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Um Peregrino Inspirador!


2017 - UMA HOMENAGEM AO PEREGRINO MAIS VELHO DO MUNDO!

Minha grande inspiração se foi, faz algum tempo, mas nunca é tarde demais para lembrar sua trajetória peregrina, um exemplo para todos nós caminhantes!


Virgílio da Silva Ribeiro, "in memorian"

O peregrino mais idoso do País, Virgílio da Silva Ribeiro, faleceu dia 15/05/2013, aos 91 anos, ainda em plena atividade. Morador da Zona Norte da São Paulo, deixou 4 filhos, 11 netos e 1 bisneto.

Virgílio afirmava que as caminhadas eram uma forma de superação e oportunidade de conhecer lugares e pessoas especiais.

Para isso, dizia não fazer qualquer tipo de preparo físico. Mas cuidava muito bem da alimentação. Dificuldade mesmo era conseguir patrocínio. O que nunca o impediu de seguir em frente. Em um texto de sua autoria, explicou sua paixão pelas longas caminhadas: “caminhar é a própria essência de minha liberdade espiritual, física e minha livre imaginação”.

Abaixo, uma crônica sobre sua vida peregrina, publicada no dia 25/03/2011, quando ele contava 89 anos e, em plena lucidez, como eu no momento, sonhava percorrer novos roteiros...


RESISTÊNCIA PEREGRINA 


Virgílio da Silva Ribeiro, o andarilho mais velho do mundo, prepara-se para um novo desafio: caminhar do Oiapoque ao Chuí (Edição de Sexta-feira, 25 de março de 2011)

(Ana Elizabeth Diniz - redacao@revistaecologico.com.br)


Virgílio da Silva Ribeiro, "in memorian"

Ele caminha centrado como um monge em meditação. Atenção e presença no momento vivido. Vez por outra, as lembranças teimam em voltar, sorrateiras, avassaladoras. Servem para reviver as conquistas. Determinado, ele sabe o que quer e como chegar ao seu destino. Os cabelos brancos estão presos por um rabo de cavalo. Na orelha, uma argola dourada. No pescoço, um charmoso lencinho e a concha, símbolo dos peregrinos de Santiago de Compostela. Na mochila, apenas o essencial. Nas mãos, o cajado, companheiro inseparável.

Viúvo, seu Virgílio da Silva Ribeiro vai completar 89 anos no dia 23 de março de 2011 junto à família - quatro filhos, nove netos e um bisneto - em sua casa no Jardim Paraíso, São Paulo, perto da Serra da Cantareira. Mas, em abril, ele pretende se lançar em um novo e audacioso desafio: caminhar cerca de 5.000 quilômetros, do Oiapoque, no Amapá, ao Chuí, Rio Grande do Sul. Como autêntico ariano, o peregrino não se intimida diante das dificuldades que terá de superar. “Elas fazem parte do caminho”, reconhece.

Nascido em Vila Garcia, distrito de Trancoso, Portugal, com um ano e meio veio morar no Brasil. Começou a caminhar aos 17 em uma época que não existiam caminhos instituídos como hoje. "Naquele tempo eu pegava minha barraca e ia com meus amigos para algum lugar que tivesse mata e cachoeira. A gente se lançava caminho afora e íamos descobrindo belezas naturais. O que importava era caminhar." E ele não parou mais. Ganhou a vida e criou a família como contador, mas sempre que podia pegava sua mochila e se lançava mundo afora, colecionando amigos e admiradores por onde passava. Onde quer que esteja seu Virgílio vira notícia, é fotografado. Afinal, caminhar tantos quilômetros na sua idade é algo raro. Mas o que encanta mesmo as pessoas é sua alegria, cordialidade, simpatia e seu lado “poeta ecológico”.

Em 2001, aos 80 anos, caminhou 850 quilômetros, dos Perineus, sul da França, até Santiago de Compostela, na Galícia, em apenas 28 dias, estripulia que lhe rendeu o título de herói da Galícia, com destaque na imprensa local. Em 2008, aos 87 anos, percorreu o caminho pela segunda vez. Exemplo para os peregrinos de todas as idades e nações.
 

Virgílio da Silva Ribeiro, "in memorian"

Andarilho encantado

No Brasil, já foi homenageado diversas vezes, mas não consegue patrocínio para suas caminhadas. Nada exorbitante, passagem aérea, ajuda para a hospedagem e alimentação, pois sobrevive com apenas um salário-mínimo e meio. Quando faz uma viagem, mesmo pequena, tem que passar meses fazendo economia até conseguir juntar o mínimo necessário para se manter. "Aqui as pessoas só têm olhos para jogador de futebol e artista", lamenta.

Seu currículo peregrino impressiona porque a primeira longa caminhada aconteceu quando tinha 75 anos e percorreu a trilha da Civilização Maia, no México. Foi a adrenalina que ele precisava para ir colecionando novos desafios. Em, 2005, aos 83 anos, ele subiu a cordilheira dos Andes, no Peru, pelo mesmo caminho que os incas trilhavam para alcançar a cidade sagrada de Macchu Picchu, a 2.820 metros de altitude. Trinta e seis quilômetros saindo do fundo do vale. Não satisfeito, subiu 2.667 metros de altitude até o monte Huayna Picchu (Montanha Jovem), também no Peru. "Quando cheguei lá no pico, acima das nuvens, senti que nunca estive tão perto de Deus. Acima de tudo", diz o peregrino.

O Caminho do Sol, roteiro de 230 quilômetros que liga Santana de Parnaíba a Águas de São Pedro, em São Paulo, ele já percorreu nove vezes. E não parou por aí. Já percorreu o Caminho da Luz, peregrinação de 195 quilômetros na Zona da Mata Mineira, superando as dificuldades da Serra do Caparaó, com altitudes que variam entre 230 metros da Cachoeira dos Tombos e 2.892 metros do Pico da Bandeira, escalou o Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira.

No ano passado ele percorreu o Caminho das Missões, 325 quilômetros, completados em 13 dias de caminhada e fez, pela segunda vez, os "Passos de Anchieta", caminhada de cem quilômetros saindo do Convento da Penha, em Vitória, até o santuário do Padre Anchieta, na cidade praiana do Espírito Santo. Nesse percurso tive o privilégio de caminhar muitos trechos ao seu lado, junto à fotógrafa Luciana Alt.

Seu Virgílio ainda não desistiu de subir o Monte Kilimanjaro, o ponto mais alto da África (5.895 metros), localizado no norte da Tanzânia, mas faltam recursos para uma viagem tão longa. Projeto apenas adiado. Enquanto esse dia não chega, o peregrino se debruça sobre mapas, anota distâncias e finaliza um roteiro audacioso: caminhar quase cinco mil quilômetros.

"Vou sair do Cabo Orange, em Oiapoque, descer até a entrada de mar entre a Ilha de Marajó e Belém do Pará e descer o litoral, passando por 16 estados", contabiliza. Algumas logísticas ainda não estão definidas e incluem travessias de mar e rios. "Não me preocupo com isso porque, se começar a pensar muito, levo o problema comigo. Caminhar para mim é como se fosse deitar para dormir. Começo e pronto. Não faço academia, não tenho alimentação especial. Eu apenas me levanto da cama e ando. Para caminhar é preciso apenas tempo disponível e isso eu tenho de sobra", se anima. Até abril, seu Virgílio continua estudando roteiros, fazendo contas e mantendo viva a esperança de conseguir alguma empresa que possa apoiá-lo financeira ou logisticamente em mais esse sonho. E, assim, manter a sua missão de conhecer e divulgar o estado ainda naturalmente maravilhoso do mundo.

Fonte: http://www.revistaecologico.com.br - (Edição de Sexta-feira, 25 de março de 2011) 


Virgílio da Silva Ribeiro, "in memorian"

Ainda, o jornal Folha de São Paulo publicou em sua edição de 18/05/2011 uma reportagem sobre a vida do sr. Virgílio, que pode ser conferida no link abaixo.

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/917107-aposentado-de-89-percorre-caminhos-mais-longos-do-mundo-a-pe.shtml


BOM CAMINHO A TODOS!