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Santiago de Compostela


SANTIAGO DE COMPOSTELA - por Acácio da Paz


 Publicado originalmente em: www.caminhodesantiago.com.br


Fonte: Internet


Falar de Santiago e seus mistérios é caminhar mais uma vez pelos caminhos sagrados.

Todos vão a Santiago, mas ninguém chega a Santiago (Acácio da Paz).


Cidade santa que agora te acolhe, peregrino, como vem fazendo com milhares de crentes a cada dia, há mais de mil anos...


Característica da cidade e Basílica


A cidade de Compostela está situada entre dois rios chamados Sar e Sarela. O Sar encontra-se ao oriente entre o Monte do Gozo e a cidade, e o Sarela ao poente. As entradas e portas da cidade são sete. A primeira entrada chama-se Porta Francesa; a segunda, Porta de la Peña; a terceira Porta de Sofrades; a quarta, Porta del Santo Peregrino; a quinta, Porta Falguera, que conduz a Padrón; a sexta, Porta de Susanis; e a sétima, Porta de Mazarelos, pela qual chega o precioso licor de Baco à cidade.


As Igrejas da cidade de Santiago


Habitualmente se contam na cidade de Santiago de Compostela 10 igrejas, entre as que, situada bem no centro, resplandece gloriosa como a mais importante, a do glorioso Apóstolo Santiago, o filho de Zebedeu; a segunda é a de São Pedro Apóstolo, uma abadia de monges, situada no caminho francês; a terceira é a de San Miguel, chamada de la Cisterna; a quarta também abadia de monges é a de San Martín, o bispo, chamada de Pinario; a quinta, que é o cemitério dos peregrinos, é o da Santíssima Trindade; a sexta é a de Santa Susana Virgem, situada no caminho de Padrón; a sétima é a de San Félix, mártir; a oitava a de San Benito; a nona situada detrás da do Apóstolo, é a de San Pelayo mártir; a décima e a de Santa Maria Virgem, situada detrás da do Apóstolo, com a entrada direta a mesma da basílica, entre o altar de San Nicolas e o de Santa Cruz.


Dimensão da Basílica

Geometria Sagrada


Fonte: Internet

A Basílica de Santiago tem de longitude 53 alçadas de homens, a saber, desde a porta ocidental até o altar do Salvador. De largura, em câmbio, quer dizer, desde a porta Francesa até a do meio dia, tem 39 alçadas. A igreja em si consta de nove naves na parte inferior, e seis na superior e uma capela maior, em que se encontra situado o altar do Salvador, e uma girola e um corpo e dois braços, e outras oito capelas pequenas mais, cada uma com seu respectivo altar.

Temos de explicar das nove naves, seis são pequenas e três grandes. A primeira nave, a principal, que vai desde a porta ocidental até os pilares centrais, que em número de quatro, sustentam toda a igreja, e tem uma pequena nava, a da direita e outra a da esquerda. As outras duas naves grandes encontram-se nos dois braços: a primeira se estende desde a Porta Francesa até os quatro pilares dos cruzeiros da igreja; e a segunda desde os mesmos pilares até a porta meridional, Estas duas naves têm a sua vez duas navezinhas laterais. As três naves principais alcançam até o teto da igreja, enquanto que as seis pequenas alcançam somente até o meio do cume. As naves grandes têm todas elas uma largura de onze alçadas e meia de homem. Temos de explicar que uma alçada de homem são justamente oito palmos. Na nave maior há 29 pilares; 14 à direita e outros tantos a esquerda, mais outro no interior, entre os dois portais, mirando ao aquilón, o qual separa os cibórios. Nas naves do cruzeiro, pelo outro lado, é dizer, desde a Porta Francesa até a do meio dia, tem 26 pilares: 12 à direita e outros tantos a esquerda, e duas diante das portas no interior, as quais separam os cibórios e os portais.

Na abside da igreja tem outras oito colunas isentas, em torno do altar de Santiago. As seis naves pequenas de acima, em o trifório da igreja, tem a mesma longitude e largura que suas correspondentes que estão debaixo delas. Por um dos costados estão suportados os muros, e pelo outro, por pilares que desde abaixo, desde as naves grandes, ascendem até ao alto, e por uns pilares duplo, que os canteros chamam medias cindrias. Nas naves de acima há tantos pilares como nas de abaixo, e acima, no trifório, tantos arcos como abaixo. Mas nas naves do trifório, entre pilar e pilar há sempre duas colunas juntas que os canteros chamam cindrias.

Em esta igreja não existem rachaduras nem defeito algum; está magnificamente construída, é grande, espaçosa, luminosa, harmoniosa, bem-proporcionada em largura, longitude e altura, e de admirável e inefável fabricação. Ademais, tem dupla planta como um palácio real. Quem percorre por cima às naves do trifório, ainda que suba triste, volta alegre e gozoso ao contemplar a esplêndida beleza do templo.


As Janelas


Os vitrais que existem na catedral alcançam o número de 63. Sobre cada um dos altares da abside, há três. Em câmbio, no céu da basílica, entorno ao altar de Santiago, há cinco vitrais pelos quais o altar do Apóstolo recebe uma intensa iluminação. E acima, no trifório, o número de vitrais alcançam 43.


Os Pórticos


Três pórticos maiores e sete pequenos têm a igreja: o primeiro, quer dizer, o principal, olha ao poente; o segundo, ao meio dia, e o terceiro ao norte. Em cada pórtico há duas entradas, e em cada uma delas duas portas. Dos sete pórticos pequenos, o primeiro se chama de Santa Maria; o segundo, de la Via Sacra; o terceiro de San Pelayo; o quarto, de la Canônica; o quinto a da Pedrera, igual ao sexto; e o sétimo, da escola de gramáticos. Este dá acesso ademais ao palácio arzobispal.


A Fonte de Santiago


Quando nós queremos entrar na basílica do Apóstolo, o fazemos pela porta setentrional. Diante desta entrada, junto ao caminho, encontram-se o hospital de peregrinos pobres de Santiago, e a continuação, ao outro lado da rua, há um átrio de que se desce 9 degraus. Ao concluir a escada deste átrio, há uma admirável fonte que não tem outra igual em todo o mundo. Esta fonte se assenta sobre 3 degraus de pedra, que sustentam uma charmosíssima taça de pedra em forma circular, e côncava, a forma de cubeta ou cuenco, de tal tamanho que eu calculo que podem banhar-se comodamente 15 pessoas. Em seu centro repousa uma coluna de bronze, de forma base heptagonal e de uma altura proporcionada. De seu remate saem quatro leões, que saltam pela boca quatro chorros de água, para refrescar os peregrinos e os habitantes da cidade. Os chorros que saem das faces dos leões caem à taça, que deságua em forma subterrânea por um orifício perfurado nela. E assim nem se vê de donde vem água e nem para onde vai. É uma água doce, nutritiva, sã, clara, magnífica, morna no inverno e fresca no verão. Na coluna de bronze, abaixo das garras dos leões, está gravado ao seu redor, em duas linhas, este texto:

Yo Bernardo, tesorero de Santiago, hice esta conducción de agua y ejecute la presente obra para remedio de mi alma y de las de mi padres, el día tercero de los idus de abril de la era MCLX".


Fonte: Internet

O Paraíso da cidade


Detrás da fonte está, segundo dizemos, o paraíso (átrio), pavimentado de pedra, e o que, entre os emblemas de Santiago, se vendem as conchas aos peregrinos. Se vendem ali também botas de vinho, sapatos, mochilas de pele de viado, bolsas, correias, cinturões e ervas medicinais de todo tipo e demais temperos, assim como outros muitos produtos. Os cambistas, mesoneiros e outros mercadores estão na Rua Francígena. A extensão do paraíso é de um tiro de pedra por cada lado.


A porta Setentrional


Detrás deste átrio (paraíso), está a porta setentrional ou Francígena da basílica de Santiago, na que tem duas entradas, também charmosamente lavradas com os seguintes elementos: em cada uma das duas entradas, pela parte de fora, há seis colunas, umas de mármore e outras de pedra, três a direita e três a esquerda, quer dizer, seis em uma entrada e seis em outra entrada, o que no total fazem 12. Sobre a coluna junta ao muro que pela parte de fora separa os dois pórticos, está sentado o Senhor em trono de majestade, partindo a bendição com a mão direita e com um livro na esquerda.

Rodeando o trono, e como sustentado-o, aparecem os quatro evangelistas; a sua direita está representado o paraíso, onde o Senhor volta a aparecer repreendendo por seu pecado a Adão e Eva; e à esquerda, em outra representação, expulsando-os do paraíso. Ali mesmo há representados inumeráveis imagens de santos, bestas, homens, anjos, mulheres, flores e demais criaturas, cujo significado e formas não podemos descrever, pelo seu grande número. Entretanto, sobre a porta da esquerda de quem entra na catedral, quer dizer, bem no tímpano, está representada a anunciação da bem-aventurada Virgem Maria. Aparece também o anjo Gabriel dirigindo-lhe a palavra, e a esquerda da entrada lateral, sobre as portas, aparecem lavrados os meses do ano e outras muitas belas representações. Nas paredes pela parte de fora, aparecem dois enormes e ferozes leões, um a direita e outro a esquerda, que miram sempre as duas portas em atitude vigilante. Nas jambas, na parte alta, aparecem quatro apóstolos sustentando cada um em sua mão esquerda, muitos livros e com a direita elevadas partindo a bendição aos que entram na catedral: na porta da direita, e na direita está Pedro, e na esquerda, esquerda está Paulo, na direita a direita está João, e a esquerda Santiago. Além disso, sobre cada uma das cabeças dos apóstolos aparecem esculpidos umas cabeças de touro que ressaltam os umbrais.


A Porta Meridional


A porta meridional da basílica do Apóstolo tem duas entradas e quatro folhas. Em a entrada da direita, pela parte de fora está esculpida, em primeiro término, de modo admirável, acima das portas, os prendimentos do Senhor. Ali se veem atado à coluna as mãos dos judeus, e amarrado com cordas, enquanto Pilatos está sentado em seu trono na atitude de juiz. Na ranja seguinte, em cima da anterior, aparecem à bem-aventurada a Virgem Maria, Mãe de Deus, com seu filho em Belém, e os três Reis Magos que vêm com sua tripla oferenda a visitar o Menino e a Mãe, e a estrela e o anjo que os adverte de não voltar ao palácio de Herodes.

Nas jambas desta entrada há dois apóstolos, um à direita e outro à esquerda como guardiões das portas. De igual maneira na entrada da esquerda, também nas jambas, há outros dois apóstolos. No primeiro término da mesma entrada, sobre as portas, estão esculpidas as tentações do Senhor. Em efeito, diante do Senhor aparecem uns horríveis anjos como monstros, que lhe colocam sobre o pináculo do tempo. Outros lhe apresentam pedras incitando-lhe a que as converta em pão, enquanto que outros lhe mostram os reinos do mundo insinuando que se lhes dariam prostrando-se e os adorando, é coisa que Deus não quer. Mas há também outros anjos brancos, quer dizer, bons, as suas costas e por acima, adorando-o com incensarias.

No mesmo pórtico aparecem quatro leões, um à direita numa das entradas, e outro à esquerda na outra. Na parte alta do pilar, entre as duas entradas, há outros dois ferozes leões, com as grupas apoiadas um contra o outro. No mesmo pórtico há também onze colunas: cinco à direita, na entrada direita; e cinco à esquerda, na entrada esquerda; enquanto que a décima primeira está entre as duas entradas, dividindo os cibórios. Estas colunas, umas de mármore e outras de pedra, tem esculpidas belas imagens de flores, homens, aves e animais. O mármore é de cor branca.

E não podemos esquecer que junto está a cena das tentações do Senhor, representada por uma mulher que sustenta em suas mãos a cabeça putrefata de seu amante, arrancada pelo próprio marido, aquém a obriga o beijar-lar duas vezes por dia. Grande e admirável castigo para contar a todos seu adultério.

Na zona superior, sobre as quatro portas, virada ao triforio da igreja, resplandece com formosura um chamativo conjunto de peças de mármore branco. Aparece ali o Senhor em pé, São Pedro a sua esquerda com as chaves em suas mãos, Santiago à direita entre dois ciprestes, e junto a ele, seu irmãos São João. Em ambos os lados estão os demais apóstolos. Assim, pois, o muro por acima e por abaixo, à direita e à esquerda, está belamente lavrado com flores, homens, santos, bestas, aves, peixes, e outros motivos que não podemos descrever. Finalmente, sobre os cibórios, há quatro anjos com trombetas que anunciam o dia do juízo.


A porta Ocidental


A porta ocidental, com suas duas entradas, supera as demais belezas, proporções e execução. É a maior e mais charmosa que as demais e está mais finamente executada; desde fora se acede por numerosos degraus e está decorada com colunas de mármore de diversos tipos, com distintas representações e de vários estilos: homens, mulheres, animais, aves, santos, anjos, flores e adornos de diversa índole.

São tantos os motivos que a decoram, que me é impossível descrever. Entretanto, assinalemos que na parte de acima está belamente esculpida a transfiguração do Senhor, tal qual como sucedeu no monte Tabor. Aparece nela o Senhor envolto em uma branca nuvem, com o rosto resplandecente como o sol e a túnica brilhosa como a neve; o Pai lhe fala desde ao alto, enquanto que Moisés e Elias, apareceram ao mesmo tempo, falam com Ele da morte que tinha que afrontar em Jerusalém. Ali aparecem também Santiago, Pedro e João, a quem o Senhor revelou sua Transfiguração com preferência aos demais.


As torres da Basílica


Nove torres têm este templo: duas sobre o pórtico da fonte, outras duas sobre o pórtico meridional, outras duas sobre o pórtico ocidental, outras duas sobre cada uma das escadas de caracol, e outra maior sobre o cruzeiro no centro da basílica. Graças a elas e as demais belíssimas realizações, a catedral de Santiago resplandece com gloriosa magnificência. Ademais, toda ela está construída de poderosos blocos vivos, grisáceos e de uma grande dureza como o mármore, em seu interior está decorada com diversos tipos de pinturas, e pelo exterior está muito bem coberta com telhas e chumbo. Entretanto, desta relação, algumas coisas estão terminadas e outras por acabar.


Os altares da Basílica


Os altares deste templo somando 12, e vão por esta ordem: primeiro junto a Porta Francígena, que se encontra na parte esquerda, está o altar de San Nicolas; depois o da Santa Cruz; a continuação, na abside, o da Santa Fé Virgem; logo o de San João apóstolo o evangelista, irmãos de Santiago; vem logo o altar do Salvador; na capela maior da abside; depois, o altar de San Pedro apóstolo; logo; o de San Andrés; logo, o altar de San Juan Baptista. Entre o altar de Santiago e o Salvador, está o altar de Santa Maria Madalena, donde se cantam as missas matinais para os peregrinos.

Acima, no trifório do tempo, há três altares: o principal dedicado a San Miguel arcanjo; na parte direita, outro dedicado a San Benito; e outro na esquerda, o dos santos Pablo apóstolo e Nicolas o bispo. É aqui donde se encontram a capela do arzobispo.


Fonte: Internet


O corpo e o altar de Santiago


Já que temos exposto até aqui as características do templo, vamos a tratar agora do venerável altar do Apóstolo. Pois nesta basílica, é tradição que descansa o corpo de Santiago, abaixo do altar maior que se levantou em sua honra, guardado em uma arca de mármore, em um magnífico sepulcro de bóveda, admiravelmente executado e de dignas proporções.

O corpo do Apóstolo encontra-se íntegro ali, divinamente iluminado com celestiais carbúnculos, honrado por divinos aromas que exalam sem cessar, adornado com brilhantes luminárias celestes, e agasalhado ferventemente por angélicos presentes.

Sobre seu sepulcro há um pequeno altar que, dizem, foi levantado por seus discípulos, e que por amor ao Apóstolo e a seus discípulos, não se atreveu ninguém a desmontar depois. Sobre este se levanta um altar grande e maravilhoso de cinco palmos de altura, doze de longitude e sete de largura. Estas medidas foram tomadas por minhas próprias mãos. O altar pequeno está encerrado abaixo do maior, por três lados, a saber, pela esquerda, pela direita e por detrás, mas aberto pela frente, de forma que, tirando o frontal de prata, se pode ver perfeitamente o antigo altar.

Se alguém, por devoção ao Apóstolo, quiser presentear um manto ou um lenço para cobrir seu altar, que seja de nove palmos de largura e vinte e um de comprimento. Mas se por amor de Deus e devoção ao Apóstolo, alguém presentear um frontal, procure que seja de sete palmos de largura e treze de comprimento.


O Frontal de Prata


O frontal que fecha o altar está belamente trabalhado de ouro e prata. Ao centro tem esculpido o trono do Senhor, rodeado pelos vinte e quatro anciãos, ordenados como San João, irmão de Santiago, os viu em seu Apocalipse, a saber, doze à direita e outros tantos a esquerda, com convocação e pomos de ouro cheio de perfumes em suas mãos. No centro se senta o Senhor, como no trono da majestade, com o livro da vida na mão esquerda e partindo a bênção com a direita. Ao redor do trono, estão os quatro evangelistas como que o sustentando. À direita e esquerda, estão colocados os doze apóstolos: três a direita na primeira fila, e outros três acima; o mesmo que a esquerda, com três na primeira fila e outros três na parte de cima. Há também charmosas flores em redor e colunas separando os apóstolos. O frontal, de belo e fino trabalho, na parte alta tem gravados estes versos:

"Diego segundo, prelado que fue de Santiago, esta tabla

Hizo, cuando un quinquenio su episcopado cumplió,

Y del tesoro del Santo Apóstol setenta con cinco

Marcos de plata, para coste de la obra contó.

Na parte baixa, tem também esta inscrição:

Rey era entonces Alfonso, y su yerno el Conde Raimundo,

Cuando el prelado dicho, tal obra a cabo llevó."


O Templo pequeno do altar do Apóstolo


O templete que cobre o venerável altar está decorado por dentro e por fora com admiráveis pinturas e desenhos e com diversos adornos. É quadrado, descansa sobre quatro colunas. No interior, na primeira fila, aparecem a figura de mulher, as oito virtudes particulares que cita San Pablo. Acima erguem-se anjos que com suas mãos abertas sustentam o trono que ocupa o remate do templete.

No centro do trono situa-se o Cordeiro de Deus que levanta a cruz com seus pés. Há tantos anjos como virtudes. Pelo exterior, em primeiro plano, há quatro anjos que com suas trombetas anunciam a ressurreição do dia do juízo. À mesma altura há quatro profetas: Moisés e Abraham à esquerda, e Isaac e Jacob à direita. Cada um tem em suas mãos um cartaz com sua profecia particular. Na fila superior estão sentados em círculo os doze apóstolos. Na primeira, quer dizer, por diante, aparece sentado Santiago ao centro, com um livro na mão esquerda e partindo a benção com a direita. À direita e esquerda há dois apóstolos na mesma fila. De igual forma há três apóstolos ao lado direito do templete, três à esquerda e outros três por detrás.

Sobre a coberta, sentam-se quatro anjos como guardando o altar, e nas esquinas do templete no remate da coberta, estão esculpidos os quatro evangelistas com seus próprios símbolos. Por dentro está pintado e por fora esculpido e pintado. Bem na cúspide, pelo exterior, se remata um triplo arco, no que está esculpida a Divina Trindade. No primeiro arco, o que mira o ocidente está à pessoa do Pai; no segundo, mirando o oriente, a do Filho; e no terceiro, o que mira ao norte, a pessoa do Espírito Santo. E sobre este remate descansa uma bola de prata resplandecente sobre a qual se alça uma preciosa cruz.


Fonte: Internet


As Lâmpadas


Diante do altar de Santiago estão penduradas três grandes lâmpadas de prata em honra a Cristo e o Apóstolo. A do meio é muito grande e está admiravelmente cinzelada em forma de pebetero, com sete recipientes com outras tantas luzes, representando os sete dons do Espírito Santo. Estes recipientes não se enchem mais do que azeite de bálsamo, de mirto, de miro bálano ou de oliva. O recipiente maior está no centro, e cada um dos outros seis que o rodeiam, levam esculpidos por fora dois apóstolos. Que a alma do rei Alfonso de Aragon que, segundo se diz, foi quem a doou a Santiago, descanse em paz eterna.


A Igreja de Santiago e seus Canônicos


No altar de Santiago habitualmente não celebra missa quem não seja o bispo ou o arcebispo sendo o cardeal da mesma igreja. Porque costuma-se ter sete cardeais na mesma basílica, os quais celebram nesse altar os divinos ofícios. Criados e reconhecidos por muitos papas, foram além disso, confirmados pelo papa Calixto, nosso Senhor. Esta é uma dignidade que a basílica de Santiago possui por uma respeitável tradição, e por amor ao Apóstolo.


Principio e Fim de sua construção


Os mestres canteros que empreenderam a construção da basílica de Santiago chamavam-se Don Bernardo o Velho, mestre admirável, e Roberto, juntamente com outros 50 canteros que ali trabalhavam assiduamente, sob a direção de Don Wicarto, Don Segeredo, prior do cabido, e do abade Don Gundesino, durante o reinado de Alfonso, rei das Espanas, e durante o reinado de Don Diego I, guerreiro esforçado e Barão generoso. A construção do templo se iniciou no século MCXVI. Desde então, até a morte de Alfonso, valente e ilustre rei de Aragón, foram 59 anos; e até o assassinato de Enrique, rei dos ingleses, 62 anos; e até a morte de Luís o Gordo, rei dos francos 63; e desde a colocação da primeira pedra e seus cimentos, até a colocação da última, se passaram 44 anos.


Fonte: Internet

Desde começo da obra até nossos dias, este templo floresce com o resplendor dos milagres de Santiago, pois, nele se concede a saúde aos doentes, se restabelece a vista aos cegos, se solta a língua dos mudos, se franqueia os ouvidos aos surdos, se dá movimentos livre aos cochos, se concede liberação aos demoníacos e, que todavia mais, se atendem as preces do povo fiel, se acolhem seus rogos, se desatam as ligaduras dos pecados, se abre os céus aos que chamam a suas portas, se consola aos aflitos, e a gente de todos os países do mundo ali acodem em tropel a apresentar suas oferendas em honra do Senhor.


A Dignidade da Igreja de Santiago


E não se deve esquecer que o papa San Calixto, de boa memória, transferiu desde Mérida, cidade metropolitana em território sarraceno, a dignidade episcopal, concedendo-a por devoção em honra ao Apóstolo Santiago, à Igreja de Santiago e à sua mesma cidade. E como consequência ordenou e confirmou, como primeiro arcebispo da sede apostólica de Compostela, ao nobilíssimo Diego que com anterioridade era bispo de Santiago.


O Ritual


Não convém dispersar-se. Toda a peregrinação pode hoje coroasse espiritualmente se estás atento, ou pode descabeçar-se distraindo-se com as muitas atrações oferecidas aos turistas.

Entre na cidade santa rapidamente, golpeando o solo de pedra com teu cajado. Dirige-te a catedral; busca a Plaza del Obradoiro e planta-te em frente a esta grande construção. Por fim, já estás aqui!

Faça o sinal da Cruz, pois ainda não terminaste a sua peregrinação, somente está em seu ponto mais transcendental. Rodeia por completo o templo antes de entrar nele, dizendo o seguinte verso do salmo 25:

Lavo na inocência minhas mãos e rodeio teu altar, Senhor, proclamando teu louvor, enumerando tuas maravilhas”. Senhor, eu amo a beleza de tua casa, o lugar donde reside tu glória.

Completada a circunvalação da catedral, entre nela pelo pórtico de la Glória. Ali, abaixo deste grandioso quadro, saúda efusivamente ao Senhor Santiago, e tente ler com atenção a cartela com a que te dá a benvenida:

O Senhor me enviou a vós”. Une-te a continuação com os anciãos do Apocalipse e repito o louvor cósmico de toda a criação a Cristo Pantocrátor:

- Es digno, Senhor Deus nosso, de receber a glória, a honra, o poder, porque tu criaste o universo; porque por tua vontade que não existe, foi criado.

- Es digno de tomar o livro e abrir seus selos, porque foste degolado e com teu sangue compraste para Deus homens de toda a raça, línguas, povos e nações; e fez deles para nós, Deus, um reino de sacerdotes e reinam sobre a terra.

- Digno é o Cordeiro degolado de receber a honra, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória, e o louvor.


Fonte: Internet


Por fim, dirija-te pelo centro da nave central até ao altar maior, dizendo como o salmo 42: “Envia tua luz e tua verdade: que nelas me guiem e me conduzam até teu monte santo, até tua morada. Que eu me acerque ao altar de Deus, ao Deus de minha alegria”.

A importância desse altar é capital: constitui ao fim último ao que foi pendurado, baseado, todo o seu caminhar. Ainda inconscientemente foste dirigido até este lugar. Por ele, novamente terá que circunvalá-lo, para introduzir-se gradualmente em o mistério de tua própria transfiguração, mensagem máximo de teu caminho. Para ele, senta-te nos primeiros bancos da nave, desde donde possa ver o altar de Santiago, antes de iniciar sua circunvalação. Leia ali o relato da Transfiguração do Senhor, tal como o presente o evangelista Marcos (Mc. 9,2-13).

Prepara-te a subir o último monte de teu caminho, junto com os apóstolos Santiago, Juan e Pedro, o do monte da Transfiguração. Iniciemos para ele a circunvalação. Encontrarás primeiro com as capelas del Pilar e de la Concepción.

A continuação está uma das capelas originais da cabeceira românica, a de São Pedro, a que propôs o Senhor a construção de três barracas porque sobre o monte se estavam bem: Pedro, o que confessou a Jesus como Messias e que foi constituído a pedra sobre a que edificar a igreja. Diz, ante seu altar, a seguinte oração:

Deus todo poderosos, não permitas que sejamos perturbados por nenhum perigo, tu que nos afiançou sobre a pedra da fé apostólica. Por Jesus Cristo nosso Senhor”. Amén.

A continuação te encontrará com a Porta do Perdão. Como Jacob, acaba de chegar a um lugar santo, ao Monte do Senhor. Estás a ponto de ser transfigurado, divinizado. Unir-te a Deus implica rejeitar quantos pecados foram mancillados desde a tua existência. Mais tarde levaremos a plenitude o ritual da reconciliação. Agora, simplesmente, repita o salmo “De profundis”, tal como faziam teus antepassados neste mesmo lugar... (Desde ao fundo a ti grito, Senhor...).

Siga adiante e, por fim, te encontrarás com a capela do Salvador. Esta avocação se refere ao Senhor transfigurado (como em Leire ou Santo Domingo de la Calzada). Sobre ao monte, Jesus mostrou aos três apóstolos sua divindade, transfigurando sua natureza humana. Era o Cristo que havia de ressuscitar dentre os mortos, glorificando a humanidade assumida. Aqui, na cabeceira da catedral, contempla ao destino ao que chama Senhor todo poderoso, tal como o atestiguam Santiago, Pedro e Juan. Ante a Capela do Salvador, diz a seguinte oração:

Senhor, Padre Santo, tu que nos mandou escutar a teu Filho, o predileto, alegra-nos com o gozo interior de tua Palavra; e purificados por ela, contemplaremos com um olhar limpo a glória de tuas obras. Por Jesus Cristo, nosso Senhor, Amén”.

Por si este grandioso destino não ficou suficientemente atestiguado, atrás a Capela de Nossa Senhora a Blanca, vem a repetir outra das antigas capelas românicas, a de San Juan. Em verdade foi chamado, junto com seu irmão Santiago, filho do trono, pois sua voz afirmou como um trovão a divindade transfigurada de Jesus: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus”.

Cumprida esta peregrinação ritual, volte a situar-se ante ao altar maior, dedicado a Santiago. Toda a tua viagem sagrado foi apontado a este destino: está sendo chamado a participar da condição divina como filho de Deus Pai, unindo-te a Jesus Cristo, o Filho, com a força do Espírito Santo derramada em teu coração. Isso é o que contemplou sobre el Tabor Santiago; por isso se deixou cortar a cabeça; para comunicar-te esta grande notícia é pelo que te chamou a sua casa. Dirige, por fim, teu coração novamente a deus Pai, e diga-lhe com todo o agradecimento de teu coração:

Oh Deus, que na gloriosa Transfiguração de teu Unigênito confirmaste os mistérios da fé com o testemunho dos Profetas, e prefiguraste maravilhosamente nossa perfeita adoção como filhos teus; conceda-nos, te rogamos que escutando sempre a Palavra de teu Filho, o Predileto, sejamos um dia co-herdeiros de sua Glória. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amén”.

Dito o qual, baixe a Cripta. Ao descender a profundidade da terra, a gruta escura do novo nascimento, desponta já a tua definitiva transfiguração. Estais a sóis, acaece a aqueles que participam do dinamismo salvífico do mistério pascoal de Cristo. Rodilha-se ante ao sagrado Sepulcro do Apóstolo. Ali, faz memória de todos aqueles que te ajudaram de teus familiares, amigos, albergues, hospitaleiros, peregrinos do caminho, etc...


Fonte: Internet

Ante seu altar, diga a seguinte oração:

Deus e Senhor nosso, que nos revelou por meio do Apóstolo San Juan o mistério de tua Palavra feita carne; conceda-nos, te rogamos chegar a compreender e amar de coração o que tu apóstolo nos deu a conhecer”.

Por Jesus Cristo, nosso Senhor, “Amén”.

O Abraço ao Apóstolo, é o momento de celebrar outro símbolo sacramental necessário para tua própria transfiguração: a reconciliação. Deus te quer como Filho; mas ele não força a sua liberdade; somente renunciando a quanto se opõe a sua santidade e a tua própria dignidade, será capaz de unir-te a ele.

Busque em os confessionários um sacerdote, um pecador como tu, mas revestido do poder conferido por Cristo e a igreja de perdoar os pecados, e desponte a pedir perdão ao Senhor de todos seus pecados. Toda peregrinação foi um incessante caminho de conversão: levá-lo a sua plenitude neste momento com amor e sem medo. Estás convidado ao grande banquete do Reino dos Céus: te limpa para comparecer a ele como convém.

Uma vez que, na mais importante de todas as Eucaristias de tua peregrinação, tenha confessado teus pecados, é o momento de participar da mais importante de todas as Eucaristias de tua peregrinação, aquela em a que Cristo se transfigurará de novo ante de ti através das espécies do pão e do vinho. Como esse pão, assim também como tu, comendo-lhe, serás divinizado, feito filho do mesmo Deus que participa da herança eterna. Participe desta Eucaristia com todo o amor de que seja capaz disposto a marchar para sempre com o Cristo ressuscitado.

Não te estranhes se, uma vez terminada a celebração, desejas morrer ali mesmo, como o ancião Simeón quando teve em seus braços o Salvador de Israel.

Agora, Senhor, segundo tua promessa, podes deixar a teu servo em paz, porque meus olhos contemplados a teu Salvador: luz para iluminar as nações, e glória de teu povo de Israel.”

A Tumba Apostólica tem uma significação única na Igreja. É a motivação que nos faz ser peregrinos. Uns o fazem com profundo sentido religioso e de penitência para chegar à raiz apostólica de fé, outros em busca de um encontro com a fé, talvez pela primeira vez, ou até mesmo para recuperar, depois de um tempo de abandono, da fé perdida...

As diferentes atitudes podem ter o mesmo fundo ou intenção. E é a intenção o que motiva a um peregrino. O peregrino somente recebe a benção de Deus para fazer este difícil Caminho antes de partir.


Fonte: Internet


Acolher e Brindar com os peregrinos de Santiago


Todo o mundo deve receber com caridade e respeito aos peregrinos, ricos ou pobres, que voltam ou se dirigem ao solar de Santiago, pois todos os que recebem e hospedam com esmero, terá como hóspede, não somente a Santiago, se não também o mesmo Senhor, segundo suas palavras no evangelho: O que a vós recebes a Mim me recebe. Teve antigamente muitos que ocorreram da ira de Deus por haver-se negado a acolher aos pobres e aos peregrinos de Santiago. Em Nantua, uma vila entre genebra e Lyon, um telhador se caiu subitamente ao solo, por haver recusado dar pão a um peregrino de Santiago que se pedia.

Em Vilanova, um peregrino de Santiago, necessitado, pediu esmola por amor de Deus e de Santiago, a uma mulher que tendo pão, todavia entre as brasas quentes, lhe disse que não tinha pão. O peregrino lhe disse: Oxalá o pão que tens se converta e pedras. Foi-se o peregrino de sua casa, e estava já longe dela, quando se acercou a mulher as brasas com intenção de pegar o pão e em seu lugar encontrou uma pedra redonda. Arrependida de coração foi-se atrás do peregrino, mas não o encontrou.

Voltando sem recursos em certa ocasião de Santiago, dois nobres galos pediram hospedagem por amor de deus e de Santiago, na cidade de Poitiers, desde a casa de Juan de Gautier até San Porcario, sem encontrá-lo. Ao fim se hospedaram na última casa daquela rua, junto a igreja de San Porcario, na casa de um pobre; e aqui por vingança divina, um voraz incêndio abrasou toda a rua desde a casa em que primeiro haviam solicitado hospedagem, até aquela na qual se hospedaram. E eram umas mil casas. Mas a casa em que se hospedaram os servos de Deus, por graça divina ficou intacta. Pelo que se deve saber, que os peregrinos de Santiago, pobres ou ricos, tem direito a hospitalidade e uma acolhida respeitosa.

Aqui termina mais uma história de Santiago Apóstolo, de sua cidade, e de seu templo.

Glória ao escritor e glória ao leitor.

Este códice foi acolhido diligentemente:

Primeiro a igreja romana, pois foi composto em diversos lugares: Em Roma, em terras de Jerusalém, na Gália, em Itália, em Alemanha e em Frísia e principalmente em Cluny.

Gracias a todos!

Acácio da Paz.


Bibliografia:

Textos diversos. Internet.

Revista Peregrino; vários capítulos.

Informações de estudos canônicos. Etc.

Tempo de elaboração: por volta de 1 ano.