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GIRO DO PICO K2 + USINA DO RIO JAGUARI - 31 QUILÔMETROS


2020 - GIRO DO PICO K2 + USINA JAGUARI – 31 QUILÔMETROS

Eu nunca vou parar de enfatizar a importância da vontade; você pode superar todos os obstáculos. Experimente, tente novamente, persevere!” (Anton Vanligt) 


O Circuito que perpassa pelo topo do morro K2, há tempos habitava em minha latente curiosidade peregrina.

Assim, quando surgiu a oportunidade de desvendá-lo, imediatamente, convidei meu amigo Demétrius (Dedé), e “viajamos” até o local de partida, de onde iniciamos nossa agreste caminhada, e um resumo do que vivenciamos na trilha, conto abaixo. 




A NOSSA CAMINHADA 

Avance no seu desejo de conhecer o mundo e não tema as pessoas ao seu redor. Vá, pois nada que viver aqui ou ler lhe dará a experiência de ter visto ou vivido em terras estrangeiras da sua. Só é possível entender uma cultura quando se tem contato com ela!” 




Após 40 minutos de viagem, desde a cidade de Campinas, chegamos diante do Armazém Rural Bar, onde deixei meu veículo estacionado.

Saltamos nós dois, o Demétrius e eu, fizemos algumas flexões, depois, rapidamente nos aquecemos, então, animados e expectante, demos início à nossa empreitada do dia.

Seguindo em frente, trezentos metros adiante, chegamos ao bar e restaurante do Vicentão, que é sinônimo de receptividade e comida boa, mas que também se encontrava fechado quando ali passamos.

Ali, naquela manhã nascente, nós fletimos à direita e prosseguimos caminhando em leve ascenso, por uma estrada extremamente poeirenta, visto que há 3 semanas não chovia na região.

Percorridos 1.500 metros, chegamos ao topo do morro, situado a 900 m de altitude.

Então, seguimos caminhando por uma estrada plana, enquanto o dia, lentamente, amanhecia.

Nesse primeiro trecho aclivoso, não vimos e nem encontramos vivalma, apenas o gorjear dos pássaros dava o tom, saudando o novo dia.
Também ouvimos vários casais de seriemas gritando ao longe, numa baixada.

Bem, percorridos 2.500 m teve início severo descenso que fomos vencendo com cuidado, face ao piso seco e com muita terra solta, um convite à uma queda espetacular.

Depois, quando a estrada se aplainou, seguimos atravessando entre extensas pastagens pedregosas, onde o forte era a criação de gado leiteiro. 


A famosa Ponte Queimada, sobre o rio Jaguari.

Percorridos 5 quilômetros em ótimo e animado ritmo, atravessamos o rio Jaguari pela famosa Ponte Queimada, que marca a divisa dos municípios de Campinas e Pedreira.

Após uma pausa para fotos, já do outro lado, giramos à direita e prosseguimos beirando o caudal aquoso por mais 6 quilômetros, num trajeto silencioso, agradável e extremamente umbroso. 


Trânsito à beira do rio Jaguari, quase todo sombreado.

Nesse trecho passamos diante de chácaras e inúmeras fazendas, todas muito bem cuidadas.

Esse trajeto, sempre bordejando o rio Jaguari que corria pelo nosso lado direito, oferece locais extremamente arborizados, por onde seguimos solitários, agradecendo o dom da vida.

Em algum local à frente, percorridos 8 quilômetros, nós ultrapassamos novamente a divisa de municípios e deixamos o de Pedreira para adentrar no de Amparo, num local onde há uma placa informando tal transição.

Então, percorridos 11 quilômetros, próximo da ponte sobre o rio Jaguari onde se elevam as Torres da Embratel, a estrada se bifurcou, nós fletimos à esquerda e, de pronto, enfrentamos um duro ascenso que perdurou por 3 quilômetros. 


Em ascenso pela "Subida do Cafezal".

Nesse trajeto ermo e silencioso, também chamado de subida do Cafezal, nós transitamos entre extensos cafezais e enormes campos de pastagens, onde a tônica era a criação de gado leiteiro.

O visual a partir deste ponto é extremamente belo, podendo-se avistar vários morros ao redor e ter a companhia de pedras enormes a ladear a trilha. 


Grandes pedras tão o toque nesse trecho, ainda ascendente.

A estrada seguiu plana por mil metros, depois voltou a empinar e no 16º quilômetro, nós atingimos a altitude de 1.044 m, depois, caminhamos mais um pouco num planalto, num local onde havia farta cobertura vegetal, propiciada por um nicho de mata nativa.

Depois, pela derradeira vez, voltamos a ascender e no 17º quilômetro nós chegamos a 1.050 de altura, o ponto de maior altimetria dessa jornada, num local situado em meio a espesso bosque de eucaliptos. 


No topo do K2, a 1.050 m de altitude.

Ali fica o topo do morro K2, assim nominado pelos ciclistas que percorrem, semanalmente, esse trajeto.

Então, principiamos a descender, num trajeto fresco e agradável, com plena visão de todo o entorno. 


Encontro de várias trilhas nesse ponto.

E, mais abaixo, pudemos avistar ao longe o lago represado da Usina Jaguari, por onde iríamos passar mais abaixo.

Já sob sol forte, no 22º quilômetro nós nos enlaçamos com uma trilha que vinha à esquerda, desde o bar do Basílio, então, a partir daquele local, fomos ultrapassados por um razoável número de ciclistas. 


Meu amigo Dedé em descenso, num trecho aberto e arejado.

Logo abaixo nós acessamos a rua Ciziro Imbrunitto e 700 m adiante, sob a frondente copa de eucaliptais, nós atingimos o cume de outro morro, situado a 875 m; depois, passamos a descender com violência.

Dali nós detínhamos uma visão privilegiada de toda a área circundante, bem como podíamos avistar a cidade de Campinas, ao longe, no horizonte, já banhada por intensos raios sol.

Prosseguimos em descenso e entre campos de pastagem, e logo pudemos avistar do lado esquerdo e abaixo, o espelho d'água da represa Jaguari, algumas residências situadas em sua margem e a extensa mata ciliar que a protege. 


O lago represado da Usina Jaguari.

Percorridos 23 quilômetros, num local onde há um grande açude, transitamos diante da centenária Fazenda Jaguary, originada da sesmaria de Alexandre Barbosa que, em 1885, pertencia a Carlos Aranha & Irmão, e possuía 250 mil pés de café, máquina de benefício à água e terreiros de terra vermelha.

Na sequência, caminhamos à beira de um grande capão de mata nativa até que, percorridos 26 quilômetros, principiamos a descender com força.

No 27º quilômetro, por uma moderna ponte, que homenageia a Alcides Tonon, um mestre de obras que trabalhou na Prefeitura Municipal de Campinas durante 31 anos e faleceu em novembro de 2013, nos ultrapassamos novamente o rio Jaguari. 


Ponte sobre o rio Jaguari, após a Usina.

A antiga ponte que ali existia era feita de madeira e acabou se deteriorando pela ação do tempo e falta de manutenção ao longo dos anos, porém a nova, inaugurada em julho de 2014, foi construída em concreto, o que garante a sua longa durabilidade,

Essa via é um importante elo de ligação entre o distrito de Joaquim Egídio (Campinas) e Pedreira, e é utilizada para o escoamento da produção rural entre os dois municípios.

Sabe-se que quando de sua interdição, os usuários precisavam utilizar um desvio que aumentava o percurso em cerca de 20 quilômetros.

Então, a reconstrução dessa passagem se refletiu, particularmente, na redução do movimento de veículos pesados no centro do distrito de Joaquim Egídio, vez que os motoristas voltaram a utilizar a Estrada de Santa Maria.

Em seguida, passamos diante da Casa das Máquinas da Usina Jaguari, que recebe três imensos tubos de ferro, provenientes da barragem, pelo qual a água do rio Jaguari corre, em declive, rumo às turbinas que geram energia desde a primeira década do século XX. 


HISTÓRIA DA USINA JAGUARI 

A Empresa Hidrelétrica Jaguari foi uma iniciativa de Silvio de Aguiar Maya e sua família, que em 1912 inauguraram a usina hidrelétrica de Macaco Branco, no rio Jaguari, próxima à cidade paulista de Pedreira.

Os Maya possuíam vários empreendimentos no município de Pedreira, como olarias e a Tecelagem Santa Sofia.

A energia gerada no Macaco Branco era distribuída para Pedreira e para o povoado de Jaguari, então pertencente ao município de Mogi Mirim e emancipado em 1953 com o nome de Jaguariúna.

A Empresa Hidrelétrica Jaguari permaneceu como uma empresa familiar até 1979, quando foi vendida à Companhia Paulista de Energia Elétrica, um tradicional conglomerado de empresas de eletricidade formado em 1912 sob a liderança do coronel Vicente Dias Jr., concessionário no município de São José do Rio Pardo. 


A Casa das Turbinas da Usina Jaguari.

A Companhia Paulista de Energia Elétrica (CPEE) e suas afiliadas no interior de São Paulo continuaram nas mãos de famílias brasileiras pela maior parte do século 20, até que em 1999 foram adquiridas pelo grupo estadunidense CMS Energy Brasil.

Em 2007, a CPFL comprou da CMS Energy Brasil o conjunto de empresas pertencentes à antiga CPEE, que passaram a integrar a holding CPFL Energia.

A operação da antiga Empresa Hidrelétrica Jaguari, que atendia os municípios de Jaguariúna e Pedreira, tornou-se a CPFL Jaguari.

Especificamente, quanto à Usina Jaguari, insta esclarecer que seu conjunto foi construído em estilo arquitetônico inglês pela antiga “Companhia Campineira de Tracção, Luz e Força.

Ela foi inaugurada em 1911 e a geração de energia destinava-se ao abastecimento de Pedreira, importante município da região de Campinas, de produção cerâmica, com inúmeras olarias e fornos, indústria esta desde o início do século XX. 


O rio Jaguari, praticamente seco, desde a ponte da Usina.

Seguindo adiante, agora em forte ascensão, nós logo transitamos diante de um triste e melancólico enclave, onde hoje só restaram várias casas abandonadas e já em ruínas, pois, antigamente, ali residiam os funcionários da Represa Jaguari.

Ainda em ríspido aclive, passamos diante do “Subidão da Galera”, situada do lado direito do caminho e considerada uma trilha “top” para se fazer de moto, ponto de encontro de inúmeros trilheiros da região de Campinas.

Percorridos 29 quilômetros, transitamos diante do bar Univerde, outro estabelecimento muito elogiado pelos frequentadores das trilhas da região.

Ainda em ascenso, no 31º quilômetro nós voltamos a passar defronte ao bar do Vicentão e 300 metros à frente, chegamos ao Armazém Rural Bar, onde eu deixara meu veículo estacionado.

Ato contínuo, nos cumprimentamos pelo sucesso do “giro”, fizemos a necessária e farta reidratação, depois, adentramos no automóvel e retornamos aos nossos lares.

Sobre o percurso realizado, diria que fomos abençoados com um dia claro, soleado e com temperatura amena, até às 10 h, o que muito contribuiu para o nosso excelente desempenho inicial nesse maravilhoso giro.

Porém, depois desse horário o calor grassou forte e passamos um grande sufoco no trecho final, todo em ascensão, desde a Usina Jaguari até o Armazém Rural Bar, pois nossa água havia findado e nos deparamos com um expressivo movimento de veículos e bicicletas, em ambas as direções, o que acabou por gerar insegurança física, além de intensa poeira no ar.

Contudo, apesar desses percalços, posso afirmar que o trajeto percorrido hoje perpassa por áreas de expressiva conservação, beleza e ermosidade, um bom motivo para se conectar com o universo, enquanto se aprecia a exuberante natureza que ladeia toda a extensão desse magnífico circuito. 


Meu grande amigo Demétrius, na Ponte Queimada, sobre o rio Jaguari.

Por fim, um agradecimento especial ao meu preclaro amigo Demétrius (Dedé), que novamente dividiu a “trilha” comigo, nessa data especial, quando se comemora a Independência do Brasil.

Pois como bem disse o grande navegador brasileiro Amyr Klink: Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só.



FINAL

Antes de cortar o ramo de uma árvore ou tirar uma flor avise o espírito da árvore ou da planta do que você vai fazer, para que ele possa retirar sua energia daquele lugar e não sinta tão forte o corte.

Quando você vai para a natureza e quer pegar uma pedra que estava no rio, pergunte ao guardião do rio se lhe permite tirar uma das suas pedras sagradas.

Se você tem que subir uma montanha ou fazer uma peregrinação na selva, peça permissão aos espíritos e guardiões locais.

É muito importante que você comunique mesmo que você não ouça ou não veja.

Entre com respeito por cada lugar, já que toda a natureza te ouve, e te vê.


Natureza exuberante na trilha de hoje! Obrigado Senhor Deus!

Cada movimento que você faz no microcosmo, gera um grande impacto no macrocosmo.

Quando você se aproximar da vegetação, agradeça pela medicina que tem para você.

Honre a vida em suas múltiplas formas e esteja ciente de que cada ser está realizando o seu propósito, nada foi criado para encher espaços, tudo e todos estamos aqui lembrando a nossa missão, recordando quem somos e

acordando do sonho sagrado para voltar para casa.” 


Bom Caminho a todos! 

Setembro/2020