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RUA MARECHAL DEODORO


VIA HOMENAGEIA MARECHAL DA REPÚBLICA



Assim como diversas cidades ao redor do mundo, Campinas também possui uma via em homenagem à Proclamação da República.

Localizada no Centro da cidade, a Rua Marechal Deodoro faz referência a um dos responsáveis pela proclamação e primeiro presidente do país.

Em toda a sua história, a via já mudou de dimensões e denominações. Inicialmente foi composta apenas pelas quadras entre a Rua Doutor Quirino e a Avenida Francisco Glicério. Hoje, a via tem 550 metros de extensão, com início na Rua Dr. Ricardo e desce até a Rua Luzitana.

As denominações, por sua vez, são uma das maiores curiosidades da via. Por volta de 1817, ficou conhecida, popularmente, como Rua do Picador pela presença de um morador que adestrava cavalos. Aos finais de semana, o adestrador fazia apresentações com os animais e abria o “picadeiro” para visitação pública. O local se tornou um dos principais pontos de lazer da população.

No entanto, em 1848, dois anos após a visita do Imperador Dom Pedro II à cidade, a Câmara Municipal decidiu, por meio de votação, que uma das vias de Campinas deveria homenagear a monarquia. A escolha foi feita e a antiga Rua do Picador passou a ser denominada, oficialmente, como Rua do Imperador.


DE IMPÉRIO À REPÚBLICA



Com o enfraquecimento da realeza, no final da década de 1880, os militares insatisfeitos com o Imperador, em conjunto com os partidos a favor da República, organizaram um golpe de Estado contra a monarquia.

Assim, no dia 15 de novembro de 1889, Marechal Deodoro da Fonseca assinou o manifesto proclamando a República no Brasil.

Como aconteceu em todo o país, o poder político de Campinas era, predominantemente, republicano. Logo após a proclamação, os vereadores determinaram, com apenas um voto contrário, que a Rua do Imperador passaria a homenagear o novo presidente do país, se tornando Rua Marechal Deodoro.


REDUTO DAS LETRAS E ARTES


Cadeia Pública Municipal - 1897

A Rua Marechal Deodoro já recebeu diversos estabelecimentos de grande importância histórica para a cidade. Em 1888, passou a ser endereço da primeira sede da Força Pública de Campinas e, algumas quadras à frente, da Cadeia Pública.


Escola Modelo de Campinas - 1900

Já na esquina com a Rua Sacramento, estabeleceu-se a Escola Modelo de Campinas, o segundo grupo escolar da cidade. Inaugurada em 1900, foi transferida para a Rua Costa Aguiar, em 1907, e passou a ser chamada de Escola Dr. Quirino dos Santos.

Outra referência é uma das mais tradicionais universidades da cidade. O prédio onde hoje está instalada a Pontifícia Universidade Católica de Campinas, no Centro, pertenceu ao fazendeiro Barão de Itapura. A casa, uma das maiores na época, foi construída em 1883 e doada à Diocese de Campinas, em 1952.

Apesar de ter passado por diversas reformas para abrigar funções educacionais, o “palacete” foi tombado pelo CONDEPHAAT, em 1983, e pelo CONDEPACC, em 1988.



Na Marechal Deodoro, desde 1976, a Academia Campinense de Letras é um espaço reservado à literatura em Campinas. Fundada em 1956 com o objetivo de reunir os literários da cidade, a Academia é composta por 40 membros efetivos e perpétuos, eleitos em votação secreta, assim como acontece na Academia Brasileira de Letras.

Além dos encontros dos acadêmicos, o prédio é utilizado, também, para exposições de artes, apresentações musicais, lançamentos de livros e eventos de associações, como a Casa do Poeta e a Maçonaria.

Curiosamente, em 1970, um jornalista se desentendeu com o presidente da Academia da época e recusou a tomar posse, após ser escolhido na votação. Com o ocorrido, fundou a Academia Campineira de Letras e Artes. Dessa forma, Campinas passou a ter duas academias literárias.


HISTÓRIAS QUE SE CRUZAM



A Marechal Deodoro mantém características históricas. Trechos com paralelepípedos e quadras exclusivas para o uso de pedestres e pequenos estabelecimentos comerciais relembram o passado das pequenas vilas.

Nascido em Pontal, interior de São Paulo, Etore Marostegan, 77, veio para o bairro Botafogo com 12 anos. “Eu sou do tempo que os jovens saíam daqui do bairro para passear na Rua 13 de Maio”, relembra Etore.

Com a proximidade da Companhia de Força e Luz, onde hoje está o Terminal Multimodal Ramos de Azevedo, e da FEPASA, a família Marostegan decidiu abrir, em 1951, um armazém em uma das esquinas da Marechal Deodoro, na época, caminho dos funcionários ao local de trabalho.

Denominado como “Irmãos Marostegan”, o mercado passou de geração em geração. Do pai para Etore; e hoje nas mãos do sobrinho. “Apesar de sofrermos com a concorrência de grandes supermercados, me sinto bem em cuidar de um patrimônio da família”, afirma.

Em outra esquina, Odinei Cria, 73, também segue a tradição familiar. O pai de Odinei abriu um pequeno boteco há 71 anos. Localizado, primeiramente, na Benjamin Constant, Odinei decidiu mudar para a Marechal Deodoro devido ao crescimento do antigo supermercado Eldorado.

A mudança, no entanto, não afastou a clientela. “Moro no bairro desde pequeno e sempre ajudei meu pai nas vendas. Tenho clientes que frequentam aqui desde o início, esse é o maior motivo para continuar com o comércio”, declara.


QUEM FOI MARECHAL DEODORO?



Militar, abolicionista e republicano por convicção, Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, participou da Guerra do Paraguai durante os cinco anos de luta.

Proclamou a república brasileira em 15 de novembro de 1889 e se consolidou primeiro presidente do país.

Em 1892, com as graves crises financeiras que assolaram o país, Marechal Deodoro renunciou o cargo da presidência. No seu lugar, assumiu seu vice-presidente, Marechal Floriano Peixoto.

Apoio à pesquisa: Wagner Paulo dos Santos

Fontes: http://www.academiacampinensedeletras.com.br/

Autor:Juliana Ferreira


Fonte: www.emdec.com.br

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