro, fundadores do jornal, usavam o meio para críticas e denúncias. Por esse motivo, sofreram perseguições e diversos processos.

Com 120 assinantes, o jornal Aurora Campineira manteve suas atividades por apenas dois anos.


O BARÃO DE ITATIBA


Solar do Barão de Itatiba, quando ainda de sua propriedade

O Comendador Joaquim Ferreira Penteado ganhou o título de barão em 1882, passando então a ser conhecido como Barão de Itatiba. Pela importância na história da cidade e respeito adquirido, era chamado, também, de O Ferreira Velho.

Um dos maiores fazendeiros da região, Barão de Itatiba nasceu na vila de São Roque em 1808 e veio para Campinas ainda jovem.


CURIOSIDADES

- Na esquina da Ferreira Penteado com a Rua José Paulino instalou-se o primeiro quartel de corpo de bombeiros da cidade. Coliseu Taurino Campineiro

- Também no mesmo local, a primeira Igreja Metodista de Campinas marcou o inicio das atividades da nova religião na cidade.

- Em frente à Praça Nove de Julho, a presença de um bebedouro transformou o local em um estacionamento de carroças de transportes das cargas geradas pela Estação Ferroviária e depois os primeiros caminhões.


Coliseu Taurino Campineiro

- Por influência da imigração européia no início do Século XX, foi criado, em 1905, o Coliseu Taurino Campineiro para apresentações de toureiros reconhecidos nacionalmente. O local ficava instalado na esquina com a Rua Antônio Cezarino.

Apoio à Pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fontes: www.canaldaimprensa.com.br

Autor: Juliana Ferreira


Fonte: www.emdec.com.br

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