A CATEDRAL DE JACA


A CATEDRAL DE JACA

A Catedral de São Pedro, em Jaca

A DIOCESE DE JACA

Conhecida em todo mundo por seu festival folclórico e pelas competições de patinação artística, Jaca é, atualmente, uma dinâmica localidade de 12.000 habitantes, que atrai a cada ano que passa, milhares de turistas e esquiadores que frequentam a zona de Astún y Candanchú.

Situada a 820 m sobre el nível do mar, a cidade sempre desempenhou um importante papel estratégico por sua localização fronteiriça ao cruzamento dos caminhos do vale de Canfranc, em plena rota jacobeia, e junto ao rio Aragón.

Capital dos iaccetanos, um dos povoados íberos assentados na Península desde o neolítico, a história de Jaca é, desde aquele tempo, um fiel reflexo da história de todo o país: romanizada primeiro, depois a ocuparam os godos e, mais tarde, os muçulmanos, até sua reconquista no século XI.

A partir daquele momento, os reis de Aragón Ramiro I, Sancho Ramírez e Ramiro II, lhe outorgaram numerosos privilégios e um foro especial que concedia garantias e proteção a todos os mercadores que decidiam se assentar na cidade, atraídos pelo comércio e pela passagem dos peregrinos que seguiam a Santiago.

Jaca chegou a ser capital do jovem reino aragonês e sede episcopal (1063), porém no ano 1096 as tropas cristãs libertaram Huesca; a fronteira, e a capital foi instalada mais ao sul; então, o Bispo de Huesca, que havia buscado refugio em Jaca quando sua cidade foi ocupada pelos muçulmanos, regressou novamente a sua capital, deixando ali tão somente um vigário-geral.

Esta situação se manteria durante quinhentos anos, até que em 18 de julho de 1571, o papa Pio V, por mediação de Felipe II, erigiu novamente a sede episcopal de Jaca, outorgando o bispado a Pedro del Frago.

Hoje em dia, a diocese jaquesa ocupa uma superfície de mais de 5.000 km2, distribuídos entre o noroeste da Província de Huesca e o norte de Zaragoza; sendo a única diocese aragonesa que não depende deste arcebispado, senão com a de Pamplona, com a qual mantém uma indubitável vinculação jacobeia.



Tradicionalmente, a Catedral de Jaca tem sido considerada como o primeiro templo românico que se edificou em nosso país. Segundo essa teoria, a catedral foi consagrada no ano 1063, durante o reinado de Ramiro I, por ocasião de um Concílio celebrado na capital jacetana.

Hoje em dia, sem dúvida, parece que está em moda uma nova visão da origem desta catedral. De acordo com esta opinião, no reinado de Sancho I Ramírez (1063-1094), começou a construção da catedral, de acordo com o estilo românico imperante à época e que já se manifestava em outros lugares da Península, como Frómista, na província de Palência, e a própria catedral de Santiago. O templo foi erigido a partir de sua cabeceira, com planta basilical de três naves, fechadas em três absides e com o cruzeiro cobrindo um transepto que não constava de sua planta. A obra prosseguiu até o século XII, momento em que a catedral começou uma etapa de notável deterioração, agravada pelo fato de que a sede episcopal não estava em Jaca, e sim em Huesca, e pelos incêndios que a afetaram seriamente durante os séculos XIV e XV.

A partir do século XVI, quando Jaca recuperou sua catedralidade pelas mãos de Felipe II, o templo começou a ressurgir, apoiado pela nova burguesia da cidade, que levantou a torre e a sacristia, abriu novas capelas e cobriu a abóboda, seguindo os novos padrões da época, um meio caminho entre o último gótico e o renascimento. Por este motivo, a catedral oferece na atualidade, uma grande variedade de estilos, que vão desde o mais simbólico dos românicos (“el crismón” de sua portada ocidental) até o barroco da capela de santa Orosia, patrona da diocese.

No que coincidem todos os historiadores, é na importância que esta catedral teve no desenvolvimento do românico espanhol. Boa mostra de sua transcendência são alguns elementos, característicos de Jaca e que, sem dúvida, formam parte da identidade românica. Isto ocorre com o denominado “taqueado jaqués”, um adorno formado mediante a sucessão de pequenos cubos ou tacos dispostos em linha; com os capitéis, onde os mestres pintores cinzelaram, pela primeira vez no estilo românico, figuras humanas e de animais, mescladas com as habituais folhas e detalhes florais; com o cimbório, muito original em sua época, ao passar de ser quadrado a octogonal, por meio de conchas; ou com outros tantos detalhes, como o modo de situar os absides, ao rematar a parte inferior dos telhados. Por tudo isso, a catedral de São Pedro ocupa um lugar destacado na história do românico espanhol.



Os peregrinos que seguem pelo Caminho Aragonês tem a oportunidade de comprovar a evolução da arte românica desde a primeira até a última catedral da rota jacobeia. Em comparação com o Pórtico da Glória compostelano, a catedral de Jaca nos recorda os primeiros tempos da arte cristã, com imagens muito sóbrias e dotadas de um grande simbolismo.

No átrio ocidental do templo, a chamada “Magna Porta”, o peregrino encontra um “crismón” (símbolo composto pelas duas primeiras letras do vocábulo grego “Christós”, o ungido) entre as letras alfa e ômega, que representam o princípio e o fim da criação; todo ele, enquadrado no meio da porta, entre dois leões, imagem inequívoca de Jesus Cristo em sua luta contra o mal (representado por um mamífero e um réptil escamoso) enquanto protege o homem, de quem sai uma serpente (símbolo do sofrimento).

Na outra fachada, edificada posteriormente para criar um novo acesso ao templo pelo lado sul, destacam-se os capiteis lavrados pelo Mestre de Jaca; em especial, os dedicados ao sacrifício de Isaac, ao profeta Balaam iluminado por um anjo, o ao rei Davi rodeado de músicos, entre outros cinzelados com homens, pássaros e motivos vegetais que, se acredita, procedem do claustro românico da primitiva abside central, derrubada em 1790. Dos outros dois absides, o mais destacado é o meridional, por ser aquele que melhor conserva seu esplendor românico.

Dentro da catedral, na nave da epístola, destacam-se a capela de santa Ana, o retábulo da Anunciação (do século XVI) e o Cristo da Saúde; e, na continuação da porta meridional de acesso ao templo, uma tela com o retábulo da Virgem das Dores e as capelas de são Sebastião, gótica florida, e a de são Miguel, plateresca.

Na cabeceira da basílica se conservam os restos de santa Orosia, patroeira da catedral e da diocese, junto as relíquias de outros santos: são Indalécio, são Félix e são Voto; todos eles, conservados em urnas colocadas debaixo da mesa do altar maior. Quanto a decoração dos absides, o presbitério foi obra do frei Manuel Bayeu, cunhado de Goya, que o decorou no final de XVIII com afrescos alusivos a vida de são Pedro. Nos outros dois absides, destacam-se o esplendor românico e as imagens de são Jerônimo e da Virgem del Pilar.

Por último, na nave do evangelho, o peregrino pode encontrar as capelas dedicadas ao santo Cristo, a santo Agostinho e a Trindade, com um belíssimo altar lavrado em pedra, de estilo plateresco, inspirado claramente no Moisés de Michelangelo.

Antes de abandonar o templo, é conveniente passear pelo claustro da catedral, românico porém todo reformado em XVII, donde poderemos visitar o Museu Diocesano, criado em 1963 e que, atualmente, e depois uma série de diversas remodelações, alberga uma das melhores coleções de pintura mural da Idade Média resgatada das paróquias da diocese, como um afresco sobre a história da cristandade, desde o Paraíso até a ressurreição, de Bagües; a epifania de Navasa e a abside da ermita de são João Batista de Ruesta.



Dados úteis:

Obispado de Jaca . C/ del Obispo, 5. 22700 Jaca (Huesca).

Tel. 974 36 10 17. objaca@planalfa.es

Ayuntamiento de Jaca . C/ Mayor, 24. 22700 Jaca (Huesca).

Tel. 974 35 57 58. consultas@aytojaca.es

Webgrafía:

www.altoaragon.com/jaca/catedral/

www. jaca.com

www.aytojaca.es

www.romanicoaragones.com

www.arteguias.com/romanico_ jaca.htm


EPÍLOGO


Não gostaria de terminar este capítulo sem mencionar outra catedral, muito próxima de Jaca, que constitui uma autêntica curiosidade histórica.

Huesca é a província espanhola que possui mais catedrais, cinco, tal e como se indica o listado de edifícios eclesiásticos incluídos no Plano Nacional de Catedrais. São os templos, já mencionados, de Jaca e Huesca, a capital, e a catedral de santa Maria de Barbastro, a concatedral de santa María del Romeral de Monzón e a antiga catedral de Roda de Isábena, pertencentes as três a diocese de Barbastro-Monzón.

Esta última catedral, Roda, está num município mais próximo da Catalunha, que tem apenas cinquenta habitantes e que, sem dúvida, conserva uma esplêndida catedral. A origem desse templo se remonta a época da reconquista, quando o condado de Ribagorza, germe da futura Coroa de Aragón teve sua própria sede episcopal em Roda de Isábena desde meados do século X. Consagrada no ano 957, a catedral de são Vicente e são Valero foi destruída pelos árabes em 1006 e reconstruída durante o século XI em estilo românico lombardo, com três naves, três absides e presbitério elevado sobre uma cripta.

Como no caso de Jaca, a reconquista também levou mais ao sul a fronteira do Islamismo e, com ela, a catedralidade de Roda que se trasladou definitivamente a Lérida ao ser libertada essa cidade catalã; apesar disso, com o passar dos anos e, ainda que “oficialmente” já não mantenha a sede episcopal, Roda de Isábena têm conservado sua catedral, com o sepulcro de são Ramón, suas pinturas murais e o claustro românico, do século XII, que comunica o templo com a sala capitular e o refeitório, entre outras dependências. Toda uma joia, injustamente desconhecida.