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RUA IRMÃ SERAFINA


RUA IRMÃ SERAFINA – UMA PEQUENA GRANDE VIA



Muita gente que passa diariamente pela Rua Irmã Serafina não imagina que em um espaço tão curto estejam instalados destaques do patrimônio cultural de Campinas. A via conta apenas com mil metros de extensão.

Considerada um espaço de passagem para os usuários do Corredor Central, a Rua Irmã Serafina abriga marcos da cidade no campo do lazer, da arquitetura, do transporte e da cultura; mas acaba sendo ignorada por grande parte da população, que a confunde como extensão da Avenida Anchieta.

Entretanto, a via tem seus méritos e uma rica história, por sediar a Praça Carlos Gomes, o Edifício Itatiaia, o Clube Semanal de Cultura Artística e, mais recentemente, uma Estação de Transferência do Transporte Público.


HERANÇA DE NIEMEYER



O destaque na arquitetura fica por conta do Edifício Itatiaia. Único projeto de Oscar Niemeyer em Campinas, que teve sua construção iniciada em 1953. O Itatiaia conta com 15 andares e 60 apartamentos e foi o primeiro prédio da rua. São quatro apartamentos distribuídos por andar, todos com medidas diferentes.

Projetado para uma cidade tranquila, inicialmente, o prédio não recebeu muros nem grades; e sua estrutura é marcada por pilares no andar térreo, que garantem a sustentação da obra. Dessa maneira, Niemeyer integrou o espaço público e o particular, deixando acesso livre entre a Rua Irmã Serafina e a Rua Coronel Rodovalho, onde está a parte de trás do prédio.

Outra característica do prédio são as “ondas” na parte de trás, que marcam a arquitetura moderna e servem para proteger os apartamentos dos fundos da luz solar, principalmente no período da tarde, funcionando como um quebra sol.

A obra foi concluída para moradia em 1960. Tempos depois, com o aumento da insegurança urbana, a ideia de acesso livre na parte de baixo foi deixada para trás, e hoje em dia o prédio tem grades.


DAS ÁGUAS AO ASFALTO


O local onde hoje fica a Rua Irmã Serafina era um caminho de terras úmidas, o que atrasou o surgimento da via. As águas da região foram canalizadas e formaram o Córrego do Tanquinho, que se encaminhava seguindo o direcionamento atual da Avenida Anchieta, onde se localiza a Prefeitura de Campinas.

Devido à grande disponibilidade de água, um bebedouro para os animais foi edificado na esquina com a Rua General Osório; e uma bica foi construída para uso da população, que ficou conhecida como Bica Grande. O caminho usado como rua se tornou então a Rua da Bica Grande.

Em setembro de 1848, esse nome se tornou oficial por decisão da Câmara Municipal. Já em 1872, por ocasião das festividades e das comemorações pelo cinquentenário da Independência do Brasil, a rua passou a se chamar Rua Sete de Setembro.



Então, em abril de 1889, a Câmara Municipal alterou o nome da rua, de Rua Sete de Setembro para Rua Irmã Serafina, em homenagem à dedicação da freira com os pacientes contagiados pela febre amarela.

Naquele ano, a febre amarela castigou a população campineira. No mês de fevereiro de 1889, foi registrado o primeiro óbito causado pela doença. A partir daí, um surto epidêmico matou quase 70% da população de Campinas em apenas seis meses.

Na época, a doença lotou o pavilhão de isolamento da Santa Casa; e as freiras se prontificaram a cuidar dos pacientes.

Maria dos Serafins Favrè, de origem francesa, conhecida como Irmã Serafina, já trabalhava na Santa Casa desde 1876 e foi uma das irmãs que se dedicou ao trabalho no hospital ambulante. Quase todas as freiras que trabalharam no cuidado dos pacientes foram contagiadas pela febre amarela, mas somente Irmã Serafina morreu.


IMPORTÂNCIA ATUAL – ESTAÇÃO E PRAÇA CARLOS GOMES



Hoje, como via integrante do Corredor Central, a Rua Irmã Serafina recebe cerca de 16 mil usuários do transporte público diariamente, e ganhou, em novembro de 2009, uma Estação de Transferência, que atende a 27 linhas do Sistema InterCamp.

Os investimentos da Prefeitura na obra têm a aprovação dos usuários.

Roseli Cristina Lourenço afirmou que a nova Estação revitalizou todo o espaço. Já Andréia dos Santos também comenta que a Estação facilitou o acesso aos ônibus.

E os comerciantes também comemoram. “A via ficou muito mais movimentada”, conta a atendente de padaria Beatriz de Barros.

Gerlânia Maria Souza de Lima, atendente de lanchonete, também se sente beneficiada com o aumento do movimento: “A Estação é nova, mas acho que já deu uma boa melhorada para os comerciantes”, afirmou.


A PRAÇA CARLOS GOMES



Além da Estação de Transferência, outro ponto de destaque da rua é a Praça Carlos Gomes, considerada uma das principais áreas de lazer no Centro de Campinas.

A praça conta com um jardim que foi projetado por Ramos de Azevedo, o arquiteto que também empresta o nome ao Terminal Multimodal de Passageiros de Campinas (Nova Rodoviária).

No passado, a Praça era utilizada por lavadeiras, que estendiam suas roupas por todo o capinzal depois de lavá-las no chafariz existente.

Em 1880, a praça recebeu o nome do compositor Carlos Gomes, nascido na em Campinas.

Antônio Carlos Gomes, inclusive, morou na Rua Irmã Serafina. Ainda criança, logo depois da morte de sua mãe, ele se mudou para uma casa na esquina da Rua das Casinhas (atual Rua General Osório) com a Rua da Bica Grande (atual Rua Irmã Serafina), com o Maestro Santana Gomes, seu pai.



Em 1883, a praça foi enfeitada com palmeiras imperiais, sob orientação de Ramos de Azevedo.

Anos depois, em 1914, o coreto foi construído. A partir daí, o local começou a oferecer programação semelhante à do Centro de Convivência, como concertos populares de bandas, transformando a praça num ponto de encontro para lazer e cultura.

Atualmente, a Praça Carlos Gomes recebe o projeto “Noite da Seresta”, da Secretaria Municipal de Cultura, que já trouxe artistas como Guilherme Arantes, Eduardo Araujo, Cauby Peixoto, Wando, entre outros.

Além dos grandes nomes, o projeto abre espaço para dois artistas locais, sempre na última sexta-feira do mês.



CURIOSIDADES

O Clube Semanal de Cultura Artística também fica na Rua Irmã Serafina. Fundado em 1857, teve como um de seus fundadores Bento Quirino. Originalmente, o clube servia para reuniões semanais sobre política e arte.



Sua primeira sede foi na esquina da Rua Regente Feijó com a Barreto Leme. O Clube foi palco de apresentações da soprano campineira Maria Monteiro e do compositor Carlos Gomes, entre outros grandes nomes da época.

Até hoje, o piano tocado por Carlos Gomes faz parte do acervo do clube. Com mais de 150 anos de história, esse foi o primeiro clube brasileiro a ter uma sede.

A sede atual já foi inclusive um cinema, de estrutura simples, cercado de madeira e coberto com folhas de zinco, chamado Cine Coliseu.

Apoio à Pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fotos: Acervo EMDEC

Fontes Complementares: Ruas da época imperial – Edmo Goulart / Associação Comercial e Industrial de Campinas – ACIC

Autor: Marília Varoni


Fonte: www.emdec.com.br

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