Home‎ > ‎As Ruas de Campinas/SP‎ > ‎

RUA ONZE DE AGOSTO


ONZE DE AGOSTO – DATA DA PRIMEIRA VIAGEM DO TREM CAMPINAS-JUNDIAÍ DEU NOME À VIA



O dia 11 de Agosto tem comemorações suficientes para ser escolhido como denominação de vias em todo o país.

As homenagens no calendário brasileiro começam com a lei de criação de cursos de Direito no Brasil, em 1827, pelo imperador Dom Pedro I. A partir desse decreto, a data passou a ser destinada ao Dia do Advogado. Uma curiosidade é que, por esse motivo, ficou também conhecida como o "Dia da Pendura", uma tradição do início do Século 20. Neste dia, os estudantes de Direito costumavam comer de graça em estabelecimentos que já frequentavam. A isenção do pagamento era garantida pelos comerciantes como uma homenagem. A data é até hoje temida nos restaurantes, pois os comerciantes dizem que a tradição de comer sem pagar ainda persiste, mesmo que em menores proporções.

Além disso, a data é reservada ao Dia da Televisão. Apesar da primeira transmissão televisiva no Brasil ter acontecido em 18 de setembro de 1950, quando foi inaugurada a primeira emissora brasileira, a TV Tupi, canal 4, o dia para comemorar a invenção, que é considerada a grande revolução no mundo das comunicações, ficou para o dia 11 de agosto, em homenagem a sua padroeira, Santa Clara, nascida neste dia.

As comemorações, no entanto, não param por aí. Onze de agosto é, também, o Dia do Estudante e do Garçom. Em Campinas, mais especificamente aos apaixonados pelo time mais antigo do Brasil, a Associação Atlética Ponte Preta, que acabou de comemorar, em 2010, seus 110 anos de fundação.

Por incrível que pareça, nenhum desses motivos explica a denominação da Rua 11 de Agosto, localizada no Centro de Campinas.

Em Campinas, o nome da rua foi escolhido em comemoração à data de inauguração do serviço ferroviário na cidade, por sugestão do vereador Alves Cruz.

A inauguração aconteceu no dia 11 de agosto de 1872, quando circulou, pela primeira vez, o trem ligando Campinas e Jundiaí da antiga Companhia Paulista de Estradas de Ferro (hoje incorporada na Ferroviária Paulista S.A. – FEPASA). Era o início do tráfego ferroviário, que viria dar maior impulso ao progresso de uma vasta e rica região de nosso Estado. Antes, essa rua era denominada como “Rua do Campo”.


A VIA E O TRÂNSITO



Em toda sua extensão, a Rua 11 de Agosto apresenta diversos pontos relacionados com o trânsito de Campinas. Com início na Praça Dr. Heitor Penteado, no cruzamento com a Avenida Campos Salles, e término na Rua Saldanha Marinho, possui instalações como a Transurc, pontos de ônibus, ponto de táxi e hotéis. A proximidade com a antiga Rodoviária de Campinas e hoje, também do novo Terminal, motiva a procura de hotéis instalados na região.

José Wilton da Silva é proprietário do Hotel Astral há 20 anos. Ele conta que abriu o negócio, que nasceu inicialmente como pensão, com um amigo. Com o passar do tempo, decidiram reformar e transformar o local em um hotel, atualmente com 12 quartos.

Silva afirma que seleciona o público que procura uma vaga, “Não deixo qualquer um entrar aqui, principalmente como forma de segurança. Eu vivo disso e prefiro tomar cuidado”.

Um quarteirão à frente, encontra-se à Praça Luís de Camões e, com ela, o ponto de táxis. No total são 14 veículos, um deles de David Souza de Oliveira, taxista desde 1988 na Rua 11 de Agosto.

Em relação ao movimento, Oliveira afirma que melhorou depois da saída da garagem de ônibus intermunicipais para a nova Rodoviária. “A mudança ajudou os taxistas daqui, mas nosso maior público continuou sendo os idosos que saem dos hospitais e prontos-socorros da região.”

Hoje, a Rua 11 de Agosto é uma importante via de passagem do transporte urbano. Por ela, passam 26 linhas do Sistema InterCamp.


PRAÇA LUÍS DE CAMÕES



Ao lado do ponto de táxi, está instalada a Praça Luís de Camões, que foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas – CONDEPACC, em 2008. As justificativas para o tombamento estão na “importância ambiental do local, com exemplares vegetais valiosos e centenários, bem como seus valores históricos dedicado ao poeta Luís Vaz de Camões, demonstrando os vínculos nacionais entre Portugal e Brasil.”

Com o tombamento, ficou definida a preservação de todos os exemplares das espécies vegetais, o monumento/busto de Luís Vaz de Camões, o desenho do traçado interno da Praça Luís de Camões, correspondendo os caminhos, os canteiros e o desenho do calçamento da praça no modelo mosaico português.


TRANSURC



Na altura do número 757 está a sede da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas, a Transurc. Fundada em 1987, é uma associação que reúne todas as empresas que atuam no transporte coletivo urbano de Campinas.

Instalada nessa via desde 2003, a sede é um importante espaço de fluxo de pedestres pela venda/comercialização do Bilhete Único. No espaço, são atendidas empresas e usuários, em busca do Vale-Transporte, do passe escolar; idosos, que se cadastram para retirar o Bilhete Único Idoso; e os usuários que necessitam do Passe Gratuito.

Vale lembrar que Campinas foi a pioneira na implantação do Sistema de Bilhetagem Eletrônica no setor de transporte coletivo urbano no Brasil. O início da operação, controlada pela Transurc, ocorreu em novembro de 1997. Até novembro de 2004, a maioria dos usuários do transporte coletivo urbano de Campinas utilizava os cartões com tarja magnética. Atualmente, a EMDEC controla todo o sistema de Bilhetagem Eletrônica na cidade.


TRADIÇÃO NA VIA

Há 51 anos, a família Cuciolli decidiu abrir uma loja de montagem de guarda-chuvas na Rua 11 de Agosto.

O comércio virou tradição da família e está no mesmo local, onde surgiu, até hoje. Os irmãos Adilson e Antônio Cuciolli são os atuais proprietários, porém, apenas com a revenda para o atacado e varejo. “Com o mercado chinês, a montagem passou a ser uma desvantagem. Nós revendemos e consertamos”.

Eles contam que, inicialmente, as peças para a montagem dos guarda-chuvas e sombrinhas vinham do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O pai, por sua vez, montava e vendia.

Para continuar a tradição, Augusto Cuciolli, filho de Adilson, já pensa em assumir o comércio e o pai garante: “É ele quem sabe, eu não vou obrigá-lo a nada”.


BENEFICÊNCIA PORTUGUESA GANHOU FAMA COM IMPERADOR



Em 1873, a Sociedade Portuguesa de Beneficência nascia com a missão de prestar assistência médica aos portugueses que moravam em Campinas.

Francisco Gonçalves Ferreira Novo, primeiro presidente da entidade, levantou recursos por meio de contribuições, doações e venda de títulos. O capital foi investido na construção do hospital, iniciada em 1877.

As obras terminaram dois anos depois. A partir de então, o corpo clínico e as instalações foram ganhando reconhecimento da população campineira e de figuras ilustres da História do Brasil.

A Princesa Isabel e o imperador Dom Pedro II conferiram fama ao Hospital Beneficência em visitas oficiais e a monarquia de Portugal intitulou a Sociedade como Real, em 1907.

Hoje, a Beneficência estendeu seus serviços à sociedade de Campinas e região. Atualmente, são cerca de 20 mil pacientes por mês, amparados por 43 especialidades médicas.

Em 2006, o hospital foi tombado como bem de interesse histórico, arquitetônico e urbanístico da cidade, sendo inserido no grau de proteção às fachadas, o salão nobre, a capela e o restante do edifício, além da área externa, na divisa com a Rua 11 de Agosto; os muros, os gradis, as luminárias ornamentais antigas, os jardins e a calçada de mosaico português.

A reportagem também tentou ouvir representantes do Hospital Vera Cruz para incluí-los nesta matéria, mas em razão do tempo para agendamento da entrevista não foi possível entrevistá-los.


HOSPITAL VERA CRUZ



Fundado em outubro de 1943, o Hospital Vera Cruz iniciou suas atividades com um grupo de dez sócios, alguns deles do corpo clínico da Beneficência Portuguesa. O lema, ainda atual, é “Um hospital de médicos para médicos”.

Em 1961, o Hospital criou o primeiro atendimento de Pronto-Socorro privado na cidade e, em 1965, passou a contar com seu próprio plano de saúde através da Vera Cruz Associação de Saúde, seu principal acionista.

Em 1995, o Hospital inicia um importante projeto de ampliação de suas instalações. A obra, finalizada em julho de 2002, soma mais 9.800 m² à área já existente. Com o início das atividades no novo bloco, a Recepção do Vera Cruz muda de endereço e passa a funcionar na Rua Onze de Agosto, 495, deixando a Andrade Neves, onde funcionou sua entrada principal por mais de 50 anos.

Hoje, o Vera Cruz possui cerca de 160 leitos, divididos em quartos coletivos, quartos privativos e apartamentos, além de leitos de terapia intensiva (UTI) e neonatologia.

Fontes: www.transurc.com.br / http://www.campinas.sp.gov.br/bibjuri/condepac.htm / http://hospitalveracruz.locaweb.com.br/home.asp / http://www.beneficenciacamp.com.br

Autora: Juliana Ferreira


Fonte: www.emdec.com.br

 ‎VOLTAR