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RUA TREZE DE MAIO


RUA TREZE DE MAIO PRIVILEGIA PEDESTRES



Se existe um lugar em Campinas onde o pedestre tem espaço privilegiado, esse lugar é a Rua Treze de Maio. Transformada na década de 70 no único calçadão da cidade, a Treze, como é carinhosamente conhecida, recebe aproximadamente 100 mil pessoas/dia; mas esse público pode chegar a 150 mil em datas comemorativas, incluindo o Natal, Dia das Mães e Dia das Crianças, de acordo com a Associação Comercial e Industrial de Campinas (ACIC).

Também batizada como Rua do Comércio, a Treze conta com cerca de 110 estabelecimentos, que respondem por 10% de todo o faturamento do comércio na cidade. O calçadão da Treze, onde só circulam pedestres, se estendeu inicialmente no trecho entre a Avenida Francisco Glicério e a Rua Saldanha Marinho, mas logo se consolidou até próximo à Estação Cultura.



Considerada um shopping a céu aberto, a Rua teve seu momento de apogeu na década de 80, mas encarou a concorrência com os grandes shoppings; e hoje, convive em harmonia com eles, cada qual competindo nas suas especialidades e consolidando sua classe de clientes. É o que destaca o economista da ACIC, Laerte Martins.



Com a reurbanização da área central, processada nestes últimos anos, a Treze de Maio se incorpora ao Centro Expandido, onde circulam mais de 400 mil pessoas”, diz o economista. “Toda essa área ampliada responde pela movimentação de 35% da atividade comercial de Campinas”, destaca.

Mas, muito além do comércio, a Treze abriga verdadeiros marcos da cidade. A Catedral Metropolitana de Campinas, mais conhecida como Paróquia Nossa Senhora da Conceição, é um dos principais. A Igreja fica localizada na Praça José Bonifácio, popularmente conhecida como Largo da Catedral.


A Catedral começou a ser construída em 1807, sendo finalizada em 1883. Considerada a maior construção em taipa de pilão do mundo, o seu interior, em estilo barroco baiano, conta com um requintado trabalho de talha de madeira, realizado manualmente pelo artista baiano Vitoriano dos Anjos.

Na construção da Catedral, participaram vários arquitetos, destacando-se Francisco de Paula Ramos de Azevedo, que concluiu as obras. A Catedral Metropolitana de Campinas é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (CONDEPACC).



Roberto Bueno, 64 anos, auxiliar do pároco da Catedral, Cônego Álvaro Augusto Ambiel, comenta que a Igreja é muito movimentada. “É um entra e sai de pessoas o dia inteiro. Muita gente, ao invés de pegar um outro caminho para a Rua Costa Aguiar, utiliza a Igreja como passagem; e, isto acontece inclusive na hora da missa”, relata Bueno.

O ritmo da Treze é mesmo frenético. É o que afirma também o motorista de ônibus Antônio Valentim, 44. “Quando desço do ônibus e chego na Treze, não sinto nenhuma diferença. No trânsito, você tem que desviar dos carros; e aqui é preciso desviar das pessoas. É muita gente”, ressalta.


DE VOLTA AO PASSADO

No final do século XIX, a Treze de Maio já era o ponto central do comércio, com os armazéns de secos e molhados, os pontos de vendas dos produtos de alimentação, vestuários e calçados. A rua deixou de se chamar São José e, em homenagem à libertação dos escravos, passou a Treze de Maio. O novo nome foi adotado no Dia da Abolição e oficializado na sessão da Câmara do dia 28 de maio de 1888, por indicação do vereador Salvador Leite de Camargo Penteado.



Segundo o economista Laerte Martins, uma das lojas mais antigas na Treze é a “Casa Ezequiel”, especializada em roupas masculinas. “Ela passou de pai para filho ao longo desses anos”, contou.

O atual proprietário da loja, Ezequiel Magalhães Júnior, 77, lembra que ela sobreviveu à crise de 1929 e conseguiu se manter graças a muita dedicação. “Aprendi com meu pai que o melhor adubo para o comércio é o pé do patrão; por isso, faço questão de ficar na loja ajudando na venda direta e monitorando os vendedores”, defende o proprietário.


CURIOSIDADES



- A Rua Treze de Maio foi batizada com este nome pelo vereador Salvador Leite de Camargo Penteado, tendo como presidente da Câmara, José Paulino Nogueira, que também empresta nome a uma das vias que corta o Calçadão da Treze.

- O Calçadão da Treze de Maio também era conhecido como Convívio.

- A única rua com fiação totalmente subterrânea, desde 2001, durante as obras de recuperação daquela via, ligando a Avenida Francisco Glicério à Estação Cultura, num percurso de 700 m.

- O velho sobrado no cruzamento da Rua Treze de Maio com a Rua José Paulino foi palco de algumas fatalidades de grandes proporções, durante a sua existência, o que lhe rendeu o título popular de Sobrado do Terror.

Entre as várias histórias que se narrava, uma morte jamais explicada de uma jovem escrava, no seu interior, iniciou a sua fama de fatal.

Uma outra morte, ali ocorrida e não elucidada, foi a de um filho do proprietário; cruelmente assassinado numa noite em que se realizava no Teatro São Carlos uma de suas mais concorridas apresentações teatrais.

O suicídio do seu proprietário, finalmente, acabou gerando no povo o temor final, de por ali circular nas altas horas da noite.

Contava-se que sonoros gritos de lamentos eram ouvidos durante as madrugadas, vindos do interior daquele sobrado.


Fonte: www.emdec.com.br

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