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RUA SANTA CRUZ


RUA SANTA CRUZ: DOS TEMPOS DA INDÚSTRIA AOS DIAS DE LAZER



A Rua Santa Cruz concentra um recanto natural da cidade. Localizada no Cambuí, ela se destaca em meio ao movimento de carros e pedestres pela intensa arborização, proporcionando às pessoas contato direto com a natureza.

Pela manhã, a praça XV de Novembro, localizada nessa via, é tomada por pessoas em busca de lazer e bem-estar. O ambiente é ideal para caminhadas e passeios. A praça conta também com um parque para as crianças, que podem se divertir com total segurança.

O destaque da praça fica por conta dos flamboyants, dois deles, árvores centenárias. As primeiras sementes dessa árvore foram trazidas da França para a cidade por João Bierrembach, um importante comerciante da época. Primeiro, ele as plantou em sua chácara, e depois na praça. Hoje, o local é tomado não só pelos flamboyants, mas por vários tipos de árvores.

A praça é considerada um agradável ponto de encontro desde 1800. Nos tempos dos bandeirantes, ela era conhecida como o pouso de Santa Cruz, e oferecia abastecimento e descanso para os viajantes.

Para agradá-los, um “pouso real” foi construído no local. Era uma estrutura feita em taipa de pilão, para compor a infraestrutura necessária ao intenso trânsito de pessoas e produtos agrícolas, que eram transportados em lombo de burro ou carros de boi, entre os sertões e as vilas paulistas.

Com o tempo, o comércio de suprimentos e serviços para as tropas (como celeiros, ferreiros e artífices) foi se desenvolvendo na região, transformando-a em uma das melhores paradas da Estrada dos Goiases. O pouso é, inclusive, considerado uma das três campinas que deu origem à cidade. Passando por ele, os viajantes tinham a opção de saídas para Minas Gerais, para o Alto Goiás e Mato Grosso. O pouso foi demolido em 1868, quando oficinas e fábricas começaram a tomar conta do local.


O DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL

As primeiras indústrias de Campinas se instalaram na região do Largo da Santa Cruz. Os irmãos Bierrembach, donos de indústrias de máquinas agrícolas, trabalhos em fundição e fábrica de chapéus na região, empregavam mais de 300 pessoas.

Também foram instalados estabelecimentos comerciais do ramo alimentício, vendidos no atacado; de serviços, com oficinas destinadas aos tropeiros, suas tropas e suas carroças; e botequins e depósitos de bebidas vindas dos diversos engenhos próximos.


PINGA JÁ DEU NOME À RUA



Curiosamente, a Rua Santa Cruz já foi conhecida como “Rua da Pinga”.

Por volta de 1800, a cidade de Campinas era destaque na produção de cana-de-açúcar. A rua tinha muitos botecos, responsáveis por um intenso comércio da bebida para viajantes, tropeiros e comboeiros de escravos.

O espaço da praça reunia os viajantes em festas, tanto as profanas quanto as religiosas, celebradas em torno do cruzeiro. Com muita viola e catira, a fama do bairro ficou por conta das mulheres e da pinga dos alambiques locais.

Houve até uma época em que os blocos carnavalescos se formavam na então Rua da Pinga; e daí seguiam pelas ruas Luzitana e Dr. Quirino, até o Centro da cidade.

Com a instalação de indústrias na região, a população local aumentou; e foram construídas no bairro muitas casas de operários. O aumento de famílias morando no local, gradativamente, deu a rua características residenciais.

Então, em 1872, a via passou a se chamar “Rua Santa Cruz”, por causa da capela localizada em frente à praça.


A CAPELA MAIS ANTIGA DE CAMPINAS



Não se sabe ao certo quando foi construída a capela de Santa Cruz. Por esse motivo, acredita-se que ela seja a igreja mais antiga de Campinas.

Quando a notícia da descoberta do ouro se espalhou pelo Brasil, no início do século XVIII, os viajantes começaram a usar o pouso real para descanso e abastecimento. Naquela época, a capela já existia.

Hoje, discreta e simples, ela fica oculta pelo muro e portão que a protegem, mas recebe normalmente os munícipes para missas e festas religiosas. Desde 1871, a capela de Santa Cruz tem como padroeira Nossa Senhora do Monte Carmelo.


ENTRE O BEM E O MAL



A Praça da Santa Cruz também já foi conhecida como Largo da Forca. A primeira morte de um escravo em público aconteceu ali, próximo onde fica o ponto de Táxi da Santa Cruz.

Com o nome Elesbão, o escravo foi enforcado e esquartejado, por ter assassinado seu dono, o capitão Luiz José de Oliveira. Conta a história que, em 20 de maio de 1831, ele foi assassinado por escravos fugidos de sua fazenda, que viviam em um quilombo.

Porém, os escravos que ajudaram Elesbão o denunciaram às autoridades; e foi considerado o responsável pelo crime.

Narciso, outro escravo que teria ajudado no assassinato, foi executado no dia 24 de maio de 1833. Elesbão estava foragido, mas sempre alegando sua inocência. Em 1835, foi capturado por capitães do mato e teve sua pena de morte decretada.

Para a execução, a forca foi erguida ali, porque o lugar era considerado ponto de saída da cidade. Elesbão foi enforcado e esquartejado após um cortejo pelas principais ruas da cidade, que saiu da Igreja do Carmo, passou pelo Largo do Rosário, e só depois para a Praça de Santa Cruz.

O corpo esquartejado ficou exposto ao público, pois as autoridades tinham intenção de mostrar para a população qual seria o castigo dos escravos que desobedecessem a seus donos.

Esse acontecimento, em dezembro de 1834, fez com que a praça ficasse por um tempo conhecida como “Largo da Forca”.


PRAÇA REBATIZADA



Em 1889, com o advento da Proclamação da República, os vereadores sugeriram que o nome da praça mudasse para “Praça XV de Novembro”. A maioria da Câmara era composta por republicanos, e Campinas já era destaque por sua participação política.

As comemorações do evento aconteceram na casa do advogado Pedro de Magalhães, que se destacava como abolicionista republicano. A leitura da proclamação da República para a população foi feita da sacada do prédio da Câmara Municipal.

Fontes: “Ruas da Época Imperial”, Edmo Goulart

Secretaria de Cultura de Campinas

Apoio à pesquisa: Wagner Paulo Santos

Autor: Marília Varoni


Fonte: www.emdec.com.br

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