CAMINHO DE SANTIAGO: AS CIDADES DO CAMINHO FRANCÊS - 2

AS CIDADES DO CAMINHO FRANCÊS - 2


Um trabalho compilado pelo peregrino Tácio Renato Pizzi Caputo





57 - Bercianos del Real Camino

Calzada Del Coto tem um albergue e infra-estrutura básica ao peregrino que segue por este povoado para tomar a variante (calçada romana – trilha dos lobos) que desemboca em Mansillla de las Mulas. Pouca gente fica por lá pois está a somente 5 km. de Sahagun. 
Em Calzada del Coto  que poucos recursos oferecia ao peregrino, foi aberto recentemente um albergue que oferece acolhida e hospitalidade.
Para aqueles que querem seguir o Caminho por uma variante alternativa, mais contemplativa e solitária, o desvio em Calzada del Coto que vai até Mansilla de las Mulas passa a ser doravante uma boa alternativa e com bons recursos.
O nome Bercianos provém dos primeiros povoadores que vieram da região do El Bierzo leonês. Documentos antigos testemunham a existência da aldeia no ano 950. Quase todas as construções são de “adobe” (tijolos de barro) inclusive sua simples igreja. No passado era infestada de lobos. Conta Domingo Laffi o seguinte episódio: “Partimos hacia Brunello (El Burgo Ranero), situado a cuatro leguas; Mas recorridas tres aproximadamente, dimos con un peregrino muerto y llegaron dos lobos que comenzaron a devorar aquel cuerpo; Les hicimos huir y continuamos hacia Brunello, y llegados a la tarde, fuimos a buscar un capellán para que fuese a levantar el cadáver..." 
Aqui é realizada na quinta-feira santa uma cerimônia religiosa que impressiona. Nas primeiras horas da tarde uma imagem de Cristo articulada é retirada da cruz, e lhe é retirada a coroa de espinhos. A imagem é introduzida em uma urna de cristal para ser conduzida em uma procissão seguida por seus confrades, e penitentes em um passo processional que representa Cristo morto. Quem viu diz que é muito bonito. Tudo isso com um canto religioso em tom de lamentação. 



O local tem um albergue muito bem equipado e administrado pela Associação do Caminho de Santiago de Leon. Há hostal e um bom restaurante. Um pequeno armazém supre bem as necessidades do peregrino. O povoado é dividido em dois “bairros : "El Barrio Arriba" (de cima) e "El Barrio Abajo" (de baixo) . Ambos estão separados pela já velha conhecida "Calle Mayor", que atravessa o povoado formando parte do próprio Caminho.
Atualmente, em Bercianos del Real Camino foi aberto um novíssimo albergue, que a partir da temporada dos peregrinos (abril/2013) vai atender com 30 leitos. ´Por trás desse albergue tem uma linda história de vida de um casal. 


58 – El Burgo Ranero 

Traduzido literalmente o nome da cidade “Burgo Ranero” é “cidade dos sapos”. Não é muito difícil de entender porque....ao lado de boa parte do Caminho há muitos terrenos alagados. Típica cidade do Caminho que embora pequena, oferece todos os serviços ao peregrino. Tem uma rua que atravessa a cidade inteira e suas casas em grande maioria são de adobe (tijolo de barro aparente), material que foi usado para a construção do albergue municipal. Possui outros dois albergues, hostais e dois restaurantes e armazéns. Tem somente uma igreja também de barro muito simples, dedicada a São Pedro. 

Rua principal de El Burgo Ranero, com a igreja de São Pedro ao lado

Possui uma peculiaridade. Por ele, segundo os guias, passam duas rotas: a do Caminho Real Francês que procede de Sahagún, Calzada del Coto e Bercianos atravessa a localidade de El Burgo Ranero por sua rua principal, a qual significativamente se denomina Calle Real, em direção a Mansilla de las Mulas e o da Calzada Romana ou Via Trajana que desde Calzada del Coto se desvia do anterior e passa pela localidade de Calzadilla de los Hermanillos, também em direção a Mansilla de las Mulas, onde voltam a se a unir. 
Atualmente pouco resta do povoado miserável formado com cabanas de barro e cobertas com palha como relata em suas crônicas Domenico Laffi , que aliás empresta seu nome ao albergue. Hoje o bairro da estação forma um moderno núcleo urbano. 


59 – Reliegos 

Reliegos tinha na época romana a designação de Pallantia com grande importância militar, já que ali confluíam três vias militares. O Caminho de Santiago propriamente dito segue indefectivelmente pela sua Calle Real.
Na entrada do povoado ainda se pode observar as ruínas das adegas privadas para consumo não comercial que no passado existiam. Atualmente se perdeu a tradição de produção vinícola caseira e nem mesmo a uva é cultivada. É um povoado de passagem embora tenha estrutura razoável para receber o peregrino com um bom albergue, um armazém e um bar que serve refeições. Além disso há uma modesta igreja dedicada a San Cornélio e San Cipriano. 

Um peregrino chegando em Reliegos

Ali perto há um jazida do paleolítico onde foram encontradas mais de 120 peças. Do período neolítico foram também encontradas peças de sílex. 
Mas o que pouca gente sabe é que o último meteorito caído na Espanha foi nessa cidade. Com 8,9 quilos caiu no meio da Calle Real as 08:30 horas do dia 28/12/1947 – dia dos santos inocentes.


60 - Mansilla de las Mulas

A cidade de 1.600 habitantes tem todos os serviços aos peregrinos com hostais, armazéns, restaurantes, e comércio em geral. Dois bons albergues com destaque ao municipal onde a hospitaleira Laura sempre recebe muito bem os peregrinos brasileiros. Tem até um “cabaré”...mas isso é outra história....
Situada entre os montes leoneses e as terras de Campos sempre foi um grande centro comercial. Cresceu nas margens do rio Esla e sua origem é romana. Não tinha nenhuma importância até que Fernando II ordenou sua repovoação no século XII e a elevou a categoria de “pueblo”. Depois pertenceu a família dos “Enriquez”. 

Porta Del Castillo, em Mansilla de Las Mulas

Ainda são conservados os restos das suas muralhas medievais com suas quatro portas que coincidiam com os quatro pontos cardeais. Das 4 entradas se conservam a Porta del Castillo que é a entrada da cidade no Caminho Frances onde está localizado o monumento ao peregrino, e a porta de la Concepción que é entrada da calçada romana no povoado sendo a porta em melhor estado de conservação. 
Mansilla chegou nos momentos áureos a ter 3 hospitais de peregrinos, dois conventos, e sete igrejas. 
Há vestígios do monastério de San Adrián e das igrejas de San Lorenzo e de San Nicolás. Parte do templo de San Martín é atualmente a Casa de Cultura e Biblioteca. O convento de San Agustín está sendo reabilitado para ser o Museu Etnográfico de León. As igrejas que se mantém abertas são as de Santa María e Nuestra Señora de Gracia. 

A rua principal do comércio, em Mansilla de Las Mulas

A rota jacobéia em Mansilla se manteve como na antiguidade. Entra pela parte sul e sai por uma antiga ponte de pedra ao norte. 
A antiga vila amuralhada com traçado medieval serve de união entre o Real Caminho Frances e a Via Trajana. 


61 – León - a 303 km de Santiago

Saindo de Mansilla existem alguns povoados como Villamoros de Mansilla, Puente de Villarente, Arcahueja, e Valdelafuente que muito pouco se oferece ao peregrino. Exceto em Puente de Villarente há alberque e hostal . O objetivo saindo de Mansilla é chegar a León. 
Há mais de dois mil anos, em 79 a.C., na confluência dos rios Bernesga e Torio, situava-se o acampamento militar dos legionários romanos pertencentes à Legio VIIa Gemina Pia Felix. Ao redor do acampamento a o centro urbano foi crescendo ao longo dos séculos, e de legionis, nasceu seu nome León. A região tornou-se subitamente despovoada com as invasões muçulmanas. Porém, com a Reconquista, o rei Ordoño I, repovoou a região, e no ano 914, o rei Ordoño II elevou a cidade a capital do reino de León. Apesar da rivalidade com o reino vizinho de Castela, pois "León teve vinte e quatro reis, antes que Castela tivesse leis", os dois reinos se uniram definitivamente em 1230. 


A Catedral de León

Sobre os restos de um templo romano dedicado ao deus Mercúrio, ergueu-se a antiga igreja de Santo Antônio, que depois converteu-se no Panteón Real, Esta construção está unida à milenar abadia conhecida como Real Basílica de San Isidoro. Neste local estão sepultados trinta e cinco reis, rainhas e infantes, e para lá foram levados também, há mil anos, os restos de São Isidoro, trazidos de Sevilha em 1063, por iniciativa do rei Fernando I. 
Em 1161 foi fundada em León a Ordem dos Cavaleiros de Santiago de la Espada. O mosteiro de São Marcos, cuja construção iniciou-se em 1513, foi sede da Ordem, cujos cavaleiros tinham a missão de cuidar do Caminho de Santiago e defender os viajantes. Em sua fachada, sobre a porta principal, há uma imponente escultura de Santiago Matamoros. Posteriormente o mosteiro transformou-se em um Hospital de peregrinos, e hoje é um luxuoso hotel cinco estrelas. 
A cidade possuía na época medieval pelo menos dezesseis hospitais o que demonstra a importância que era dada ao peregrino. Esta é uma daquelas cidades que merece uma atenção toda especial porque há muito a ser visto. Passear pelo casco antigo, visitar as antigas muralhas com suas portas monumentais, o Palácio de Guzmanes, a casa de Botinez (do arquiteto Gaudi) , o casarão de los Quinonez, a igreja de Santa Maria, a Plaza Mayor, o museu de Leon, a igreja de San Isidoro, e é claro a catedral de León é quase que obrigatório. 
É dispensável falar da estrutura que León oferece ao peregrino. Aqui se encontra de tudo. Mas é quase uma unanimidade participar das vísperas que ocorrem diariamente no monastério das monjas beneditinas (carbajallas) junto ao albergue, onde são entoados cânticos gregorianos e é feita uma benção aos peregrinos. 


62 – Villadangos del Páramo

A saída de León se dá seguindo vieiras de bronze cravadas no chão (difícil de ver pela manhã quando ainda está escuro). As cidades seguintes são como se fossem bairros ligados a León que oferecem serviços básicos ao peregrino, mas nem todos há acomodações para pernoite, como é o caso de Trobajo del Camino, Valverde de La Virgen, e San Miguel Del Camino. 
Somente em Virgen del Camino há albergue e hostal além de armazém e outras facilidades. Virgen del Camino talvez possua a igreja mais moderna de todo o Caminho Francês, pois sua construção data de 1961 com o projeto do arquiteto catalão Subirachs. Sua moderna fachada apresenta 13 esculturas de bronze que representam a Virgem Maria e os doze apóstolos. 

A igreja de Villadangos del Páramo

O nome do povoado Villadangos procede de “villa de ambos” referindo-se ao rei e rainha de sua época. Muito próximo do povoado se encontra um sítio arqueológico do período paleolítico inferior. 
O pequeno povoado fica na margem da estrada que liga León a Astorga tem albergue, hostal, hotéis e serviços ao peregrino. 
Segunda a história esta foi uma vila romana e lugar de enfrentamento de reis como, por exemplo, em 1111, onde as tropas de Doña Urraca combateu as tropas de Alfonso I (El batallador). 
Na saída do povoado há uma fonte (fuente Ancos) de águas abundantes, muito apreciada pelos peregrinos que passam por ali. 
A igreja do século XVII revela as raízes santiaguistas do local e apresenta na sua porta lindos relevos policromados relativos a batalha de Clavijo, Santiago Matamoros, e Santiago Peregrino.


63 – Hospital de Órbigo

Puente Medieval em Hospital de Órbigo

Depois de passar por San Martin del Camino que tem uma estrutura básica para atender ao peregrino composta de dois albergues, um restaurante e um armazém, que pode atender em casos de eventual necessidade, mais a frente há Puente/Hospital de Órbigo que oferece mais atrativos para um pernoite já que tem diversos hostais, restaurantes  e albergues e com uma história muito rica e uma das mais românticas do Caminho Frances.    
A ponte de Órbigo é de origem romana e é uma das mais antigas da rota jacobéia. Sofreu diversas modificações ao longo do tempo tendo hoje 19 vãos . É também conhecida como “Puente del Paso Honroso", face a um feito histórico ocorrido no ano jubilar de 1434, sendo muito mais conhecida por esse fato do que pelas razões arquitetônicas.
Don Suero de Quiñonez, para ganhar o amor de uma dama (Doña Leonor de Tovar) entrou em um torneio (de justas) desafiando a todos os cavaleiros que quisessem atravessar a ponte a cruzar lanças com ele e seus ajudantes. Isso foi durante o mês de julho. Finalizados os combates sem que ele perdesse nenhum confronto, todo o grupo, vencidos e vencedores, peregrinou até Santiago onde Don Suero em sinal de agradecimento doou ao apóstolo um bracelete de ouro que ele recebeu de presente da sua dama.

Outra visão da ponte

Na cidade havia o hospital da Ordem dos Cavaleiros de San Juan, restando dela ainda sua igreja que era vinculada a Ordem dos Hospitalários, sendo um templo de grande solidez recondicionado no século XVIII.
Até hoje durante todo o mês de julho em meio a uma grande festa as justas são realizadas bem ao lado da ponte.  
 
 
64 – Astorga

O antigo povoado pré-romano foi denominado de Asturica pelos latinos, e cognominada Augusta pelo primeiro imperador romano, Augusto, no século I. Centro de comunicações da região norte da península Ibérica, de Asturica Augusta partiam nove estradas romanas. Nesta época a cidade era cercada por uma grande muralha, parte da qual ainda é hoje visível. 
Desde os primórdios do Cristianismo, aproximadamente no século III, Astorga tornou-se sede episcopal. Atualmente o fantástico palácio episcopal, construído há cem anos pelo arquiteto catalão Gaudí, foi transformado em Museu dos Caminhos e é um monumento que vale a pena ser visto.
A catedral, em estilo gótico, foi construída no século XV ao lado da catedral mais antiga, do século XI, que estava quase desabando. Em seu interior vale a pena observar a imagem de São Tiago vestido como peregrino. Em seu exterior chamam a atenção as cegonhas desafiando os fortes ventos em seus ninhos construídos sobre as pontiagudas torres góticas da catedral. 
Em Astorga unia-se ao tradicional Caminho Francês, a antiga rota de peregrinação conhecida como Via de la Plata. Na época áurea das peregrinações, a cidade chegou a contar com vinte e dois Hospitais para acolher os peregrinos.

Palácio Episcopal de Astorga, construído por Gaudí

A proximidade de três monumentos gigantescos, a muralha, a catedral e o palácio, lado a lado, em estilos arquitetônicos tão diversos, representando três épocas tão diferentes da história do Caminho, apresenta aos olhos do peregrino, de uma só vez, dois mil anos de História.
Isso torna, sem dúvida a capital da Magateria um dos locais mais importantes da rota jacobéia, chagando a ser definida ironicamente por D. Miguel de Unamuno como “cidade perfeita” porque com o vasto poder da igreja naquela localidade não precisava do poder civil.
Conta atualmente com três excelentes albergues, uma dezena de bons hostais, hotéis e restaurantes, confeitarias, e supermercados que fazem a alegria do peregrino.
Imperdível para o peregrino deixar de conhecer o convento de Santa Clara, as ruínas romanas, a igreja de San Esteban, San Andrés, Fátima, San Francisco, Santa Marta, San Bartolomé, Hospital de San Juan Bautista, Monastério de Corpus Christi, Museu romano, as Muralhas romanas, e o Museu do Chocolate, e nem deixar de provar o seus “biscoitos amantegados”.
 
 
65 – El Ganso

Para os peregrinos que querem fugir do burburinho de Astorga, uma cidade muito concorrida no Caminho, uma boa alternativa é seguir adiante e ficar em Murias de Rechivaldo que oferece boas acomodações e boa alimentação (afinal estamos na Magateria). Pouco se sabe desta cidade a não ser que o riacho tranqüilo que cortava o povoado transbordou no século XVII e desapareceu com todo o povoado que foi reconstruído na parte mais alta do município.

Bar Cowboy, em El Ganso. Imperdível!

Mais adiante está Santa Catalina de Somoza que possui as mesmas características de Murias, com muitas casas com grandes portões e construídas em pedra.
A seguir vem El Ganso um povoado que mais parece estar abandonado com suas casas de telhado de palha.  A grande atração da cidade é o controvertido bar do Cowboy, uma verdadeira miniatura de um mercado persa, que tem umas boas empanadas e tortilhas, assim como um cerveja sempre bem gelada. Além disso, diz a lenda local que o próprio Santiago andou rezando algumas missas na igreja que existe lá.  Há ainda dois albergues que podem quebrar o galho em eventual necessidade.



66 – Rabanal del Camino
 
Ao sair de Astorga o peregrino perceberá que o relevo muda um pouco. Saem de cena os “páramos” com suas enormes planícies e entra o perfil montanhoso agora representado pelos montes de León. 
Um pouco antes de chegar a Rabanal um carvalho centenário, à direita do Caminho convidará o peregrino a um justo descanso debaixo de sua sombra.
A localidade fica no sopé do monte Irago, e é a nona etapa do Codex Calixtinus.  No início da sua rua principal está a ermita de San José, construída no século XVIII, e seguindo a rua bem no centro do povoado está a igreja de Santa Maria, uma das poucas igrejas que restaram na região com características românicas.
Conta-se na região que em uma casa também na rua principal, conhecida como a casa das quatro esquinas pernoitou Felipe II em sua peregrinação a Santiago.

A rua principal de Rabanal del Camino

Rabanal teve um assentamento Templário na época medieval e que até hoje conserva sua tradição hospitalária, contando com vários albergues, hostais e restaurantes e uma tienda para bem atender ao peregrino.
Imperdível é participar da oração das vésperas e da benção aos peregrinos na igreja de Santa Maria, que começa às sete horas da noite, cantado em latim segundo as tradições gregorianas. 
Recomenda-se uma boa refeição à noite e um bom descanso para a travessia do Monte Irago.
Com relação ao pernoite há duas excelentes alternativas – o albergue Gaucelmo mantido pelos ingleses, que é muito concorrido, ou no N. S. Pilar, albergue privado que tem como hospitaleira a Isabel e sua mãe D. Esperanza, onde o peregrino é recebido com muita fidalguia. O albergue municipal também tem boas acomodações.
 

 
67 – Foncebadón

Este povoado, que no passado foi abandonado, ano após ano ressurge das cinzas, graças ao empresário Enrique Gaia, que se estabeleceu na localidade montando no lugar um restaurante que oferece sabores gastronômicos medievais.
Salvo melhor juízo e segundo informações de outros amigos peregrinos que passaram e ficaram por lá, hoje já há dois albergues. Um paroquial administrado por uma entidade austríaca e um albergue privado que oferece menu de peregrino.

Cruz, na entrada de Foncebadón

Conta-se que um  eremita berciano chamado Gaucelmo, com a proposta de ajudar os peregrinos nesta difícil travessia, solicitou ajuda ao rei Rey Alfonso VI e a ele se deve a construção da igreja que foi destruída, assim como ao hospital que mais tarde transformou-se em monastério, também abandonado.
A dois quilômetros depois de Foncebadón, está a Cruz de Ferro, (e sua ermitã) um dos pontos culminantes do Caminho (1.439 m.) onde o peregrino cumpre, via de regra, um ritual  depositando uma pedra na sua base para invocar proteção na sua peregrinação, efetuar pedidos, e “deixar seus pecados/defeitos”. É um dos locais emblemáticos e míticos do Caminho. É voz corrente que uma outra cruz mais primitiva foi instalada sobre um altar romano dedicado ao Deus Mercúrio (Deus de todos os Caminhos) pelo mesmo ermitão Gaucelmo.
 

68 – El Acebo

Depois de atingir o ponto mais elevado do Caminho (junto a estação militar – 1520 m.) o peregrino pode ouvir as badaladas do sino tocado pelo hospitaleiro Tomás, que se auto denomina como último Templário, na única casa existente no abandonado povoado de Manjarín.  Independente da precariedade do local, ali o peregrino poderá experimentar a  verdadeira hospitalidade do Caminho, uma vez que ele está sempre pronto a prestar apoio aos peregrinos em qualquer época do ano, sempre com um café, chá ou chocolate quentinho, e biscoitos.
A partir dalí serão uns 400 metros de descida íngreme rumo ao povoado de El Acebo que pode ser visto logo após Manjarin após uma trilha bem acidentada.
El Acebo possui como outros pueblos uma Calle Real sendo toda ela em plano inclinado e uma das mais bonitas e pitorescas do Caminho.

Peregrinos chegando em El Acebo, onde as casas tem telhado de ardósia

A história conta que os reis católicos dispensaram os habitantes do local do pagamento de tributos desde que eles demarcassem com estacas o Caminho, desde Foncebadón na temporada do inverno para proteger os peregrinos de possíveis acidentes.
O povoado oferece hostais, restaurantes e albergues em razoáveis condições para receber os peregrinos.
Na saída do pueblo, junto a uma rústica ermita, há uma escultura em ferro de uma bicicleta que rende homenagem a um peregrino alemão que morreu exatamente naquele local.
Para os querem se desviar um pouco do Caminho, há um desvio na saída de El Acebo que leva até Compludo, onde ainda é conserva uma ferraria medieval.


69 – Riego de Ambrós

Ao sair de Manjarin caso o peregrino queira esticar mais um pouco a sua jornada e se perder um pouco do Caminho há a opção de caminhar atravessando o vale do silêncio pelos povoados de Peñalba e Compludo (ferraria do século VII) ,entre centenários carvalhos, nogueiras, e castanheiras tendo como cenário um dos mais importantes monumentos exemplos da arquitetura mozárabe na Espanha.
Quase imperceptível se eleva a igreja de Peñalba de Santiago, único resto do monastério fundado por San Genadio, entre os anos de 931 e 937, durante o reinado de Ramiro II. Os restos da construção serviram posteriormente para a construção das casas atuais dos habitantes do vale. 

Igreja paroquial "La Magdalena", em Riego de Ambrós

Riego de Ambrós é mais um povoado típico do Caminho com uma única rua com um casario repleto de balcões de madeira, logo após a descida de El Acebo. Há indícios que Riego de Ambrós contou com um hospital para peregrinos por volta do século XII. A localidade além de um bom albergue, hostal, tienda e restaurante tem uma igreja paroquial “La Magdalena”, e junto a uma velha fonte, há a ermita dedicada a San Sebastián e San Fabián. 


70 – Molinaseca 

Os peregrinos para entrar em Molinaseca, devem cruzar o rio Meruelo sobre uma linda ponte românica, onde o remanso de uma praia fluvial é convidativa para um refrescante banho. A cidade oferece ao peregrino, muita beleza e tranqüilidade. Encanta transitar pelas casas nobres com seus escudos e suas ruas mostram uma vila que teve um grande passado. Destaca-se a Calle Real ou também Calle dos Peregrinos já que o Caminho de Santiago transcorre por ela.
É um dos enclaves mais importantes da rota jacobéia, que soube manter-se viva que conservou a sua história. É quase parada obrigatória dos peregrinos onde dois dos albergues existentes são administrados por dois dos mais respeitados hospitaleiros do Caminho – Alfredo e sua mulher Cristina. 

Puente românica sobre o rio Meruelo, em Molinaseca

Além dos dois albergues há bons hostais e boa variedade de restaurantes. 
Há que se citar que as águas do rio Meruelo, serviram aos romanos para a exploração das minas de ouro da mina de “las Medulas”, que passa junto ao santuário de “las angústias” onde se venera a Virgem (La preciosa). 
Na calle Mayor em uma das casas blasonadas habitou Doña Urraca e no final da rua ainda hoje pode se apreciar o que no passado foi o hospital de peregrinos. 
Além disso, merece destaque as ermitas dedicadas a Santa Marina e a San Lázaro. 


71 - Ponferrada - a 202 km de Santiago

Há sinais arqueológicos de que a região de Ponferrada era habitada desde a época pré-romana. O local havia sido um centro de mineração de ferro. Porém os primitivos aldeamentos haviam sido abandonados há muito tempo quando em 1185, Fernando II, rei de León, repovoou a vila e a entregou à Ordem dos Templários. Naquele tempo o local era ocupado apenas por uma secular floresta de carvalhos. 
Nesta mesma época, em fins do século XII, o bispo Osmundo, de Astorga, construiu sobre o rio Sil a pons ferrata ou puente ferrada, isto é, a "ponte de ferro", que deu nome à cidade e substituiu a antiga ponte de madeira. Na região de Ponferrada as cruzes que indicam a rota do peregrino são todas de ferro. 
Os cavaleiros Templários e sua ordem militar foram banidos em 1312, porém a gigantesca fortaleza por eles construída permanece inalterada até hoje. É um monumento imponente e impressionante, que domina a parte alta da cidade. Suas muralhas com ameias, suas torres, a ponte levadiça, tudo recorda ao peregrino as antigas histórias dos cavaleiros andantes da Idade Média. Na verdade o castelo é própria imagem viva do modelo que imaginamos como corte do rei Arthur com sua távola redonda. 

Castelo Templário, em Ponferrada

Em 1498 os reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, fundaram o famoso Hospital de la Reina para acolher os peregrinos que chegavam a esta cidade. 
Ponferrada é uma cidade que mantém uma peculiaridade de ser uma localidade onde se mesclam sossego, história, tradições, paisagens, e gastronomia. É uma das grandes cidades do Caminho com seus quase 70 mil habitantes, onde a modernidade se confunde com o medieval. 
Têm hotéis, hostais e restaurantes para todos os bolsos e gostos, mas curiosamente só tem um albergue, por sinal muito bom administrado por uma entidade de amigos do Caminho de Santiago da Suíça. 
A capital do Bierzo está localizada em um antigo castro romano e sofreu diferentes invasões e destruições. Durante a ocupação romana foram famosas suas minas de ouro, fato que justifica em parte a presença dos Templários na região. Em 1082 a ponte de madeira sobre o rio Síl foi reforçada com ferro, material muito abundante na região, dando o nome de “Pons Ferrata” à cidade. 
O castelo dos Templários (sec XII/XIII) parcialmente reconstituído é um dos melhores exemplos da arquitetura militar na Espanha, e se converteu na Meca dos amantes dos Templários e de seus ritos de iniciação. 
A basílica de N. S. de La Encina merece uma visita embora seja bem mais “moderna” uma vez que seu estilo é o gótico-renascentista. Além dela outros monumentos merecem ser vistos como o Convento dos Concepcionistas, o prédio do Ayuntamiento, ao qual se chega cruzando o arco da torre del Reloj. E, nunca é demais lembrar que de Ponferrada se pode visitar aa igreja mozárabe de Santiago de Peñalba, que é uma jóia da arquitetura pré-românica espanhola. 
Uma dica: Na primeira lua cheia do verão se celebra no interior do castelo a Noite Templária. Um acontecimento medieval único e fantástico. 


72 – Camponaraya

Ao sair de Ponferrada o peregrino atravessa quase sem perceber dois povoados que estão praticamente juntos: Columbrianos e Fuentes Nuevas que muito pouco tem a oferecer ao peregrino. Não dispõem de albergues ou hostais, mas em caso de necessidade há pequenas tiendas que podem servir para adquirir mantimentos. Em seguida vem Camponaraya. 
Os peregrinos ao cruzarem esta zona do Bierzo vão poder apreciar grandes extensões de terreno com cultivo de uvas, e embora esteja na rota jacobéia tem sinais de identidade diferenciados da maioria dos povoados face a sua florescente indústria. 

Avenida principal de Camponaraya, por onde transitam os peregrinos

Caso seja necessário há um albergue paroquial com modestas acomodações. Mas tem comércio farto na principal e movimentada rua que o peregrino tem que inevitavelmente seguir. 
Na época de maior esplendor do Caminho, esta localidade teve dois hospitais para receber peregrinos: o de la Soledad e o de San Juan de Jabreros. 
A igreja, moderna demais para os padrões do Caminho, nas margens do rio Naraya está dedicada a San Ildefonso. 


73 – Cacabelos

Povoado reconstruído as margens do rio Cúa no século XII pelo bispado de Santiago, onde na época existia um hospital de peregrinos junto a ermita de San Roque que ainda hoje existe. 
Sob a jurisidição de Astorga, Cacabelos renasce das cinzas e se converte em parte do Caminho de Santiago. Daí terem sido erguidas algumas igrejas e hospitais para acolhida de peregrinos. Aqui chegou a ser construído o monastério de San Guillermo, já desaparecido. 
Seu brasão conta com um leão e a cruz de Santiago. No século XV passa a fazer parte do marquesado de Villafranca del Bierzo. No século XIX, mais precisamente em 03/01/1809, Cacabelos foi cenário de uma batalha pela guerra da Independência. 
Embora hoje tenha mais de cinco mil habitantes, conta somente com um albergue paroquial localizado ao lado da igreja de las Angustias. O santuário de las Angustias (onde está o albergue) possui uma imagem inusitada: o menino Jesus jogando cartas com Santo Antônio de Pádua. 

Vinhedos em Cacabelos

É um albergue com característica única ao longo do Caminho Frances, uma vez que dispõe de diversos de quartos em volta da igreja com apenas duas camas (sem beliche), cada um. 
A cidade oferece uma boa quantidade de restaurantes, mercados e hostais, oferecendo conforto ao peregrino. Destaque para o restaurante Moncloa de San Lazaro onde também há um elegante hostal. Dizem que a parrillada (na brasa) a moda berciana é imperdível. 
Tem uma importância estratégica no setor vinícola com numerosas adegas que produzem vinhos com Denominação de Origem (Del Bierzo). Conta atualmente com um museu com diversos materiais de origem celta e romana que foram encontrados ao longo do tempo. 
Merecem ser apreciados: a Puente mayor sobre o rio Cúa com seus seis arcos, de construção mais recente (sec XVI) já que anterior não suportava o tráfego intenso; a igreja de Santa Maria originalmente erguida em 1108 da qual só restou o abside românico, mas que foi reconstruída em 1904; o santuário de las Angustias (onde está o albergue); a ermita San roque de 1590; e o Monastério de San Salvador de Carracedo, cuja fundação foi atribuída ao rei Bermudo II em 990. Desde o século XII ficou sob a obediência da Ordem cistercense e seu esplendor durou até o século XIX com a desamortização dos bens eclesiásticos promulgado por Mendizábal. A sala capitular do monastério ficou conhecido como “Mirador de La Reina” e segundo os moradores locais é um conjunto que o peregrino não deve deixar de visitar. 
Alguém que não lembro quem, me disse que na rua principal tem uma adega que oferece uma taça de vinho para os peregrinos que passarem por lá. 


74 – Villafranca Del Bierzo

É a última localidade importante das terras leonesas, e oferece muito a ser visto pelo peregrino. A Praça Mayor, o Ayuntamento, a Calle Del Água com suas belas casas com brasões, o convento das Augustinas Recoletas, a igreja de Santiago (românica do séc. XII) onde os peregrinos enfermos que não podem seguir viajem obtém o mesmo jubileu que em Santiago de Compostela ao postar-se diante da porta do perdão, a colegiata de Santa Maria a igreja de San Francisco, o convento de La Anunciata, o palácio dos marqueses (família Osório) e o museu de ciências naturais são quase que visitas obrigatórias. 
A igreja de Santiago em pleno Caminho fica um pouco antes de se entrar na cidade quase que ao lado do albergue Ave Fênix na época medieval recebiam as indulgências que foi um privilégio concedido pelo Papa Calixto II. Ou seja, o peregrino que por motivo de saúde não conseguisse prosseguir a peregrinação até Santiago podia passar pela porta do Perdão com os mesmos privilégios que seriam recebidos ao cruzar a Porta Santa em Santiago de Compostela. 

Albergue Ave Fênix, de Jesus Rato

A cidade deve a sua fundação a um assentamento dos Francos por volta do século XI nos tempos de Alfonso VI, nasce e cresce graças ao Caminho de Santiago, as margens do rio Burbia na confluência com o Rio Valcarce. 
O castelo/palácio dos marqueses de Villafranca foi construído no século XIV, em que pese os danos sofridos na guerra da Independência. 
O impressionante edificio da Colegiata de Santa María, foi reconstruída sobre a velha igreja da ordem cluniciacense em 1533 por ordem do Marqués de Villafranca del Bierzo e do vice-rei de Nápoles, Don Pedro de Toledo. Sua beleza e grandiosidade, se deve ao mestre Rodrigo Gil de Hontañón. 
Cidade com três bons albergues com destaque para o moderno albergue de la Piedra que tem duas simpáticas hospitaleiras. Hospedagem fora dos albergues também não é problema já que há fartura de hostais e um parador turístico. A cidade oferece todos os serviços ao peregrino e é uma boa oportunidade de descanso para superar a subida até o Cebreiro. 


75 – Trabadelo

Trabadelo fica às margens do Rio Valcarce que acompanha o peregrino por um largo período (cerca de 13 km), para aqueles que optam em seguir pela margem da estrada (N-VI) hoje quase que desativada rumo ao Cebreiro. Possui uma modesta população de cerca de 170 habitantes e tem boa estrutura para o peregrino com albergues (3), bares e hostais (2). O peregrino encontrará pelo Caminho milenares castanheiras e carvalhos que dão a sombra necessária para uma caminhada tranqüila. 
Foi um castro pré-romano e suas terras pertenceram a Igreja de Santiago como doação do rei Alfonso III no ano de 895. Contava com o castelo de Autares do qual só restam ruínas. Num passado distante os peregrinos passavam por esta zona com extrema precaução, pois no castelo abandonado se escondiam bandoleiros que assaltavam os sofridos peregrinos.

Bar e Pensão em Trabadelo
 
Possui uma igreja onde se destaca sua fachada marcada por um campanário coroado. Como em todos os templos rurais evidencia seu aspecto maciço, pois desempenhava também uma função defensiva em caso de ataques. Isto faz com que seu interior seja escuro o que dá um ambiente misterioso em consonância com as características da cultura galega. 


76 – Vega de Valcarce


É o povoado mais importante de todo o vale do Rio Valcarce e o que oferece o maior número de serviços ao peregrino. Tem dois albergues, dois hostais, restaurantes, bares, e tiendas. Embora o peregrino ainda se encontre na província de Leon, a proximidade com a Galícia faz com que a vida e os costumes de sua gente, sejam mais galegos que castelhanos. 
Por isso é a capital do vale e último município de certa importância de Leon. O povoado se situa entre dois velhos castros: o de Veiga e o de Sarracin. O primeiro serviu desde o século IX como refúgio dos arrecadadores do “Portazgo”, que era o imposto pago para quem passasse por estas terras, representando uma passagem simbólica de entrada na Galícia. O segundo, do qual se conservam as ruínas do castelo, foi fundado no século XI pelo conde de Astorga chamado Sarracino, que é citado em um documento de Alfonso III sobre a cessão da terra a sede compostelana. 
A economia depende fundamentalmente da produção e extração das castanhas e do turismo rural face à beleza da flora e da fauna local. 
Para ver há as ruínas do castelo de Sarracin que está no alto da colina chamada de Castro Martín, das quais se conservam os muros da edificação de planta retangular irregular e torres com seteiras para defesa da cidadela e um pórtico elevado na parte sul. Há indícios que anteriormente havia uma construção atribuída aos Templários nos primórdios do século XI. 
A igreja existente na vila está dedicada a Santa Maria Magdalena que é a padroeira dos pecadores e penitentes atesta a característica peregrina deste pueblo. 

Albergue "Brasileiro" em Vega de Valcarce

Na margem da estrada N-VI ficava o albergue Nossa Senhora da Aparecida – tipicamente brasileiro – que oferecia boa acolhida e boa comida, inclusive um farto café da manhã, sob a administração do goiano Itabyra e da hospitaleira Joana uma holandesa/paraense, tornando-se uma ótima opção para repouso para a subida ao Cebreiro. Atualmente o albergue está sob a gestão da hospitaleira Ângela (a mesma de Fonfria do albergue A Reboleira) que aprendeu com algum brasileiro a preparar o legítimo sanduíche Bauru. 


77 – Las Herrerias 

Aqui neste pequeno povoado de apenas 80 habitantes começa realmente a subida em direção ao Cebreiro, aonde os peregrinos que vão a pé abandonam definitivamente a estrada N-VI, saindo de uma altitude de 675 metros até 1.296 metros numa distância de 8,5 km. Somente os ciclistas seguem por ela até o Cebreiro.
O nome do povoado é devido as indústrias de ferro que existiam no local. Os moradores e trabalhadores aproveitavam a força da corrente do rio para mover os martelos hidráulicos para poder trabalhar o metal. 
Curiosamente existem no pequeno povoado dois bairros: Herrerías, na entrada do pueblo, e o Inglês, na saída. 


As últimas casas recebem o nome de “hospital inglês” por ter sido este construído nos tempos da dinastia Plantagenet, destinado a tender os súditos ingleses. Na bula de Alejandro III (1178) se menciona esta localidade como “Hospital dos Ingleses” e no mesmo documento citava a existência de uma igreja. 
A igreja existente, como todos os templos rurais apresenta um aspecto maciço, com escassos vãos abertos, destacando-se o seu campanário e sua Espaldana. A construção é em pedra bem menos elaborada que nas igrejas urbanas. 
No povoado há um bar que atende as necessidades básicas dos peregrinos, pois tem albergue privado, bons hostais, e casas rurais, em função da exuberância da natureza.


78 – La Faba


É um povoado de passagem dos peregrinos já cansados da subida forte, pois a diferença de altura vencida pelo peregrino em apenas 3,5 quilômetros é de quase 250 metros. Fica situado entre a divisa de Lugo e Leon no alto das montanhas. Sua população de não mais de 20 habitantes é essencialmente agrícola, e aqui já se respira ares celtas.
Antigamente chama-se Villa Ux ou Villa Oxi e sob este nome suas terras foram cedidas por Alfonso IX no princípio do século XIII ao monastério de Carracedo. Conta com uma simples igreja dedicada a San Andrés e um castro romano. Uma pequena cantina satisfaz a sede do peregrino em sua passagem rumo ao Cebreiro. Para os que querem fugir do burburinho e concorrência do albergue do Cebreiro há em La Faba um excelente albergue administrado pela Associação de Amigos do Caminho de Santiago da Alemanha. 


79 - O Cebreiro - a 152 km de Santiago

Depois de passar pela pequena vila La Laguna, último povoado de Castilla e Leon, o peregrino chega ao Cebreiro, local impregnado de magia e beleza. 
Situado entre as zonas de Ancares e O Courel, sabe-se que o povoado foi utilizado pelos romanos como via de acesso às terras galegas. Algumas simples vivendas pré-românicas (provavelmente celtas) chamadas palhoças deram abrigo durante milênios a seus habitantes e viajantes que nelas pernoitaram. Atualmente restam quatro delas que pertencem ao patrimônio artístico, duas como museus e outras duas para fins comerciais. 
O primeiro hospital de peregrinos vem do ano 835, mas Alfonso VI, em 1072, é que dá grande impulso ao por a frente do hospital os monges franceses de Aurillac (que empresta o nome a um dos hostais no Cebreiro). 
O Cebreiro, no alto das montanhas que separam as províncias de León e Galícia, foi um dos primeiros refúgios a acolher os peregrinos que se dirigiam a Compostela. Seu templo é do século IX, e pode ser considerado "moderno", se comparado às palhoças de pedra e sapé, que são muito anteriores à Era Cristã. Este local é povoado desde 1500 a. C. 
No ano 1072, o rei Alfonso VI, de León e Castela, entregou seu Hospital do Cebreiro aos cuidados dos monges da abadia de Saint Geraud d’Aurillac. O local esteve sob o controle dos beneditinos por oito séculos, até que estes o abandonaram em 1854. 

A igreja do Santo Milagre, do Cebreiro

A história do Santo Milagre do Cebreiro é uma das mais famosas do Caminho. No início do século XIV, um modesto camponês da aldeia de Baixamaior subiu as montanhas para assistir a missa no Cebreiro. A missa foi celebrada por um monge de pouca fé, que, apesar de ter sido um dia de fortes ventos e chuvas, despreza o sacrifício do camponês. O sacerdote, ao vê-lo chegar, murmurou "Que burrice! Fazer esta caminhada com este clima, só por causa de um pouco de pão e de vinho." Porém, sob o olhar admirado de todos os presentes, no momento da consagração, a hóstia transforma-se em carne, e o vinho em sangue. Não em sentido simbólico, mas de maneira real e concreta. Os peregrinos que assistiram o milagre com presteza se incumbiram de divulgá-lo. O fato, séculos mais tarde, inspirou um dos trechos da ópera Parsifal de Wagner. 
O cálice em que ocorreu o milagre é uma peça de arte românica do século XII, e encontra-se exposto na igreja do Cebreiro até hoje. Ao seu lado o peregrino pode ver o relicário que foi doado pelos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, quando fizeram sua peregrinação a Compostela em 1488.
Todo dia 9 de Setembro, por ocasião da festa do Santo Milagre, milhares de fiéis de toda a região reúnem-se no Cebreiro para as festividades religiosas. 
Este monastério de monges alcança fama universal no século XIV com o Santo milagre: “Enquanto um monge celebrava uma missa na capela, uma pessoa de um povoado vizinho (Barxamayor) chega ao Cebreiro em um dia de grande tempestade para assistir a santa missa. O monge, um homem de pouca fé, menospreza o sacrifício do aldeão e no momento da consagração da hóstia o monge vê a mesma se converter em carne sobre a patena e o cálice de vinho em sangue.” 
Foram os reis católicos em 1486 que acreditaram no milagre, doaram o relicário que se encontram ainda lá até os dias de hoje. 
O templo pré românico que conserva o milagroso prodígio foi reconstruído várias vezes, sendo a última restauração em 1962. Tanto o cálice como a patena são afamadas peças pré-românicas, especialmente o Santo Graal galego, que forma o escudo da Galícia, cuja lenda de estende por toda a Europa. Também guarda em seu interior uma talha românica de Santa Maria La Real, virgem do Santo milagre, assim como os sepulcros do monge e do aldeão, em uma rústica capela dedicada a San Benito. 
No local vamos ouvir muita gaita galega, e comer bem nos diversos restaurantes típicos do local, que oferece um grande e único albergue, mas também diversos hostais e casas rurais com bastante conforto. Imperdível experimentar o caldo galego e como sobremesa o “queijo do cebreiro” com mel, ou com doce de leite, ou com geléia, ou com “membrillo” (marmelada). 


80 – Fonfria 

Após sair do Cebreiro o peregrino passa por lugarejos como Liñares, Hospital de la Condessa, e Alto do Poio (ponto culminante da Galícia com 1.335 metros de altitude – mais alto que o Cebreiro) para chegar a Fonfría. Nestas pequenas localidades há alguns recursos para saciar a sede e a fome dos peregrinos com possibilidade de hospedagens em hostais e albergues. Há em Liñares e em Hospital igrejas típicas construídas em pedra, de arquitetura muito simples. O destaque é a estátua de um peregrino no Alto do Poio como se estivesse lutando contra os ventos. 

Estátua de San Roque, no Alto do Poio

Em Fonfria, há um bom albergue, um hostal e um modesto restaurante. O destaque é que é o único lugar no Caminho Francês que o peregrino brasileiro poderá desfrutar de um legítimo sanduíche Baurú preparado pela hospitaleira Ângela, certamente ensinado por algum peregrino brasileiro. E tem uma igrejinha bastante simpática. 


81 - Triacastela - a 130 km de Santiago 

Antes de chegar a Triacastela passa-se por Viduedo onde há uma simples capela dedicada a San Pedro e uma casa rural onde poderá ser servida uma refeição e dormir em caso de necessidade. 
Triacastela tem uma importante bifurcação do Caminho. Na saída da cidade o peregrino deve decidir se vai pelas trilhas que passam pelo monastério de Samos ou se segue pela trilha que passa por San Xil , desembocando ambos na cidade de Sarria. A primeira acrescenta mais 9 km. de caminhada. 
Seu nome, de origem latina, significa "três castelos". A cidade cresceu ao redor de um mosteiro fortificado, dedicado a São Pedro e São Paulo, construído no século IX, nas encostas do monte Seiro, pelo conde Gatón, de El Bierzo. 
Possui a bela igreja de Santiago, que é uma reconstrução em cima de outra muito anterior de arquitetura românica. Apresenta uma nave retangular e um belo ábside. 
Tricastela que significa três castelos, hoje não tem mais nenhum. Alguns estudiosos citam que o significado é “hacia Castilla” (Fazia castelos) . Os primeiros documentos que se conhecem desta cidade datam do século X, durante o reinado de Alfonso IX. 

Fone Nova, em Triacastela

Muitos são os peregrinos que utilizaram esta cidade para pernoitar ou repor forças, alguns muito ilustres segundo os registros: Os reis católicos em 15/09/1486, o imperador Carlos Magno em 22/03/1520, e Felipe II em data incerta para chegar a Inglaterra com o propósito de contrair núpcias com Maria Tudor. 
Teve muitos hospitais de peregrinos, sendo citado como mais importante o de “Señor San Pedro”. Dizem que nas dependências de um deles foi cárcere de peregrinos revoltosos, e ainda podem ser vistos alguns grafites deixados por eles. 
Triacastela ainda conserva intacto o antigo cárcere de peregrinos em cujas paredes podem ser vistas inscrições e desenhos de galos feitos pelos prisioneiros de origem francesa. 
Durante a Idade Média os peregrinos que passavam por Triacastela levavam uma grande pedra calcária, mineral abundante nesta região, porém raro no resto da Galícia. Esta pedra era carregada até Castañeda, a cerca de quarenta quilômetros de Santiago, onde estavam situados os fornos de cal que forneciam material para a construção da Catedral de Compostela. Eram os chamados peregrinos petríferos.
A cidade conta com excelente infraestrutura para atender ao peregrino com bons albergues e hostais. 


82 – Samos 

Pouco além de Triacastela encontra-se a milenar Basílica de Samos, uma das mais famosas do Caminho. 
Para os peregrinos que optaram seguir o Caminho Francês via Samos passarão por duas aldeias com pouquíssimos recursos de infraestrutura, que são San Cristóban e Renche, mas a paisagem compensa, porque se caminha por trilhas dentre os bosques por muito tempo. Serão 9,1 km. desde Triacastela até Samos. 
Ele foi fundado no século VI, quando a região era dominada pelos suevos, e seus monges seguiam as regras de São Fructuoso. No século IX aqui passou sua infância e adolescência o rei de Astúrias, Alfonso II, o Casto, e na época o mosteiro acolheu os monges fugidos da Andaluzia invadida pelos árabes. No ano 934 a importância da abadia foi renovada sob os monges beneditinos trazidos pelo rei Ordoño II, de León. Logo se tornoue um dos maiores centros culturais da Europa medieval, e estendia seu poder a centenas de vilas e aldeias.

Monastério de Samos
 
O mosteiro incendiou-se em 1558, e novamente em 1951, e em ambas as ocasiões perderam-se manuscritos e documentos antigos de valor inestimável.
Após passar por Samos, chegando a Sarria, ali morreu o rei Alfonso IX, de León, quando ia fazendo sua peregrinação a Compostela em 1230. 
Em Samos pode ser apreciado (e até dormir no albergue) o Monastério de Samos um dos mais antigos da Espanha, pois sua fundação correu a cargo de San Martin Dumiense no século VI. Há ainda lápides visigóticas do século seguinte. O monastério por decisão dos reis católicos se afiliou a congregação de San Benito de Valladolid e passou algumas dificuldades tais como incêndios, desapropriação, etc... 
Sua igreja é monumental embora bem moderna para os padrões do Caminho tendo sido iniciada sua construção em 1733 e tem uma magnífica fachada. Seus claustros são enormes. 
Samos é atravessada pelo rio Oríbio e um passeio pelas suas margens para quem pernoita na cidade é imperdível. 
Tem também uma pequena ermita em um parque bem perto que ao lado tem um majestoso cipreste de mais de mil anos, sendo a capela um belo exemplar das igrejas rurais galegas. 
Tem bons albergues e hostais, e boa estrutura para o peregrino. 


83 – Sarria 

Para os peregrinos que optarem por seguir até Sarria via San Xil passarão também por pequenas vilas: Montán, Furela, Pintín, Calvor e Aguiada que muito pouco oferece ao peregrino a não ser a bela passagem da travessia dos bosques de San Xil onde há uma das mais belas fontes do Caminho – a dos Lameiros – adornada com uma enorme concha. 
Da cidade de Sarria, com seus mais de 10 mil habitantes (cidade grande para os padrões do Caminho de Santiago) há que se destacar a parte antiga que tem como ponto central a ladeira por onde passam os peregrinos e onde se concentram a maioria dos albergues. Na antiguidade mais remota foi um assentamento romano. Posteriormente foi repovoado por Alfonso IX e durante a idade média estabeleceram sua sede no castelo hoje em ruínas os senhores feudais (Condes de Sarria). 


Merece atenção especial o templo paroquial de Santa Marina cuja base é do século XII e que foi totalmente reconstruída. O convento de La Magdalena é do século XIII (românico) e foi fundado por freis italianos e até 1896 esteve sob a guarda dos padres mercedários. Na fachada apresenta o escudo do Conde de Lemos e em seu interior nichos góticos manuelinos. A igreja de San Salvador é um templo românico com somente uma nave e tem interesse as suas portadas, principalmente a do muro norte que conta com um tímpano bastante peculiar cuja iconografia é bastante misteriosa. E, finalmente tem a ermita de San Lázaro que foi um hospital de leprosos entre os séculos XIV ao XVIII. Ainda entre os monumentos há o que sobrou (uma torre) da fortaleza dos marqueses de Sarria . 
A cidade dispõe de farta escolha de acomodações – albergues, hostais e hotéis, diversos restaurantes, bancos, mercados, etc. Por dispor desta ampla estrutura e por estar a aproximadamente 100 km. de Santiago, é uma das cidades preferidas pelos peregrinos para começar o seu Caminho, já que 100 km. é a distância mínima a ser percorrida a pé para receber a Compostela. 



84 – Barbadelo 

São somente 5 km. de Sarria até Barbadelo, um pequeno povoado, mas bastante emblemático no Caminho de Santiago. O destaque da natureza está no bosque que se atravessa numa subida logo após a travessia da linha férrea, com inúmeros carvalhos centenários, onde muitas pessoas “enxergam” seres mitológicos. 
Barbadelo possui um bom albergue (da Junta da Galicia onde eram as antigas escolas) e uma boa casa Rural onde o peregrino poderá fazer sua refeição. Ao lado do albergue há um trailer que quebra o galho do peregrino em caso de fome ou sede. 


Tem uma preciosa igreja românica galega do século XII tardio que pela sua beleza é citada no Código Calixtino. É dedicada a Santiago e foi convertido em patrimônio artístico cultural. Da beleza primitiva pode ser admirada a nave, suas portadas e arquivoltas de meio ponto abocinadas e em seu pórtico existem elementos iconográficos de rara beleza e em seus capitéis ostenta motivos zoomorfos com pássaros e outros animais e distintas figuras humanas. 
Sabe-se de ter havido aqui a existência de um monastério que dependia da Abadia de Samos. 
Além disso, Barbadelo era na época medieval, junto a Triacastela, um lugar eleito pelos espertalhões para enganar os sofridos peregrinos. 


85 - Portomarín - a 89 km de Santiago 

Antes de chegar a Portomarin o peregrino passa por diminutas aldeias, ou melhor, localidades.
Brea – possui apenas uma pequena ermita que os peregrinos usam para deixar avisos e mensagens, logo mais a frente encontra-se o mítico marco do quilômetro 100, onde os peregrinos também deixam suas mensagens. 
Ferreiros – como seu nome indica, era uma localidade onde eram oferecidos serviços de consertos de calçados e de colocação de ferraduras nos cavalos. Ao lado do Caminho há uma igreja com uma preciosa portada românica. 
Mercadoiro – não possui nada além de um belo albergue ao lado do Caminho em um casarão reformado do século XVII que foi um antigo hospital de peregrinos. Destaque para os banheiros com ducha circular. 
Vilachá – Nenhum serviço ao peregrino, mas no plano cultural/religioso há o fato de que neste lugar no ano de 1172 doze cavaleiros se uniram e juraram dar proteção aos peregrinos contra os assaltos muçulmanos. Assim nasceu a Ordem dos Cavaleiros de Santiago. 
Portomarin se formou de ambos os lados da ponte que foi construída pelos romanos no século XII. 
Esta ponte junto com a de Lugo e a de Ourense eram as únicas formas de atravessar o rio Minho sem utilizar embarcações, razão pela qual a rota dos peregrinos passava por esta cidade. Na margem esquerda tinha a vila de San Pedro de Portomarin, e na margem direita a vila de San Juan de Portomarin. 
Em 1960 com a construção da represa no Rio Minho a parte antiga de Portomarin foi inundada e os restos da ponte medieval que foi destruída por Dona Urraca para impedir o avanço das tropas do seu marido – Alfonso el batallador, foi reconstruída por Pedro por volta do ano de 1121. 
Com isso as edificações mais relevantes foram transladas pedra por pedra no novo assentamento. Assim ocorreu com a igreja de San Juan (atualmente San Nicolas), a fachada da igreja de San Pedro, a casa consistorial e o paço do conde de Maza. 

Igreja de San Nicolas, em Portomarin

No caso da igreja de San Nicolas que foi construída entre os séculos XII e XIII pelos monjes caveleiros da Ordem de San Juan de Jerusalém com características de fortaleza defensiva ainda podem ser vistas as numerações das pedras em uma de suas laterais. 
Uma das melhores vistas que se pode ter da Portomarin é da Ermita de N. Sra. De lãs Nieves. 
A cidade apresenta todos os serviços para o peregrino com fartura de bares, restaurantes, albergues e hostais. 
Nos tempos do Império Romano o local era denominado Pons Minei (Ponte do Minho) ou Portus Minei (Porto do Minho). Nas crônicas dos séculos IX e X, já assume o nome de Locum Portomarini. A antiga ponte que cruzava o rio Minho foi destruída por Doña Urraca, de León e Castela, em suas lutas contra o ex-marido Alfonso I, o Batalhador, rei de Aragão e Navarra. Pouco tempo depois, em 1120, a ponte foi reconstruída por Pedro, o Peregrino, sobre o qual nada se sabe. 
Os principais marcos históricos de Portomarín são a igreja de San Pedro, consagrada em 1182, e a igreja de San Juan, também do século XII, construída no velho estilo românico conhecido como igreja-fortaleza. Nos arredores da cidade está o mosteiro de Vilar de Donas, onde eram sepultados os Cavaleiros de Santiago. Na margem esquerda do rio erguia-se o antigo mosteiro de Santa Cruz de Loyo, dos cavaleiros templários, de cujos vinhedos se obtinha o tradicional aguardente de Portomarín. No domingo de Páscoa era celebrado o "dia do aguardente", ocasião em que a bebida era destilada na praça central, até o anoitecer. 
Em 1962 a cidade histórica foi inundada pelas águas represadas do rio Minho. Porém, antes que isto acontecesse, as igrejas de San Juan e de San Pedro, os palácios do Conde de la Maza (do século XVI) e dos Pimenteles (do século XVII), e a capela da Virgen de las Nieves, foram demolidos cuidadosamente, suas pedras numeradas uma a uma, e a seguir reconstruídos, em um trabalho de paciência infinita, pedra por pedra, onde hoje está situada a cidade nova, em um ponto mais alto da margem do rio. Quando as águas baixam ainda se veem as casas da antiga cidade, os tocos das antigas vinhas e os restos da velha ponte secular. 
Saindo de Portomarín, o peregrino chegará a Palas de Rei ou Palas del Rey, denominada Pallatium Regis pelos romanos, isto é, "palácio do Rei". Provavelmente seu nome é referência ao rei visigodo Witiza (701 - 709), que ali viveu há 1300 anos. 


86 – Palas de Rei 

Ao se entrar na Galícia existem muitos pequenos povoados/vilas, sempre oferecendo alguma opção ao peregrino como os que se seguem.. 
Gonzar - é uma pequena localidade. O peregrino poderá observar ao longo do Caminho os castros celtas que oferecem uma visão de como era a Galícia entes de ser conquistada pelos romanos. A localidade era ainda um comendadoria da Ordem dos cavaleiros de San Juan de Portomarin, e embora se caminhe por uma estrada secundária pode-se em algumas vezes encontrar vestígios do Caminho original. 
Castromayor – possui um belo templo românico dedicado a Santa Maria. Podem, ainda ser apreciados as ruínas de um grande “castro” que fica a noroeste do atual povoado, e que dá o nome à vila. 
Hospital de la Cruz – Seu nome vem de um antigo hospital de peregrinos que funcionou até os finais do século XVIII. Sua capela está dedicada a San Esteban. 
Ventas de Narón – Este local teve relevante importância na época medieval, pois era um centro comercial e assistencial onde os peregrinos repunham forças antes de iniciar a subida até o alto de Ligonde. No ano 820 Foi cenário de uma encarniçada batalha entre as tropas cristãs e muçulmanas. Fora do povoado há uma ermita dedicada a Santa Maria. 
Ligonde – A localidade acolheu Carlos V e Felipe II quando percorreram o Caminho. Teve um importante hospital de peregrinos, do qual se conserva ainda um antigo livro de contas. O templo primitivo de Ligonde era românico, porém hoje há somente dela a portada original cuja igreja é neoclássica. Conserva ainda um cemitério de peregrinos com uma grande cruz de pedra a qual constitui o cruzeiro mais famoso do Caminho segundo os historiadores. 
Eireiche – O nome do povoado significa “igreja” em galego, e sem dúvida faz referência a igreja de estilo românico (original) que ainda possui, depois de muitas reformas. 
Avenostre – Nada mais é que um conjunto de casas a esquerda do Caminho. Seu nome provém do hino jacobeu: ....”ave nostre jacobus.....” 
Após passar por todos estes pequenos povoados o peregrino chega a Palas de Rei, que na época medieval foi um dos principais enclaves do Caminho. Do seu antigo passado conserva a igreja paroquial com uma portada românica. Ayméric Picaud a chamava de “Palacium Regis”e a situa como final etapa no Caminho, onde se agrupavam os ansiosos peregrinos no “campo dos romeiros” para desafiar os últimos trechos de tão largo caminho. 

Igreja de San Tirso, em Palas de Rei

Conta-se que Dona Urraca aqui residiu, temporariamente, e que o lugar foi fonte de inspiração para distintos personagens da literatura, como Emilia Pardo Bazán e López Ferreiro, entre outros. 
Para ser visto há ainda a igreja de San Tirso que também foi reformada, mas anteriormente era românica, a igreja monasterial de Vilar das Donas que é patrimônio histórico desde 1931 e sua arquitetura românica com influência cistercense e gótica provém do século XIII. Em seu interior destacam-se os túmulos do século XII que já nesta época era o lugar onde se enterravam os cavaleiros da Ordem de Santiago. 
Além disso, há o castelo de Pambre, construído entre os séculos XIV e XV sobre um maciço rochoso. É um dos melhores expoentes da arquitetura militar na Galícia e em bom estado de conservação. A cidade possui uma boa infraestrutura para o peregrino com albergues, mercados, hostais, restaurantes, bancos, etc. 


87 – Melide 

Casanova – É o último povoado da província de Lugo. Entre este local e Leboreiro há restos de uma antiga calçada romana. Destaque para o belo cruzeiro na entrada do núcleo habitacional e dos horréos centenários. Apenas um albergue da Junta da Galícia para ser usado em caso de necessidade. 
Leboreiro – É o primeiro povoado da província de la Coruna. A aldeia tem um encanto especial. Na entrada tem um belo cruzeiro e o pórtico da igreja de Virgen de las Nieves merece uma atenção especial. Trata-se de uma arquitetura românica de transição. Teve um hospital de peregrinos em frente a igreja fundada pela família Ulloa no século XII cujo brasão ainda ostenta. Como curiosidade, o nome desta vila provém da abundância de lebres na região. Um albergue pode ser utilizado somente em casos emergenciais, pois não possui camas. 
Furelos – O Caminho original passava por aqui. A única passagem pela qual os peregrinos podiam atravessar o rio Furelos era exatamente pela ponte medieval de quatro arcos que até hoje existe. O local oferece alguns poucos serviços aos peregrinos. Tem na sua igreja/capela um cristo crucificado numa postura bastante peculiar, que vale uma visita. Difícil não se emocionar. 

Famosa e imperdível Pulperia Ezequiel, em Melide

Melide – Possui todos os serviços ao peregrino, e para os amantes da culinária é a cidade das “pulperias” (polvo). Contando com seus quase cinco mil habitantes é um importante núcleo urbano conjuga com harmonia a modernidade com a idade média. A cidade é de origem pré-romana e em seu casco antigo tem diversas construções típicas tendo na praça do convento o museu etnográfico que outrora foi o hospital “Sancti Espiritu” para acolher peregrinos. Contava também com um leprosário (lazareto) atendido pelos monges da Ordem de San Lázaro. Tinha um monastério com o mesmo nome cujo templo atualmente é a igreja paroquial. 
A vila foi destruída no século XV, por uma revolução popular contra o poder feudal, arrasando as fortificações e palácios da comarca. 
Para ver há ainda a Igreja de San Antonio, capela de San Roque (românica), e a igreja de Santa Maria e San Pedro (românica) 


88 – Arzua 

Boente – Não tem albergue nem hostal no povoado, somente um bar-tienda para suprimentos básicos. Dentro da igreja, que é moderna para os padrões do Caminho de Santiago tem uma bela imagem de Santiago com sua representação como peregrino. 
Castañeda – apenas dispõe de uma casa rural e bar que atende aos peregrinos. Não oferece nenhuma atração para o peregrino de passagem. Como curiosidade, era nesta localidade que estavam situados os fornos que transformavam as pedras em cal para servir à construção da catedral de Santiago, que segundo relato de Ayméric Picaud eram transportadas pelos peregrinos desde as montanhas do Cebreiro até Triacastela. 
Ribadiso de Baixo – pequena comunidade situada a beira do rio Iso, e o que mais se destaca é o próprio albergue de peregrinos que segundo reza num documento de 1523 foi a sede de um hospital de peregrinos “onde o hospitaleiro devia socorrer os peregrinos com toda a caridade”. Segundo depoimentos dos próprios peregrinos é um dos melhores albergues do Caminho. 

Igreja de Santa Maria, em Arzua

Arzua – Atualmente é uma cidade moderna dotada de todos os serviços ao peregrino. Deve sua fama a qualidade dos queijos que produz (queso Arzua Ulloa). Nesta cidade havia um convento do século XIV que fundação agostiniana, atualmente em ruínas que serviu de albergue para peregrinos. Está anexo a ermita de La Magdalena. Como curiosidade é em Arzua que se confluem o Caminho Francês com o do Norte. A igreja paroquial está dedicada a Santiago (moderna) conserva no seu interior duas imagens muito interessantes de Santiago, uma como Matamoros e outra como peregrino. 


89 – Pedrouzo de Arca 

Salceda – apenas tem um bar-tienda que tem de tudo um pouco. Povoado de passagem. Existe somente um monumento simples dedicado a Guillermo Watt peregrino que faleceu neste ponto em 1993, quando somente lhe faltava cumprir mais uma etapa, ou seja, 25 km. até Santiago. 
Santa Irene – Não deixa de ser uma opção para o peregrino já que dispõe de estrutura mínima para pernoitar pois, disponibiliza albergue, hostal e lugar para comer. O Caminho passa a beira de uma modesta, mas encantadora capela rústica dedicada a Santa Irene, logo após atravessar o túnel por baixa da rodovia, que tem uma fonte “santa”, pois sua água é recomendada para a pele e para curar bolhas. 
Rua – Possui uma casa rural que pode atender aos peregrinos. Nada mais a ser apreciado a não ser um casarão bastante deteriorado que pertenceu à nobreza rural. Em sua portada principal, sobre o dintel ainda ostenta um brasão. 



Pedrouzo de Arca – Sua localização a 20 km. de Santiago, constitui para muitos a última etapa das rotas jacobéias do Caminho do Norte, Primitivo, de la Plata, Francês, dentre outros. Oferece os serviços essenciais para o peregrino. Tem como interessante a igreja de Santa Eulália, onde seu altar tem a forma de uma enorme concha em homenagem a Santiago. 


90 – Monte do Gozo 

Labacolla – Povoado de passagem, mas historicamente importante, pois o riacho que passa pelo local e que dá nome ao local era onde pela última vez os peregrinos lavavam suas roupas e se banhavam para apresentar-se dignamente na missa do peregrino em Santiago, segundo conta Aymeric Picaud. 
San Marcos – É praticamente um bairro de Santiago. Não oferece nada ao peregrino a não ser um bar. 

Estátua/Monumento, situado no Monte do Gozo

Monte do Gozo – também chamado de Montjoy, Montxoi ou Monte de San Marcos. Desde o alto de sua colina os peregrinos podiam avistar pela primeira vez as torres da catedral e se prostravam de joelhos em êxtase por haver alcançado seu objetivo, que era privilégio de muito poucos. Atualmente muitos peregrinos pernoitam por aqui no albergue que tem a capacidade para receber quase mil peregrinos por dia. É rotina dos peregrinos ao descer o Monte do Gozo cantar a sua canção predileta. Tem no topo da colina um monumento em homenagem ao peregrino cuja obra é atribuída a uma artista plástica brasileira. 


91 - Santiago 

A chegada à catedral de Santiago se dá pela Avenida de los Concheiros, onde antigamente os concheiros, ou seja, os artesãos que fabricavam conchas de prata ou de latão vendiam suas mercadorias aos peregrinos. O trajeto continua até a Puerta del Camino ou Porta Francigena, que tem este nome por causa dos peregrinos franceses, e chega ao Crucero de Bonaval, local em que um peregrino medieval, que iria ser enforcado por seus delitos, invocou Nossa Senhora suplicando que sua morte fosse rápida e sem sofrimentos. Imediatamente o peregrino caiu morto, escapando assim do enforcamento. 
Chega-se finalmente à Puerta Santa, no fundo da Catedral, datada de 1611, e que só é aberta no Ano Santo. Esta é uma das sete portas menores da catedral, e era chamada antigamente de Puerta de San Paio, depois Puerta de los Perdones, e atualmente Puerta Santa. É a única que mantém sua originária função. Abre-se no dia 31 de Dezembro que antecede, e permanece aberta até o dia 31 de Dezembro que encerra o Ano Santo. Embora não seja necessário passar por ela para se obter a indulgência, este é um antigo costume que se mantém até hoje. 
No altar maior da catedral o peregrino encontra, lado a lado, três imagens de São Tiago que ilustram as três facetas do culto ao apóstolo: Tiago, o Mestre, Tiago, o Peregrino e Tiago, o Cavaleiro.
Caso a Puerta Santa esteja fechada, entra-se pela frente, pelo Pórtico de la Gloria, verdadeira obra-prima da arte românica, esculpida pelo Maestro Matteo (1168 - 1188). Segundo uma tradição cujas origens perdem-se no tempo, o peregrino que chega a Santiago deve colocar a mão direita no pilar central do Pórtico da Glória para agradecer o sucesso da longa viagem. Este pilar representa esculpida a árvore genealógica de Cristo e é o símbolo da origem humana de Jesus. Sobre seu capitel há uma imagem de São Tiago e, em sua base, uma face esculpida, que se acredita ser um "auto-retrato" do próprio Maestro Matteo. Tradicionalmente o peregrino deve aí encostar sua cabeça, para assim iluminar seus pensamentos.
Neste pilar, no local em que milhões de mãos peregrinas tocaram a coluna expressando sua fé, ao longo dos séculos formou-se a impressão de uma mão, em que se encaixam perfeitamente os dedos do peregrino. Estes infinitos andarilhos que com seus pés esculpiram o Caminho e com seu suor esculpiram a História de todo o norte da Espanha, com seus dedos e com a força de seu espírito até hoje continuam escavando a forma de uma mão na rocha deste pilar. 

Catedral de Santiago de Compostela

No território que atualmente ocupa a catedral existia um povoado romano, que se tende a identificar como a mansão romana de Aseconia, que existiu entre a segunda metade do século I e o século V. O povoado desapareceu, mas permaneceu uma necrópole que esteve em uso, provavelmente, até o século VII. O nascimento de Santiago, como se conhece agora, está ligado à descoberta (presumível) dos restos do Apóstolo Santiago entre 820 e 835, à elevação do nível religioso dos restos, e a Universidade de Santiago de Compostela. Segundo a tradição medieval, como aparece pela primeira vez na Concórdia de Antealtares (1077), o eremita Paio alertado por luzes noturnas, que se produziam no bosque de Libredon, avisou o bispo de Iria Flavia, Teodomiro, que descobriu os restos de Santiago Maior e de dois dos seus discípulos, no lugar que posteriormente se levantaria Compostela, topônimo que poderia vir de Campus Stellae, isto é "campo de estrelas", ou mais provavelmente de Composita Tella, "terras bem ajeitadas", que é um eufemismo galego do termo “cemitério”. 
A descoberta propiciou que Afonso II das Astúrias, necessitado de coesão interna e apoio externo para o seu reino, fizera uma peregrinação que anunciou no interior do seu reino e no exterior, a um novo lugar de peregrinação da cristandade num momento em que a importância de Roma decaíra e Jerusalém não era acessível por estar em poder dos muçulmanos. Pouco a pouco a cidade foi se desenvolvendo, primeiro estabeleceu-se uma comunidade eclesiástica permanente a cargo do bispo de Iria e os monges de San Paio de Antealtares. Assim, espontaneamente assentou-se uma população heterogênea, ainda que fundamentalmente, estava formada por emigrantes procedentes das aldeias próximas, que foi aumentando à medida que se desenvolvia a peregrinação por razões religiosas por todo o ocidente peninsular, reforçado pelo privilégio concedido por Ordonho II no ano 915 pelo que se estabelecia que quem quer que permanecesse quarenta dias sem ser reclamado como servo passava a ser considerado como um homem livre com direito a residir em Compostela. 
A cidade foi destruída por Al-Mansur em 10 de Agosto do ano 997, que só respeitou a sepultura do apóstolo. Após a volta dos habitantes começou a reconstrução, com o bispo Cresconio, nos meados do século XI, dotando a cidade de um cinto de fossas e uma muralha como medida defensiva. No ano 1075 deu-se início à construção da catedral românica refletindo, de imediato, no aumento da peregrinação à Compostela, definindo-a como um lugar de referência religiosa na Europa. Com esse aumento, sua importância se vê recompensada também politicamente, tornando-a, na época do Arcebispo Xelmírez, à categoria de metropolitana compostelana (1120). Entre os séculos XII e XIII foi-se articulando uma rede de ruas dentro do recinto amuralhado. A chegada da Peste Negra à cidade, seguido de uma forte recessão demográfica, quase destruiu novamente a cidade, que somente a partir de 1380 recuperou a população e já no século XV tinha entre 4.000 e 5.000 habitantes. A fundação da Universidade no século XVI dá-lhe um novo impulso à atração de Santiago, em particular na Galícia, dá um novo impulso no crescimento da cidade. 
As Sete Portas de Santiago - Ao longo do caminho Francês podemos observar em algumas cidades como Astorga, Mansilla de las Mulas, por exemplo, vestígios de muralhas construídas na idade média, que circundavam o povoado como forma de aumentar a proteção contra invasões inimigas. Santiago de Compostela não fugiu a essa regra e teve também a sua muralha. Citam os historiadores (Singul é um deles) que era inicialmente para se precaver contra os ataques dos Vikings uma vez que ela é do século X, quando então o bispo Sisnando II, reconstruiu uma nova muralha mais robusta visando proteger as proximidades do “Locus Sanctus”, ou seja, a Igreja (ainda sem ter as dimensões atuais), o Palácio Arcebispal e outras construções correlatas. 
O bispo Sisnando II veio a falecer em uma das tentativas de invasão pelos Vikings, em data não precisa. O que se especula é que aconteceram três tentativas de invasão sendo a última delas rechaçada em Iria Flávia. 
Aproveitando a planta da muralha construída por Sisnando II, o bispo Cresconio (1037-1068), construiu uma nova muralha ao redor de Santiago, aumentando o perímetro da fortificação. Tal muralha cita López Alsina, tinha um perímetro de dois quilômetros e era dotada de sete portas de acesso que se chamavam de: “do Camiño”; “Algalia”; “San Francisco”; “Trinidade”; “Faxeira”; “Mámoa” e “Mazarelos”. Cada uma delas tinha estreita relação com as rotas de chegada dos peregrinos à Santiago de Compostela. 
A Porta do Caminho (Puerta Del Camino) ainda é a principal entrada da parte antiga, medieval, da cidade, e o caminho que os peregrinos seguiam para chegar até a catedral. Os peregrinos tinham este local, como o fim do Caminho Francês, que em tese começa em Roncesvalles ou em Saint Jean-Pied-de-Port, na fronteira entre a Espanha e a França, percorrendo quase 900 km. para chegar até Santiago de Compostela. Para eles, a cidade antiga começava neste local. Era uma cidade com muralhas e tinha sete portas de entrada. Lamentavelmente, devido ao crescimento da cidade, esta muralha medieval foi destruída no século XIX, embora a configuração da cidade antiga, os nomes dos lugares e das portas tenham permanecido ao longo do tempo. Foi graças a esta muralha que a cidade antiga conservou este sabor histórico, assim como o cheiro de incenso, e o som da pedra, devido aos quais é ainda possível ouvir o eco dos últimos passos dos peregrinos. 
Em resumo, as sete portas de Santiago são: 
A Porta del Camiño que fazia referência a via empregada pelos peregrinos franceses;
A Porta de Algalia, também conhecida como a da Pena ou de Atalaya, tinha relação com o Caminho Inglês;
A Porta de San Francisco também conhecida pela Porta de Subfrativus;
A Porta de Trinidad, que dava acesso ao Caminho de Finisterre, também denominada como “do Santo Peregrino”;
A Porta da Mámoa também se denominava de Porta Sussanis;
A Porta Faxeira, e a Porta de Mazarelos empregadas pelos peregrinos que chegavam do Caminho Português.
Complementando sua obra, Cresconio construiu ainda uma torre em frente à fachada ocidental da Igreja Compostelana, e uma outra, denominada como Torre de Honesto ou de Oeste, localizada na desembocadura do rio Ulla, para prevenir-se ainda das incursões Vikings. 
Exceto a “Porta de Mazarelos” que sobreviveu até a presente data, não há vestígios das demais portas e muralhas da cidade de Santiago. 

Bom Caminho a todos!

março/2013