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RUA LUZITANA


RUA LUZITANA HOMENAGEIA O POVO PORTUGUÊS



A Rua Luzitana é uma das vias com grande importância histórica no Centro de Campinas. Com início na Rua Proença, no Bosque; e término na Rua Major Sólon, já no Centro, a via é cortada por grandes avenidas: a Aquidaban, Dr. Moraes Salles e Benjamin Constant.

Apesar da aparente tranquilidade em alguns de seus trechos, a Rua Luzitana apresenta nos horários de pico lentidões, sobretudo pelo fluxo diário de cerca de 4.500 carros e por ser uma via estreita. Vale ressaltar que com essa característica não recebe linhas do transporte urbano que, normalmente, contam com pontos de embarque e desembarque nas avenidas que cruzam essa via.

A Rua Luzitana surgiu como uma estrada, caminho de passagem de São Paulo rumo ao sertão. Pela sua localização em relação às demais ruas do entorno, a via foi chamada de “Rua de Baixo”.

No decorrer do tempo, recebeu moradores e comércio, a maioria era portuguesa, que passaram com a venda de secos e molhados, armarinhos, ferragens e carnes a fazer concorrência à “Rua do Comércio” (atual Rua Doutor Quirino). Em 1860, a Luzitana passou a ser conhecida como “Rua da Quitanda”.

Como a Câmara Municipal, na época, não tomou providências para viabilizar a mudança de nome, os próprios moradores colocaram tabuletas nas esquinas, com o nome de “Rua do Ouvidor”, cargo da Corte responsável por levar as reclamações do povo ao rei, num sinal de protesto.

Mas a forte presença portuguesa no local motivou os vereadores a denominarem a via como Luzitana, em homenagem ao povo luso (português), em 1871.

Com a revolta armada, em 1893, no Rio de Janeiro; e dos federalistas, no Sul do país, as relações diplomáticas entre os dois países ficaram estremecidas, e o nome da via foi substituído para General Carneiro, em homenagem ao oficial morto em combate; mas em 1922, a antiga denominação foi retomada.


A TRANQUILIDADE EM MEIO À AGITAÇÃO


Início da Rua Luzitana

Conceição Roque Corrêa, 84, está na Rua Luzitana há 43 anos. Conceição e o marido abriram um pensionato para jovens na via. “Segui o conselho da minha irmã e abri a pensão aqui”.

Exclusiva para mulheres, a pensão funcionou por 13 anos em uma casa alugada na própria via. Com o passar do tempo, o casal comprou um terreno na última quadra e continuou com o estabelecimento.

Conceição conta que já chegou a ter 25 estudantes. Hoje, tem apenas seis. “Eu fiquei doente por um tempo e acabei reduzindo o atendimento.


Final da Rua Luzitana

Já em relação à Rua Luzitana, Conceição confirma a tranquilidade de viver nessa rua. “No trecho, em que moro, é muito tranquilo. Nunca tivemos problemas com assaltos e trânsito, nem parece que estamos no Centro.”


CRUZAMENTOS COM MUITA HISTÓRIA

- Rua Luzitana x Praça Doutor Toffoli

Um dos mais tradicionais hospitais da cidade está instalado na esquina da Rua Luzitana com a Praça Doutor Toffoli, a Casa de Saúde de Campinas. Atualmente, o Hospital é uma Sociedade Filantrópica sem Fins Lucrativos, com 1.263 sócios; e cerca de 25 especialidades médicas.


Casa de Saúde de Campinas

Fundada em 1881 e denominada como Circolo Italiani Uniti, a instituição surgiu para atender às necessidades educacionais dos filhos dos imigrantes italianos e servir como Casa de Caridade e Centro Cultural para a comunidade ítalo-brasileira de Campinas.

Em 1942, o hospital passou a ser denominado Casa de Saúde de Campinas, homenageando a cidade na qual se localiza, sem deixar de mencionar sua denominação original “Circolo Italiani Uniti”.


-Palco de formação e informação

A Luzitana também é palco de formação e informação. Em um dos seus cruzamentos está o tradicional Colégio Bento Quirino.

Conhecido como Campus Jequitibás, o Colégio Politécnico Bento Quirino está na esquina da Rua Luzitana com a Barreto Leme, há três anos. No entanto, a fundação, já na Rua Benjamin Constant, aconteceu em 1910, sendo considerado o primeiro Colégio Técnico Profissionalizante de Campinas e o terceiro do país.

Hoje, o colégio conta com aproximadamente 2600 alunos distribuídos em suas três unidades, oferecendo cursos técnicos profissionalizantes para alunos que concluíram o Ensino Médio ou não, além de Cursos de Especialização em Nível Médio.


Teatro Bento Quirino

Nas proximidades do Colégio, também está instalado o Teatro Bento Quirino, muito utilizado para formaturas e bailes da escola. O teatro foi tombado, em 1988, pelo CONDEPACC, sendo mantidas, portanto, suas características históricas.



E quem passa pelo cruzamento da Luzitana com a César Bierrembach, mal pode imaginar que nesse local já funcionou o jornal mais antigo em circulação em Campinas.

Fundado por Álvaro Ribeiro e Antônio Franco Cardoso, em 1912, o jornal Diário do Povo manteve suas estruturas até a década de 1950, quando passou para a Rua César Bierrenbach.

Hoje, o jornal atende mais 23 cidades da região, porém, desde 1996, está sob o comando do Grupo RAC (Rede Anhanguera de Comunicação), agora, com sede na Vila Industrial.


-Espaço aberto à religiosidade

A religiosidade também tem espaço nessa via. Na esquina da Luzitana com a Rua Cônego Cipião, fica a Paróquia São Benedito, criada em 1966.


Igreja de São Benedito

No entanto, a devoção ao Santo e a construção de um templo consagrado a ele é bastante antiga, data desde 1839. A realização dessa iniciativa deve-se ao escravo liberto Tito de Camargo Andrade, mestre Tito, como era conhecido.

Mestre Tito sonhava com um templo onde os escravos se sentissem no que era seu, para louvarem a Deus como os brancos faziam. Para isso, buscava esmolas e donativos de porta em porta; conseguindo, assim, um terreno junto ao cemitério de escravos.

No entanto, o velho devoto de São Benedito não pôde ver concretizado o seu sonho, pois morreu em 1882. Após o seu falecimento, as obras ficaram paralisadas e a igreja só foi concluída em 1885.

O retrato do mestre Tito encontra-se no interior do templo. Em 1897, o Colégio São Benedito, primeira escola para negros no Brasil, passou a funcionar, em um prédio anexo ao templo.

Também instalada na Rua Luzitana, a primeira Igreja Presbiteriana de Campinas tem sua sede desde 1870. Após a Guerra de Secessão dos Estados Unidos, muitos sulistas norte-americanos emigraram para o Brasil e buscaram Campinas pela proximidade com a forte colônia norte-americana instalada em Santa Bárbara. Esses imigrantes trouxeram a igreja para a cidade campineira.


Colégio e igreja Presbiteriana

Na mesma época, foi fundado, ao lado da igreja, o Colégio Presbiteriano “Eduardo Lane” para atender imigrantes norte-americanos.

Hoje, o templo tem capacidade para 500 pessoas, além de dois prédios anexos para educação religiosa, secular e de formação missionária, contando ainda com o próprio colégio que oferece Educação Infantil e Ensino Fundamental.

Apoio à pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fontes: http://www.saobeneditocampinas.com.br/nossa_historia.html / http://www.bentoquirino.com.br / http://www.casadesaudecampinas.com.br / http://www.ipicamp.org.br/ins2.php

Autor: Juliana Ferreira


Fonte: www.emdec.com.br

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