MOCHILA


MOCHILA



Vai fazer o Caminho? Um dos equipamentos mais importantes é a mochila. E saber como escolher uma que atenda as suas necessidades vai fazer a diferença entre escolher uma grande companheira de aventuras ou uma verdadeira inimiga.

As mochilas modernas, possuem tecnologia de ponta: são feitas em material leve e resistente, possuem tiras que permitem o ajuste perfeito ao corpo, sistema de suspensão para melhor distribuição do peso, e os mais diversos compartimentos, para os mais variados equipamentos e situações.

Existem vários tipos de mochilas, mas para o caso do Caminho de Santiago, devem possuir espaço suficiente para armazenar o que você elegeu para levar, aberturas laterais, alças anatômicas, costado ergonômico e tecidos inteligentes que maximizam sua performance!

Na hora de escolher uma mochila, é importante analisar uma série de aspectos antes de tomar uma decisão, afinal, escolher a mochila errada pode resultar em uma grande dor de cabeça – e uma dor das costas maior ainda.

Além de leve e resistente, uma boa mochila deve oferecer flexibilidade (estrutura forte, mas não rígida, permitindo que a bolsa se mova em harmonia com o corpo); equilíbrio (a estrutura deve manter o peso perto do centro natural de gravidade); estabilidade (diversas tiras de compressão que fixem os objetos dentro da mochila, evitando que fiquem se chocando contra o corpo, e que prendam a mochila às costas, deixando-a mais estável); liberdade de movimento (mais estreitas e próximas ao corpo, permitindo que os braços se movam livremente); e sistema de ajuste (sistema de suspensão que ajuste a mochila no corpo e distribua melhor o peso).


O que uma mochila deve ter?

a) Barrigueira: tira ajustável na cintura. Deve ser larga e acolchoada, para aumentar a capacidade de carregar pesos maiores sem machucar a cintura e sem comprometer o equilíbrio. Deve ficar logo acima do osso ilíaco (os dois ossos proeminentes na frente do quadril), área onde a região pélvica começa a ficar mais larga, permitindo uma fundação estável e forte para a mochila. Dica: mantenha a mochila próxima ao corpo, mas não aperte muito o cinto, pois pode incomodar e até machucar. (ela deve estar firme, mas não muito apertada)

b) Alças acolchoadas: mochila grande, peso grande. Portanto, as mochilas devem ter alças largas anatômicas, acolchoadas e com ajuste (tiras finas e duras podem machucar o ombro e deixar o peso mais difícil de carregar)

c) Painel nas costas: camada fina, mas resistente, feita geralmente de polietileno de alta densidade. Isso acrescenta rigidez à estrutura sem acrescentar peso, deixando a mochila mais firme (reta) e evitando que os objetos dentro da bolsa fiquem “cutucando” as costas. Algumas já vêm com uma armação.

d) Protetor das costas: algumas mochilas de estrutura interna oferecem um painel de espuma até a metade das costas, em uma tentativa de separar a mochila das costas e melhorar a circulação de ar. No entanto, esse sistema não ajuda muito – em longas caminhadas ou atividades mais puxadas é inevitável ficar com as costas suadas.

e) Sistema de suspensão: são diversas tiras com ajuste, localizadas nos ombros, no dorso e na cintura (apoio lombar, apoios dorsais laterais, estabilizadores superiores e laterais e estabilizador peitoral). Essas tiras permitem que o peso seja reposicionado e distribuído entre ombros, costas e quadris, deixando a mochila mais leve e fácil de carregar.

f) Revestimento: como as mochilas com sistema de ajuste costumam ficar mais próxima ao corpo, é normal que as costas fiquem mais quentes e suadas. Portanto é interessante escolher uma mochila com revestimento Dry System em todas as partes em contato com o corpo, para melhor absorção do suor e ventilação.

g) Material: as mochilas modernas geralmente são feitas de nylon ou Cordura, que são tecidos fortes, resistentes, leves, e com um bom acabamento. Ambos resistem bem à abrasão e à água (é claro que você não vai poder mergulhar em um rio com a mochila ou pegar uma tempestade).



h) Compartimento para água e sistema de hidratação: algumas mochilas possuem vários bolsos externos laterais e outros compartimentos onde é possível guardar uma garrafa de água e pegá-la facilmente no momento da sede. Outras possuem dois bolsos laterais de tela elástico onde é possível acomodar duas garrafas pequenas de água, deixando-as mais à mão. Algumas mochilas modernas já vêm equipadas com sistema de hidratação, ou seja, um compartimento interno para depositar uma bolsa ou reservatório de água e uma pequena abertura para passar o longo e flexível canudo com tampa, que pode ser levado à boca a qualquer momento, sem precisar abrir a mochila ou procurar as garrafas de água nos bolsos.

i) Extras e anexos: muitas mochilas possuem inúmeros pontos de amarra que possibilitam que você anexe ainda mais bolsas e equipamentos, como cordas, tiras, capacetes, etc. Algumas mochilas possuem compartimento frontal externo ajustável – ótimo para guardar itens molhados -, além de bolsos laterais feitos de tela elástica ideais para carregar garrafas de água. Tudo isso é muito bom para organizar melhor sua bagagem, mas é preciso ter em mente que todos os extras acrescentam mais peso à mochila.

Contudo mochila boa é mochila leve. Portanto pense bem no que deseja levar e compre uma mochila com o tamanho certo – não compre uma maior do que precisa. Lembre-se quanto maior é a mochila, maior é o peso (e o peso pode atrapalhar muito o deslocamento e deixar a caminhada bem mais cansativa).

Algumas considerações que você deve fazer antes de escolher o tamanho de sua mochila: o volume exato depende também de suas características físicas e outros fatores. Dependendo de sua altura, resistência física e experiência na atividade a escolha pode variar. Por exemplo, uma mulher de 1,60 cm e 50 kg dificilmente irá carregar uma mochila de 75 litros com 12 kg de peso. Neste caso, o melhor é uma mochila de 45 litros no máximo. Saber a experiência de outras pessoas para determinar o que será útil ou não na sua peregrinação faz muita diferença. Excesso de roupa, muito alimento, equipamentos inúteis são erros comuns que requerem mais volume e aumentam o peso da mochila.



Colaborador: Tácio Renato (AACS-Brasil)