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Trilha do rio Jaguari


2020 – TRILHA DO RIO JAGUARI + MARIA NONNA - (JOAQUIM EGÍDIO) – 29 quilômetros

Não há caminhos sem obstáculos. Não há percursos sem quedas. Existem, no entanto, entraves que nos obrigam a parar e avaliar novos roteiros, que podem ser extraordinários e inesperados. Há empecilhos dos quais podemos vislumbrar e depois seguir outros rumos. Como você pode ver, uma dificuldade pode ser preenchida com oportunidades. Um colapso pode se tornar um renascimento ... Às vezes, é apenas uma questão de perspectivas ... outras vezes, apenas uma questão de tempo ...!” 




O distrito de Joaquim Egídio, situado na zona rural de Campinas, é bastante conhecido por sua vida pacata e arquitetura colonial, mas, também e principalmente, por sua exuberante natureza e clima de cidade pequena, com trilhas, cachoeiras e muito verde, que convida todos a se movimentar em seu entorno.

Por sinal, os benefícios das atividades físicas regulares para a saúde são amplamente divulgados e conhecidos da população em geral, mas a distância entre assimilar a teoria e levá-la à prática ainda é grande.

O sedentarismo, todos sabemos, está relacionado aos principais fatores de risco para obesidade, diabetes, problemas cardíacos e doenças renais crônicas, enquanto que caminhar faz bem ao coração, rins, aumenta o bem-estar e ajuda a prevenir várias doenças.

Porém, há pessoas que vão "empurrando com a barriga" a decisão de sair do sofá e se colocar em movimento, e que acaba engrossando as estatísticas de mazelas associadas à inatividade.

Graças ao bom Deus este não é o meu caso, de forma que resolvi afrontar solitário a famosa Trilha do Rio Jaguari, um percurso de razoável extensão e dificuldades, contudo, de expressiva e inesquecível beleza, como abaixo descrevo:


SOBRE O DISTRITO DE JOAQUIM EGÍDIO


Dos quatro distritos de Campinas, Joaquim Egídio é o mais distante e rural deles, possui inúmeras belezas naturais, fazendas de mais de um século e várias trilhas para ecoturismo, passeios de bike, motos e jeeps, tornando o local muito frequentado nos finais de semana, em suma, um lugar com boas opções de lazer, turismo e gastronomia.

Sousas e Joaquim Egídio são dois distritos da cidade de Campinas com aproximadamente 222 quilômetros quadrados de extensão, fazem parte da APA (Área de Proteção Ambiental) de Campinas, área de maior concentração de matas naturais e águas, com 60% da Mata Atlântica remanescente e de vegetação rara, típica de ambientes rochosos.

Localizado a cerca de 15 km do centro da cidade, é o distrito mais distante de Campinas, estabelece limites com os municípios de Morungaba, Pedreira e Valinhos.

Seu nome é em homenagem a Joaquim Egídio de Sousa Aranha, marquês de Três Rios. 


A antiga Estação Ferroviária de Joaquim Egídio/SP.

A região onde fica Joaquim Egídio, assim como Sousas, surgiu em função das fazendas cafeeiras e se desenvolveu com o estabelecimento do Ramal Férreo Campineiro, estabelecido na década de 1890 e extinto em 1960 , que ligava Joaquim Egídio à Estação Campinas (atualmente Estação Cultura).

A primeira data que se tem notícia sobre a fundação do lugarejo estava na placa de uma antiga casa da chácara Castália, datando a construção no ano de 1842.

Major Luciano Teixeira Nogueira foi o fundador, mas antes a localidade teve duas denominações: Laranjal e São Luciano (em homenagem ao major).

Em 1885 Joaquim Egídio de Sousa Aranha, o Marques de Três Rios, passou a ser o proprietário da fazenda Laranjal .

Como o bairro das Cabras ficava distante do centro da cidade, a partir de 1877, o lavrador Antônio Pompeu de Camargo cogitou sobre a necessidade de se ligar o bairro com um ponto na malha ferroviária paulista, a Estação Campinas que ficava no centro de Campinas.

Através de um acordo com a Companhia Paulista, no dia 09 de Setembro de 1904 a linha foi inaugurada e durante 26 anos transportou a produção cafeeira do distrito até a Estação da Mogiana no centro de Campinas.

A criação oficial do distrito, até então um povoado, ocorreu com o desmembramento de seu território de Sousas, através da Lei Estadual 5.285, de 18 de fevereiro de 1959.


A MINHA CAMINHADA

As dores da idade atrapalham o enfrentamento das subidas íngremes, mas a beleza e a paz de espírito batem mais forte, então, as dores adormecem.” (Christiano Ottoni) 


Restaurante Feijão com Tranqueira, local de partida nesse dia.

Por uma questão de logística, parti às 6 h 30 min do Restaurante Feijão com Tranqueira, onde deixei meu veículo estacionado, seguindo adiante pela rodovia SP-081 – José Bonifácio Coutinho Nogueira, que vai em direção à cidade de Morungaba/SP.

Mil metros à frente e com o dia raiando, eu abandonei o asfalto e adentrei à esquerda em larga via de terra, nominada de Estrada Santa Maria, que segue em direção à Usina Jaguari, construída sobre o rio homônimo.


Próximo do Pesqueiro Berro d'Água, estrada plana e hidratada.

Nesse agradável “passeio”, transitei, sequencialmente, diante do Sítio 3 Curumins, Haras do Pegasus, Sítio do Peagasus e Pesqueiro Berro d'Água, depois, percorridos 2.000 m, iniciou-se severo ascenso, que fui vencendo, lentamente, mas com grande disposição, pois o clima se encontrava fresco e hidratado, já que o sol ainda não havia aparecido. 


No topo do morro, uma pedra bastante peculiar em frente, parecendo um grande lagarto.

Percorridos 3.500 m, cheguei no topo da serra, situado a 934 m, e defronte à fazenda São Lourenço, eu fiz uma pausa para fotografar a cidade de Campinas, que aparecia no horizonte a, aproximadamente, uns 25 quilômetros de distância em linha reta.

Então, na sequência, passei a caminhar pelo topo do morro, em meio a grandes touceiras de bambu e, em lento ascenso, logo atingi 940 m, o ponto de maior altimetria dessa jornada. 


Do local de maior altimetria dessa etapa, Campinas aparece ao longe, no horizonte.

Passei, então, diante do sítio Terra Mãe, de onde, face sua privilegiada localização, se detém uma vista incrível e praticamente livre, em 360 graus, tanto que o nascer e o por-do-sol dali visualizados são estonteantes.

Esse sítio conta com uma linda horta orgânica em mandala, pomar, área externa com piscina, deck e pergolado, sendo que a casa tem excelente estrutura para proporcionar aos hóspedes todo o conforto necessário, enquanto desfrutam de dias descontraídos.
Na verdade, esse enclave ecológico é um espaço de conexão com a natureza, assim, todo cultivo é orgânico e por isso tudo tem muita vida e beleza natural.

Um conselho estampado no site desse estabelecimento recomenda: utilize de sua criatividade e contemple a natureza, meditando, praticando yoga, ou, simplesmente, lendo um livro, ao som do gorjeio dos pássaros e da brisa refrescante, e aproveite também para caminhar pelo espaço, descobrindo as árvores, e os frutos que você pode comer do pé, além das sensações de se conectar com o universo. 


Em descenso, logo depois de transitar diante do sítio Terra Mãe.

Então, logo à frente, principiei a descender e numa bifurcação, percorridos 5.500 metros, fiz outra pausa para fotografar uma bela igrejinha, toda vestida de amarelo recente, cujo padroeiro é São Francisco de Borja.

Construída originalmente na casa-sede da Fazenda Santa Maria, a capela foi reconstruída em 1940 e nos anos 2000 ganhou novos proprietários. 


A capela de São Francisco de Borja.

Prosseguindo, caminhei por locais planos e sobre piso socado, entre campos de pastagens e de reflorestamento de eucaliptos e, percorridos mais oitocentos metros, passei diante do Armazém Rural Bar, um local bastante recomendado pelos frequentadores da região, que afirmam ser uma das melhores opções para pessoas que desejam um lugar tranquilo e amigável para saborear o gostinho da comida caseira.


Um dos acessos ao Armazém Rural Bar.

Localizado em Joaquim Egídio, o estabelecimento atrai clientes pela sua simplicidade e originalidade. Há seis anos no mercado, o restaurante se tornou ponto de referência para pessoas que buscam por um ambiente calmo e familiar.

Além disso, o espaço conta com uma área destinada apenas ao lazer infantil, onde as crianças entram em contato com a natureza enquanto se divertem.

A costela no bafo, o filé de tilápia e a linguiça caseira feita pelo proprietário Adriano Queiroz de Andrade, é a marca de exclusividade do bar, e o sabor das refeições preparadas carinhosamente no fogão à lenha, faz com que você se sinta em sua própria casa.

Pela necessidade de atender um público maior, a proprietária e também cozinheira, Rosângela Aparecida de Andrade, resolveu expandir o ambiente onde o restaurante está localizado, fazendo com que um pequeno armazém de família se tornasse um local capaz de receber grandes eventos.

Em 2015 o restaurante sediou um encontro de Jeeps destinado às pessoas da região, sendo que o evento reuniu cerca de 150 convidados.

O estabelecimento também acolheu pela quarta vez consecutiva os participantes do Circuito de Trekking de São Paulo, sendo que o Armazém Rural também já recepcionou encontros de comidas vegetarianas e pratos alternativos para agradar todos os gostos e peculiaridades.


Trecho entre o Armazém Rural e o Bar do Vicentão.

Prosseguindo, trezentos metros adiante, cheguei ao bar e restaurante do Vicentão, que é sinônimo de receptividade e comida boa, mas que também se encontrava fechado quando ali passei.

Nesse magnífico lugar, uma linda capelinha erigida logo na entrada do estabelecimento dá as boas-vindas aos clientes, e uma fonte recém-construída, com carpas nadando, incrementa ainda mais a tranquilidade do local.

Trata-se de um famoso ponto de encontro entre as diferentes tribos de aventureiros: ciclistas, cavaleiros, caminhantes, jipeiros e motociclistas, que ali se apinham nos finais de semana para garantir uma cerveja gelada, acompanhada pela “imperdível” porção trio, que é composta por torresmo, calabresa e mandioca frita. 


Entrada do bar do Vicentão. Ainda fechado, quando por ali passei. 

Pode-se, inclusive, almoçar, ao som da casa, que é basicamente moda de viola, o que harmoniza perfeitamente com o ambiente integralmente familiar.

O estabelecimento foi aberto em 1998 e durante os finais de semana está sempre cheio, sendo que nos últimos anos recebeu frequentes reformas que o deixaram com ares de casa do campo, de “caboclo”.

Segundo seus frequentadores, é um daqueles “botecos” que precisamos conhecer um dia para aproveitar a natureza e sair da confusão da cidade.

Para chegar lá leva-se uns 40 minutos a partir do centro de Campinas e a “viagem” em um final de semana será, com certeza, muito bem aproveitada. 


Caminhando pelo alto da serra, trecho plano e retilíneo.

Naquele local, ao invés de seguir em frente, em direção à Usina do rio Jaguari, eu fleti à direita e prossegui em leve ascenso pela nominada Estrada do Feliciano, ladeado por grandes plantações de eucaliptos.

No topo do morro, encontrei os amigos Aleio e Fernando que também faziam um trekking, mas ao redor da Represa do rio Jaguari, no entanto, como uma parte desse traçado nos era comum, prosseguimos juntos, em alegre e profícuo diálogo.
 

Foto desde o alto da serra. Ao longe e em frente, o município de Pedreira/SP.

Percorridos 8 quilômetros, enfrentamos forte declive, amenizado pela mata nativa que nos envolvia, depois, já no plano, transitamos entre grandes fazendas de criação de criado, até chegar ao rio Jaguari, que atravessamos pela emblemática Ponte Queimada, local em que se situa a divisa dos municípios de Campinas e Pedreira. 


A famosa Ponte Queimada sobre o rio Jaguari.

O clima se encontrava fresco, sol moderado, excelente para caminhar.

Até aquele ponto eu havia percorrido 11.500 metros, então, na companhia dos amigos, fizemos uma foto para eternizar esse momento tão especial.
 

Com os amigos Aleio e Alexandre, na Ponte Queimada, sobre o rio Jaguari.

Depois, trocamos palavras de incentivo mútuo, atravessamos a ponte e nos despedimos, pois eu seguiria à direita e eles girariam à esquerda, já retornando ao ponto de partida.

Assim, extremamente animado, prossegui caminhando à beira do rio, por uma estrada bucólica, de piso firme e úmido, num trajeto quase todo sombreado e que oferece magníficas paisagens. 


Caminhando à beira do rio Jaguari. Estrada plana e arborizada.

Nesse trecho passei diante de chácaras e inúmeras fazendas, todas muito bem cuidadas. 


Muita sombra no trajeto.

Esse trajeto, sempre bordejando o rio Jaguari que corria pelo meu lado direito, oferece locais extremamente arborizados, por onde segui solitário, agradecendo o dom da vida.

Também, nesse interregno, cruzei e fui ultrapassado por inúmeros ciclistas que “faziam” seu pedal sabatino. 


Paisagens incríveis. Trânsito por locais maravilhosos.

Em algum local à frente, percorridos 14 quilômetros, eu ultrapassei novamente a divisa de municípios e deixei o de Pedreira para adentrar no de Amparo, num local onde há uma placa informando tal transição. 


Outro trecho sombreado... quase no final, antes de atravessar novamente o rio Jaguari.

Então, percorridos 17 quilômetros, numa bifurcação, fleti à direita e, por uma ponte, ultrapassei novamente o rio Jaguari, depois acessei uma via ascendente calçada por paralelepípedos e logo avistei algumas torres da Embratel, atualmente, desativadas, e pertencentes ao município de Morungaba. 


As torres da Embratel, atualmente, desativadas.

Trata-se de um local turístico e arborizado, parada obrigatória dos ciclistas e trilheiros da região, para fotos e observação. 


Entrada para o Trilha Maria Nonna.

Defronte a esse local há um portal de pedras, sinalizando a entrada para outra via vicinal de terra: a Trilha Maria Nonna, que segue em direção à Estrada das Cabras.

Então, dobrei à direita e após vencer empinada ladeira, passei a caminhar pelo topo de outro morrote, com largas vistas do horizonte.

Já em descenso, eu detinha uma vista maravilhosa de uma grande fazenda que surgia à minha frente e abaixo, onde o forte eram as imensas plantações de hortaliças, das mais variadas espécies. 


Trecho em descenso e sombreado.

Na sequência o caminho se aplainou e prossegui varando capões de mata nativa, entremeados com extensos campos de pastagem, onde avistei rebanhos de gado leiteiro e, surpresa, um extenso cafezal.

No 22º quilômetro eu transitei diante da entrada da Fazenda Lajeado, um local de profunda paz e de beleza natural, onde se destaca um casarão aconchegante e perfeito para imersões e retiros. 


Entre eucaliptais. À frente, um par de ciclistas.

Trata-se, de acordo com seus frequentadores, de um local mágico e encantador, com acolhimento de primeira e belezas sem fim.

Segundo o site da propriedade, ela se encontra situada em um recanto tranquilo, no meio da pitoresca serra das Cabras, um destino turístico, que se localiza nos municípios paulistas de Campinas (distritos de Joaquim Egídio e Sousas) e Morungaba. 


Mais sombra no percurso. O peregrino agradece! Local próximo da Fazenda Lajeado.

Sendo que muito de sua área faz parte de uma APA (Área de Proteção Ambiental), criada em 2001, com altitudes que chegam a 1078 metros.

Seu projeto “VIVENCIAS - RETIROS - IMERSÕES” nasceu dos encontros frequentes do casal de proprietários com os melhores amigos; pessoas em busca de si mesmas e apaixonadas pelo caminho de autoconhecimento, terapia e meditação.

Hoje suas portas estão abertas para todos que procuram bem-estar, paz e relaxamento, num ambiente aconchegante em meio à natureza.



Atravessando outra mata nativa. Locais maravilhosos!

Seguindo em frente, no 23º quilômetro o roteiro foi se empinando e logo enfrentei íngreme ascenso que, em seu final, me levou a 900 m de altitude, depois, ainda que por um breve trecho, o roteiro se aplainou.

Então, caminhei por um local plano e, percorridos mais 300 metros, acessei a já conhecida estrada da Fazenda Bonfim, onde fleti à direita e prossegui em forte descenso. 


Reencontro com a rodovia que segue em direção a Morungaba/SP.

No 26 º quilômetro eu cheguei ao asfalto e segui à direita, sempre em franco descenso.

Nesse trecho final, percorridos 27 quilômetros, passei diante da Fazenda das Cabras, outra propriedade que faz parte da história de Campinas.

“A Fazenda das Cabras é um verdadeiro oásis localizado em Joaquim Egídio (distrito de Campinas), uma área de preservação ambiental, com natureza exuberante e estrutura impecável. As árvores centenárias, ar puro e córregos limpos são o cenário perfeito para transformar festas em experiências únicas e inspiradoras. Complementando a beleza natural, há a construção de estilo arquitetônico do século 19, com todo o charme histórico preservado

A Fazenda surgiu em 1820, da divisão da Sesmaria do Sertão. Inicialmente destinada à criação de gado, a fazenda depois transformou-se em produtora de café. Em 1877, foram construídos o núcleo industrial e outras edificações vinculadas à produção cafeeira: tulha, casa das máquinas e armazéns. 


Entrada da centenária Fazenda das Cabras.

A casa sede foi erguida em 1883 e seu requinte colonial perdura até os dias de hoje. Os proprietários decidiram aproveitar o ótimo estado de conservação dos prédios do polo industrial e a paisagem natural privilegiada para dar função, a partir de 2007, a espaço para eventos, tais como casamentos, reuniões corporativas e ecopedagógicas.

Mas os clientes não são arrebatados apenas pelo cenário. O atendimento exemplar é outro trunfo da fazenda, com amplos salões, cozinha de padrão industrial e estacionamento reservado aos convidados com capacidade para receber até 950 automóveis, com acesso para ônibus e vans.

Durante o ano, cada estação revela seus encantos pela área. No outono, flores tingem de vermelho o caminho que leva até a sede. No verão, os pássaros chegam para aproveitar as mais de 30 nascentes de água cristalina da propriedade. Ou seja, cada dia é uma deliciosa surpresa, como deve ser uma história de amor.” 


No final, de volta ao Restaurante Feijão com Tranqueira.

Seguindo em frente, após percorrer 29 quilômetros, cheguei diante do restaurante Feijão com Tranqueira, local de onde eu havia partido de manhã e, então, satisfeito mas um tanto exausto, dei por encerrada minha espetacular caminhada.

Depois, após a necessária hidratação, adentrei em meu veículo e retornei à minha residência.

Um agradecimento especial ao Aleio e Fernando, gratos amigos, com quem dividi a trilha por 4 quilômetros, na esperança de em breve reencontrá-los pelos caminhos da vida.

Sobre o trajeto desse dia, diria que foi extremamente agradável, mas, por sua extensão e face ao clima seco e pouco hidratado que vivenciávamos, tornou-se bastante desafiador, bem ao estilo que gosto de enfrentar.

Por isso, para intentá-lo, eu recomendo um bom preparo físico e mente determinada.


FINAL

Como numa trilha, o ser humano caminha pela vida sempre em fila indiana. Carrega em sua jornada duas mochilas, um mochilão nas costas e uma pequena mochila na frente. Na das costas, carrega seus defeitos e dificuldades. Na da frente, leva suas virtudes e qualidades - e mantém seus olhos atentos a ela. Sendo assim, carrega suas virtudes bem próximo ao peito, enquanto observa os defeitos e dificuldades do outro à frente, sem se dar conta que aquele que vem atrás pensa o mesmo dele.” (Autor desconhecido) 


Paisagens magníficas no trajeto desse dia.

TREKKING, UMA METÁFORA PARA A VIDA” 

Autor: Rafael Kosoniscs 

Sim, parece estranho, mas vejo o trekking como uma perfeita metáfora para a vida. Sempre senti que esta atividade possui uma relação muito forte com a maneira na qual lidamos com a nossa existência. Vou explicar melhor.

Acho impressionante como a prática da caminhada ao ar livre se assemelha a toda uma trajetória de vida. No trekking, encontramos dificuldades, alegrias, momentos difíceis, realizações, medo, descobrimos nossos limites, estimulamos a autoconfiança e planejamos alguns passos. E na vida também é assim. E vai além: caímos, levantamos, encontramos pedras, percorremos caminhos altos e baixos, nos distanciamos de pessoas, nos perdemos, nos encontramos, andamos sozinhos, andamos acompanhados, fazemos amigos, ganhamos desafetos e sempre estamos buscamos o ponto mais alto: a nossa realização pessoal.

Além disso, enxergo que o trekking seja uma verdadeira escola que tem um papel muito forte na construção de alguns valores, como solidariedade, companheirismo, consciência ecológica e diversos outros. Há quem possa dizer que tudo isso é bobagem, que o trekking não passa apenas de uma atividade ao ar livre. Nada além disso. 


Um agradecimento especial aos amigos Aleio e Fernando pela companhia na trilha desse dia.

Mas, em minha opinião, o trekking ajuda no processo de construção de identidade, como por exemplo, ter uma visão menos materialista do mundo, mas é certo dizer que não possui nenhuma garantia de mudança. Ele dá a oportunidade, mas vai de pessoa para pessoa.

Se carregamos muita carga pesada, também vivenciamos experiências que auxiliam na lapidação da nossa personalidade. Ou seja, conhecemos os nossos limites, viajamos, visitamos lugares fantásticos, lidamos com pessoas… enfim, todos os acontecimentos do trekking, como as tensões, tomada de decisões, conquistas, improvisos, sucessos, frustrações e outras experiências vivenciadas na caminhada são pertinentes à trajetória de vida do ser humano.

Então, assim como na caminhada da vida, a prática do trekking é um constante aprendizado e, uma vez que começamos a viajar, que colocamos a mochila nas costas, que aprendemos a caminhar, não queremos mais parar.

Fonte: https://www.seumochilao.com.br/