CAMINHO DE SANTIAGO: PEREGRINOS E PEREGRINAÇÕES


CAMINHO DE SANTIAGO: PEREGRINOS E PEREGRINAÇÕES

Peregrino, do latim – “Peregrinus”.



Fonte: http://www.peregrinoviajor.com/


É considerado todo aquele que anda por terras estranhas e, que por devoção ou por promessa visita um santuário - mais especificamente, se leva consigo - um cajado.



Peregrinações 





Entre os gregos, os oráculos que atraiam maior número de pessoas eram dos Delfos, Epidauro e Dodona. No Egito, o templo de Amon atraía multidões apesar de situar-se em pleno deserto; e na Índia, Benarés. Entretanto, nenhum destes lugares teve 
tanta importância quanto o da peregrinação muçulmana, a Meca. 

O cristianismo teve desde a época do império romano, santuários especialmente venerados: Jerusalém (sepulcro de Jesus), Roma (tumbas dos apóstolos, catacumbas), Tours (S. Martín), Cártago (S.Cipriano) e, por algum tempo, Nola (S. Paulino).

Na Idade Média, Santiago de Compostela foi o lugar privilegiado, para onde numerosos peregrinos se dirigiam. Como também, em outras peregrinações cristãs: Fátima, Lourdes, Guadalupe, etc.

Segundo a tradição, o apóstolo Santiago havia evangelizado parte da Espanha, antes de sua morte, na Judeia. Seu corpo foi transladado por seus discípulos, até a Galícia.

O culto ao apóstolo rapidamente se espalhou por toda a Europa, favorecido pela devoção popular e pelo apoio dos reis de Astúrias, que encontraram no santuário um símbolo que estimulava a luta contra o Islã.

O rei Alfonso II de Astúrias (791-842) mandou construir uma igreja, num lugar da Galícia chamado "campo de estrelas", onde havia sido descoberto um antigo sepulcro que logo foi objeto de veneração, como sendo o do apóstolo Santiago “el 
Mayor”. Mais tarde a igreja foi ampliada por Alfonso III (866-910). 




Com a intensificação das relações entre a Europa Ocidental e, os reinos cristãos da Península, a partir do século XI, as rotas de entrada na Espanha eram três: a antiga via romana que atravessava os Pirineus na parte Oriental, conduzindo a 
Barcelona; a dos Pirineus na parte Central, que passava por Somport e levava a Jaca; e a de Roncesvalles, que ia parar em Pamplona. 

A via catalã, naquela época, era a mais utilizada. A de Somport, era a mais difícil, porém, os reis de Aragão tiveram sempre muito interesse, em mantê-la aberta. A via de entrada que experimentou maior auge, foi a de Roncesvalles. Êxito este, 
atribuído especialmente aos reis navarro, que procuraram canalizar o fluxo de peregrinos que se dirigiam a Compostela, para essa rota, tornando-se através dos tempos, o ramal mais ativo do caminho de Santiago. 




As grandes peregrinações a Santiago, tiveram seu crescimento a partir do século XI ao século XV. Os peregrinos procediam de toda Europa ocidental e central: França, Alemanha, Itália, Geram Bretanha, países Escandinavos, Polônia, etc.

Ao largo do caminho de Santiago, cresceram as velhas cidades (Burgos, Leon, Santiago). Com o tempo, novas nasceram, como: Estella, Logroño, Santo Domingo de la Calzada e Sahagún. A chegada do clero na península Ibérica, procedente da 
Europa, favoreceu a entrada da arte religiosa, que já era difundida naquele Continente. Foi assim, que no final do século XI, chegou à Espanha, a arte românica. De procedência francesa, se difundiu pela Europa graças às rotas de peregrinação e dos monges hospitaleiros cluiniacenses (Cluny, Borgonha, França) - da ordem beneditina. 

Atualmente ainda se conservam uma série de construções que se edificaram na Idade Média ao longo do caminho de Santiago por reis e pelo clero. Muitas destas obras são peças importantes da arte românica européia, entre elas a catedral de Jaca, o 
monastério de Leyre - Navarra, a igreja da San Martín - de Frómista. Também em Leon, o conjunto de San Isidoro com as famosas pinturas românicas do Panteón e, finalmente já em Santiago, a catedral, dedicada ao Apóstolo e que constitui um dos monumentos especiais desta arte, na Espanha. Além disso, existe uma série de inumeráveis pontes, albergues, monastérios e igrejas, que vão pontuando todo o caminho. 




Esta rota de peregrinação a Santiago, como a de Jerusalém e a de Roma, foram uma autêntica e eficaz rede de comunicação, servindo de veículo unificador, tanto cultural, como comercialmente, na Idade Média, numa Europa que havia ficado 
comercialmente, desgastada, com a queda do império romano. 

Fonte: http://www.acasargs.com.br/

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