Home‎ > ‎

Trilha em Joaquim Egídio


2020 – TRILHA EM JOAQUIM EGÍDIO – 25 quilômetros

"A felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva do caminho que percorremos para encontrá-la."


A antiga Estação Ferroviária de Joaquim Egídio/SP.

Aproveitando a “quarentena” forçada que a pandemia do Coronavírus no Brasil nos impôs, convidei meu amigo Demétrius (Dedé) para espairecermos um pouco, percorrendo uma trilha campestre.

Dentre as muitas já por nós conhecidas, sugeri aquela circular que perpassa diante da centenária Fazenda Santa Maria, uma ótima opção para mensurarmos nosso condicionamento físico atual, pois esse trajeto apresenta ascensos e declives de razoável intensidade.

Isto decidido, deixamos a cidade de Campinas de automóvel às 4 h 30 min da manhã, apeamos no distrito de Joaquim Egídio às 5 h e, imediatamente, ainda no escuro, demos início ao nosso giro junto à natureza.

Um pouco do que vivenciamos no itinerário, com algumas fotos, conto abaixo: 




O DISTRITO DE JOAQUIM EGÍDIO


Joaquim Egídio é um distrito pertencente ao município de Campinas, no Estado de São Paulo.

Seu nome é em homenagem a Joaquim Egídio de Sousa Aranha, marquês de Três Rios.

Assentado na antiga Fazenda Laranjal, do latifúndio do capitão mor Floriano de Camargo Penteado, este distrito é herança da mistura dos povos que imigraram para o país na época das grandes fazendas: são africanos e europeus que se estabeleceram e fincaram suas raízes.

Localizado a cerca de 15 quilômetros do centro da cidade, atualmente, é o distrito menos populoso de Campinas, e o mais distante e rural dentre todos, sendo que, nos últimos anos, tem tido um grande aumento populacional em função dos condomínios fechados. 


A igreja matriz do distrito de Joaquim Egídio/SP.

Sua arquitetura é tipicamente colonial, tem no turismo uma importante fonte de renda e nele que está localizado o Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini.

O acesso é feito pelas rodovias José Bonifácio Coutinho Nogueira (SP-81), a partir do centro de Campinas, e Rodovia Dona Isabel Fragoso Ferrão (CAM-127), a partir do km 122 da Rodovia D. Pedro I, sendo que essa última alternativa não é pavimentada.

A região onde fica Joaquim Egídio, assim como Sousas, surgiu em função das fazendas cafeeiras e se desenvolveu com o estabelecimento do Ramal Férreo Campineiro, implementado na década de 1890 e extinto em 1960, que ligava Joaquim Egídio à Estação Campinas (atualmente Estação Cultura).

Antes da construção da Rodovia Heitor Penteado em 1958, a ligação até o centro de Campinas era feita pelo Ramal Férreo Campineiro, com a locomotiva apelidada de “Cabrita”, que conseguia subir a Serra das Cabras para escoar a produção cafeeira local.

A criação oficial do distrito, até então um povoado, ocorreu com o desmembramento do território de Sousas, através da Lei Estadual 5.285, de 18 de fevereiro de 1959.

População: 5 mil pessoas


QUEM FOI JOAQUIM EGÍDIO?


Joaquim Egídio de Sousa Aranha, primeiro e único barão, conde, visconde e marquês de Três Rios, nasceu em Campinas, em 19 de março de 1821 e foi um proprietário rural, cafeicultor e político brasileiro.

Foi riquíssimo proprietário urbano e rural, destacando-se a Fazenda Sertão, antiga sesmaria adquirida em 1885, no município de Campinas, como outras que possuiu, como a Fazenda Vista Alegre, a Fazenda Pinheiros e também a Fazenda Santa Gertrudes, esta no município de Rio Claro.

Em 1876, passou a residir em São Paulo, onde foi Provedor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e fez generosos donativos às instituições de caridade.

Foi Presidente da Companhia Paulista, construtora da Estrada de Ferro Jundiaí a Campinas, e foi também um dos fundadores do Banco Comércio e Indústria de São Paulo.

O Solar do Marquês de Três Rios, na cidade de São Paulo, foi onde hospedou a família imperial: o Conde d'Eu, a Princesa Isabel e três filhos. 


O Marquês de Três Rios - (Wikipédia)

Construído entre os anos de 1850 e 1860, posteriormente, foi adaptado como sede da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em 1894.

O prédio foi demolido em 1928, bastante danificado por ter sofrido bombardeios durante a Revolução de 1924.

Em Campinas, no Solar do Largo da Catedral, também foram recebidos, a princesa imperial D. Isabel de Bragança, seu marido e os filhos do casal, em 1884.

Casou-se em primeiras núpcias, em 1942, com Ana Francisca de Pontes, falecida em 16 de agosto de 1875.

Casou-se em segundas núpcias, em São Paulo, em 1876, com Maria Hipólita dos Santos Silva, falecida em 1894.

Faleceu o Marquês de Três Rios no dia 19 de maio de 1893, em São Paulo, sendo sepultado no Cemitério do S.S. Sacramento.

Dono de uma das maiores fortunas de São Paulo, ao morrer, deixou 15 netos como herdeiros, sendo que dois de seu três filhos já eram falecidos, todos descendentes do primeiro casamento.

Fonte: Wikipédia


A NOSSA CAMINHADA 

Partimos, exatamente, às 5 h, da praça principal de Joaquim Egídio, local que alberga, dentre outros, o prédio onde está instalada a Subprefeitura do distrito e a igreja de São Roque e São Joaquim, padroeiros da localidade, cuja construção data de 1870, assentada sobre um terreno doado por Joaquim Egídio de Sousa Aranha, sendo que a singela edificação restringiu-se apenas ao altar, sendo ampliada, anos depois, por uma torre e sinos.

Por sinal, a festa de São Roque e São Joaquim ocorre nessa bucólica aldeia desde 1926, sempre com a mesma tradição de quermesses, leilões, quebra-potes, pau-de-sebo e outras atrações, dando continuidade às manifestações genuínas da cultura popular, realizada há várias gerações pelos habitantes locais.

A temperatura estava baixa, ao redor de 14°C, e soprava um vento frigíssimo que nos incentivava a caminhar rápido, no intuito de aquecer o corpo.

Seguimos pelo leito da rodovia Heitor Penteado, porém, ao abandonarmos o arraial e se findar a iluminação urbana, ligamos nossas lanternas e prosseguimos sobre asfalto pela rodovia José Bonifácio Coutinho Nogueira, que segue em direção à cidade de Morungaba/SP. 


Início da Estrada da Bocaina.

Sem maiores problemas, em ótimo ritmo e sempre em lento ascenso, depois de percorrer 9 quilômetros, passamos diante da estrada da Bocaina, que segue à direita, sobre terra, e se encerra na cidade de Itatiba/SP. 

Prosseguindo em frente, mais um quilômetro caminhado, transitamos diante do restaurante Feijão com Tranqueira, um ícone na região, pois, trata-se de um local único, que serve comida mineira em casa, com velhas paredes sem reboco, decoração campestre, jardins e animais de fazenda, contudo, integralmente vazio e silencioso naquele horário. 


Dedé, diante da entrada do Restaurante "Feijão com Tranqueira."

Em outubro de 1991 se deu início ao Feijão com Tranqueira, que começou bem pequeno, sem pretensão de se tornar um restaurante. Joaquim Egídio, pelas suas próprias características naturais, sempre atraiu aventureiros e esportistas que para lá se dirigem para fazer trilhas e usufruir dos benefícios do contato sempre agradável com a natureza.

O Feijão com Tranqueira indo em auxílio aos que por ali transitavam começou fornecendo água, depois sorvete, sanduíches naturais e, inaugurou o restaurante mais famoso e aconchegante de Joaquim Egídio, que hoje comporta 350 pessoas, com mais de mil refeições por final de semana.

No comando da cozinha está Carmen Paterno de Cicco e Carlos Alberto Fernando Carvalho, promovem a alegria e a satisfação de um almoço à moda da casa.

Hoje o restaurante se tornou uma grande família onde os filhos, Caio de Cicco Carvalho e Carlos Eduardo de Cicco Carvalho, que com novas ideias e fazendo parte da nova geração, o restaurante se torne mais agradável e aconchegante, onde as pessoas com suas famílias podem comer bem e relaxar.

O ambiente do restaurante se estende por uma grande área verde com rede para descanso, coelhos para divertir as crianças e adultos, carneiros, além, é claro, do canto natural dos pássaros que povoam o ambiente.

(Fonte: https://www.facebook.com/feijaocomtranqueira/)

Prosseguindo, percorridos 11 quilômetros, abandonamos o asfalto, adentramos à esquerda, acessamos a Estrada Santa Maria e passamos a caminhar sobre terra, em direção ao bar do Vicentão, localizado 5 quilômetros adiante. 


O caminho próximo do Pesqueiro Berro d'Água.

Nesse agradável trajeto, passamos, sequencialmente, diante do Sítio 3 Curumins, Haras do Pegasus, Sítio do Peagasus e Pesqueiro Berro d'Água, depois, iniciou-se severo ascenso, que fomos vencendo, lentamente. 


A cidade de Campinas aparece ao longe, no horizonte. Foto batida diante da Fazenda São Lourenço. A lua ainda está no céu!!

No topo da serra, diante da Fazenda São Lourenço, estabilizados, a quase 1.000 m de altitude, fizemos uma pausa para hidratação, ingestão de bananas e fotos, pois daquele local privilegiado detínhamos uma vista privilegiada da cidade de Campinas, distante dali, aproximadamente, 25 quilômetros em linha reta. 


Caminho sombreado, entre bambuzais.

Na sequência, caminhamos ladeados por frondosos bambuzais, depois, começamos a descender com força e percorridos 15 quilômetros, num cruzamento, fletimos à esquerda, principiamos a retornar ao local de partida e nesse concorrido local, já encontramos vários ciclistas pedalando no sentido inverso ao nosso deslocamento. 


Forte descenso, em direção ao Bar do Vicentão...

Cinquenta metros à frente, pudemos fotografar a linda capelinha São Francisco de Borja, toda vestida de amarelo, que pertence à Fazenda Santa Maria e comporta 80 pessoas sentadas em bancos de madeira, além de contar com um altar em cedro estilo barroco, um local muito concorrido para enlaces matrimoniais. 


A capela de São Francisco de Borja.

Construída originalmente na casa sede da Fazenda Santa Maria, a capela veio a ruir e foi reerguida na década de 1940 no local onde se encontra atualmente, com uma torre sineira (com sinos), altar e retábulo adaptado à altura do forro.

Nos anos 2000, já em posse dos proprietários atuais, a capela passou por reformas, adaptando-se a sacristia, banheiro, bastistério e coro, elevando o teto, antevendo o futuro restauro do altar à sua altura original.

Seu padroeiro é um santo espanhol canonizado em 1671, cuja festa ocorre no dia 10 de outubro.” 


Entrada para a antiquíssima Fazenda Santa Maria.

Prosseguindo, 500 metros à frente, transitamos diante da entrada da centenária Fazenda Santa Maria.

"Fundada pelo comendador Antônio Manuel Teixeira, em 1830, no auge da produção cafeeira na região, sendo seu rico conjunto arquitetônico composto pela casa-sede, capela e diversas instalações, se encontram em ótimo estado de conservação, sendo que ela foi adquirida pelos atuais proprietários em 1989.

Segundo eles, a recuperação da casa-sede e de todo o seu entorno levou 12 anos, em um trabalho intenso e minucioso.

Atualmente, a Santa Maria oferece eventos de um dia, tais como: reuniões de trabalho, celebrações religiosas e passeios para grupos (acima de 20 pessoas) interessados em fazer um tour histórico-cultural.

Nesse item específico, o passeio tem 2 h 30 min de duração, incluindo água e suco de frutas, visitas à casa-sede, senzala, capela, horta e pomar.

Na propriedade, atualmente, é produzido licor de jabuticaba e sua administração oferece aos visitantes, desde 2005, a oportunidade de conhecer o processo de produção da bebida, pois na temporada da fruta acontece o “pague e colha” no pomar de jabuticabeiras, árvore frutífera da família das mirtáceas e nativa da Mata Atlântica.


Já em descenso, sempre pela larga estrada em terra nominada “rua” Professora Lydia Abdalla, ultrapassamos um ribeirão por uma ponte e, logo à frente, num cruzamento, percorridos 17 quilômetros, seguimos à esquerda e, em seguida, enfrentamos forte ascenso, onde cruzamos com inúmeros ciclistas que aproveitavam o feriado para fazer seu “pedal” matutino. 


A cidade de Campinas aparece no horizonte, desde o "alto" da Fazenda Alpes.

Nesse trecho final, ao transitar diante da entrada para a centenária Fazenda Alpes, fizemos outra pausa para hidratação e fotos, pois dali era possível visualizar, face ao bom clima, a distante Refinaria de Paulínia (Replan), a maior refinaria de petróleo da Petrobrás, em termos de produção. 


Quase chegando... próximo do Bar da Cachoeira.

Na sequência, passamos, sequencialmente, diante do acesso à Fazenda Monte Belo, Bar da Cachoeira e Condomínio Residencial Morada das Nascentes, e nesse trecho derradeiro encontramos muitas pessoas correndo, outras caminhando, além de inúmeros ciclistas e motociclistas percorrendo a trilha.

E sem maiores novidades, mas em excelente astral, aportamos ao local de onde partíramos de manhã, encerrando mais um maravilhoso “trekking” ao lado de meu amigo Demétrius. 


O meu grande amigo Demétrius, parceiro de longa data e ótimas recordações!

A ele, novamente, meu agradecimento sincero pela companhia, amizade e excelente condicionamento físico demonstrado em nossa alegre trajetória. 


FINAL

(Autor: Carlos Cardoso Aveline


A arte de viver com sabedoria inclui a necessidade de manter o corpo físico saudável e acostumado ao movimento.


Isso nos estimula a tomar duas providências: a primeira é incorporar um pouco de trabalho físico à nossa rotina diária.


A segunda é adotar o hábito de meditar caminhando.


Passear e contemplar a vida são duas atividades que podem ser feitas ao mesmo tempo.


Na trilha, feliz e bem-disposto... sob as bençãos divinas!

Quando caminhamos pela natureza, com o espírito livre de preocupações, nosso sistema nervoso relaxa, o sangue circula com

mais dinamismo e o cérebro e o coração têm sua vida renovada.


Em todo o organismo a vitalidade flui melhor.


Enquanto isso, podemos observar o processo da vida ao nosso redor e perceber mais claramente a nossa identidade profunda

com os outros seres.“ 


Bom Caminho a todos! 

Abril/2020