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Trovas Selecionadas

UMA SELEÇÃO COM MAIS DE 400 TROVAS ROMÂNTICAS E BURLESCAS

Pesquisadas em centenas de SITES da Rede Mundial de Computadores-Internet, algumas delas condensadas, ampliadas e revisadas, inclusive gramaticalmente.




Imaginei Deus brincando,
E ousei dizer no meu verso, 
Que a terra é um pião girando, 
Na calçada do universo. 

Pelo jeito desconfiado, 
Você é mineiro, falou, 
Uai gente, que trem danado, 
Como foi que adivinhou? 

Mesma essência do meu ser, 
Onde meu sangue fervilha, 
Gosto imenso de me ver, 
Nos olhos de minha filha. 

Para a seca exterminar, 
No meu Nordeste escaldante, 
Em sugiro represar, 
O pranto do retirante. 

Depois que meus olhos viram, 
A graça que os teus olhos tem, 
Nunca mais foram senhores, 
De olhar para mais ninguém. 

Pra cortar alho e limão, 
Sem misturar azedumes, 
Eu lanço, em primeira mão, 
A faca de dois legumes! 

Que luta quando a vejo, 
Tão sedutora e inocente, 
Já viu respeito e desejo, 
Brigando dentro da gente? 

Se eu voltar a rir um dia,
Acredita por favor, 
Tão falsa é minha alegria, 
Como foi o teu amor. 

Revejo em pleno abandono, 
A fazenda, e o pranto cai, 
Na sala um banco, um trono, 
De um grande rei, o meu pai. 

Casamento é mesmo o fim, 
Diz ela no seu enfado, 
Quem suspirava por mim, 
Agora ronca ao meu lado. 

Quanto mais a idade aumenta, 
E a ilusão se distancia, 
A gente mais de alimenta, 
Do pão da sabedoria. 

Maria pula a fogueira, 
Mas cai nas brasas sentada, 
Eis o fim da brincadeira, 
A parte de trás queimada. 

Bairro pobre, tudo escuro, 
Mas no namoro se esmera, 
E na moita atrás do muro, 
Tem até fila de espera. 

Lavre a terra e seja audaz, 
Jogue a semente no chão, 
Porto o mundo tem paz, 
Se tiver na mesa o pão. 

Apesar de eu ser feliz, 
Há um remorso a me doer, 
Do bem que eu pude e não fiz, 
Do mal que eu fiz sem saber. 

Ciúme não tem semente, 
Não dá flor nem é plantado, 
Mas sempre que é procedente, 
Dá galho pra todo lado. 

A esperança, eu não me iludo, 
É toda fundamentada, 
Numa promessa de tudo, 
Numa certeza de nada. 

Quando ris tenho certeza, 
Que Deus tão sóbrio e preciso, 
Exagerou na beleza, 
Quando fez o teu sorriso. 

Um delicioso requinte, 
O pensamento me tenta, 
Trocar-te por duas de vinte, 
Assim que faças quarenta. 

Desta saudade infinita, 
Não guardo mágoas porque, 
Foi a coisa mais bonita, 
Que me ficou de você.

No momento da partida,
Por milagre eu não morri, 
Se tu eras minha vida, 
Não posso morrer sem ti. 

O meu destino é uma estrada, 
De retas, curvas e desníveis, 
Que empaca na encruzilhada, 
Das ilusões impossíveis, 

Se meus filhos só falharam, 
A culpa é minha, bem sei, 
Meus conselhos se anularam, 
Nos maus exemplos que dei. 

Quanto vejo certos moços, 
Suspiro meus tristes ais, 
Fui eu que nasci tão cedo, 
Ou eles tardes de mais? 

Mesmo no inverno da vida, 
Ainda vivo a tua espera, 
Por isso visto a saudade, 
Com traje de primavera. 

Aprende a lição fecunda, 
Que há na própria dor, 
Depois da chuva que inunda, 
Ao sol se dá mais valor. 

Meditando sobre a morte, 
Digo aos crentes e aos ateus, 
A bondade é o passaporte, 
Que nos conduz para Deus. 

A amizade que é sincera, 
É uma frondosa figueira, 
De flores na primavera, 
E sombras a vida inteira. 

Algo existe de místico e profundo, 
No campalhar melódico de um sino, 
Seu som faz chegar ao nosso mundo, 
Vozes vindas de algum lugar divino. 

Foste embora! E em desatino, 
Vendo a mágoa em cada canto, 
Eu maldigo esse destino, 
Que me fez te querer tanto. 

Toda lágrima de amor, 
Rola de leve, mansinha, 
Com medo da própria dor, 
Quem em nosso peito aninha. 

Eu vivia da lembrança, 
Dos males por que passei, 
Hoje vivo da esperança, 
Que em teus olhos encontrei. 

Aceita o seu drama e pensa: 
Deus, o mais sábio juiz, 
A ninguém deu a sentença, 
De somente ser feliz. 

O perfume do teu lábio, 
Eu cantei em verso e prosa, 
Deus é mesmo um grande sábio. 
Pois o fez cheirando a rosa. 

Entre as escolhas que fiz, 
Eu sofri e sei porque, 
Uma só me fez feliz, 
Foi essa de amar você. 

Do mundo tudo espero, 
Pois entendo bem a vida, 
Prefiro o mal que é sincero, 
À bondade que é fingida. 

A mentira e a hipocrisia, 
Uniram ambas as mãos, 
Os que as usam, que ironia, 
Dizem-se ainda cristãos. 

É nossa alma uma criança, 
Que nunca sabe o que faz, 
Quer tudo que não alcança, 
Quando alcança não quer mais. 

Lealdade, uma utopia, 
Neste mundo mercenário, 
Somente achada hoje em dia, 
No cão e no dicionário. 

Quem dera um dia as fronteiras, 
Fossem elos nos unindo, 
Houvesse ao invés de barreiras, 
Somente a placa: bem-vindo!

Se Deus atendesse um dia,
Minha prece ingênua e doce,
Quem fosse mãe não morria,
Por mais velhinha que fosse.


A mulher, ou por vaidade, 
Ou por ser demais esperta, 
Depois de uma certa idade, 
Não tem mais idade certa. 

As almas de muita gente 
São como o rio profundo: 
-A face tão transparente, 
E quanto lodo no fundo!... 

Feliz aquele que lança, 
Todos os dias, risonho, 
No verde mar da esperança, 
O azul veleiro do sonho. 

Gotas de chuva caindo: 
Transparentes, incolores, 
E a luz do sol incidindo, 
Dispersando luz e cores.

Para haver jardins em flor,
Hóstias em elevação,
Foi mister que um lavrador,
Fizesse calos nas mãos.


Não pude conter o riso,
Quando ouvi que um deputado,
Tinha um crânio ainda mais liso,
Que bolso de aposentado.

Antes que o amor se finde,
Ou minha vida se acabe,
Seja este o maior brinde,
A quem eu amo e não sabe.

Só os tolos tem orgulho,
E desprezam os demais,
Chegando a morte, as caveiras,
São exatamente iguais.

Boca amarga, tudo gira,
Brindei com vinho e em excesso,
À dolorosa mentira,
Que seria o teu regresso.

Perdi-a, mas para vê-la,
Elevo os olhos contrito,
Ó mãe, és mais uma estrela,
A brilhar lá no infinito.

Lendo lá no cemitério, 
As inscrições sepulcrais,
Concluí bastante sério,
Que os maus não morrem jamais.

Vamos viver com prazer;
Seja qual for nossa idade,
E os dois juntinhos, correr,
Atrás da felicidade!

E se morresse a saudade?
Fatalmente eu morreria, 
Pois é esta doce maldade, 
O alimento do meu dia! 

Quanto mais a vida avança, 
Mais eu fico a compreender, 
Que a saudade é uma lembrança, 
Que se esquece de morrer! 

Vi minha mãe rezando, 
Aos pés da Virgem Maria, 
Era uma Santa escutando, 
O que a outra Santa dizia. 

Até nas flores se encontra, 
A diferença da sorte, 
Umas enfeitam a vida, 
Outras enfeitam a morte!

Onde há dúvida há suspeita,
De alguma coisa incorreta, 
Não há mentira perfeita, 
Não há verdade completa. 

Viver é doce agonia, 
A vida é toda surpresa, 
Ora nos traz alegria, 
Ora profunda tristeza! 

A paz será de verdade, 
Só quando prevalecer, 
O cultivo da bondade, 
No seio de cada ser. 

Mesmo que lhes desagrade, 
Dentre os sabores prefira, 
O amargo de uma verdade, 
Ao doce de uma mentira. 

A vida não vale nada, 
Se a gente nada produz, 
Tanto a pena quanto a enxada, 
Abrem veredas de luz. 

Redimindo os pecadores, 
Conduzindo-os para a luz, 
O maior dos sonhadores, 
Morreu pregado na cruz! 

Foi tanto gente querida, 
Residir na eternidade, 
Que a rua da minha vida, 
É asfaltada de saudade. 

Eu volto um dia, juraste, 
Eu não te espero, jurei, 
Mentiste, nunca voltaste, 
Menti eu sempre esperei. 

Ela voltou de surpresa, 
E eu pude assim, num só dia, 
Após chorar de tristeza, 
Também chorar de alegria. 

Expulsou-me, e por castigo, 
Eu feri sua vaidade, 
Pois fui levando comigo, 
Tudo o mais, menos saudade. 

Por ser a alma imortal, 
A morte não me intimida, 
Eis nosso fim natural: 
Morre o corpo, segue a vida. 

Quando se chega aos oitenta anos,
Sem azeite na candeia, 
É inútil fazer planos, 
De contar com a luz alheia. 

No entardecer desta vida, 
Sentindo os membros tão lassos, 
Eu desisto da corrida, 
E me jogo nos teus braços. 

Mais do que o próprio desdém, 
Nada nos deixa tão sós, 
Como saber que ninguém, 
Sente saudade de nós. 

Quanto mais sou maltratada,
Mais dos céus eu me avizinho, 
Lembrando a uva esmagada, 
Que ao sangrar produz vinho. 

Eu sei que foi fantasia, 
Mas a saudade me fez, 
Em nossa casa vazia, 
Ouvir teu riso outra vez. 

Nas horas de dissabor, 
De tragédia e de agonia, 
É que se sente o valor, 
De ter Deus por companhia. 

Tem de amor a vida cheia,
Quem prezando os bons valores, 
Grava as ofensas na areia, 
Porém na pedra os favores. 

O beijo da chuva fria, 
No chão ressequido e ardente, 
Num milagre propicia, 
O germinar da semente. 

Dentro de nós, pequenina,
Raramente pressentida, 
Está a semente divina, 
Embrião de nova vida. 

Parece que um anjo arruma, 

No céu a luz das estrelas, 
De dia apaga uma a uma, 
De noite torna a acendê-las. 

No doce olhar da criança, 
Quem se espelha, sempre espera, 
Ver renascer a esperança, 
De uma nova primavera. 

Observo os homens de perto, 
E analiso os animais, 
Fico sem saber ao certo, 
Quais são os irracionais. 

As canções são as amarras, 
A um tempo, lugar ou foto, 
Ouço o canto das cigarras, 
Sinto um cheirinho de mato. 

E o alfaiate explicou, 
Com palavras ressentidas, 
Já que o senhor não pagou, 
Vou tomar outras medidas. 

A inveja tem seu castigo, 
Deus mesmo é quem retribui, 
Enquanto o invejado cresce, 
O invejoso diminui. 

Curvada ao peso da idade, 
A vovó serena e bela, 
Distrai o tempo e a saudade, 
Entre o novelo e a novela. 

Sou como o galho sequinho, 
Que nunca frutificou, 
Mas sombreou o caminho, 
E muito ninho abrigou. 

Nada de queixa ou lamúria, 
Nem te rendas ao rancor, 
Por mais que te ofenda a injúria, 
Perdoa ao teu ofensor. 

Atrás da felicidade, 
Minha vida inteira corri, 
Mas quem sabe se na verdade, 
Eu já passei por ela e não vi. 

A brisa no Campo Santo, 
Tem um eco diferente, 
Lembra o soluço do pranto, 
Da saudade ali presente. 

Neste mundo que nos cansa,
Tanta maldade se vê, 
Que a gente tem esperança, 
Mas já nem sabe de que! 

Um grande amor quando finda, 
É brasa que perde a chama, 
Conserva o calor ainda, 
Porém nunca mais se inflama. 

Desde aquela despedida, 
Eu ainda vivo a pensar, 
Se irão de novo na vida, 
Nossas vidas se encontrar. 

Hoje o que mais nos consome, 
Nesta incrível bastardia, 
É a ladroeira sem nome, 
E uma tal burocracia. 

Cachorro em apartamento, 
Não há no mundo quem goste, 
Além de caro o sustento, 
Não tem lugar para o poste. 

Não sigas o mundo louco, 
Ouve o bom senso que diz: 
Quem se contenta com pouco, 
Nunca se sente infeliz. 

Que bem a vida me faz, 
Numa emoção doce e linda, 
Ao ver que me ama demais, 
E que eu te amo mais ainda. 

Peço a Deus que teus encantos, 

Se conservem sempre assim, 
Mas rogo a todos os santos, 
Que não te esqueças de mim. 

A saudade é calculada, 
Por algarismos também, 
Distância multiplicada, 
Pelo fator querer bem. 

O amor que às vezes nos mata, 
Outras vezes vivifica, 
É a loucura mais sensata, 
Que o mundo inteiro pratica. 

Se coragem eu não tenho, 
De mostrar meu sentimento, 
Nos versos não me contenho, 
E vivo os sonhos que invento. 

A noivinha vaporosa, 
Fita o noiva e se atordoa, 
De um pijama cor-de-rosa, 
Não vai sair coisa boa. 

Universal sem fronteira, 
É o vento artista invulgar, 
Constrói anéis de poeira, 
Cavalga as ondas do mar. 

Eu sei que a alegria existe, 
O problema é descobrir, 
Onde é que num mundo triste, 
Ela pode residir. 

Pão repartido ao meio, 
Com o irmão necessitado, 
Não carece de recheio, 
Já vem de amor recheado. 

A mulher no aniversário, 
Sempre deseja que a gente, 
Se esqueça do seu passado, 
E nunca do seu presente. 

Se eu pudesse repartia, 
Em gestos de amor profundo, 
O meu pão de cada dia, 
Entre os famintos do mundo. 

Paz e ternura, harmonia, 
E consciência tranquila, 
Quem faz o bem todo o dia, 
Toda noite há de senti-la. 

Conhecendo bem o mundo, 
Aconselho a mocidade: 
Fazer a cada segundo, 
Momento de eternidade. 

Aventura, mesmo pouca, 
Não a revele a ninguém, 
Peixe morre pela boca, 
Felicidade também. 

Por mais que eu busque entender, 
Uma mulher, não consigo, 
Corre de um rato a tremer, 
Se a gente a enfrenta é um perigo. 

Minha vizinha – que coisa! 
Anda sempre prevenida: 
Língua, olhos, ouvidos, 
Cuidando da minha vida. 

Entre as lembranças que guardo, 
Eis a que mais me entristece, 
Quando acerto ninguém lembra, 
Quando erro ninguém esquece. 

Há coisas que não aguento, 
Difíceis de se entender: 
Tanta cabeça de vento, 
Com letreiro de saber!

Nas lágrimas de remorso,
Há um fluído redentor, 
Por isso é que me esforço, 
Em perdoar, com amor. 

Quantas vezes na humildade,
Que veste um lar sem vintém, 
Se encontra a felicidade, 
Que o rico sonha e não tem. 

Depois que tu foste embora,
A chuva cai de tal jeito, 
Que em vez de cair lá fora, 
Cai é dentro do meu peito. 

Amigo de outra idade, 
Creio que achei um tesouro, 
De inteligência e verdade, 
Num coração que é de ouro. 

Chegam com a primavera, 
Mil perfumes, belas cores, 
Alimentando a quimera, 
Andar contigo entre flores. 

Não grito e julgo tolice, 
O gritar sem mais nem quando, 
Tudo o que a vida me disse, 
De melhor, foi sussurrando. 

Ter fama não é ter glória, 
Que os tolos atentem nisto, 
Pilatos entrou na história, 
Condenando Jesus Cristo. 

Dos meus atos de bravura, 
O que tem mais valor, 
Foi perder minha ventura, 
Na renúncia de um amor. 

Beijo na testa é respeito, 
Beijo no rosto é carinho, 
Beijo no queixo é vontade, 
De subir mais um pouquinho. 

Com a morte não termina, 
Um sincera amizade, 
Dentro do peito germina, 
A eterna dor da saudade.

Sobre um berço de criança, 
No seu divino mister, 
Paira sempre atenta e mansa, 
Uma sombra de mulher. 

Você nos deixou, é verdade, 
Mas, solidão não conheço, 
Pois, eu a tua saudade, 
Temos o mesmo endereço. 

Se teus sonhos, bem baixinho, 
O travesseiro contasse, 
A fronha branca de linho, 
Talvez, se ruborizasse. 

Pensei que te amava tanto, 
Foi ilusão, me enganei, 
Coisa esquisita, no entanto, 
Quando partistes, chorei! 

Por tanto que tem me dado, 
Pelo riso, pelo pranto, 
Destino, muito obrigado, 
Não sei se mereço tanto. 

O verde mar se parece,
Com o destino da gente, 
Em meio a paz se enfurece, 
Torna-se mau de repente. 

Pelo bem que me fizeste, 
Sem nunca me exigires nada, 
Pela luz que tu me deste, 
Minha mãe – muito obrigada! 

Eu trabalho desse jeito, 
Com a força que Deus me deu, 
Para sustentar um sujeito, 
Vagabundo que nem eu? 

Não há bicho que não deixe, 
Suas marcas na Julinha, 
No pé tem olho-de-peixe, 
No olho tem pé-de-galinha. 

Duas coisas neste mundo, 
Podemos contar a dedo: 
Livro que volta a seu dono, 
Mulher que guarda segredo. 

Partiste, e languidamente, 
Perdi-me na multidão, 
Meus olhos cheios de gente, 
Meus sonhos, de solidão. 

Senti, no suave cheiro, 
Que o vento me trouxe agora, 
Que o vento passou primeiro, 
Pela rua onde ela mora! 

Num beco escuro, a noivinha,
Testou seu noivo e, matreira,
Descobriu que ele não tinha,
Lenha prá sua fogueira.

Dorme no beco e afinal,
Diz o ébrio, sem conforto:
Eu também sou imortal,
Não tenho onde cair morto! 

Meu pranto ganha a importância, 
De mera casualidade, 
Quando o vento da distância, 
Traz um cisco da saudade! 

Por diversas circunstâncias, 
Partiste contra a vontade, 
Mas o amor vence as distâncias, 
Pelo atalho da saudade. 

Sábia natureza é farta, 
De lições, neste planeta, 
Quanto mais feia a lagarta, 
Mais bonita é a borboleta! 

Grassa o inverno, e a natureza, 
Se agasalha, enquanto espera, 
Para eclodir, em beleza, 
Nas flores da primavera! 

Esquecê-la, de que jeito? 
Por mais que a memória falhe, 
Cada suspiro em meu peito, 
Traz-me de volta um detalhe. 

Seu "talvez" foi hesitante, 
Mas o que marcou em mim, 
Foi a festa em seu semblante, 
Que valeu mais do que um "sim"! 

A natureza, no outono, 
Trouxe a noite peregrina, 
Que se agasalhou, com sono, 
Num casaco de neblina. 

Quando o amor tem consistência, 
Nada abala o seu teor, 
Ao contrário: a própria ausência, 
É quem lhe apura o sabor! 

Não sei se irei esquecê-la, 
Vai dar trabalho, acredito, 
Pois não perdi só uma estrela, 
Mas, o meu próprio infinito! 

O amor só tem estrutura, 
Naquele instante perfeito, 
Em que o desejo e a ternura, 
Se deitam no mesmo leito! 

Os atalhos escolhidos, 
Nos momentos de revolta, 
São penosos e compridos, 
E, quase sempre, sem volta. 

Tão linda era a luz, na rua, 
Que um ébrio tentou bebê-la, 
Mas tropeçou numa lua, 
E caiu sobre uma estrela! 

"Mãe-Natureza"! – Eis o nome, 
De quem, em nome do amor, 
Gera o fruto e estanca a fome, 
Do seu próprio predador! 

No sótão da alma vazia, 
Com tanta saudade em jogo, 
Se a ausência atira água fria, 
A lembrança aviva o fogo! 

Já não quero mais vingança: 
O tempo me convenceu, 
Que, ao matar minha esperança, 
Quem matou, também morreu! 

Batendo o carro de frente, 
Um japonês, meu vizinho, 
Em função desse acidente, 
Não come mais com pauzinho! 

É tão fiel o seu cão, 
Que ás vezes até "apela": 
Faz festa pro Ricardão, 
E morde o marido dela! 

Que pilhagem, acredite: 
Há tanto prá descontar, 
Que a gente pega o holerite, 
Já com: "LÍQUIDO A PAGAR"!... 

Vou lhe dizer cara a cara, 
Raimunda, o que está errado, 
E ela, interrompendo: -- Pára, 
Minha cara é do outro lado!... 

Se o teu noivado vai mal, 
É claro que isso me importa: 
Goteira no teu quintal, 
É chuva na minha horta! 

Goteira outra vez? Não brinca! 
Sobre o quarto, e ele nem nota, 
Que toda telha que trinca, 
Tem marcas da mesma bota! 

A velha, ao ver o tarado, 
Corria igual Satanás, 
Foi um sufoco danado: 
Ele na frente, ela atrás! 

Já é "coroa" o seu love, 
Mas é tão ativo e afoito, 
Que encara os 69, 
Com ânimo de 18! 

Casou-se com mulher feia, 
E, arrependido, hoje "apela": 
Vem do bar com a cara cheia, 
E ainda enche a cara dela. 

Usar pente todo dia, 
É mania do Rabelo. 
Seria normal? Seria, 
Se ele tivesse cabelo! 

Que elegante está você! 
Este pijama é perfeito! 
Só não entendo porque, 
Tantos números no peito!? 

É clara a marca das unhas, 
Nas costas do meu vizinho! 
E ele nem tem testemunhas, 
Mas jura que foi espinho! 

Quando ela tirou a roupa, 
Que susto levou o moço: 
A fruta, em lugar da polpa, 
Só tinha casca e caroço! 

Mulher de marido forte, 
Dando sopa a moço guapo, 
Se o moço não for de sorte, 
A sopa acaba em sopapo! 

Negar faz parte do jogo, 
Exceto em lições de casa: 
Se o marido nega fogo, 
Vem o amante e manda brasa! 

"Melhor tempero é o carinho!" 
Assim diz minha mulher. 
O problema é que o vizinho, 
Sente o aroma, e também quer!

Num dos lances mais astutos,

Que a vida tem-me inspirado, 
Eu mostro os olhos enxutos, 
E escondo o lenço molhado. 


Coração que tanto sofre, 
Guarde logo, sem demora, 
Toda a saudade num cofre, 
E jogue o segredo fora. 

Baú velho, tampo torto, 
Cartas e fotos mofando, 
Refúgio de um sonho morto, 
Que eu vivo ressuscitando! 

Não caso nem amarrado, 
Disse o noivo. E a noiva, então, 
Trouxe o bruto acorrentado, 
Por espontânea pressão! 

Acorrentado e com medo,
Bem quietinho ao lado dela, 
Ele aprende desde cedo, 
Que em casa quem manda é ela.

Se afirmas triste e descrente,
Que a vida acaba no chão,
Repara a humilde semente,
Em plena ressurreição.

Não sente o tempo passando,
Quem vive a vida com gosto,
E traz um riso enfeitando,
As marcas do próprio rosto.

Que mundo maravilhoso,
E em verso deixo meu grito,
É Deus, pintor primoroso,
Pondo cores no infinito!...

A imensa tela celeste,
É o palco para os pendores,
Do sol, o artista que investe,
Num arco de sete cores.

Trabalho só é bacana,
Se tiver, por sua vez,
Uma folga por semana,
E férias de mês em mês!

Sempre que eu vou me deitar,
Acompanhado na cama,
Já que eu sei que vou tirar
Prá que botar o pijama?

A minha sogra, assanhada,
No barracão da mangueira,
Foi muito mais apalpada
Do que laranja na feira!…

Visita prá meter medo,
Que nem vassoura adianta,
É aquela que chega cedo,
E só sai depois que janta!

Todo mundo me cobrando,
Parece um alto relevo;
A dívida vai aumentando,
Quanto mais pago, mais devo!

Pelas “coisas” que fazia,
Vive o malandro enjaulado;
Usando de noite a dia,
O seu “pijama listrado”.

Plantei um pé de tomate,
E fiz tanta adubação,
Que ele está dando abacate,
Alho, cebola, e melão.

Menina da boca doce,
De lábios sabor de mel,
Beijá-la é como se fosse,
Estar entrando no céu.

Há muita gente vaidosa,
Seguindo o exemplo da lua, 
E refletindo orgulhosa, 
Uma luz que não é sua. 

Eu li isto num caminhão, 
E guardei tudo de cor, 
Minissaia e prestação, 
Quanto mais curtas, melhor! 

És livre de semear, 
Joio ou trigo a escolher, 
Mas lembra sempre ao plantar, 
Que tu mesmo irás colher. 

Saudade tem um jeitinho, 
Que comove e faz sofrer, 
Chega sempre de mansinho, 
Não depende de querer. 

Quando a vida tiver fim,
Hei de sempre ser lembrado, 
Pois deixo um pouco de mim, 
Em cada órgão doado. 

Se tenho o amor que mereço, 
Se gozo a paz que sonhei, 
A vida cobrou-me um preço, 
E é certo que já paguei. 

Teus olhos trazem mensagem, 
De luz, de amor, e carinho, 
São dois fachos de coragem, 
Brilhando no meu caminho. 

Uma verdade patente, 
Que não tem contestação, 
Abrir escolas é semente, 
Que fecha muita prisão. 

No circo em seu colorido, 
Pavilhão iluminado, 
Há sempre um drama escondido, 
Atrás de um rosto pintado. 

Meu coração a seu jeito, 
Cria rumos tão risonhos, 
Que faz de um caminho estreito, 
Uma avenida de sonhos. 

Ante a clonagem desmaia, 
O cientista pouco esperto, 
Fez a sogra de cobaia, 
E a experiência deu certo. 

A um burro diz um sábio,
Pobre animal sofredor, 
A muitos convém teu nome, 
A bem poucos teu valor. 

São as ofensas trocadas, 
Nos momentos de rancor, 
As setas envenenadas, 
Que aos poucos matam o amor. 

Não botem fogo na cana, 
Peço ecologicamente, 
Que a cana boa e bacana, 
É que põe fogo na gente. 

Meu pai humilde e bondoso, 
Viveu pobre e mesmo assim, 
Foi tão nobre e caprichoso, 
Que fez um homem de mim. 

Cuidado, o tempo é volante, 
A vida ligeiro passa, 
E num mágico instante, 
Viramos verme e fumaça. 

Fascínio a parte, o cristal, 
Faz-me lembrar muita gente, 
Cujo valor integral, 
Cinge-se ao brilho aparente. 

Vencem o tempo e a distância,
Joias de eterno fulgor, 
A rua da nossa infância, 
E o nosso primeiro amor. 

Maritaca tagarela, 
Quer ave mais brasileira? 
Fez até a roupa dela, 
Com as cores da bandeira. 

Gordo assim eu nunca vi: 
É um sujeito tão pesado, 
Que se ele cair em si, 
Pode morrer esmagado. 

Quando um fruto vai nascer, 
Na planta morre uma flor, 
Segue o ciclo do viver, 
Alternando riso e dor. 

Uma lágrima furtiva, 
Meus olhos sempre terá, 
Pela ausência sempre viva, 
De quem jamais voltará. 

Depois de tantas tristezas,
Tantas promessas e ausências, 
Eu gravo as tuas certezas, 
Com aspas e reticências. 

Em toda mulher bonita,
Por quem eu passo na rua, 
Um pouco de ti palpita, 
E aumenta a saudade tua. 

O homem sempre há de penar, 
Nas mãos da mulher que amou, 
Antes, por querer casar, 
E, depois, porque casou. 

Instante de doce infindo,
Aquele depois da prece, 
Quando a criança sorrindo, 
Beija a boneca e adormece. 

Com prudência e sobriedade, 
Revejo os erros de outrora, 
Não sou senhor da verdade, 
Ela é que é minha senhora. 

Quem viaja com rancores, 
Maldizendo a caminhada, 
Não pode ver quantas flores, 
Brotam à beira da estrada. 

Tanto se canta e enaltece,
Do seu mal tanto se diz, 
Que saudade até parece, 
Um modo de ser feliz. 

Nesta vida é a companhia, 
De uma mulher exemplar, 
O bem de maior valia, 
Que o homem pode gozar. 

O ditado ensina a gente, 
Esta famosa lição, 
Nem todo o rosto contente, 
Traz em festa o coração. 

Eis meu desejo ideal, 
Minha utopia e quimera, 
Ver seus braços afinal, 
Abrirem-se a minha espera. 

Há muita gente na vida, 
Como a flor que foi pisada, 
Levada ao vento, esquecida, 
E ainda perfuma a estrada. 

Mantilha branca e macia, 
Que envolve a noite a sonhar, 
Mesmo sendo assim tão fria, 
Tem o dom de agasalhar. 

Quando você me falou, 
Que quatro filhos já tinha, 
Nesse instante se acabou, 
Meu grande amor, queridinha. 

O urubu veio manhoso, 
Sempre a voar rasteiro e forte, 
E não achando outro pouso, 
Pousou mesmo em minha sorte. 

No lar do teu coração, 
Onde morar é divino, 
Ah se algum dia eu pudesse, 
Ser o teu único inquilino. 

Em dia de má estrela, 
Vi-a no meio do povo, 
Mais triste do que perdê-la, 
Foi encontrá-la de novo. 

Considero-me cristão, 
Por ser fiel a Jesus, 
Aquele que foi em vão, 
Pregado e morto na cruz. 

Esta engrenagem que é a vida, 
Esmaga a todos sem dó, 
E a gente aos poucos moída, 
De novo volta a ser pó. 

Esta vida é uma pomada, 
Com maciez de veludo, 
E eu já não sofro de nada, 
De tanto sofrer de tudo. 

É um alpinista de fama, 
Mas dele a vida debocha, 
Por ironia se chama, 
Caio Rolando da Rocha. 

Para encontrar a alegria,
Mergulhei no meu passado, 
Tanta lágrima lá existia, 
Que eu quase morro afogado. 

Não me chame de Senhor, 
Que eu não sou tão velho assim, 
E a teu lado meu amor, 
Não sou nem Senhor de mim. 

As searas não dão amigo, 
De humildade uma lição, 
Quanto mais cheias de trigo, 
Mais se inclinam para o chão.

Nas lágrimas de remorso,
Há um fluído redentor, 
Por isso é que me esforço, 
Em perdoar, com amor. 

Quantas vezes na humildade, 
Que veste um lar sem vintém, 
Se encontra a felicidade, 
Que o rico sonha e não tem. 

Depois que tu foste embora, 
A chuva cai de tal jeito, 
Que em vez de cair lá fora, 
Cai é dentro do meu peito. 

Amigo de outra idade, 
Creio que achei um tesouro, 
De inteligência e verdade, 
Num coração que é de ouro. 

Chegam com a primavera, 
Mil perfumes, belas cores, 
Alimentando a quimera, 
Andar contigo entre flores. 

Não grito e julgo tolice, 
O gritar sem mais nem quando, 
Tudo o que a vida me disse, 
De melhor, foi sussurrando. 

Ter fama não é ter glória, 
Que os tolos atentem nisto, 
Pilatos entrou na história, 
Condenando Jesus Cristo. 

Dos meus atos de bravura, 
O que tem mais valor, 
Foi perder minha ventura, 
Na renúncia de um amor. 

Beijo na testa é respeito, 
Beijo no rosto é carinho, 
Beijo no queixo é vontade, 
De subir mais um pouquinho. 

Com a morte não termina, 
Um sincera amizade, 
Dentro do peito germina, 
A eterna dor da saudade. 

Goza criança o instante rato, 
Do teu doce alvorecer, 
Que a gente paga bem caro, 
O pecado de crescer! 

Se as barbas que o homem usa, 
São sinas de erudição, 
Um bode de Siracusa, 
Pode julgar-se Platão. 

A distância, na verdade, 
Não nos priva desse ardor, 
Serve de ponte a saudade, 
Para estreitar nosso amor! 

Entre pedras, entre cruzes, 
Entre flores, entre espinhos, 
Teus olhos são duas luzes, 
Que iluminam meus caminhos. 

Eu me sinto com desconforto, 
Que ainda sou teu vassalo, 
Nosso passado está morto, 
Mas não consigo enterrá-lo. 

Se o erro ficou distante, 
Sede pleno o teu perdão, 
Não se cobra do diamante, 
Seu passado de carvão. 

Se era de outro o teu carinho, 
No destino dos teus passos, 
Por que cortaste caminho, 
Fazendo escala em meus braços. 

As folhas vejo ao passar, 
Molhadas, de manhãzinha, 
Parece até que o luar, 
Chorou a noite inteirinha. 

Nunca abuses da comida, 
Do jejum não tenhas medo, 
O porco come sem medida, 
E acaba morrendo cedo. 

Meus amigos, meus irmãos, 
Vamos viver de mãos dadas, 
Onde há corrente de mãos, 
Não há mãos acorrentadas. 

Dos amigos que cultivo, 
Este sim é exemplar, 
Os meus sonhos sempre soube, 
Mas, jamais irá contar. 

O teu sorriso Luzia, 
Com tanta graça e candura, 
Por um momento alivia, 
A carga que a gente atura. 

Passam crianças depressa, 
Levando livros nos braços, 
É o futuro que começa, 
A dar os primeiros passos. 

Penso no mundo tão triste, 
Mas, nunca perco a esperança, 
Contemplando a paz que existe, 
No sono de uma criança. 

Mais do que o próprio desdém, 
Nada nos deixa tão sós, 
Como saber que ninguém, 
Sente saudade de nós. 



Muito esquisito esse "muso",
O ancião com quem se casou:
Da fortuna ela faz uso,
Mas o resto, nunca usou!
 
No casamento do Tuta,
Foi um drama, um desconsolo:
O noivo querendo a fruta,
E a noiva lhe dando o bolo!
 
Mamãe fazia a polenta,
Papai pitava um cigarro!
Hoje a saudade é que esquenta,
O velho fogão de barro.
 
Saudade: expressão mais bela,
De um tempo que já se foi;
É como abrir a janela,
Ao passado e dizer: Oi!!!
 
Não deixe que a vida o leve,
Por caminhos viscerais;
A vida já é tão breve!
Por que encurtá-la ainda mais?
 
É minha a dívida, assumo,
E hei de saldá-la, porém,
Enquanto a grana eu arrumo,
Que tal me emprestar mais cem?
 
Meu filho, que Deus te ajude,
E a tua fé te incentive,
A plantar o que eu não pude,
E colher o que não eu tive!
 
A idade a chegar de manso,
Respeitando o meu cansaço,
Põe cadeiras de balanço,
Nas tardes por onde eu passo!
 
A liderança bem vista,
Só a possui, justa e austera,
Quem o respeito conquista,
Não quem dele se apodera!
 
Reza, feitiço, quebranto,
Nada disso resolveu:
Baixou na esquina outro "santo"
E levou o que era meu!
 
O ganso jurou vingança,
Ao notar, estupefato,
Que o pato dormiu com a gansa,
E ele fez "papel de pato"!
 
Fugir, poeta, não queiras,
Do que a vida preceitua:
Teu destino é abrir fronteiras,
E deixar que o sonho flua!
 
Encontrar-te em cada sonho,
E te perder em seguida,
Este é o clichê mais medonho,
Das noites da minha vida!
 
Num encontro inesperado,
Tudo voltou, de repente,
E os fantasmas do passado,
Invadiram meu presente.
 
De um homem não se questionam,
Os seus valores morais:
As paredes desmoronam,
Mas, a estrutura, jamais!
 
Presença forte e tranquila,
Meu pai foi preponderante:
Hoje a “parede” vacila,
Mas o alicerce garante!
 
As perdas acumuladas,
Não pesam nem me afugentam:
Enquanto existir estradas,
Eu sei que as pernas aguentam!
 
Nossa alma tem que estar pronta,
Para a guerra e para a paz;
Quem vive do "faz-de-conta",
Perde a conta do que faz!
 
Ganhos... Perdas... Não me iludo:
A vida é competição,
Onde só se perde tudo,
Quando se perde a razão.
 
A Lua, com ar moleque,
Quando o beijo aconteceu,
Fez de três nuvens um leque,
E atrás dele se escondeu!
 
Quando eu a beijo na face,
Seu olhar é tão travesso!
É como se adivinhasse,
Que o beijo errou de endereço!
 
Pode chamar de utopia,
Aquele meu sonho louco,
Mas não me roube a alegria,
De acreditar mais um pouco!
 
O fraco tem, por mania,
Contradizer a esperança,
E batizar de utopia,
Os sonhos que não alcança!
 
Ela tem carisma e o porte,
Que uma rainha revela;
E eu tenho mais: tenho a sorte,
De reinar ao lado dela!
 
Esbanja carisma a lua,
Que, alheia a qualquer conflito,
Consegue, pálida e nua,
Vestir de charme o Infinito!
 
Cobrador na campainha,
E o caloteiro de fama,
Escapa pela cozinha,
Ao ver que o "dever" lhe chama!
 
Se já não sou, no salão,
Teu par de todos os dias,
Que eu seja ao menos o chão,
Onde a valsar rodopias!
 
Quem vem lá? Pelo alarido,
Ela sabe rapidinho:
Se o cão latir, é o marido;
Se fizer festa, é o vizinho!
 
A chuva, em passada mansa,
No teto da noite fria,
Vai acordando a lembrança
Que ainda há pouco dormia!
 
Não sei o que é mais chocante,
Numa explosão entre dois:
Se são os gritos, durante,
Ou é o silêncio, depois.
 
Mais lancinante que um grito,
É o silêncio sepulcral,
Que antecede o veredicto,
Na sala de um tribunal.
 
Que mico: o cara, simplório,
Até por falta de assunto,
Pôs a contar, no velório,
Anedotas de defunto!
 
Mão imitando o cinzel,
Quando a "luz" se manifesta,
Qualquer folha de papel
Para o poeta é uma festa!
 
O pinguço Zé Maneco,
Caiu na boca do povo:
Bebe e apanha no boteco,
E em casa apanha de novo!
 
Com seu jeitinho de santa,
No mesmo olhar ela oferta,
A timidez, que me encanta,
E a audácia, que desconserta!
 
Teu olhar, tímido e arisco,
Quando embebido em luar,
Revela audácias de um risco,
Que nem me arrisco a explorar!
 
Aos domingos nada faço:
Falou de trabalho, eu xingo,
E os outros dias eu passo,
Planejando o meu domingo!
 
Carro velho, meu amor,
Dá trabalho: além de feio,
No morro falta motor,
Na ladeira falta freio!
 
Na varanda, ao rés do chão,
Que simbiose perfeita:
A lua estende o colchão,
E a fantasia se deita!
 
Tangendo os burros em sonho,
Velho tropeiro, ar cansado,
Esse é o trotar mais tristonho,
Pelos sertões do passado!

Procurei a felicidade,
Por este mundo sem fim, 
Sem saber que na verdade, 
Estava dentro de mim. 


Seja na paz ou na guerra, 
Quer na alegria ou na dor, 
O maior poder na terra, 
Tem quatro letras: amor! 

Mostra-te sempre orgulhosa, 
Soberba à maneira antiga, 
Quanto mais doce é a rosa, 
Mais a procura a formiga. 

Eu queria que chovesse, 
Uma chuva bem fininha, 
Para molhar sua cama, 
E você dormir na minha. 

Jura ser moça de linha, 
E tudo me leva a crê-lo, 
Pois sendo como é gordinha, 
Me lembra mesmo um novelo. 

Quanto estou longe de ti, 
O tempo, malvado, traz, 
Ventura sempre de menos, 
Saudade sempre demais! 

Podem dizer que é besteira, 
Mas nesta questão de amor, 
Sempre existe uma fronteira, 
Que todos querem transpor. 

Tantas mentiras contava, 
E tão bem as repetia, 
Que ele mesmo acreditava, 
Ser verdade o que dizia. 

Joguei-lhe um beijo à distância, 
Com fúria incontida e louca, 
E ela com toda a elegância, 
Trouxe-me o beijo na boca! 

Para matar as saudades, 
Fui ver-te em ânsias, correndo, 
E eu que fui matar saudades, 
Vim de saudade morrendo. 

Quando a pessoa tem sorte, 
Tudo dá certo, certinho, 
Até mesmo a própria morte, 
Chama primeiro o vizinho, 

Quando te beijo, querida, 
Um milagre se opera, 
Colho no outono da vida, 
As rosas da primavera. 

Por mais pesados, por mais, 
Que sejam nossos cansaços, 
Sempre é leve para os pais, 
Trazer um filho nos braços. 

Não quero, nem brincando, 
Dizer adeus a ninguém, 
Quem parte, leva saudade, 
Quem fica, saudade tem. 

O amor puro é igual à brisa, 
Que no mais discreto afago, 
O fundo da água eletriza, 
E encrespa a face do lago. 

Fazendo chegar a paz, 
Com amor puro e profundo, 
Somente Deus é capaz, 
De tranquilizar o mundo! 

Sem teu desprezo de outrora, 
Transformei a minha vida, 
Pondo matizes de aurora, 
Em minha alma renascida. 

É catarata, enfisema,
Minha sogra é problemática, 
A velha tem mais problemas, 
Que prova de matemática. 

Na guerra pela conquista, 
De um bom salário, valentes, 
A manicure e o dentista, 
Lutam com unhas e dentes. 


A crer na vida anterior, 
Você me obriga querida, 
Pois acho que tanto amor, 
Não cabe numa só vida. 

Infância é um brinquedo usado, 
Que um dia a vida resolve, 
Tomar um pouco emprestado, 
E nunca mais nos devolve. 

Toda mulher que é gorducha, 
Tem um recurso só seu, 
Ao vestir-se grita: puxa! 
Como esse troço encolheu! 

Há tantos homens mandando, 
Em homens de inteligência, 
Que às vezes fico pensando, 
Que a burrice é uma ciência. 

Tanta sogra faz lembrar, 
Um monjolo impertinente, 
Se não tem o que socar, 
Soca a paciência da gente! 

Tenho um pequeno defeito, 
E tal falha não contesto: 
É que eu seria perfeito, 
Se não fosse tão modesto. 

Se a luz apago, já farto, 
Da insônia vem mais tristeza, 
Pois há num canto do quarto, 
Uma saudade ainda acesa. 

Teu retrato à cabeceira, 
Que a luz da lua devassa, 
Passo olhando a noite inteira, 
E esta saudade não passa. 

Quem dá flores com frequência, 
Para alegrar sofredores, 
Guarda na mão toda a essência, 
Que se desprende das flores. 

Há nos pais tamanhos brilhos, 
De meiguices e de afetos, 
Que alforriados dos filhos, 
Tornam-se escravos dos netos. 

Prá ver o mundo de cima, 
Da memória não me sai, 
Torre alguma se aproxima, 
Do cangote do meu pai. 

No amor a definição, 
Varia conforme a idade, 
Diz o moço, é sedução, 
Dirá o velho, é saudade. 

A pedra mais traiçoeira, 
Que oferece mais perigo, 
Não sai da mais rude pedreira, 
Mas da mão do falso amigo. 

A realidade que oprime, 
E a todos nos desconsola, 
Ver no mundo do crime, 
Quem devia estar na escola. 

Por plantar o mais que pude, 
O amor que benesses traz, 
Junta a safra da saúde, 
Colho a fortuna da paz. 

Tropeço não é indecente, 
Mas um velho adágio, explica, 
Que pobre só vai prá frente, 
No momento em que tropica. 

Porque nos sonhos – é certo, 
Não há muros, nem distância, 
Quantas vezes eu desperto, 
Nos ontens da minha infância. 

Volto a sonhar sem sequelas, 
Silencio o grito aflito, 
Vislumbrando as paralelas, 
Se encontrando no infinito. 

Faz regime e por fazê-lo, 
Se desespera a coitada, 
Pois sempre tem pesadelo, 
Com rodízios de salada. 

Visitinha impertinente, 
Café, almoço e jantar, 
Cara de pau, diz prá gente, 
Agora vou me deitar. 

A madrugada encontrou, 
Um pobre e triste espantalho, 
E comovida o enfeitou, 
Com ricos cristais de orvalho. 

No homem a malícia é tanta, 
Que bonita ou mesmo feia, 
A mulher que mais o encanta, 
É sempre a mulher alheia. 

Quem sofre do mal da saudade, 
Não acha alívio um só momento, 
Pois tem perto a enfermidade, 
E longe o medicamento. 

Um eremita perfeito, 
Eu encontrei certo dia, 
Era tão chato o sujeito, 
Que de si mesmo fugia. 

Raspou a cabeça inteira, 
O lusitano ladino, 
Para escapar dessa maneira, 
Da operação pente fino. 

Retrata a imagem da vida, 
A moenda rude e inclemente, 
Chora a cana ao ser moída, 
Range a moenda contente! 

Foste embora, enxugo o rosto, 
Agora bem decidida, 
Sem a saudade e o desgosto, 
Eu abro as portas à vida. 

Tu lês os versos que eu faço, 
E nem sequer adivinhas, 
O segredo que eu te passo, 
No espaço das entrelinhas. 

Quero apagar tua imagem, 
Te esquecer completamente, 
Mas saudade é tatuagem, 
Não sai do peito da gente. 

Nada tinha e por demência, 
Quis fazer um grande assalto, 
Perdi para a concorrência, 
Instalada no Planalto. 

Coração, bates ligeiro, 
Até mudas de compasso, 
Se recordo o amor primeiro, 
Ou se perto dela passo. 

Vai, aperta, assim, cuidado, 
Ela geme, ele se cala, 
Não há nada mais gozado, 
Que um casal fazendo a mala. 

Doutor, desejo cortar, 
Do cão, o rabo que agita, 
Não quero vê-lo abanar, 
Quando a sogra me visita. 

Por vingança o centroavante, 
Que a muito tempo vai mal, 
Fez gol contra fulminante, 
A um segundo do final. 

Para mamãe a riqueza, 
Era ter alegre e unida, 
A família junto a mesa, 
E ela servindo a comida. 

Sentindo saudade imensa, 
Agora estou convencida, 
De que era a tua presença, 
Que adoçava a minha vida. 

Se uma lágrima nos falasse, 
Certamente nos diria, 
Prefiro correr na face, 
De quem chora de alegria. 

Toma cuidado se és pai, 
Considera o lar um templo, 
Pois toda a criança vai, 
Tomar o pai como exemplo. 

Tem gente que tanto mente, 
Conta lorota, faz fita, 
Que, da verdade descrente, 
Nem em si próprio acredita. 

A infância é coisa tão doce, 
Tão grandes encantos tem, 
Que até Deus humanizou-se, 
Para ser criança também. 

Poeira de estrelas cadentes, 
Que a noite caem nos campos, 
São com certeza as sementes, 
Que germinam pirilampos. 

Este amor, meu pesadelo, 
Que nego a todos por teima, 
Por fora é bloco de gelo, 
Por dentro fogo que queima. 

Eu, agora – que desfecho, 
Já nem penso mais em ti, 
Mas será que nunca deixo, 
De lembrar que te esqueci? 

Aos domingos ele odeia, 
Estar em casa parado, 
Marido de mulher feia, 
Tem raiva de feriado. 

Generoso o sol se presta,
De instrumento de partilha, 
Quando para a lua empresta, 
Toda luz com que ela brilha. 

Que mal faz esta cor fingida, 
No meu cabelo e no meu rosto, 
Se tudo é tinto, o mundo, a vida, 
O contentamento, o desgosto? 

Saudade é a ressonância, 
De uma cantiga sentida, 
Que embalando a nossa infância, 
Nos segue por toda a vida. 

O mar nos deu a receita, 
De um viver sábio, fecundo, 
Sendo salgado ele aceita, 
As águas doces do mundo. 

Nos teus olhos marejados,
Na hora triste do adeus, 
Só vi meus olhos molhados, 
Refletindo-se nos teus. 

Por não ter teu braço amigo, 
No meu triste caminhar, 
A solidão vai comigo, 
Nem preciso convidar. 

Não foi musa de um momento,
Desde que a vi deslumbrado, 
Alugou meu pensamento, 
Por tempo indeterminado. 

O bambu com muita gente,
Se parece no feitio, 
Por fora é belo e imponente, 
Por fora oco e vazio. 

No coração toda gente, 
Guarda uma coisa qualquer, 
Um amor que vive ausente, 
Um sorriso de mulher.

Goza criança o instante rato,
Do teu doce alvorecer, 
Que a gente paga bem caro, 
O pecado de crescer! 

Se as barbas que o homem usa, 
São sinas de erudição, 
Um bode de Siracusa, 
Pode julgar-se Platão. 

A distância, na verdade, 
Não nos priva desse ardor, 
Serve de ponte a saudade, 
Para estreitar nosso amor! 

Entre pedras, entre cruzes, 
Entre flores, entre espinhos, 
Teus olhos são duas luzes, 
Que iluminam meus caminhos. 

Eu me sinto com desconforto, 
Que ainda sou teu vassalo, 
Nosso passado está morto, 
Mas não consigo enterrá-lo. 

Se o erro ficou distante, 
Sede pleno o teu perdão, 
Não se cobra do diamante, 
Seu passado de carvão. 

Se era de outro o teu carinho, 
No destino dos teus passos, 
Por que cortaste caminho, 
Fazendo escala em meus braços. 

As folhas vejo ao passar, 
Molhadas, de manhãzinha, 
Parece até que o luar, 
Chorou a noite inteirinha. 

Nunca abuses da comida, 
Do jejum não tenhas medo, 
O porco come sem medida, 
E acaba morrendo cedo. 

Meus amigos, meus irmãos, 
Vamos viver de mãos dadas, 
Onde há corrente de mãos, 
Não há mãos acorrentadas.

Gosto e preciso de ti, 
Mas quero logo explicar, 
Não gosto porque preciso, 
Preciso, sim, por gostar. 

Ponha amor no coração, 
Traga nos lábios um sorriso, 
Para ser feliz então, 
Nada mais será preciso. 

Uma dupla perfeita, 
Que debate todos assuntos, 
Esta é a melhor receita, 
Para ficar 50 anos juntos. 

A solidão mais sentida, 
Se traduz no mundo inteiro, 
Numa lágrima vertida, 
Na fronha do travesseiro. 

Nesta vida descarada, 
Os homens nunca se entendem, 
Brigam a troco de nada, 
E pelo nada se vendem. 

Quer seja loira ou morena,
Não exija que ela mude,
Ciúme, em dose pequena,
Não é defeito, é virtude!
 
O que mais pesou na viagem,
Deixa que eu fale a verdade:
Não foi a enorme bagagem,
Foi o peso da saudade!
 
Se há pedras na encruzilhada,
Do sucesso que procuras,
Faze delas uma escada,
Para galgar as alturas.
 
O que restou da sequela,
Desse amor aventureiro,
Foi esse perfume dela,
Que ficou no travesseiro!
 
Serei, não sei até quando,
Sem lamentos ou desídias,
Um velho tronco esperando,
A chegada das orquídeas.
 
Dentre tantos seguidores,
Das leis do Mestre Jesus,
Muitos procuram louvores,
Poucos carregam a cruz!
 
A riqueza, convenhamos,
É como a água salgada,
Quanto mais dela tomamos,
Mais a sede é provocada.
 
Quem plagia é réu confesso,
Pelas normas do direito,
Porque deixa sempre impresso,
O sinal do roubo feito!
 
Meu avô, velho e caduco,                 
Já tentou diversas vezes,
Retornar a Pernambuco,
Prá expulsar os holandeses.
 
A maré desce e descansa,
Enquanto a onda passeia,           
Acariciando a criança,
E seus castelos de areia.
 
Por tantas vezes perdido,              
Nas vertentes do destino,
Segue em busca de um sentido,
O meu sonho peregrino.
 
Nacionalismo é sentir,
Uma comunhão tão alta,                     
Que nos leva a repartir,
Até mesmo o que nos falta.
 

Insensatez... Causa? Efeito?
Sentimento ou atitude?
Para quem pensa, é defeito;
Para quem sonha, é virtude!

Já não há nenhum prazer,
Que em público a lei permita,
Quem quer fumar ou beber,
Tem que virar eremita!
 
O desejo, por instinto,
E a carícia, por encanto,
Vêm criar o amor que eu sinto,
E inspirar o amor que eu canto!
 
Fraternidade é sentir,
Uma comunhão tão alta,                
Que nos leva a dividir,
Até mesmo o que nos falta.
 
Nosso tempo de criança,
Os velhos sonhos de outrora,
A saudade é uma lembrança,                                Que se esqueceu de ir embora!
 
O futuro, eu mesmo faço,
Nas sementes que eu espalho,                      Transformando meu cansaço,
Nos frutos do meu trabalho.
 
Na inspiração oportuna,
Pode o poeta buscar,
Mais do que criar fortuna,             
A fortuna de criar.
 
É um arquivo de desmandos,           
A memória do poeta:
Desobedece aos comandos,
Quando a paixão não deleta.
 
No meu sótão de memórias,          
Vivem lembranças sem fim,
Num velho baú de histórias,
Vividas dentro de mim.
 
Nossos momentos felizes,
Semeados na memória,                  
Fazem crescer as raízes,
Que sustentam nossa história!
 
Ao ver a joia de Alice,
A amiga pergunta a esmo:
É diamante? E a outra ri-se:
Não, é do marido, mesmo!
 
Quem divide os seus dias,
Ajudando a quem precisa,
Multiplica as alegrias,
E as tristezas, suaviza.
 
Conquistar novos espaços,
Eis a semente da guerra,
Tantas vidas em pedaços,
Por um pedaço de terra!
 
Não quero a vida vazia,
Com práticas e horas certas,
Mas polvilhar cada dia,
De pequenas descobertas.
 
Meu coração machucado,            
Foi o pior professor,
Ao me deixar reprovado,
Nas tantas provas de amor!
 
Uma lágrima que escorre,
Traz mais brilho à própria face,            
Se a cada sonho que morre,
Há um novo sonho que nasce!
 
Eu só julgo que mereço,                                         
A fortuna que amealho,
Se ela tiver seu começo,
No suor do meu trabalho!
 
Quando as mangas arregaço,
Para cumprir meu dever,                 
Se bate à porta o cansaço,
Eu me recuso a atender.
 
Meu verso reflete a dor,
De um coração solitário,
Que escreve cartas de amor,      
Sem qualquer destinatário.
 
Uma lágrima que escorre,
Traz mais brilho à própria face,
Se a cada sonho que morre,
Há um novo sonho que nasce!
 
A força de uma nação,
Começa com a caneta,
Um a mais na educação:
Um a menos na sarjeta!
 
Que os rumos de meus irmãos,                
Não se percam nas estradas,
E as vias de duas mãos,
Sejam vias de mãos dadas!
 
As graças que sempre faço,
Têm o poder de encobrir,                  
A tristeza que o palhaço,
Faz de conta não sentir.
 
Meu caminho é tão confuso,
Que muitas vezes me sinto,                                  
Como se fosse um intruso,
Vagando num labirinto.
 
Jamais aceite um convite,
Para o amor, em tempo errado,
Desperta mais apetite,
O prato mais esperado!
 
Ao ver a praça, o coreto,
Lembro você ao meu lado,
E o meu mundo branco em preto,
Ganha as cores do passado!
 
O desejo, por instinto,
E a carícia, por encanto,
Vêm criar o amor que eu sinto,
E inspirar o amor que eu canto!
 
Quem dera a justiça cega,
Pudesse ver, tão somente,
A falsa prova que entrega,
E condena um inocente!

Querer-te não é defeito,
Nem tampouco ousadia, 
Quem ama tem o direito, 
De ser feliz algum dia! 

Meu orgulho pus de lado, 
Só para te confessar, 
Que fiquei apaixonado, 
Pela cor do teu olhar. 

Saudade, ponte encantada, 
Entre o passado e o presente, 
Por onde a vida passada, 
Volta a passar novamente! 

Às intempéries da vida, 
Resisto altivo de pé, 
A minha força é nutrida, 
Pelas raízes da fé. 

Não há palavra nenhuma, 
Tão grande quanto saudade, 
Que em sete letras resume, 
A dor e a felicidade! 

Nesta vida infausta e louca, 
Quanta vez de uma fedelha, 
Pede-se um beijo na boca, 
Ganha-se um tapa na orelha. 

Ah coração, tenha piedade, 
Não bata tão forte assim, 
Vai acordar a saudade, 
Que dorme dentro de mim! 

Candelabro, iluminaste,
Meus dias, que glória viste, 
Agora é um velho traste, 
Nas noites de um velho triste.
 

Não há vazio mais triste,
Nada mais à alma fala, 
Do que o silêncio que existe, 
Quando a voz do amor se cala. 

Deus fez todo o universo, 
Criou os mares e as flores, 
E para compor seu verso 
Deu rima aos trovadores! 

Perdido no seu abraço, 
Esqueço o mundo lá fora, 
Flutuo no tempo e no espaço, 
Para mim só existe o agora. 

Nessas angústias que oprimem, 
Que trazem o medo e o pranto, 
Há gritos que nada exprimem, 
E silêncios que dizem tanto. 

Busquei a felicidade, 
Por todo lugar que andei, 
Para dizer-lhe a verdade: 
Só procurei, não a achei. 

Saudade tem um jeitinho, 
Que comove e faz sofrer, 
Chega sempre de mansinho, 
Não depende do querer. 

Por uma luta perdida, 
Desesperar-se? Por quê? 
Há sempre alguém nesta vida, 
Mais infeliz que você! 

Se o coração de quem ama, 
Fosse capaz de compor, 
O eletrocardiograma, 
Seria um hino de amor! 

Na mais estreita amizade,
Sem a menor cerimônia, 
À noite tua saudade, 
Vem deitar com minha insônia!

Jurou jamais ver bebida,
E agora o pobre coitado, 
Durante o resto da vida, 
Só bebe de olho fechado. 

Quando passas, aos meneios, 
Não há quem te resista, 
Até o cego, achou um meio, 
De não perder-te de vista. 

Fitando-te o corpo esguio, 
E o rosto lindo, não nego, 
Somente agora avalio, 
A desventura de um cego. 

Felicidade tem cor, 
E eu posso jurar por Deus, 
Que ela é verde, meu amor, 
Bem no tom dos olhos teus. 

Quando uma mulher se esmera, 
No joga da sedução, 
Vira o homem que era fera, 
Num bicho de estimação. 

Saudade que mais maltrata, 
É aquela que a gente sente, 
Por uma pessoa ingrata, 
Que não se lembra da gente. 

Vejo em teus olhos criança, 
Docemente refletida, 
Uma inocente esperança, 
Sorrindo aos mares da vida. 

É triste quando ela passa, 
Tão formosa e indiferente, 
Esbanjando sua graça, 
Sem achar graça na gente. 

Quando Sodoma caiu, 
Houve um triste episódio, 
De a mulher que tudo viu, 
Virar Cloreto de Sódio. 

Vejo agora cheio de saudade, 
A meia casa vazia, 
Outrora nessa metade, 
Meu mundo inteiro cabia. 

Retornei a praça outro dia, 
Lá encontrei com surpresa, 
O trenzinho da alegria, 
Na sucata da tristeza. 

Minha velha agenda abri, 
Recordei tanta amizade, 
Mas, chorei, me arrependi, 
Deus chamou mais da metade. 

Natal, Jesus mostra a face, 
Canta o mundo de alegria, 
Natal, se o peru falasse, 
Não se sabe o que diria. 

Não lastimo, não deploro, 
Minha vida acidentada, 
Tu me queres, eu te adoro, 
Não preciso de mais nada. 

Ficou pronta a criação,
Sem um defeito sequer, 
E atingiu a perfeição, 
Quando Deus fez a mulher. 

A vida pôs por maldade, 
Tanta distância entre nós, 
Que quando eu canto, é a saudade, 
Que faz a segunda voz. 

O mar namorando a praia, 
Afagá-la ele costuma, 
E como suave desmaia, 
Dando-lhe beijos de espuma. 

Aos olhos cheios de afeto, 
Da mãe que o viu pequenino, 
Seja qual for sua idade, 
O filho é sempre menino. 

Se queres um bom conselho, 
Muito útil e bem pensado, 
Nunca metas o bedelho, 
Aonde não fores chamado. 

Somei a dor e a tristeza, 
Que ultimamente senti, 
O total foi a certeza, 
Do amor que tenho por ti. 

Neste mundo de percalço, 
Mentira existe tão linda, 
Que se troca um amor falso, 
Por outro mais falso ainda. 

Amor a primeira vista, 
Nosso bolso anda tão raso, 
Que até mesmo uma conquista, 
Deve ser a longo prazo. 

O tempo carrega a aurora, 
Na mala da escuridão, 
E vem mostrá-la cá fora, 
Nestas manhãs do sertão. 

Fui na vida um girassol, 
Em busca de claridade, 
E julguei encontrar o sol, 
Tenho a noite da saudade. 

Uma lágrima furtiva, 
Meus olhos sempre terá, 
Pela ausência sempre viva, 
De quem jamais voltará. 

Quando o mar todo se agita, 
Em noite de lua cheia, 
A onda cansada e aflita, 
Vem buscar a paz na areia. 

Quando o orvalho pinta tanto, 
Deixando a relva molhada, 
É a noite que chora em pranto, 
À espera da madrugada. 

Quando a noiva viu a cama, 
Que a esperava para dormir, 
Mandou sustar o proclama, 
E desistiu do faquir. 

Sofro demais noite e dia, 
Minhas mágoas não tem cura, 
Se eu fosse um santo seria, 
São José da Desventura. 

Meu talento é post à prova, 
Quando minha musa, enfim, 
Desperta o artista da trova, 
Que existe dentro de mim. 

O amor na terra eu difundo,
E amigos eu coleciono, 
Não sou o dono do mundo, 
Mas eu sou filho do dono! 

Há uma porta no meu peito, 
Cuja entrada eu só libero, 
Para quem bater com jeito, 
Trazendo um amor sincero. 

Não me importa ficar preso, 
Não ligo à falta de espaços, 
Quando me encontro indefeso, 
Nas algemas dos teus braços. 

Tinha a sogra falecido, 
Ele triste se mostrou, 
Depois veio o desmentido, 
E o coitado então chorou. 

Na vida não desespero, 
E nunca perco o juízo, 
Pois sem ter tudo o que quero, 
Tenho tudo o que preciso! 

O luso, desde menino,
Com ofensa não se afeta, 
Porque pensa que cretino, 
É ser nativo de Creta. 

Irmão, não tema a procela, 
Evite o mal da aflição, 
Melhor acender a vela, 
Que xingar a escuridão. 

Minha tristeza angustiosa, 
Virou gostosa alegria, 
Quando passaste formosa, 
E me disseste: Bom dia! 

Se o riso do dia a dia, 
Gerasse longevidade, 
Toda hiena alcaçaria, 
Duzentos anos de idade. 

Moça, teu vestido justo, 
Só vai despertar a cobiça, 
É no traseiro e no busto, 
Mais justo que a justiça.

Com o calor evoluindo, 
A lei do nu aparece, 
É a saia que vai subindo, 
Enquanto o decote desce. 

Me falha o braço direito, 
Velhice? Não é verdade, 
O esquerdo está tão perfeito, 
E os dois tem a mesma idade! 

Não te prendas mais à dor, 
Nem lembres quem te esqueceu, 
Pois quem quer morrer de amor, 
Vive do amor que morreu. 

Curou-lhe o mal sem demora, 
O bom Doutor quando disse: 
Nada de grave senhora, 
São sintomas de velhice. 

O futuro é uma esperança, 
O presente, a realidade, 
O Passado, uma lembrança, 
Quase sempre, uma saudade. 

Nessas noites de alegria, 
De luar, de serenata, 
Tenho o amor que me inebria, 
E a saudade que me mata. 

Partiste, não desespero, 
Porque sei, contendo a ânsia, 
Que o laço do amor sincero, 
Não se desfaz na distância. 

Se a vida é instante, passagem, 
Abre as mãos, aprende a dar, 
Porque a suprema viagem, 
Se faz, sem nada levar. 

No meu humilde viver, 
A solidão é tamanha, 
Que só m e falta perder, 
A sombra que me acompanha. 

Faze o bem por tua crença, 
Esquece a ingratidão, 
Tem seis letras uma ofensa, 
Tem outras seis o perdão. 

Cruzei o mar ao teu lado, 
Coso se minha tu fosses, 
E agora, do mar salgado, 
Só tenho lembranças doces. 

Da viagem, dos cansaços, 
Depois eu falo à vontade, 
Primeiro, deixa em teus braços, 
Que eu mate a minha saudade. 

Marido que quintal tendo, 
Ando no alheio roçado, 
Acabo por certo vendo, 
O seu quintal capinado. 

Aos que falam mal dos pretos,
Pergunte meu bom leitor, 
Se sabem que os esqueletos, 
São todos da mesma cor. 

Insone, sem teu carinho, 

Reparo, quando me deito, 
Que a saudade faz seu ninho, 
Na metade do seu leito. 

O meu coração protesta, 
Contra um adeus sem juízo, 
Que tirou de minha festa, 
A festa do seu sorriso. 

A mulher é imponderável, 
Instável, imprevisível, 
Indócil, imperscrutável, 
Não se esqueça: Imprescindível! 

Dizem que a saudade mata, 
Se eu duvidar serei louco, 
Pois, esta que me maltrata, 
Já me fez morrer um pouco. 

Cegonha é coisa de rico, 
Veja você a pilhéria, 
Que trouxe o rilho do Chico, 
Foi o urubu da miséria. 

Pelas ruas da lembrança, 
Nas cirandas das calçadas, 
Saudade, sonhos e esperança, 
Brincam juntas de mãos dadas! 

Meu lenço, na despedida, 
Tu não viste em movimento, 
Lenço molhado querida, 
Não pode agitar-se ao vento. 

A saudade é feridinha, 
Que nunca chega a sarar, 
Quando se forma a casquinha, 
A gente põe-se a coçar. 

A indiferença exterior, 
Que usamos quando nos vemos, 
Esconde a história de amor, 
Que só nós dois conhecemos! 

Quanto mais leve, tanto mais sutil, 
O prazer das coisas nos convém, 
Escusado é beber todo um barril, 
Para saber que gosto o vinho tem. 

Estavas de mim tão perto, 
Meu amor, e eu não sabia, 
Minha vida era um deserto, 
Junto à fonte da alegria.

As ruas feias ou belas, 
Não dão exemplos bem nobres, 
Transitam livres por elas, 
Bom e maus, ricos e pobres. 

Minha mão trêmula erguida, 
O dilema em cada face, 
Acenava em despedida, 
Pedindo que ela voltasse. 

A tua fotografia, 
Sempre à minha cabeceira, 
Mostra a todos que a alegria, 
Já foi minha companheira. 

Envelhecer sem temores, 
Sentindo a missão cumprida, 
Sem mágoas e sem rancores, 
Eis em resumo uma vida. 

Guardo no peito a media, 
Das emoções que não meço, 
Somente a dor da partida, 
Mede o prazer do regresso.